16 de Abril, 2026 Onofre Varela
Eu sou anti-semita?
Por Onofre Varela
A pergunta expressa no título desta prosa foi motivada por uma crítica de que fui alvo em 2023 por parte de uma instituição israelita perante o desenho que ilustra esta crónica, na época (2023) exposto na Bienal de Arte de Gaia, e depois de criticado foi mostrado nos canais da televisão e comentado em rádios e jornais. A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia recebeu carta do consulado israelita em Lisboa exigindo a retirada do apoio que a autarquia dava ao evento, alegadamente por apresentar mensagens “anti-semitas”… do que, então, dei conta neste espaço.
Agora, perante o que se passa no mundo, com ditadores como Putin, Netanyahu e Trump a invadirem territórios independentes pretendendo tomá-los para si (para se apoderarem do território, ou do petróleo e da exploração de minerais), em desrespeito pelos direitos dos respectivos povos e pelas leis internacionais, o assunto de “ser-se anti-qualquer coisa” voltou-me à mente.
É comum qualquer ditador considerar-se insultado por quem critica as suas atitudes, por isso não me admirei de os censores do meu trabalho me rotularem de “anti-semita” (Salazar rotulava de anti-patriota quem não fosse Salazarista, Putin rotula de terrorista quem o critica, e Trump diz que os seus críticos são comunistas). Os ditadores sempre se afirmaram cidadãos exemplares e donos da razão universal… embora só mereçam o encarceramento sem fiança e por largas décadas.
Por isso me obrigo a perguntar: Eu sou anti-semita? Uma definição de “anti-semitismo” (*) pode ser esta: «a recusa de conceder a Israel aquilo que é dado a qualquer outro estado, isto é, uma existência plena, definitiva e estável» (palavras de David Grossman no prefácio do seu livro “O Coração Pensante”, editado pela Dom Quixote em 2024).
Segundo esta definição, eu – que defendo a existência de Israel e da Palestina – não sou anti-semita… mas Putin é anti-ucrânia independente e anti-ocidente; Trump é anti-Gronelândia independente, anti-América Latina e anti-Europa… tal como os sportinguistas são anti-benfiquistas e vice-versa, e os genros são anti-sogra… (uma estupidez de todo o tamanho).
Há um tipo de “anti” de que eu estou certo de ser: sou anti-nazi, anti-estado de guerra, anti-invasores e anti-ditadores.
(*) – O termo “Semita” quer dizer “oriundo de Sem”. Sem foi filho de Noé que, na história bíblica, embarcou na arca com os seus irmãos Cam e Jafé para sobreviverem ao dilúvio, e deram origem ao povo Hebreu (Judeu), do qual também faz parte Jesus Cristo.
OV







