O Supremo Tribunal de Justiça do País Basco absolveu Arnaldo Otegi, porta-voz da ilegalizada Batasuna, por ter chamado a Juan Carlos, rei de Espanha, «chefe dos torturadores.
O tribunal considerou tais declarações «reprováveis, ofensivas, impróprias, injustas, motivo de opróbrio e alheias à realidade», mas absolveu o autor com base no facto de a crítica a uma instituição constitucional não estar excluída do direito à liberdade de expressão.
Entretanto, na Grécia, o cartoonista alemão Gerhard Haderer foi condenado a uma pena suspensa de seis meses de prisão, por um tribunal grego, devido ao «carácter blasfemo» do seu livro de cartoons «A vida de Jesus». Segundo o «Público» de hoje (site indisponível) os desenho de Jesus como um bêbado amigo de Jimi Hendrix e a fazer surf nu após fumar cannabis causaram agitação na Grécia e o artista, que foi condenado à revelia, poderá ver a sua pena aumentada até dois anos se o seu apelo for rejeitado.
Haderer é o primeiro artista a ser apanhado pela lei de mandado de captura europeu, instituída em Junho de 2002 e esta questão levanta graves questões de liberdade artística na Comunidade Europeia – ainda segundo o «Público».
Em 20 anos, foi o primeiro livro a ser banido na Grécia. Dado que não consta que JC se tenha queixado ou sentido ofendido, espero ler em breve a «A Vida de Jesus» de Gerhard Haderer com quem o Diário Ateísta, desde já, se solidariza.
Apostila – Este assunto já deixou o João Vasco de boca aberta, como revelou no seu artigo «Blasfémia – vejo-me grego para entender isto». Volto ao assunto por entender que a blasfémia é um crime de ofensas pessoais e só o próprio (Deus, Jesus, Maomé ou outro espécime do mesmo bando) tem legitimidade para propor a acção nos tribunais.

Clemente Dominguez, ou Gregório XVII, o líder de um culto católico que pretendia ter sido coroado Papa pela virgem Maria após a morte de Paulo VI em 1978, morreu anteontem na cidade onde se baseava o culto, El Palmar de Troya, na Andaluzia.
A carreira religiosa do papa alternativo teve início em mais um episódio tipo Fátima: quatro raparigas afirmaram que a Virgem lhes aparecera num arbusto quando apanhavam flores. Como habitual nestes fenómenos uma série de peregrinos inundou o local, entre eles Dominguez, que exibia o que pretendia serem stigmata, ou os estigmas da crucificação, e que rapidamente se tornou uma figura de culto.
Dominguez durante o seu «papado» canonizou Franco, pela sua defesa do catolicismo durante a Guerra civil espanhola, e Cristovão Colombo. Talvez por ter excomungado a família real espanhola Palmar não tenha conhecido a história de sucesso económico de Fátima. A ordem fundada por Dominguez, Carmelitas da Face Sagrada, tem um património estimado nuns modestos 90 milhões de euros.

Os IMAX de estados do cinturão da Bíblia (Bible Belt), nomeadamente nas duas Carolinas, no Texas e na Georgia, decidiram vetar o filme «Volcanoes of the Deep Sea» (vulcões do mar profundo), um filme concebido pelo biólogo marinho da Universidade de Rutgers, Rich Lutz, porque as suas referências à evolução poderiam ofender as convicções religiosas dos devotos sulistas.
Ou seja, parece que nalguns estados americanos falar em evolução é considerado blasfémia! Será que as autoridades destes estados vão recusar igualmente a venda dos antibióticos de última geração desenvolvidos graças a técnicas de evolução dirigida? Ou rejeitar vacinas para novas estirpes do vírus da gripe que pressupõem que este evoluiu?
Num recente artigo no Toronto Star, Salman Rushdie, o autor dos «Versículos Satânicos», escreve um veemente editorial a pedir aos leitores que mantenham a religião longe da política e da vida pública.
Longe da memória dos crentes e ocidentais estão os escolhos dos confrontos religiosos europeus, o que não acontece com Rushdie. Testemunhou os conflitos que se seguiram à separação do Paquistão da India e lembra os tumultos nos anos recentes na India, em Meerut, Assam e mais recentemente em Gujarat. Todos eles envolveram religião politizada e saldaram-se em centenas e milhares de mortos…
Vale a pena ler. Afinal o homem conhece na pele aquilo de que fala.
O Diário Ateísta (DA) não é um pasquim virtual de uma paróquia onde os óbitos são participados na secção «À sombra da Cruz» e os dislates visam a salvação da alma e o torpor da inteligência. Sabem-no os que nos visitam com frequência, benzem-se os que tropeçam nos nossos textos por erro de navegação. Não é o proselitismo que nos anima mas o combate ao obscurantismo, a denúncia da indústria milagreira, o desprezo pelos santos e o pasmo com os sinais cabalísticos e a água benta que mixordeiros impingem com pureza duvidosa e virtudes por comprovar.
Acontece que o DA refere com mais frequência a ICAR do que outras religiões. Trata-se, apenas, de uma questão de proximidade. É a mais perniciosa em Portugal. Não é o seu Deus que é mais falso do que o das outras religiões, não é a sua fé que é mais irracional, não é o seu livro sagrado que é mais pueril do que os outros livros sagrados. As religiões são todas falsas, como qualquer uma confirma a respeito das outras, e o clero é sempre perigoso porque Deus é uma tragédia, seja qual for o mensageiro, qualquer que seja a mensagem.
Deus é uma criação humana, com os piores defeitos, e os milagres uma mistificação. As religiões não se transformam, de projectos políticos que são, em associações beneméritas, mas os parasitas de Deus promovem este como a fonte do bem e usam-no para os piores fins. Mas, nem por isso, o ateísmo deixa de bater-se pela liberdade religiosa.
Qualquer pessoa deve ter o direito de professar a religião que desejar, sair e entrar quando quiser, crer ou não crer, difundir ou combater qualquer uma ou todas. As religiões são uma fonte de atraso, superstição e ignorância; são um atentado à convivência pacífica entre as pessoas, as nações e as diversas etnias, mas devem respeitar-se os crentes.
A arma dos ateus é a palavra. Deixamos a lapidação, as fogueiras, as decapitações e várias formas de tortura para as religiões cujo proselitismo não dispensa estes instrumentos suplementares de argumentação. E, com a mesma determinação e empenho com que combatemos as religiões, defendemos o direito à sua prática. Apenas exigimos a subordinação e o respeito ao ordenamento jurídico das sociedades laicas e democráticas.
Depois de assinada a lei que obriga os médicos da Florida a manterem o estado vegetativo de Terri Schiavo, um juiz federal decidiu contra a reinserção do tubo de alimentação.
De acordo com o magistrado, os pais de Terri Schiavo não foram capazes de provar «uma probabilidade de sucesso substancial» no julgamento sobre o mérito da causa. O magistrado escreveu ainda que «os interesses de liberdade e de vida» foram protegidos pelos tribunais do estado da Florida.
Como nas últimas horas da manhã foi apresentado um recurso da decisão, o caso ainda não está encerrado.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.