Poucos dias antes do segundo aniversário dos ataques terroristas em Bruxelas, a 22 de março, o governo belga passou a gerir a Grande Mesquita, até aí nas mãos de entidade da Arábia Saudita.
A Páscoa é quando a religião quiser. Os judeus celebram a saída do Egipto e os cristãos comemoram a ressurreição de Cristo. Com o tempo, perde-se a memória do plágio e do motivo da festa.
Hoje é dia Páscoa, dia em que JC ressuscitou dos mortos, com quem esteve a estagiar. Depois andou por aí, como alguns políticos, visitou quem quis e foi visto pelos que acreditaram ou, melhor, pelos que acreditam que houve quem o visse.
Ontem, ainda o ícone da lenda cristã fazia de morto e já os pantagruélicos festins tinham lugar para gáudio da indústria da restauração. Hoje, com a ressurreição consumada, está tudo fechado. Quero um sítio para tomar café e não encontro quem mo sirva.
Despregado do sinal mais onde se finou, JC estagiou num túmulo, como era costume, e, para animação do negócio pio a que deu origem, subiu ao Céu e sentou-se à mão direita de deus-pai, indivíduo de mau feitio cuja biografia vem, em toda a sua crueza, num livro pouco recomendável, da Idade do Bronze, e de origem duvidosa – o Antigo Testamento.
Para mim, que há muito deixei de crer em pias fantasias e elucubrações religiosas, é-me indiferente que JC se dedicasse à carpintaria, para continuar o negócio da família, ou se afeiçoasse à pregação e aos milagres, naquele tempo o mais promissor segmento do sector terciário de uma economia rudimentar.
O que me dói, independentemente dos laivos politeístas da ICAR, com um deus-pai, o deus-filho, a mãe do filho, a pomba e muitos filhos da mãe criados santos, o que me dói – dizia –, é não ter um sítio para tomar café.
Se a Páscoa da Ressurreição servisse para fazer o número de um morto que se cansa da posição, dá uns passeios e emigra para o Céu, e não fechassem os Cafés, eu não estaria aqui a maldizer a beata greve da restauração.
Faz-me mais falta um bom café do que uma ressurreição bem-feita.
Vaticano vai fazer curso de exorcismo no próximo mês
«Tem havido um aumento de queixas de possessões a nível mundial, algo que a Associação Internacional de Exorcistas já considerou uma emergência pastoral
De acordo com um padre da Sicília, o número de pessoas na Itália alegando estar possuído triplicou para 500 mil por ano
AFP/Getty Images
Começa a 16 de abril e prolonga-se até dia 21. Durante o próximo mês, o Vaticano vai dar início a um curso de exorcismo que servirá para treinar sacerdotes de todo o mundo a lidarem com possessões. O motivo? Há cada vez mais pessoas a queixarem-se de estar possuídas, situação que já levou a Associação Internacional de Exorcistas — que é reconhecida pelo Vaticano e representa mais de 200 padres católicos, anglicanos e ortodoxos — a fazer um alerta: estamos perante uma “emergência pastoral”.»
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Bandeira a meia haste no Ministério da Defesa e nos quartéis pela morte de Jesus Cristo
«O Ministério da Defesa espanhol e os quartéis vão colocar a bandeira do país a meia haste pela morte de Jesus Cristo.
O Ministério da Defesa espanhol anunciou que vai colocar a bandeira do país a meia haste durante três dias da Semana Santa para assinalar a morte de Jesus Cristo. Além da entidade governamental, também as unidades e bases militares, assim como os quartéis, estão incluídos na decisão. É uma tradição com algumas décadas que só teve como exceção os anos de 2010 e 2011 (e apenas no Ministério).»
O salazarismo dos costumes, e talvez também o outro, estão de volta. O “Regulamento Interno de utilização e conservação do fardamento e cacifo” do referido hospital impede aos funcionários [leia-se funcionárias] certo tipo de maquilhagem, saias acima do joelho piercings e tatuagens visíveis.
Não se pense que são regras de controlo de infeções, são decisões a exigir o regresso da pudicícia e dos bons costumes, onde se “proíbem minissaias, botas e desodorizante com cheiro”, ameaçando de ‘procedimento disciplinar’ quem não use collants em tom natural ou azul escuro e o cabelo de acordo com as normas que o regulamento define.
Quem diria que a carta da senhora Lúcia de Jesus, irmã Lúcia para os amigos, dirigida a Marcelo Caetano, encontraria na direção do Hospital de Cascais o eco que não teve no último ditador fascista!
A freira das Carmelitas Descalças, em Coimbra, escreveu, em 24 de fevereiro de 1971, ao Presidente do Conselho, suplicando medidas legislativas sobre as vestes femininas: «…não seja permitido vestir igual aos homens, nem vestidos transparentes, nem curtos acima do joelho, nem decotes a baixo mais de três centímetros da clavícula. A transgressão dessas leis deve ser punida com multas, tanto para as nacionais como para as estrangeiras». *
A parceria público-privada exige maquilhagem “discreta”, especificando que “o baton e sombras” têm de ser “em cores nude” e a “base, lápis e rímel adequados à fisionomia de cada pessoa”, o que se presume destinado a ambos os sexos.
São proibidos “piercings, joias, tatuagens de qualquer tipo em locais visíveis do corpo”, temendo, na omissão, a perversidade do autor, a pensar em sítios recônditos, e o que se adivinha é o regresso manso do fascismo a policiar as vestes femininas e a transformar o hospital numa extensão da sacristia, onde medra a prepotência e germina a insanidade.
É a sharia romana nos hospitais.
*(In Arquivos Marcelo Caetano, citados em Os Espanhóis e Portugal de J.F. Antunes Ed. Oficina do Livro)
As religiões, ao longo da História, destruíram impérios, devastaram povos e desenharam fronteiras. A fé arruinou nações, impediu a liberdade e esmagou a felicidade dos povos. Deus foi sempre o pretexto para destruir inimigos e cometer os mais hediondos crimes, com o álibi de satisfazer a sua vontade.
Deus está, de facto, para azar dos homens, em toda a parte. O deus mais verdadeiro é o que tem mais devotos, armas e o fanatismo a seu favor. Sempre que deus está em alta, a liberdade estiola; quando os homens adoram o seu deus, odeiam os alheios. Os crentes rogam os seus favores com o mesmo fervor com que acalentam o ódio ao deus alheio.
É por isso que a democracia fenece onde a religião floresce, a liberdade mingua onde a fé prolifera e o progresso estiola onde a piedade medra.
Não há democracia onde a religião domina o aparelho de Estado. Os direitos do homem não são respeitados onde o poder temporal e o religioso se confundem. Foi na base da separação de poderes e, sobretudo, na separação da Igreja e do Estado, que os modernos Estados de direito se construíram. Foi a laicidade que permitiu o pluralismo ideológico, opondo uma barreira de proteção à vocação totalitária das religiões.
Quando parecia que o Estado laico se tornara paradigma das nações civilizadas, quando a sociedade multicultural se convertia em modelo de convivência cívica, quando os preconceitos étnicos e culturais pareciam derrotados pela instrução, inteligência e sensibilidade dos povos civilizados, os demónios totalitários despertaram ao som das orações e fortaleceram-se com jejuns, pregações e liturgias.
A Holanda, a doce Holanda, era o exemplo de convivência cívica entre etnias diversas e diferentes culturas, um oásis de tolerância entre distintas opções políticas e religiões divergentes. Em 2003 ficou em choque, quando Pim Fortuyn, um político da direita populista foi assassinado. Depois, com o assassínio do cineasta Theo Van Gogh, após a denúncia que fez da forma como o Islão trata as mulheres, e dos requintes de crueldade com que o fanático religioso o tratou, tornou-se periclitante a manutenção da sociedade multicultural holandesa. Até hoje.
Incendeiam-se os templos e a opinião pública, e o racismo e a xenofobia crescem. A extrema-direita, que vive da intolerância, explora frustrações, instila o medo, manipula paixões e acicata ódios. A hostilidade aos estrangeiros desenvolveu-se. A fé das pessoas cultas e civilizadas nas sociedades multiculturais vacila. O fascismo islâmico rejubila com a intolerância de que é alvo. As religiões precisam de mártires. Os deuses querem sacrifícios. Os templos convertem-se em quartéis onde se faz a recruta para a guerra santa. Os homens entram em desvario ao serviço da esquizofrenia divina. A religião tem de ser contida. Os Direitos do Homem têm de ser defendidos. A igualdade entre os sexos tem de ser salvaguardada. A democracia precisa de ser salva. Há que erguer um dique à fé que corrompe, intimida e mata.
Os três últimos lustros acordaram o mundo árabe, no ocaso da sua civilização falhada, para uma vingança cega que a demente invasão do Iraque, em 2003, estimulou.
Desde então, não param de surgir devotos inebriados pelo martírio, em busca de virgens e rios de mel, na vertigem sangrenta de quem procura extinguir infiéis do seu deus para garantirem a paz eterna e as delícias de uma vida para além da que prematuramente prescindem.
E não há um antídoto compatível com a civilização que herdámos e nos cabe defender! 
Quando a Polónia desafia os direitos humanos e regressa ao catolicismo do concílio de Trento, não admira que, apesar dos crimes antissemitas que fazem parte da sua História e matriz cultural, desenvolva uma campanha nacionalista para ocultar o passado e para ameaçar quem o queira recordar e prevenir reincidências.
A França também esqueceu a rusga do Vel’d’Hiv (1942), quando a sua policia procedeu à detenção de mais de oito mil judeus e os entregou à Gestapo para que os enviasse para Auschwitz. A Áustria, que conseguiu fazer crer ao mundo que Hitler era alemão, avança de novo para a extrema direita, tal como a Hungria, a Itália, a Holanda e quase todos os países da Europa, sucessivamente, ora elegendo os primeiros deputados extremistas, ora reforçando os seus grupos parlamentares.
Vai-se esquecendo a Croástica, como era designada a Croácia, fusão do nome do País com a suástica, ou a República Eslovaca do sinistro presidente, monsenhor Jozef Tiso, que amava mais o nazismo do que o catolicismo de que era sacerdote e dignitário.
A violência antissemita, com mortes que se atribuem a distúrbios provocados pela droga e pela religiosidade, pela droga, em qualquer caso, cresce de forma permanente e com a agravante de haver cada vez mais complacência para crimes de ódio antissemita.
E se o antissemitismo regressa com o esquecimento da História da Europa e das guerras religiosas a que a Paz de Vestefália colocou um módico de moderação e de aceitação do pluralismo, assistimos agora à apoteose da demência islâmica que de forma metódica e recorrente assassina infiéis e converte ao mais implacável dos monoteísmos jovens que a violência e o primarismo de uma crença obsoleta seduzem.
A Bélgica acabou por controlar a Grande Mesquita para impor um Islão moderado, após ter verificado que vários jovens que a frequentavam foram lutar no Daesh, na Síria. Em França, ontem, ouviu-se mais uma vez o sinistro grito selvagem, Deus é grande, e lá se finaram mais vítimas do ódio de quem não respeita o ethos da nossa civilização.
Em Portugal, sabe-se que se recrutam combatentes para o Daesh, agora uma rede difusa de lobos solitários ou células escondidas, mais difíceis de combater por não disporem de espaço territorial definido.
E, em vez de uma União Europeia unida e federada em torno de uma civilização, temos países que gravitam em torno da mesma moeda, concorrendo entre eles, com o regresso dos nacionalismos e a cumplicidade de governantes com o comunitarismo.
Na ânsia de atrair votos e no desprezo pela matriz laica e democrática que devia unir os países da UE na defesa da herança do Renascimento, Iluminismo e Revolução Francesa, vai-se sacrificando a civilização à benevolência para com as exigências beatas das religiões e a chantagem dos seus dignitários.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é cada vez mais uma mera referência da Europa que permitimos ficar refém da demência sectária de radicais religiosos, dos que abominam os direitos humanos e o livre-pensamento.
Não há democracias vitalícias nem ditaduras definitivamente erradicadas.
De Aissa BOUKANOUN & Isabel Marques da Silva
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Poucos dias antes do segundo aniversário dos ataques terroristas em Bruxelas, a 22 de março, o governo belga passou a gerir a Grande Mesquita, até aí nas mãos de entidade da Arábia Saudita.
“Havia vários jovens que frequentavam esta mesquita e que foram lutar ao lado do Daesh, na Síria”
Georges DallemagnDeputado federal, Bélgica
Georges Dallemagn, deputado federal belga e vice-presidente da comissão de inquérito parlamentar sobre os atentados, disse que há provas de que apregoava o salafismo, uma versão radical do Islão que apela à violência.
“Havia vários jovens que frequentavam esta mesquita e que foram lutar ao lado do Daesh, na Síria. Foi na mesquita que receberam doutrina ou, pelo menos, tinham lá contactos. Mas esta não era a única mesquita que apregoava o salafismo, havia outra em Molenbeek. As duas mesquitas estavam estreitamente em contacto entre si e com alguns dos terroristas que cometeram ataques em solo belga”, explicou à euronews.
D1A – Se não há um Islão moderado, é um caso de polícia.
Insólito. Padre pede uma transferência ao vencedor do Euromilhões no boletim paroquial
O boletim paroquial da freguesia de Lousado, em Famalicão, onde saiu na passada terça-feira o primeiro prémio do Euromilhões, está a causar polémica por entre os habitantes por incluir um pedido insólito.
No mesmo boletim, à responsabilidade do padre da freguesia, Eusébio Baptista, vem um pedido ao novo vencedor do concurso milionário para que seja altruísta e faça uma transferência para o IBAN da comissão fabriqueira daquela paróquia.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.