Isaac Hayes a voz do «Chefe» em South Park abandonou a série por, alegadamente, já não aguentar as sátiras à religião que abundam nesta série satírica.
Hayes, que personifica o cozinheiro da escola desde 1997, justificou a sua saída porque «As crenças religiosas são sagradas para as pessoas e devem ser sempre respeitadas e honradas». Estranhamente Hayes, um devoto cientologista e crente em Xenu, «thetan’s» e demais delírios do escritor de ficção científica L. Ron Hubbard que inventou a religião há cerca de meio século, nunca protestou as muitas sátiras devotadas a outras religiões. Os pruridos de Hayes apenas se manifestaram depois de um episódio de South Park (entretanto banido depois de Tom Cruise ter ameaçado processar a Paramount se o episódio fosse emitido outra vez), «Trapped in the Closet», ter satirizado a Igreja da Cientologia e as celebridades que acreditam nos disparates extra terrestres sortidos desta religião.
Matt Stone, co-criador de South Park, afirmou ontem à Associated Press que «Isto tem 100% a ver com a sua fé na Cientologia… Ele não tem problemas – e recebeu montes de cheques – em que o nosso programa satirize cristãos» acrescentando que «Ele quer um padrão diferente para as outras religiões e para a sua e, para mim, é aí que a intolerância começa».
Embora o «Chefe» fosse um personagem que de certa forma normalizava o mundo disfuncional de South Park numa nota optimista pode ser que agora possamos ver um episódio de «Bullshit! on Scientology»!
Num encontro de oração com jovens universitários da Europa e do continente africano, que decorreu no último sábado, o Papa sublinhou a necessidade de impulsionar o humanismo cristão como via de cooperação entre o continente europeu e o africano» – afirma a Agência Ecclesia, órgão oficial da seita.
Há grande euforia nos meios ateístas europeus, com a possibilidade de a Cúria Romana se transferir para o Burkina Faso, um país da região do Sahel, para contrariar aí a influência do islão telecomandado da Arábia Saudita.
Não é apenas o Vaticano que explora os medos da modernidade despoletados pelo terrorismo islâmico para passar a mensagem que apenas o fundamentalismo cristão pode derrotar a ameaça do fundamentalismo islâmico.
Depois de Ratzinger, que expressou repetidamente as suas preocupações sobre o futuro de uma Europa sob a ameaça da laicidade e do Islão, em que a primeira, ou seja, a exclusão de Deus da vida pública, impede a única resposta que dará conta da ameaça islâmica, a assunção inequívoca e firme da superioridade do cristianismo é a vez dos dignitários anglicanos usarem o terrorismo islâmico como forma de coacção psicológica para angariar clientela!
No passado domingo os membros da congregação da Catedral de Lincoln foram avisados por um dos seus responsáveis, Alan Nugent, que, a não ser que os ingleses (assumidos pelo dignitário como cristãos por omissão) levem a sua fé a sério, a Inglaterra tornar-se-á a breve trecho uma nação islâmica.
Para Nugent é significativo que, embora menos difundido pelos media, nas manifestações integrantes da guerra dos cartoons, para além dos posters «brutais e violentos», esses sim muito reproduzidos na imprensa, muitos posters dos manifestantes avisavam que em breve a Inglaterra seria uma nação islâmica. «Não há dúvida que o Islão é uma fé missionária e a conversão de incréus um factor decisivo na sua difusão. Não é assim surpreendente que muitos muçulmanos possam ter a esperança que este país se converta à fé do profeta- especialmente quando encontram frequentemente uma fé cristã que é incerta e em declínio».
Não é muito difícil prever que esta será uma tecla muito utilizada no futuro próximo por parte de todas as confissões cristãs, a necessidade de combater fogo com fogo, isto é, combater o fundamentalismo islâmico com fundamentalismo cristão. Face aos prevísiveis ataques aos valores em que assenta a nossa civilização por parte das religiões, cristã e islâmica, é necessário que todos os que não querem regressar ao obscurantismo das Cruzadas afirmem a laicidade e a defesa dos direitos humanos consagrados como a única forma de ultrapassar a actual crise!
O autor de «Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon», o livro que tenta explicar o como e o porquê de os homens terem inventado os deuses e um dos proponentes do termo «bright» para designar livre-pensadores em geral foi entrevistado pelo Guardian.
Vale a pena ler a entrevista (e esta outra) em que o cientista, que colaborou com Dawkins na extensão para o pensamento do mecanismo dos genes egoístas ou memes, compara neste seu novo livro a religião a um pequeno parasita, o verme Dicrocoelium dendriticum (lancet fluke), «um pequeno verme cerebral» que altera o comportamento de formigas de forma a ser engolido por uma ovelha ou vaca para se poder reproduzir nas entranhas destes animais. Dennett afirma que «memes são ideias contagiosas. Elas alastram de pessoa para pessoa. Há milhões de pessoas neste mundo que vivem de propagar memes. Todos os que trabalham em publicidade, todos em relações públicas e todos em religião».
Acusado pelos seus detractores de ser um «fundamentalista de Darwin», no sentido em que acredita que não existe uma área da vida que não possa ser passível de explicação em termos de selecção natural ( eu acrescentaria também deriva genética para dar conta de bizarrias nas mitologias religiosas de algumas comunidades isoladas), um rótulo que aceita alegremente, Dennett devotou a sua vida a mostrar como os ideais que consideramos mais sagrados, autodeterminação, individualismo, justiça, a alma, tudo o que se refere ao «Eu» pode (e deve) ser explicado em termos de preservação genética.
Eu não poderia estar mais de acordo com Dennett! Especialmente com a sua acepção que o mundo do futuro vai estar polarizado entre racionalidade e irracionalidade, isto é, crença.
«Escutar Cristo e obedecer à sua voz: este é o único caminho que leva à plenitude da alegria e do amor» – disse B16.
Afinal ele fala. Só lhe falta aprender a escrever.
Segundo a subdirectora-geral de Saúde, se ocorrer uma pandemia de gripe das aves, pode ficar em causa assistir à missa, ver um jogo de futebol ou ir ao cinema.
Longe vá o agoiro. Muita gente gosta de futebol e de cinema.
A existência de mais um Opus Dei no Supremo Tribunal norte-americano, especialmente um que já demonstrou qual é a sua real agenda, deu alento aos teocratas que veêm no actual orgão máximo da justiça neste país apoiantes da sua aspiração de transformar os Estados Unidos numa teocracia cristã.
Um dos primeiros passos, de acordo com a misoginia e execração do sexo característicos do cristianismo, foi dado no South Dakota onde o governador Michael Rounds assinou no início da semana uma lei que criminaliza o aborto excepto no caso de perigo de morte da gestante.
Os esforços para que tal aconteça em mais estados da Bible Belt, nomeadamente no Ohio, Georgia e Tennessee, que assistem há meses aos esforços dos denodados fundamentalistas em levar às respectivas Câmaras de Representantes leis similares, redobraram desde que a lei no South Dakota passou e agora foi assinada pelo Governador. No Mississippi, a criminalização do aborto com excepção de violação, incesto e a saúde da gestante foi aprovada a semana passada. No Missouri foi proposta legislação em tudo análoga à do South Dakota.
Quais as motivações dos devotos cristãos, autênticos cruzados por óvulos e espermatozóides, que não têm rigorosamente nada a ver com uma pretensa «defesa intransigente da vida», é óbvio da explicação do Senador Bill Napoli, republicano (claro) do South Dakota, sobre as condições em que ele consideraria ser aceitável uma mulher abortar. Vale a pena ver e ouvir a entrevista em que o piedoso senador explica em que condições abre uma excepção, conhecida como a «Sodomized Religious Virgin Exception» por toda a blogoesfera americana. Transcrevo na íntegra para apreciação dos nossos leitores, sem me atrever a traduzir, esta pérola de raciocínio cristão, que mostra claramente que o objectivo dos teocratas nem remotamente tem a ver com protecção de óvulos e espermatozóides mas sim com a punição de mulheres que consentiram ter sexo -e, quiçá, horror dos horrores, até gostaram!
«A real-life description to me would be a rape victim, brutally raped, savaged. The girl was a virgin. She was religious. She planned on saving her virginity until she was married. She was brutalized and raped, sodomized as bad as you can possibly make it, and is impregnated. I mean, that girl could be so messed up, physically and psychologically, that carrying that child could very well threaten her life.»
Fico na dúvida se uma virgem ateia que seja brutalmente violada, sodomizada tão violentamente quanto possível constitui uma excepção para tão cristão político. Ou se tal como uma não virgem estava a «pedi-las» e em consequência merece ser punida com uma gravidez indesejada…
Como Napoli explica, o ideal cristão que defende é um regresso aos casamentos «Wild West» da sua infância em que nenhum casal se atrevia a sexo pre-marital sem que «the whole darn neighborhood» os obrigasse a um casamento, a tiro de bala se necessário. «You just didn’t allow that sort of thing» – sexo fora do casamento sem a devida punição pela comunidade – «to happen…And I happen to believe that can happen again. I don’t think we’re so far beyond that that we can’t go back to that».
Eu pessoalmente há muito que temo que esse retrocesso não só seja possível como esteja cada vez mais próximo. Desde que Roberts foi confirmado no Supremo!
Um grupo de pastores e paroquianos deu início a uma campanha de angariação de fundos para salvar a respectiva igreja, a Martin Luther Memorial Church em Berlim. O que torna desconfortável o aparentemente inócuo e louvável propósito deste grupo de cristãos é ser esta a última igreja nazi em terreno alemão. De facto, esta igreja, com uma imagem de um soldado nazi esculpida no púlpito, lado a lado com o mítico Cristo, representado como um ariano musculado e vitorioso, embaraça as autoridades políticas e eclesiásticas desde o fim da segunda guerra e certamente muitos dignitários prefeririam que a colaboração intíma entre a religião cristã e o regime nazi fosse esquecida.
Felizmente nem todos os cristãos acreditam que varrer da História esta colaboração é a melhor solução. «De alguma forma devemos arranjar uma maneira de preservar o edifício, preservando o seu interior como um aviso mas também complementá-la com um centro de documentação explicando a história complicada da Igreja no Terceiro Reich,» é a opinião de Isolde Boehm, um dos responsáveis da igreja, transmitida ao Times of London.
As suásticas, ilegais desde o fim da guerra, que anteriormente ornavam profusamente as paredes foram removidas e um busto de Hitler na nave substituído por um de Lutero mas a igreja ainda exibe um candeeiro em forma de uma cruz de ferro, o orgão que foi utilizado para colocar os participantes de uma sortida anti-semita em Nuremberga na sua melhor disposição cristã, para além das esculturas de soldados nazis. O exterior da igreja foi desenhado no estilo Bauhaus em 1929, um pouco antes da chegada ao poder dos nazis. O interior da igreja é o problema com iconografia nazi gravada em cada nicho. Como afirma Ilse Klein, uma historiadora que é conselheira da paróquia, «Não existe outra Igreja na Alemanha tão obviamente desenhada ao estilo fascista».
E se não há problemas em preservar e utilizar outros edifícios com traças igualmente denunciadoras, por exemplo a final do Mundial este ano será disputada no estádio olímpico de Berlim, desenhado para os Jogos Olímpicos de 1936, o problema é que muitos cristãos prefeririam não serem lembrados da estreita colaboração do cristianismo com o nazismo. Aliás, como as nossas caixas de comentários indicam, a maioria recusa-se sequer a admitir essa colaboração, preferindo o muito mais confortável e confortante (para eles, claro) revisionismo histórico cristão que inscreve os crimes do nazismo nos hipotéticos crimes do ateísmo.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.