Loading

Categoria: Religiões

2 de Abril, 2009 Carlos Esperança

Lúcia com milagre encomendado

Enviado de Roma irá reunir em Coimbra todas as fontes que provem a santidade da carmelita.

O padre Ildefonso Moriones, postulador do processo de beatificação da Irmã Lúcia, virá, em Maio, ao Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, para a segunda reunião da Comissão Histórica que vai agregar toda a informação necessária para o processo de beatificação da carmelita. Esta comissão, composta por sete elementos, reuniu-se ontem e foi, segundo o cónego Alberto Gil (vice-postulador do processo de beatificação da Irmã Lúcia), “o primeiro encontro entre os peritos de História convidados, e serviu mais de informação, pois, em Maio, nova reunião juntará, aqui no Carmelo, o postulador e esta comissão histórica”.

Comentário: Não faltam peritos em milagres. A indústria criou novos técnicos.

29 de Março, 2009 Ricardo Alves

Religião e pena de morte

Segundo algumas pessoas que conheço que foram católicas, uma das maiores fixações dos catequistas é convencer os catequizados de que a nossa vida não é nossa, «a Deus pertence». Recordei-me disto quando escrevi sobre a correlação entre países islâmicos (e ditaduras comunistas) e a aplicação da pena de morte. É que se a nossa vida não é nossa, mas de «Deus», não apenas se compreende que a eutanásia ou o suicídio sejam inaceitáveis (até crime…), como se entende que a pena de morte exista e seja aplicada. É que não existe ninguém melhor para interpretar a vontade de «Deus» do que o clero, e quando esse clero aplica a «lei divina» (ou «lei natural», como dizem às vezes), está certamente habilitado para retirar a vida em nome do seu verdadeiro possuidor: o «Deus» abraâmico dos catequistas e do Corão.
28 de Março, 2009 Carlos Esperança

Liberdade em risco

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou anteontem, dia 26, uma resolução que condena a difamação religiosa, passando a considerar o acto como uma violação aos direitos humanos e pedindo que os governos legislem no sentido de protegerem as religiões contra as críticas.

A proposta apresentada pelo Paquistão e co-patrocinada pela Venezuela – dois países de sólidas tradições democráticas, um islâmico e outro cristão –, foi aprovada por 23 votos a favor e 11 contra, num conselho formado por 47 países.

Esta vitória muçulmana, uma religião com lúgubres tradições no respeito pelos direitos humanos, arrepia quem defende o livre-pensamento. A Liga Islâmica defende o Corão em toda a sua crueldade: lapidação, amputação de membros e decapitação de infiéis. Não Pode zelar pela igualdade de sexos, laicidade do Estado e emancipação da mulher.

Se o Islão, secundado por outras religiões, visse cumprida a resolução aprovada, nos países laicos, a democracia seria a primeira vítima. Não pode ser delito denunciar a moral anacrónica, delito é pactuar com os crimes que as religiões cometem, com a ignorância que cultivam e a superstição a que sujeitam os seus crentes.

Se o cristianismo considera o Antigo Testamento como parte da Bíblia é cúmplice do racismo, da xenofobia e da crueldade, inspirados naquele livro hediondo.

Ridicularizar o bispo que atribuiu a destruição de Nova Orleães a castigo de Deus, pelos pecados dos homens, talvez venha a ser difamação religiosa mas é um acto de higiene. Acusar o Papa Bento XVI de troglodita por mentir em relação à eficácia do preservativo e, sobretudo, por condenar a sua utilização, é um dever de quem apoia o combate contra a disseminação da epidemia e não pode intimidar os que combatem a sida.

Duvidar da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus por intercessão de santo Pereira pode virar delito e a gargalhada ser punível com prisão. Negar que o arcanjo Gabriel soubesse árabe e tivesse ditado o Corão a Maomé pode tornar-se perigoso mas a sanidade mental exige que não se acredite em anjos.

A religião que permite e impõe os casamentos combinados, que legaliza matrimónios de meninas de 9 anos, discrimina as mulheres, assassina infiéis, adúlteras e apóstatas passa a merecer respeito e a poder retaliar contra quem aprecie presunto e vinho do Porto.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, em vez de proteger os Direitos Humanos, como lhe compete, fragilizou-os de forma beata e deu razão a extremistas violentos e perigosos.

É preciso estar atento à escalada religiosa que devora os direitos que a nossa civilização conquistou. A Idade Média durou mais do que devia e o regresso é intolerável.

26 de Março, 2009 Carlos Esperança

A Igreja católica abandona a Europa (2)

Por

E – Pá

A Europa é sempre um Continente muito difícil…
Tem uma carga histórica muito pesada, não perdoa hesitações identitárias, uma cultura muito detalhada e em permanente agitação, não suporta o imobilismo e economicamente procura afincadamente a estabilidade, a segurança e o desenvolvimento sustentado e detesta o espírito de El Dorado.

Por isso, muitos povos, em determinados períodos da sua história preferiram virar-lhe as costas. Depois, regressam ao seu berço civilizacional, como filhos pródigos.

Sucedeu isso a Portugal nos séc. XV/XVI, altura em que voltámos as costas à Europa e partimos para África e Oriente. É a conhecida epopeia dos Descobrimentos.
Só regressaríamos em pleno ao convívio europeu, muitos séculos depois, no início do sec. XIX, a reboque da Revolução Francesa, em plena revolta liberal.

A ICAR bateu-se na Europa durante milénios. Está exangue. Foi a Reforma, a Contra-Reforma, o Iluminismo, os movimentos liberais, a ascensão burguesa, o movimento operário, o sindicalismo, as mudanças sociais da era industrial , as lutas entre republicanos e monárquicos, etc.

Provavelmente, tem melhores oportunidades em África e no Continente sul-americano e novos terrenos para o seu múnus, isto é, dilatar a Fé. Já que o Império feneceu.

Ao virar as costas à Europa, estará a reciclar histórias da caminhada europeia, onde sempre houve apogeu e declínios. E a ICAR, na Europa, está em franco declínio.

Lançou o balão de ensaio de Lourdes, segura Fátima (mais o anterior do que este), mas não chega.
A ambição da ICAR é universal e, neste momento, nesse aspecto está, gravemente, comprometida.

Mas Bento XVI não tem “golpe de asa” para esta mudança.

Haverá, com certeza, preparativos prévios, esta é a minha premonição.

24 de Março, 2009 Carlos Esperança

Fátima e a vocação totalitária da ICAR

25 anos depois
Consagração ao Imaculado Coração de Maria renovada em Fátima
Amanhã, 25 de Março, a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria será renovada no Santuário de Fátima

A consagração do mundo ao imaculado coração de Maria não deve causar piores danos do que a inscrição obrigatória num clube de bairro a qualquer pessoa que não saiba da existência do clube nem da vontade da direcção em fazê-lo sócio.

O que surpreende, neste desvario litúrgico, é o abuso de incluírem nessa cerimónia esotérica pessoas que não se revêem na religião que a promove e, sobretudo, aqueles que ignoram a  existência de Maria e o benefício da consagração ao coração em vez de ser aos rins, ao fígado, ao baço, aos intestinos ou a qualquer outra víscera não menos imaculada.

Depois fica a dúvida sobre o prazo de validade da consagração. Segundo a notícia, trata-se de uma renovação após 25 anos. Quanto ao tétano sabem-se os prazos e a razão do reforço da vacina mas quanto às consagrações canónicas não há ensaios clínicos nem comparações com o placebo.
Não virá mal ao mundo desta prepotência eclesiástica da ICAR. Entre o mau olhado de uma pobre bruxa que faz pela vida e a consagração em Fátima dos que ganham a vida há dois mil anos, não há grande diferença nem perigos acrescidos.

Recordo-me de ter sido obrigado a ir à missa de consagração do Curso da Escola do Magistério, sob pena de não me ser concedido o diploma, mas nessa altura a ditadura fascista só permitia que fosse professor quem desse garantias de prosseguir os superiores interesses do Estado. E, nesse tempo, o salazarismo e a ICAR dormiam na mesma cama, duas ditaduras inseparáveis num único sistema totalitário.

Talvez por isso ainda hoje reaja ao totalitarismo beato de quem, sem me consultar, me inclui em consagrações e outras cerimónias pias. À minha revelia.

23 de Março, 2009 Carlos Esperança

Hospitais da Universidade de Coimbra

Convite para andar de joelhos

Gabinete de Comunicação, Informação e Relações Públicas

Hospitais da Universidade de Coimbra, EPE

Avª Bissaya Barreto e Praceta Prof. Mota Pinto 3000-075 Coimbra

telef. 239.400.472-ext 15144 fax 239. 483.255

23 de Março, 2009 Carlos Esperança

Ratzinger e o proselitismo

O porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, disse que a morte por esmagamento dos dois jovens angolanos no Estádio dos Coqueiros, em Luanda, causou “dor e desconcerto” ao papa Bento 16 e à comitiva papal.

Não é legítimo pôr em causa o pio sofrimento do Papa, indiferente à sorte de 23 milhões de infectados pela sida, mas sensibilizado pela legião de fãs. Certamente que a forma exótica como se veste, os adereços que usa em palco e a coreografia da missa, destinada a centenas de milhares de curiosos, o convertem numa estrela Pop capaz de provocar a histeria colectiva que produziu os acidentes. Ainda assim, foram em menor número dos que habitualmente são atropelados a caminho de Fátima nos dias das peregrinações.

Uma só morte, em particular de um jovem, é motivo de compungimento mas não podemos exagerar na tristeza.

No dia em que, em Luanda, morreram dois jovens que desejavam ver um exótico artista a fazer sinais cabalísticos, faleceram em África centenas de jovens vítimas da fome, da sida e do paludismo, sem missa, incenso ou água benta.

O Papa, depois de solicitar aos africanos para que deixassem a bruxaria e se tornassem católicos, transformou, à sua frente, no Estádio dos Coqueiros, água de Luanda em benta e rodelas de pão ázimo em corpo e sangue de um deus que foi homem há dois mil anos e era filho biológico de uma pomba e de uma mulher virgem.

Não há pessoas normais que seja capazes de descobrir a diferença. A aldrabice dos outros é um excelente pretexto para incitar à mudança de fornecedor.

23 de Março, 2009 Ricardo Alves

A ICAR e a sexualidade(2): contracepção=violação

O mais chocante da encíclica-mestra da ICAR sobre a sexualidade é a equiparação da contracepção à violação. Digam-me lá como se adjectiva isto:

  • «(…) um ato conjugal imposto ao próprio cônjuge, sem consideração pelas suas condições e pelos seus desejos legítimos, não é um verdadeiro ato de amor e nega, por isso mesmo, uma exigência da reta ordem moral, nas relações entre os esposos. Assim, quem refletir bem, deverá reconhecer de igual modo que um ato de amor recíproco, que prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus Criador de todas as coisas nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana» (Humanae Vitae, parágrafo 13).
22 de Março, 2009 Ricardo Alves

A ICAR e a sexualidade(1): a negação da liberdade

O primeiro ponto a compreender sobre a relação católica com a sexualidade é a negação da liberdade. Como diz Paulo 6º (na célebre Humanae Vitae), «o amor conjugal exprime a sua verdadeira natureza e nobreza, quando se considera na sua fonte suprema, Deus que é Amor (…) O matrimônio não é, portanto, fruto do acaso, ou produto de forças naturais inconscientes: é uma instituição sapiente do Criador» (parágrafo 8). Portanto, o acasalamento de dois seres da espécie homo sapiens é parte do plano divino; o acasalamento de dois chimpanzés já não é parte desse plano. Houve um momento, algures na evolução da nossa espécie, em que o amor deixou de ser um instinto animal e passou a ser uma «instituição» do «Criador». Não nos dizem quando (o que seria a única coisa verdadeiramente interessante).

Mas Paulo 6º diz-nos mais: «Na missão de transmitir a vida, [os cônjuges] não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, como se pudessem determinar, de maneira absolutamente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem, sim, conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimônio e dos seus atos e manifestada pelo ensino constante da Igreja» (parágrafo 10). Ou seja, os católicos não têm liberdade para decidir como gerem a sua vida sexual. Devem seguir a «intenção» de «Deus» e o «ensino» da ICAR. Aliás, na Gaudium et Spes já se fora mais longe: «a vida humana e a missão de a transmitir não se limitam a este mundo, nem podem ser medidas ou compreendidas ùnicamente em função dele, mas que estão sempre relacionadas com o eterno destino do homem». Portanto, a sexualidade leva-nos para fora deste mundo. E só pode ser compreendida em relação com a «imortalidade da alma» (seja lá isso o que for).