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24 de Agosto, 2005 Carlos Esperança

Ateísmo é tolerância

Não sou contra as pessoas que têm fé. Sou contra a fé que as pessoas têm.

Defendo o direito a ter fé, a mudar de crença, regressar à anterior, partir para outra e a não ter fé. Só não aceito a imposição e a violência que soe acompanhar o proselitismo.

Combato os avençados do divino que não aceitam outra fé e, sobretudo, quem a não tem. Ataco os parasitas de Deus e os charlatões místicos. Desmascaro Deus e outros mitos.

Os deuses, tal como as pessoas, nascem, crescem e morrem, apenas o seu ciclo é mais difícil de prever e a sua existência impossível de provar. O próprio Jesus Cristo, depois de uma curta carreira de milagres e pregação, actividades em voga no seu tempo, nasceu há cerca de 2005/2012 anos. Pouco tempo para um Deus e demasiado para as vítimas.

À volta de Deus crescem interesses, organizam-se multidões de parasitas que precisam de multiplicar o número de devotos para manterem o poder e as prebendas. A história das religiões comparadas mostra que são todas parecidas, tendo a morte e o medo como alimento predilecto.

Leão X, Papa católico (ateu, por acaso) dizia que «a fábula de Cristo é de tal modo lucrativa que seria ingénuo advertir os ignorantes do seu erro». Até Pio XII, que morreu com a consciência pesada de ser anti-semita e vagamente nazi, afirmava que, para os cristãos, Cristo era do domínio da fé, não era objecto da história.

Alguns leitores acusam-me de ser, não tanto contra as religiões, mas sobretudo anti-católico. É benevolência dos católicos. Sou contra todas. Já algumas vezes afirmei que todas as religiões se consideram a única verdadeira, donde se conclui que, na melhor das hipóteses, são falsas todas menos uma e, muito provavelmente, são todas.

É verdade que sou mais generoso para com o catolicismo, por ser o mais pernicioso em Portugal. Deve-se-lhe o atraso do País, por ter sido religião obrigatória. Os padres foram quase sempre caceteiros e trogloditas. Atacaram o liberalismo a favor do miguelismo, a República mancomunados com a monarquia, a democracia, aliados à ditadura.

Até na guerra colonial a posição oficial da Igreja católica portuguesa foi empenhada, com o cardeal Cerejeira a afirmar que defendíamos a civilização cristã e ocidental, depois de ter sabido pela Irmã Lúcia que Salazar fora enviado pela providência, quando os portugueses achavam que só podia ter sido pelo diabo.

Deus é uma miragem, afasta-se à medida que as pessoas se aproximam.

24 de Agosto, 2005 Palmira Silva

Pat Robertson pede o assassínio de Hugo Chávez

Pat Robertson, o pastor evangélico que é o ex-libris dos teoconservadores ou «religious right», fundador da Coligação Cristã e director executivo da CBN (Christian Broadcast Network), que esteve envolvido recentemente numa polémica depois de ter afirmado no programa «This Week with George Stephanopoulos» que os terroristas que perpetraram o 11 de Setembro são apenas «alguns terroristas barbudos que voam contra edíficios» e que a verdadeira ameaça para os Estados Unidos são os juízes federais que não partilham os seus pontos de vista em relação ao aborto, discriminação de homossexuais e mulheres e as outras aberrações em relação aos direitos humanos que são a imagem de marca de qualquer fundamentalista religioso, islâmico ou cristão, voltou às luzes da ribalta. De facto, depois de ter afirmado que os ditos juízes são uma ameaça maior para a América que os terroristas, Nazis durante a segunda Guerra Mundial ou a Guerra Civil no século XIX, o que provocou um prevísivel repúdio, Pat Robertson vem agora pedir o assassinato do presidente venezuelano Hugo Chávez.

Robertson, que foi ainda o fundador da Coligação Cristã da América (Christian Coalition of America) e candidato à nomeação repuplicana para as presidenciais em 1988, afirmou segunda-feira no seu programa «700 Club», transmitido para milhões de pessoas no globo pela CBN, que o presidente venezuelano transformaria o seu país «num ponto de lançamento para a infiltração comunista e extremismo muçulmano em todo o continente» e assim, matar Chávez, um aliado de Fidel de Castro, seria «muito mais barato que começar uma guerra». Acrescentando que «Nós temos a capacidade de o matar e eu penso que é tempo de exercer essa capacidade. Nós não precisamos de outra guerra de 200 biliões de dólares para nos vermos livre de outro ditador poderoso. É muito mais fácil deixar que alguns dos operativos infiltrados façam o trabalho e acabem com o problema».

O governo venezuelano, pela voz do vice-presidente Jose Vicente Rangel, respondeu ontem afirmando que as observações de Robertson são «declarações terroristas», condenando-as como um incitamento ao assassínio de Chàvez e pediu às entidades oficiais americanas que tornem claro que as leis anti-terroristas se aplicam não só aos radicais muçulmanos mas «até para tais cristãos»:

«É uma enorme hipocrisia manter um discurso anti-terrorista e, ao mesmo tempo, no coração desse país existirem declarações completamente terroristas como essas».

Até agora a única reacção da administração Bush consistiu na declaração que Robertson é um cidadão privado que proferiu palavras «inadequadas» que não reflectem a posição da administração americana.

Quiçá Robsertson tenha sido inspirado pelas piedosas palavras do Cardeal Rosalio Castillo Lara, um determinado opositor de Chávez, que «pede a Deus que nos liberte deste flagelo (Chávez, claro)», e considere que o exorcismo recomendado pelo mui católico Cardeal não é suficiente!

E como nota adicional da BBC, refere-se que a Venezuela é o 5º produtor mundial de petróleo e um grande fornecedor dos Estados Unidos.

23 de Agosto, 2005 Carlos Esperança

Depois do circo de Colónia

O circo de Colónia encerrou as portas. O nome – XX Jornadas Mundiais da Juventude – foi um logro bem ao gosto da ICAR -, pois a falta do adjectivo «católica» induziu os néscios e os distraídos a pensar que eram jornadas ecuménicas ou um convívio jovem para confraternização e divertimento, já que a cultura anda arredia das reuniões pias.

Foi um ajuntamento de um milhão de créus arregimentados para prestar vassalagem ao novo pastor alemão, B16, Papa vitalício da ICAR.

A penitência foi dura: 12 discursos papais, muitas orações, diversas missas e música sacra em exclusivo, demasiado monótona para melómanos eclécticos.

Para fingir o carácter universal da Igreja católica, as festividades terminaram com o Gloria in excelsis Deo, cantado em latím, por jovens de cinco continentes, com uma orquestra de violinos e instrumentos andinos. Foi o ponto alto do espectáculo antes do correr do pano.

Ficou aprazado novo festival para 2008, em Sydney, com o mesmo nome enganador – Jornada Mundial da Juventude/2008 (JMJ). O arcebispo australiano já se congratulou com a escolha, afirmando que o evento «ajudará a consolidar a fé dos católicos daquele país-continente», onde os esforços publicitários serão concentrados.

O Papa Ratzinger respirou de alívio depois da primeira actuação no estrangeiro, por sinal a sua terra natal, bastante indiferente a Deus e ao Papa. Regressou, depois, ao antro donde comanda a ortodoxia, o proselitismo e a política global da Igreja Católica.

Talvez, à semelhança do que fez nas últimas eleições americanas, prepare uma carta para os bispos de um qualquer país para advertir os crentes de que não podem comungar se defenderem o aborto ou a eutanásia ou votarem em candidatos que defendam tais abominações. Se defenderem a guerra justa ou a pena de morte, mesmo que o Papa não o faça, isso são meros pontos de vista, compatíveis com a deglutição da hóstia.

Terminou o circo. B16 mantém o traje, um alvo vestido branco e sapatinhos vermelhos.

23 de Agosto, 2005 pfontela

Os mercenários de deus

Os tempos mudam mas há atitudes que permanecem congeladas no tempo. Se no passado a conversão se fazia pela espada, com o apoio dos exércitos coloniais e do poder central, hoje as sensibilidades modernas não permitem (em geral) um uso tão flagrante da força. Em resposta a estas mudanças os pregadores também mudaram de tácticas.

Hoje em dia não se mandam missionários acompanhados por um destacamento militar para ajudar “os selvagens”. Hoje constroem-se equipas de apoio “humanitário” e parte-se para uma qualquer zona problemática do globo. Não importa se é um tsunami ou um terramoto, o fundamental é que haja desespero. Uma vez aí chegados aproveita-se da fragilidade das pessoas que perderam bens materiais, família e amigos e prega-se a divindade de Jesus, a Santíssima trindade e tudo o resto que é essencial para alguém que só quer reconstruir a sua vida em paz. Como abutres que são estes missionários seguem o rasto de morte e miséria e espalham a glória de deus.

Alguns destes servos do senhor, são tão zelosos do seu dever que não contentes com a completa falta de ética descrita atrás recorrem a meios ainda mais directos: a chantagem. Sem conversão não há apoio para ninguém.

A falta de conduta ética de certas organizações religiosas, regra geral cristãs, é chocante. O seu uso da catástrofe para promover o avanço da sua fé no exterior é algo de grotesco (quase tão aberrante como o uso que fazem da miséria material e indigência intelectual para se promoverem nos seus países de origem). A coberto da ajuda internacional humanitária movem um sinistro movimento de evangelização. O serviço a deus por vezes fala mais alto que qualquer valor ético.

23 de Agosto, 2005 Ricardo Alves

Mais humanistas na ONU

O Center for Inquiry Transnational (CFI), uma organização humanista que congrega ateus, agnósticos e outros livres pensadores, obteve estatuto consultivo junto do Comité Económico e Social da ONU (ler o comunicado de imprensa do CFI). Tal estatuto permitirá a este grupo humanista não religioso ter representantes acreditados junto da ONU e participar em conferências como Organização Não Governamental.

O CFI tem como objectivo principal a «defesa e promoção da razão, da ciência e do livre exame em todas as áreas do esforço humano», e inclui como dois dos seus braços mais activos o Council for Secular Humanism e o Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal. É dirigido por Paul Kurtz e congrega personalidades como Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Susan Jacoby, Ibn Warraq ou Peter Singer.

Deve recordar-se que a IHEU (International Humanist and Ethical Union), a única organização humanista a ter assento no Comité Económico e Social da ONU até agora, tentou, a 26 de Julho de 2005, que a Sub-Comissão de Direitos Humanos da ONU condenasse o terrorismo praticado em nome da religião, e que esta acção foi travada pelos Estados islâmicos da ONU. Estes Estados têm actuado em muitas comissões e conferências da ONU em coligação com alguns países de população católica, nomeadamente quando estão em causa os direitos das mulheres ou comportamentos sexuais minoritários.

O estatuto consultivo de que goza a IHEU e outras ONG´s, e que foi agora concedido ao CFI, seria o estatuto adequado para a ICAR, que infelizmente é considerada pela ONU um «Estado» não membro mas com o estatuto de Observador Permanente. Efectivamente, a Santa Sé representa uma religião e não um Estado, e por isso deveria ser representada como uma ONG, como acontece com as outras religiões e com as organizações humanistas.
23 de Agosto, 2005 Palmira Silva

Lealdade

O mais famoso espião duplo americano, Robert P. Hanssen, o agente do FBI preso em 2001, foi condenado um ano depois a prisão perpétua sem hipótese de perdão, sem nunca explicar o que o motivou a trair o seu país.

O que intrigou o público americano, que não conseguia perceber quais as razões que levariam o devoto católico, membro da Opus Dei e fervoroso anti-comunista Hanssen a trair o seu país vendendo segredos à União Soviética durante mais de 15 anos. Especialmente porque o espião, contraproducentemente, afirmou quando foi preso que traiu o seu país por lealdade.

Esta afirmação suscitou uma série de teorias sobre a que lealdade se referiria Hanssen, sendo lealdade à Opus Dei uma resposta frequente.

Outra teoria apenas atribui indirectamente à sua filiação na Opus Dei a razão da traição ao seu país. Uma teoria que explica o sucedido porque, embora traindo o seu país, Hanssen consideraria justificados os seus actos uma vez que o dinheiro recebido dos russos foi usado para mandar os seus 6 filhos para escolas, muito caras, da Opus Dei. Os seus filhos eram bons alunos e ele esperava que no futuro, fruto da boa educação proporcionada, pudessem fazer parte de uma guerra santa que faria dos Estados Unidos um país «melhor», dedicado a Deus e em que fossem banidas abominações como o aborto, divórcio, contracepção e outros males que ele e a Opus Dei execravam.

23 de Agosto, 2005 Palmira Silva

Distúrbios psíquicos

Luminita Solcan, a romena que assassinou o irmão Roger Shultz, o fundador da comunidade ecuménica Taizé, sofria de ilusões paranóicas relacionadas com a religião e tinha como ambição ser freira.

A romena, que tinha tentado infrutiferamente ser admitida em vários conventos e que tentava admissão na comunidade Taizé, contou à polícia que se dirigiu ao irmão Roger para o avisar da existência de «maçons e monges perversos» na sua comunidade. Confirma ter-lhe apontado uma faca mas nega o esfaqueamento que o vitimou.

O funeral do irmão Roger realiza-se hoje em Taizé. De acordo com os seus desejos será um funeral seguindo os ritos católicos e não os da sua confissão protestante.

22 de Agosto, 2005 Palmira Silva

O Deus que nunca existiu

Amanhã será possível adquirir em DVD o fantástico documentário «The God Who Wasn’t There», de Brian Flemming, em que o ex-cristão renascido explica, baseado em dados históricos, que Jesus nunca existiu e é apenas uma figura mitológica. O realizador permite ainda que quem adquira o DVD o divulgue livremente, retendo eventuais lucros que o visionamento gere.

Com David Byrne na banda sonora e a colaboração de Richard Dawkins, do historiador Richard Carrier, de Robert M. Price e Sam Harris é certamente um documentário a não perder!

Como explicou Flemming quando inquirido porque razão devotou o filme a refutar a existência de Jesus e não a sua «divindade», «a ideia de que um indíviduo pode ser o filho de um deus é de si tão ridícula que não precisa ser desmascarada». Mas é necessário explicar que o suposto fundador da seita cristã é apenas uma figura mitológica, cuja existência só aparece nas Escrituras e nas piedosas interpolações cristãs de textos de, por exemplo, Tácito e Josephus!

Claro que, como tão sabiamente afirmou Pio XII em 1955, no Congresso de História em Roma: «Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé e não à História».

22 de Agosto, 2005 Palmira Silva

Guerras justas

«justa bella ulciscuntur injurias» (Guerras justas vingam injúrias) Agostinho de Hipona

Muito se tem escrito nos últimos tempos sobre «guerras justas». Poucos saberão, porém, que a doutrina do bellum justum, da guerra justa, se fundamenta nas lucubrações sobre o assunto dos dois teólogos mais celebrados pelo anterior e actual Papas, os sempre inescapáveis Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino. O termo, que desenvolve um conceito introduzido por Cícero, foi cunhado por Agostinho que qualifica como «guerra justa» aquela que obedece a um desígnio divino assim como justa é também a guerra que vinga injúrias ou pretende a restituição do que fora indevidamente tomado, embora recomendando que, mesmo justas, o homem sábio as encare com contrição e dor!

Assim, Agostinho admite que as guerras poderiam ser empreendidas pela vontade de Deus, para combater o «pecado», além de constituirem um privilégio dos governantes, como escreve no seu Contra Faustum (XXII, 75): «A ordem natural, que quer a paz entre os homens, exige que o poder de fazer a guerra seja reservado à autoridade pública». Tudo, claro, não deixando também de afirmar a prioridade ontológica da paz sobre a guerra, já que até Agostinho a doutrina cristã era eminentemente pacifista. Aliás um dos pontos de dissenção de Roma, com uma tradição de tolerância em relação a todas as religiões, residia exactamente na recusa dos primeiros cristãos em pegar em armas. Mas no tempo de Agostinho já o Império Romano era cristão e o seu Imperador um «legítimo» representante de Deus na terra que precisava urgentemente de mão de obra para os seus exércitos. Agostinho torneou a doutrina cristã existente para justificar as «guerras justas» que o seu Imperador católico precisava travar. A sua teologia bélica é apresentada essencialmente em «A Cidade de Deus» e no «Contra Faustum manichaeum».

O conceito da «guerra justa» foi refinado uns séculos depois por Tomás de Aquino, que refuta os argumentos contra as guerras, justas, claro, na sua Summa Theologica. Na Suma (II-II, 40, 1) indicam-se e explicam-se as três situações que legitimariam uma guerra: a autoridade do «príncipe», a justa causa e a intenção recta dos beligerantes.

Assim, a interpretação hoje em dia denominada de escotista ou franciscana, o estrito cumprimento do mandamento «não matarás», desde muito cedo que desapareceu do cristianismo. A corrente tomista sobre o tema, na qual se incluiu Agostinho, que dominou e domina a teologia da ICAR, especialmente desde o concílio de Trento, nos seus pressupostos metodológicos, afirma que Deus somente proibia a morte «injusta» de alguém, interpretando o mandamento como: «não matarás os inocentes». Assim é lícita a pena de morte, pois o direito à vida não é absoluto e existem muitas excepções. Como reiterado pelo finado Papa na Evangelium Vitae onde se pode ler, no meio de uma imensidão de platitudes e condenação do aborto, eutanásia e contracepção, que «a vida é sempre um bem» que «não se reduz à mera existência no tempo» já que «o homem que vive é glória de Deus», porém «a vida do homem consiste na visão de Deus» e assim «a vida na sua condição terrena não é um valor absoluto». O ponto 57 da maçadora encíclica resume a posição da ICAR sobre a inviolabilidade da vida humana: apenas condena «a eliminação directa de um ser humano inocente». Ou seja, o grande defensor de espermatozóides e óvulos dá o seu aval à eliminação directa de «culpados» e a «mortes colaterais», certamente das «guerras justas» aprovadas com o catecismo de 1997.

22 de Agosto, 2005 Ricardo Alves

A fé é um pretexto para o sexo fortuito

Nesta época do ano, os jovens dos países afluentes do hemisfério norte procuram as praias ou os festivais de música popular, com o objectivo explícito de se divertirem e o desejo implícito de terem relações sexuais.

Os jovens católicos fazem como os outros. Em verdade vos digo: são feitos da mesma massa e no sangue correm-lhes as mesmas hormonas. Só diferem nas inibições e no pretexto, que no caso deles foi a excursão a Colónia, onde se deslocaram em rebanho, alegadamente para assistirem ao festival da fé protagonizado pelo seu ídolo, B16, mas secretamente procurando o mesmo do que os outros jovens da sua idade: sexo fortuito com jovens do sexo oposto ou, mais raramente, com jovens do mesmo sexo.

Considerados os riscos sanitários que os jovens correm com desconhecidas ou desconhecidos, e a possibilidade, para as raparigas heterossexuais, de engravidarem de um católico mais ortodoxo e portanto irresponsável, é obviamente de enaltecer a iniciativa da organização Catholics for a Free Choice de distribuir preservativos aos jovens católicos presentes em Colónia.

Lamentável é a controvérsia que esta campanha, oportuna e adequada, tem provocado (como descobri através do blogue Renas e Veados). Ao contrário do que desejaria esse superlativo do totalitarismo católico que é B16, os jovens católicos cidadãos de Estados minimamente laicos podem efectivamente seguir apenas as partes da doutrina que lhes interessam. (Todavia, se o fazem, não serão católicos coerentes. Seria portanto conveniente que, na ressaca do festival de Colónia, a juventude católica tirasse as devidas consequências das suas aventuras alemãs…)