26 de Janeiro, 2004 Mariana de Oliveira
Descobertos
A nossa operação foi descoberta pela Voz do Deserto, blog cristão de poucas linhas mantido por um amante de Kurma de Borrego e leitor das orações de teor universalista da irmã L.
A nossa operação foi descoberta pela Voz do Deserto, blog cristão de poucas linhas mantido por um amante de Kurma de Borrego e leitor das orações de teor universalista da irmã L.
Fiz hoje a minha primeira incursão no blog religioso Palavras que voam … e deparei-me com um post intitulado Ser usado por Deus…, que fazia a apologia deste uso só que, para isso, teríamos de estar na sua (de Deus, acho) dependência.
Lembrei-me de várias coisas. Uma que me fazia lembrar de rapazinhos ajoelhados em escuras e húmidas sacristias a aprenderem o significado da citação “vinde a mim as criancinhas”.
Outra, mais profunda, sobre o livre-arbítrio. Se se é usado por alguém (ou deus) esta característca essencial ao Homem esfuma-se, ser instrumento de qualquer vontade, divina ou não, tira a dignidade a qualquer pessoa. Marionetas, se Deus existisse, seríamos marionetas nas mãos de um velhote aborrecido com tendências masoquistas.
Enquanto ateia, a minha autonomia é tudo. Não ser usada por ninguém, a não ser pelos meus ideais, pela minha vontade, é o que me individualiza. Claro que isto acarreta a auto-responsabilidade pelos nossos actos. Quando acreditamos em algo superior, podemos sempre descartar essa responsabilidade para alguém.
Lembrei-me de uma frase muito gira de Montesquieu:
“Se os triângulos fizessem Deus, faziam-no com três lados.”
Em Coimbra toda a gente sabe onde está reclusa a Ir. Maria Lúcia de Jesus do Sagrado Coração, aquela a quem a Senhora de Fátima ensinou o truque para combater o comunismo – rezar o terço – mas poucos sabem que há uma sapataria que faz concertos.
Por isso divulgo esta fotografia, tirada na Praça Machado de Assis, do prédio de gaveto das Ruas Machado de Castro e Virgílio Correia e convido os leitores a entrarem no ambiente calmo da Sapataria Norbal, disponível às horas de expediente, sem grandes aglomerados, numa zona central e aprazível. Uma pérola em dó sustenido, metáfora da cidade dos doutores.

Numa localidade de província as sapatarias dedicam-se apenas a fazer consertos, isto é, a deitar meias solas, engraxar, pregar um salto, vender um par de palmilhas, entregar uns atacadores, coser uma fivela e o mais que é mister.
Em Coimbra – cidade da Ir. Lúcia e com uma estátua de JP2 – tudo é diferente. Mas o melhor é entrarem por alguns instantes na sapataria e, enquanto esperam que a cola reponha o salto do sapato, que não resistiu aos buracos do largo em frente ou à pastilha elástica que o prendeu ao passeio, sempre se deliciam com “concertos rápidos” que não deixarão de aliviar a alma.
Siga o link e descubra a que tipo de inimigo da fé pertence.
Eu sou uma filósofa/cientista (bela combinação!) e, numa palavra, sou uma ameaça para o cristianismo! MWAHAHAHAHAHAHAHA!!!! :o)
Que tipo de inimigo da fé é você?
Jesus, conhecido funcionário de uma empresa religiosa, já tem uma página na internet. Infelizmente, por falta de tempo quiçá, ainda não teve tempo de fazer uma versão multi-lingue portanto, teremos de recorrer aos nossos conhecimentos de estrangeiro para compreender todo o conteúdo.
Na The Jesus Homepage podemos encontrar album de fotografias com imagens da concepção, da infância e até da cruxificação, links malucos para as páginas preferidas do messias e informações pessoais.
Com um simples clique, pode aceitar Jesus como seu salvador cibernáutico, podendo mesmo imprimir um certificado de salvação.
Ciclicamente a descolonização regressa à actualidade. Reaparece a cumprir a função de dividir os portugueses, quando parece esquecida, pela mão dos que deviam calar-se. Recordam-na os que nunca aceitariam qualquer outra como boa e o problema reside mais na sua própria derrota perante a história.
Paulo Portas (PP) tem uma grave dificuldade. Ou diz o que pensa e cria problemas ao governo ou diz o que deve e cria perplexidade no partido.
Sendo estreita a margem em que pode mover-se aconselharia a prudência o silêncio, mas impõe-lhe o feitio o ruído.
Acossado por Mário Soares que gosta de apontar os desmandos reaccionários ao antigo aluno dos jesuítas, atira-se contra a descolonização e, em vez de ferir o Dr. Soares, que tem a pele dura, ofende centenas de milhar de portugueses. Aos retornados acorda-lhes o ressentimento de quem perdeu haveres e alterou o rumo das suas vidas, aos ex-militares impede-os de fazerem a catarse dos anos, longos e dolorosos, da guerra colonial.
Assim, PP, para manter a fé dos que o elegeram, vai sistematicamente à procura de um passado que nada tem de glorioso e, muito menos, de recomendável.
Persiste em Portugal uma direita que, se pudesse arrancar Abril do calendário e suprimir o dia 25 aos meses, continuaria fora da Europa, orgulhosamente só, aliviada de carregar a vergonha do passado, feliz por poder reeditá-lo. É essa direita cuja liderança PP disputa com Manuel Monteiro, direita que nunca ficará satisfeita, que cria instabilidade no aparelho de Estado e no país.
No intervalo de muitas missas e outras tantas hóstias o pensamento desta gente é sempre execrável – na descolonização, no aborto, na imigração. Durante a liturgia ainda há-de ser pior.
Estreou, inserida na nova grelha de programação da Sic Radical, uma nova série de desenhos animados que se debruça sobre os problemas do mundo actual.
A história é esta: Deus está desiludido com a vida na Terra. As pessoas não praticam o bem e não recorrem ao bom senso portanto, o senhor dos senhores está farto e pensa em acabar com tudo. O Diabo não pode em si de contente com tal decisão e fazem uma aposta: se Deus conseguir encontar uma pessoa que prove que o mundo ainda tem salvação, não há inundações e pestes à escala global, caso contrário… o mundo desaparece envolto numa grande bola de fogo de proporções bíblicas. A selecção do indivíduo recai sobre o Diabo que escolhe Bob Alman, mecânico de automóveis que tem uma certa atitude envolta numa apetência especial para a preguiça. Coagido pelo medo, Bob aceita a tarefa hercúlea de tornar a Terra num sítio mais agradável… E tem de o fazer sem quaisquer dicas.

Ainda só vi o primeiro episódio da série e, confesso, tem piada. Bob é o típico cromo que gosta de ir para o bar beber uns copos com os amigos, fazer o download de pornada, ver a bola e coçar a micose. Tem uma mulher e uma filha no início da adolescência e não tem grande esperança na sociedade.
Deus, e é isto que me chateia, é um velhote porreiro, manda umas piadas, bebe cerveja sem alcóol (claro!) e espera que façam o trabalho dele.
Por sua vez, o Diabo, que esperava que fosse uma personagem com estilo, distinção, humor refinado, bem parecido, enfim, um poço de pecado, não o é. É um tipo frustrado que tem por um ajudante um bicho estúpido e idiota que manda piadas foleiras. Para além disso, os seus planos para destruir os heroísmos de Bob saem sempre frustrados porque no fundo, aquele cidadão médio americano, é boa pessoa e ensina-nos uma bela lição da vida… *blergh*
Podem encontrar mais informações, nomeadamente acerca do elenco e sinopses dos episódios, aqui.
A (DES)VELADA (poema)
Ai, quem me dera fornicar com uma muçulmana velada…
em trâmite para desvelada…
em trânsito de que promana…
para a ideia ateia…
Persuadi-la… primeiro… da inânia do islâmico vespeiro…
Convencê-la… segundo… da inópia das religiões do mundo…
E vê-la… e vê-la… terceiro… saindo da ominosa ameia…
fruindo o luminoso carreiro…
da ideia ateia…
Ah, quem me dera postarmo-nos nus… nós… nos nossos amplexos
íntimos… sentir-te!
Entregarmo-nos à languidez meiga dos corpos… envolver-te!
Prazer-me com o fulgor amável da tua boca…
o titilar suave da tua língua… beijar-te!
Sentir a placidez da tua mão…
da tua mão morna e boa…
da tua mão-descobridora…
da tua mão-carícia…
da tua mão-propagadora…
da tua mão-blandícia…
senti-la!
Afagar o teu peito com perfeito jeito de preito… senti-lo!
Percorrer a tua cálida e lábil vulva… senti-la!
Sentir-te…sentir-te… minha querida muçulmana, em vias de o deixares
de ser…
Vasculhar-te… acariciar-te… abraçar-te… beijar–te…
entrelaçarmo-nos!
Sentir o teu corpo dulciolente… a tua mão dulcífera… afagando-me
dulcifluamente… em ambiente dulcilucente!…
Afeiçoarmo-nos numa duidade apaixonante…
apreendermo-nos na pulsão do imo… testa a testa… cara a cara… boca a
boca… corpo a corpo… sentir-te, minha querida desvelada… sentirmo-nos!
Custóias, 25 de Dezembro de 2003
João Pedro Moura
A MISSA de abertura do ano judicial em 20 do corrente mês (ver Público) é uma notícia que faz de Portugal um país exótico, a grande distância dos países atrasados.
Com efeito, as demoras dos processos, as dificuldades de investigação e as arreliadoras prescrições justificavam medidas vigorosas. A ministra Celeste Cardona, amiga do peito e da missa de Paulo Portas, não poupa nos investimentos.
Num país obsoleto certamente tentaria um feitiço, aqui opta por uma missa. Nas tribos ancestrais o feiticeiro é recebido com pompa e circunstância, Portugal reserva essa atitude para o cardeal patriarca que, em vez de fumo recorre ao incenso, em vez do fogo atira-se à homilia.
Claro que é uma vergonha para um país oficialmente laico, onde nem todos os governantes sabem que é e alguns se esforçam para que deixe de sê-lo; claro que não está provada a eficácia da missa no bom andamento da justiça nem a bondade da homilia no discernimento dos agentes judiciários; claro que a água benta não se distingue da outra.
Mas perante o despautério pode estar em curso uma tentativa para introduzir como medida de coacção a apresentação semanal à missa e, em casos mais gravosos, a presença diária no terço.
Como crimes sujeitos a prisão maior podem introduzir-se o divórcio, o adultério, a apostasia, a blasfémia e outros. O terço e o mês de Maria podem vir a fazer parte das medidas punitivas.
Já estamos a ver um advogado a pedir redução de pena para um estuprador em duas novenas e vinte ave-marias.
À ministra Cardona não devem faltar devotos nem poetas a querer dedicar-lhe uma elegia. Há-de demovê-los o receio de encontrar uma rima adequada. Mas os cidadãos gostariam de vê-la excomungada no Governo.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.