VIDA DEPOIS DA MORTE (8 e Fim)
Por Onofre Varela
A Consciência não é uma faculdade exclusiva dos seres humanos. Outros animais também a terão de um modo mais rudimentar, mas em nós ela permite reagir à “experiência do sofrimento ou do prazer com a invenção de novos objectos, acções ou ideias, os quais se traduziram na criação de culturas”… o que, obviamente, não acontece aos outros nossos companheiros da vida que no planeta eclodiu e de cujo reino animal fazemos parte.
As religiões só poderiam ser desenvolvidas em torno dessa consciência que nos formata, e sem a qual a nossa espécie seria outra que não a que realmente é.
Há um significado da palavra “consciência” reconhecido por neurocientistas, biólogos, psicólogos e filósofos contemporâneos, que diz assim: “Consciência é um sinónimo de Experiência Mental. E o que é uma experiência mental? É um estado da mente e tem uma característica notável: os conteúdos mentais que o constituem são Sentidos e adoptam uma perspectiva singular. Uma análise mais aturada revela que essa perspectiva singular pertence ao organismo no interior do qual se encontra a mente”.
A Consciência acaba por ser um sistema mental enriquecido, produzindo a escolha moral, a criatividade ou cultura humana, as quais só fazem sentido à luz da Consciência. Porém, não é líquido que a integração de um determinado indivíduo numa determinada sociedade, construa a sua consciência de acordo com uma “bitola” hipoteticamente existente nela, e na qual o indivíduo se integra já depois de ter desenvolvido a sua consciência noutro meio cultural.
A capacidade mental de cada indivíduo é como uma mala onde se vai guardar a bagagem que cada um possui… ou não possui! Não é só o conteúdo da mala que faz a qualidade do que nela se guarda. A própria mala terá de ter robustez e capacidade hermética para que o conteúdo não se danifique. Aqui entra a “construção da mala”, que é a nossa realidade biológica, e cada um terá a sua.
Nas várias capacidades do Ser Humano também entra a Homeostasia, que é a propriedade de determinados seres vivos, a despeito das variações do meio ambiente, manterem o equilíbrio de todas as funções, mas também a própria constituição química dos tecidos.
De facto o “Homo Sapiens” é um animal especial entre todos os outros animais nossos companheiros de vida na Terra. O cérebro que nos dá a consciência é único… e todos os dias vemos tanta gente desperdiçando as suas melhores capacidades, ou a usá-las do pior modo (que também é um desperdício)… como os ditadores que já desilustraram a Humanidade, como Hitler no meu tempo de bebé, mais os actuais e horrendos Netanyahu, Putin e Trump, na minha terceira idade…
E aqui, no final desta série de textos, eu volto ao princípio: não sei explicar as experiências que a minha filha garante ter, inseridas na “secção mental” rotulada “Vida depois da Morte”.
Não lhes encontro lógica (a minha lógica) mas sei que ela não mente quando me afirma “a sua lógica”, que também ela diz não saber explicar… mas que a sente… o que me leva a aceitar a minha ignorância: não sei responder a questões que me são narradas como “sobrenaturais” porque parto do princípio que tudo quanto existe é natural… e se é “sobrenatural”… então não existe!…
É preciso que me expliquem, muito bem explicadinho, as razões naturais que nos levam a evocar a sobrenaturalidade em que não creio. Só então (depois de perceber) aceitarei o fenómeno como coisa natural… mas já com a devida explicação incluída no modo de usar!
(Fim)
Perfil de Autor
Onofre Varela nasceu no Porto em 1944, estudou pintura e exerceu a atividade de desenhador gráfico em litografia e agências de publicidade, antes de abraçar a carreira de jornalista (na área do cartune), em 1970, no jornal O Primeiro de Janeiro. Colaborou com a RTP, desenhando em direto a informação meteorológica no programa Às Dez e animando espaços infantis. Foi caricaturista e ilustrador principal no Jornal de Notícias, onde também escreveu artigos de opinião, crónicas e entrevistas.
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CATEGORIES
Ateísmo Cristianismo Diário de uns ateus -
DATE
26 de Agosto, 2026 -
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