A ler, no Público espanhol, este excelente texto sobre a colaboração da ICAR espanhola com o regime franquista.
Quem conhece a História da 1ª República e do papel que desempenhou no apressar do seu final uma organização chamada «Cruzada Nacional Nuno Álvares Pereira», não pode deixar de ficar incomodado por ver na «Comissão de Honra» da «Canonização» desse cavaleiro medieval o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o ministro dos Negócios Estrangeiros e o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.
Evidentemente, não se questiona o direito individual a acreditar em intercessões de além-túmulo seja de quem for, mesmo com a finalidade comezinha de curar uma queimadela de óleo de fritar peixe. Simplesmente, quem ocupa altos cargos de um Estado democrático e laico apenas deveria participar neste género de homenagem, se a consciência a isso o obriga, como cidadão privado e discreto, sob risco de estar a comprometer-se numa manobra que poderá ter aproveitamentos políticos e religiosos perigosos e indesejáveis.
Um Estado laico não patrocina crenças nem religiões; não promove igrejas nem cultos. A «canonização» de Nuno Álvares Pereira deveria ser um mero assunto privado entre os crentes católicos e a sua igreja, que decidiu certificá-lo com poderes de curandeiro post mortem, na curiosa data de 26 de Abril. Que algumas das principais figuras do Estado endossem esta campanha clerical, a pouco mais de um ano do centenário da implantação da República, demonstra que não têm memória histórica da exploração nacionalista que o Estado Novo fez desta figura, e que não compreendem que a laicidade não é a mera separação entre Estado e igreja.
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
Uma fonte próxima da delegação francesa adiantou à agência AFP que os chefes de Estado e de Governo “estiveram todos reunidos numa sala para debater o caso Rasmussen”.
A Turquia opõe-se à nomeação do primeiro-ministro dinamarquês por este ter apoiado a publicação de caricaturas do profeta Maomé por um jornal dinamarquês, em 2005.
Comentário: A Turquia tem um primeiro-ministro prosélito e a Europa conhece o perigo das religiões no aparelho de Estado.
Quando o Sr. Presidente da República e outros cidadãos que ocupam elevados cargos no Estado aceitam integrar a Comissão de Honra para a canonização de Nuno Álvares Pereira, que vai ter lugar a 26 de Abril, em Roma, põem em causa o Estado laico que é condição essencial da democracia.
Ainda que o façam a título particular, estabelecem a confusão na opinião pública entre as funções de Estado e os actos pios, do foro individual.
Não podem, oficialmente, representar Portugal – um país laico – em cerimónias de uma religião que apenas obriga a convicções particulares e superstições individuais.
É, pois, de crer que as entidades referidas o façam a expensas próprias, discretamente, para não fazerem corar de vergonha os que não sabem distinguir a água benta da outra.
Quem conhece a honradez do Presidente da República sabe que não seria cúmplice de uma farsa e não se prestaria ao acto indigno de pactuar com uma burla. Assim, é de crer que acredita que D. Nuno, cadáver desde a Idade Média, curou o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe, mas não deve misturar a sua condição de PR com a superstição do crente.
Se a deslocação de Sua Excelência se fizesse na qualidade de PR, os portugueses seriam moralmente obrigados a considerar o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus como património nacional, D. Nuno como taumaturgo, a crença no milagre como fazendo parte das obrigações constitucionais e o Presidente da República como apóstolo do santo.
O Sr. Presidente da República não sujeitará, certamente, os portugueses a semelhante vexame.
O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, descobriu-se muito religioso depois de abandonar o cargo. Como ele diz, «a minha fé foi sempre uma parte importante das minhas políticas» (já sabíamos). Blair acrescenta agora que escondeu deliberadamente a sua religiosidade durante a sua permanência no nº10 de Downing Street. Mas o «novo» Blair dedica-se a uma fundação que tem por objectivo promover o diálogo entre as religiões (mas principalmente as abrâamicas), e a mostrar como a religião pode ser «uma força para o bem».
Em resposta ao «novo» Tony Blair, a revista New Statesman organizou um dossiê especial, «Deus 2009». Recomendo em particular as respostas dos ateus Richard Dawkins e Christopher Hitchens. Como recorda Richard Dawkins, este é o mesmo Tony Blair que defendeu uma escola que ensinava que a Terra tem seis mil anos de idade. E, como argumenta Christopher Hitchens, Tony Blair faria melhor em dedicar a sua fundação a: «combater a mutilação genital das crianças de ambos os sexos; combater os casamentos entre menores de idade; fazer campanha pela contracepção; apelar a um édito islâmico contra o bombismo suicida; apelar a uma decisão rabínica contra o roubo de terra não judaica». A religião, nestes e noutros problemas, é parte do problema e não parte da solução.
CIDADE DO VATICANO, Santa Sé (AFP) — Dois novos milagres foram atribuídos nos Estados Unidos e no Vaticano ao Papa João Paulo II por ocasião do quarto aniversário de seu falecimento, segundo testemunhos divulgados nesta sexta-feira pela imprensa italiana.
Comentário: Os milagres são de qualidade mas o segundo é uma substituição do cantil de aguardente por um rosário. Os cowboys não usavam rosários e as balas poupavam-lhes a vida mas deixavam-nos sem aguardente.
Um preservativo não é apenas um pedaço de látex. É muito mais do que isso. Segundo um padre jesuíta,
Significado da vida. Nem mais, nem menos.
De uma leitora que reside em França, cujo nome omito por não ter autorização para o publicar recebi o seguinte:
«Não sei se já ouviu falar do “Manifesto para a excomunhão voluntária” que circula na internet e na blogosfera francesa.
Tomei a liberdade de o traduzir para português e pergunto-lhe se seria possível publicá-lo no vosso blog».
Aqui fica:
Porque ninguém pediu a minha opinião no dia em que o padre me baptizou.
Porque, actualmente, contesto as posições de Bento XVI relativamente à contracepção.
Porque recuso ser assimilado/a a uma seita que condena as mães porque elas quiseram proteger as suas filhas de uma gravidez indesejada.
Porque recuso o obscurantismo.
Porque escolho a vida real e não uma ideia de vida que começaria antes das doze semanas de gravidez.
Porque reconheço o Holocausto e não suporto que um bispo que o negue não seja excomungado.
Porque não posso pertencer a uma Igreja que não reconhece a realidade da SIDA.
Porque utilizo métodos contraceptivos e por isso estou fora da lei canónica.
Porque não quero continuar a aparecer no ficheiro dos baptizados, por não me reconhecer nesta Igreja que só sabe condenar.
Decidi pedir hoje mesmo a minha excomunhão.
Se quiserem manifestar a vossa oposição ao dogmatismo e ao radicalismo católico que aumentam em Roma, enviem o vosso pedido à paróquia que vos baptizou e divulguem este manifesto.
Bento XVI preside esta Quinta-feira a uma Missa no quarto aniversário da morte de João Paulo II, na Basílica de São Pedro.
Nota: Nestes quatro anos B16 tem contribuído mais para a causa do ateísmo do que JP2. Os milagres baixaram de qualidade e aumentaram o ridículo.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.