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Mês: Janeiro 2007

31 de Janeiro, 2007 ricardo s carvalho

Sobre a Irracionalidade do "Não" e a sua Desconstrução (1/5)

Tendo vindo a seguir o debate nacional que antecede o referendo do próximo dia 11 de Fevereiro, reparei num ponto curioso que me parece ainda não ter sido abordado em toda a sua extensão. O ponto é o seguinte: os movimentos do “Sim”, no seu apelo ao voto, têm oferecido uma série de argumentos racionais, mas têm também apresentado um ou outro argumento de base mais irracional (por exemplo, um argumento que não acho que ajude muito à discussão é a mediática frase do “Na minha barriga mando eu”). Por outro lado, e no que diz respeito à argumentação produzida pelos movimentos do “Não”, ainda não consegui encontrar um único—deixem-me sublinhar, um único—argumento racional para votar “Não”. Pelo contrário, observo que praticamente todos os argumentos que o “Não” é capaz de produzir se resumem a 3 categorias:

(a) Argumentos que são pura e simplesmente falsos (seja por serem mal interpretados, ou seja por usarem factos científicos errados nalgum ponto do suposto raciocínio), e logo não podem ter qualquer base racional;

(b) Argumentos que, sendo baseados em dados correctos, após uma análise racional acabam por se revelar como argumentos para na realidade votar “Sim”, e logo não servem de suporte ao “Não”;

(c) Argumentos de índole religiosa que, pela sua própria natureza, não são argumentos de carácter racional mas antes de raíz dogmática, e que, de qualquer maneira, não podem nunca servir como base para legislação num estado laico.

Parece-me, a mim, que esta situação &eacute, no mínimo, preocupante. Vejamos, eu gostaria sinceramente de encontrar um argumento racional que fosse em favor do “Não”. É aqui importante sublinhar a palavra racional: naturalmente que, sobre as opções de voto escolhidas sem critérios de racionalidade não quero (nem me compete) me pronunciar. Claro que, caso esse argumento racional pelo “Não” existisse, não penso que mudaria a minha opinião relativa à urgência do voto “Sim” no próximo dia 11—imagino que, pesado em relação aos argumentos racionais para votar “Sim”, não tivesse força suficiente para mudar a balança. No entanto, a existência desse hipotético argumento teria um outro mérito: mostrar que de facto existe nível científico, sério e racional no debate que se desenrola. Pois se isso não é verdade, então é mais do que a despenalização da IVG até às 10 semanas que estará em jogo no dia 11. É a própria natureza racional da nossa sociedade que vai estar a ser referendada. E isso, como disse em cima, &eacute, no mínimo, preocupante.

Antes de discutir alguns dos argumentos do “Sim”, deixem-me explicar concretamente a irracionalidade do “Não”, desconstruindo os argumentos-tipo que tanto temos ouvido ultimamente. Naturalmente que, nesse percurso, encontraremos argumentos da classe (b) indicada em cima, que serão já argumentos para votar “Sim”. Fica o desafio de, desconstruídos os argumentos-tipo do “Não” nas próximas linhas, possa ainda surgir algum novo que seja o tão desejado argumento racional para o “Não”. Acho que esse hipotético argumento poderia ajudar muito a nivelar o debate. Em qualquer dos casos, penso que é muito importante reflectir serenamente sobre a discussão que se segue por forma a se poder votar de forma puramente racional no próximo dia 11—o que seria, também, uma conquista para todos.

[continua]

31 de Janeiro, 2007 Palmira Silva

Campanha terrorista

Este folheto vergonhoso foi distribuído num infantário, repito num infantário, em Setúbal. A ignomínia do NÃO deixa-me sem palavras. Imagens roubadas ao Sim no Referendo.

Vergonhoso

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Vergonhoso

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Vergonhoso

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30 de Janeiro, 2007 jvasco

A Igreja e a promoção da castidade

D. José Policarpo considera que a castidade surge como uma «vivência generosa e responsável da própria sexualidade».
Tudo bem, é a opinião dele. Eu tendo a não julgar a vida sexual alheia, desde que consentida entre os maiores envolvidos, e percebo perfeitamente que alguém teça estas considerações a respeito de qualquer forma de viver a sexualidade, desde as mais comuns na nossa sociedade, às menos comuns. Heterossexualidade, homossexualidade, sado-masoquismo, castidade, enfim… não me parece que se possa dizer que uma destas formas de viver a sexualidade é superior às outras, e que qualquer uma delas mereça algum desrespeito.

É por isso que gosto de viver numa sociedade que é extremamente tolerante para com a castidade, mesmo por opção do próprio. Não existem muitos casos de pessoas discriminadas, ou no acesso ao emprego, ou de qualquer outra forma tão injusta e flagrante, por decidirem optar pela castidade. É certo que é anti-natural, mas nunca dei qualquer espécie de valor a esse critério.

O que é certo é que todos os que optam pela castidade devem ser respeitados pela sua opção, e nós devemos entender que é uma opção que só a eles diz respeito. Nem condescendência, nem paternalismos, nem esforços para os fazer «mudar»! A castidade é uma opção tão legítima quanto qualquer outra.

No entanto, sou um pouco contra que se tente orientar o sistema educativo para promover esta opção em particular: «educação sexual é necessária mas deve apontar para a castidade»?? Não deve apontar para nada!

Não deve apontar para a homossexualidade, não deve apontar para o sado-masoquismo, não deve apontar para a castidade, não deve apontar para a heterossexualidade, não deve apontar para nada a não ser para uma escolha livre. A não ser para conhecer os riscos e a forma de se proteger deles. A não ser para conhecer o mundo que nos rodeia, e para ser responsável na opção que tiver sido tomada livremente.

30 de Janeiro, 2007 Ricardo Alves

Não há catolicismo progressista

Não há catolicismo progressista. Nunca houve. O que existe são católicos que tentam conciliar a sua pertença a uma organização autoritária e totalitária com o seu apreço pela democracia e pela tolerância. Mas a ICAR não é uma democracia, o catolicismo não é uma doutrina de tolerância, e a laicidade não é cristã.
30 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

Hospitais – Infecções religiosas

Os hospitais portugueses são a coutada predilecta do proselitismo com especial destaque para a religião católica.

A presença do capelão é paga pelo erário público a 100%, enquanto os medicamentos e os serviços médicos, cujo valor terapêutico não é inferior, têm taxa moderadora.

Nas enfermarias diz-se a missa e distribui-se a comunhão aos crentes, à hora das visitas, impedindo os amigos e familiares dos outros doentes, por respeito ou intimação, de falar com os acamados que foram visitar.

As paredes de algumas enfermarias parecem montras de quinquilharia sacra decoradas com cruzes, imagens pias e fotos da Irmã Lúcia, como se os micróbios se afastassem da iconografia santa como os administradores do Estado se afastam do cumprimento da lei.

Os Hospitais da Universidade de Coimbra previram um espaço para reflexão de crentes e não crentes, despojado de adereços pios e alfaias litúrgicas. Algum tempo depois apareceu uma enorme cruz sem que alguém tenha reclamado o milagre ou reparado o abuso.

Depois, chegou a Virgem, posteriormente a imagem do santo patrono do hospital, um hospital sem patrono é como um cão sem dono, e finalmente o lugar transformou-se na capela católica com o espaço público apropriado de forma permanente e definitiva (?) por uma confissão religiosa.

É este proselitismo provocatório, a mansa e beata penetração do incenso e da água benta pelos interstícios da nossa indiferença que vai minando a liberdade religiosa e impondo o totalitarismo católico.
Até os médicos do Opus Dei começam o dia de trabalho com uma oração naquele local. É uma forma de darem público testemunho da fé e justificarem a apropriação do espaço.

29 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

João César das Neves e a IVG

Sob o título «Dizer não à irresponsabilidade» João César das Neves (JCN) debita hoje a habitual homilia das segundas-feiras, no Diário de Notícias.
Perante o referendo que se aproxima, JCN chama «militantes histéricos» aos que não se revêem na sua concepção confessional, epíteto bem ao gosto dos talibãs romanos. É a atitude de quem não desiste de enviar para os tribunais quem interrompe a gravidez e procura remeter para a clandestinidade as mulheres que se encontram desesperadas.
JCN julga (ou falseia) que é a liberalização do aborto que está em causa quando é, apenas, a consequência penal que vai a votos.
JCN refere o Código Deontológico da Ordem dos Médicos, que proíbe aos médicos participar na IVG, e, perante a sua inevitável revisão, pergunta em jeito de chantagem: «Mas que devemos pensar de uma classe que muda as suas regras éticas ao sabor da votação e das modas culturais»?
Fazendo tábua rasa da legalidade democrática e omitindo o que se passa na maioria dos países europeus, JCN apenas pretende ser a voz laica do clero romano, o pecador que quer redimir os pecados com a fidelidade ao seu confessor, debitando uma homilia com a visão apocalíptica sobre a eventual vitória do Sim.
Perante as diatribes do virtuoso e pio articulista, vale a pena ler os seguintes artigos do mesmo DN, de hoje:

Editorial;

– “Tou? Dona Maria? Tenho aqui um problemazinho…” ;

29 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

A confissão é uma arma

O pasquim da paróquia do Vaticano, «L’Osservatore romano», classificou Sábado como «ultraje ao sentimento religioso» a reportagem publicada na revista italiana «L’Espresso» com as respostas de sacerdotes a falsas confissões sobre temas éticos e sociais da actualidade.

A confissão foi sempre uma arma da ICAR, às vezes como solução dos recalcamentos sexuais dos padres, outras como instrumento privilegiado de espionagem ao serviço do Vaticano.

O crime de devassa da intimidade dos crentes foi elevado à categoria de sacramento e a fragilidade psicológica dos supersticiosos recompensada com o perdão dos pecados que os sinais cabalísticos dos confessores e a penitência se encarregam de conceder.

A diversidade das respostas às perguntas feitas nas «confissões» dos jornalistas sobre assuntos como o preservativo, a SIDA, a homossexualidade e as células embrionárias provaram que a ICAR não tem princípios, basta-lhe a manutenção do poder.

Os padres não são ungidos para preservar a moral, ainda que obsoleta e, eventualmente, perversa. Levam com um sacramento – a Ordem – para os tornar guerreiros de Cristo e embusteiros da fé. O Vaticano é um antro onde o poder vive da informação que os seus núncios recolhem nas chancelarias e os padres nesse local de devassidão que são os confessionários.

O Deus do Papa é indiferente à fé de quem se ajoelha aos pés dos padres. Umas vezes são devotos à procura de perdão, agora foram jornalistas em busca da verdade.

29 de Janeiro, 2007 Palmira Silva

Assim Não: versão Gato Fedorento

Ricardo Araújo Pereira (RAP) no seu melhor! Claro que a homilia de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o tema foi ainda mais surreal que qualquer sátira…