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Categoria: Religiões

30 de Abril, 2010 Ricardo Alves

A Bélgica proíbe os véus integrais

O parlamento belga votou ontem favoravelmente a proibição dos véus integrais. Passa a ser crime uma pessoa apresentar-se em locais públicos com «a cara coberta ou dissimulada total ou parcialmente, de tal forma que não seja identificável». A pena por infracção será uma multa ou mesmo a prisão de um a sete dias.
Evidentemente, a lei é motivada pela escalada do islamismo radical – do qual os véus são a bandeira e o instrumento. A lei pretende ser um sinal de que não é aceitável o papel reservado para as mulheres nas interpretações mais fundamentalistas do Islão. De que a igualdade de direitos entre homens e mulheres não é restrita às mulheres brancas ocidentais. E de que o respeito pela liberdade individual não significa tolerar o aprisionamento de mulheres em prisões ambulantes.Escrevi abundantemente sobre este assunto, por exemplo aqui, ali e acolá. Há testemunhos de mulheres muçulmanas e ex-muçulmanas que defendem a proibição. E das que são espancadas por o retirar. Devem ser ouvidas.

Mas o melhor é mesmo dar a palavra a uma proponente da lei. A Associação República e Laicidade publicou, também ontem, a tradução de um artigo de uma deputada belga de origem muçulmana chamada Fatoumata Sidibé. Leia-se: «Declaro que o véu é o símbolo de um projecto político totalitário».

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29 de Abril, 2010 Ricardo Alves

Planeta Terra chama Carlos Azevedo…bip…bip…não há resposta

O bispo fundamentalista Carlos Azevedo continua a insistir que não há padres pedófilos em Portugal. Ler para crer: «não houve até agora nenhuma queixa em Portugal, nem sequer uma suspeita», diz ele.
Sinceramente, não consigo entender isto. Já o António Marto disse a mesma coisa, há poucos dias: «nenhum bispo português tem queixas concretas sobre casos concretos».
Mas que raio. Em que planeta vivem estes bispos? Segundo a própria imprensa que os publica, há dez padres indiciados pelo Ministério Público por abuso sexual de crianças (ver o recorte abaixo). E houve ainda um certo padre Frederico que até foi condenado em tribunal por crime de abuso sexual de menor (e por homicídio). Será que os bispos não lêem os jornais?
Não haverá nenhum jornalista capaz de chamar à Terra um bispo e dizer-lhe que a realidade o desmente? E já agora capaz de procurar-lhe se o padre Frederico, foragido no Rio de Janeiro, não estará novamente em contacto com crianças?
Ficaria bem à imagem da classe jornalística.
28 de Abril, 2010 Ricardo Alves

É um sacerdote católico quem o diz

O sacerdote católico Mário de Oliveira, padre sem paróquia mas livre e sem papas na língua, fala de Ratzinger e das «aparições» de Fátima.

  • «Enquanto teólogo ele sabe, como todo os teólogos – e nós não encontramos nenhum teólogo convicto que defenda Fátima – que do ponto de vista da teologia é absolutamente impossível haver aparições. Do ponto de vista da fé cristã é impossível poder falar-se alguma vez de aparições. Impossível. E ele como teólogo sabe isso e apesar disso vai lá. Contra a sua própria teologia, vai como que canonizar, por um véu de canonicidade, de autenticidade, sobre uma mentira que são as aparições de 1917, com uma agravante que não havia nos anos anteriores. (…) a visita de Bento XVI a Fátima ainda é uma agravante, que o devia levar a ter um pouco de pudor. Porque as três crianças de Fátima, em 1917, foram vítimas – não em termos de pedofilia, de sexo – também do clero de Ourém que organizadamente inventou aquela historieta toda. E a encenou e a representou, servindo-se das três crianças. Desse universo de crianças, duas acabaram por morrer e a que sobreviveu foi sempre sequestrada até à morte.»

E pede a demissão do Papa-Ratz.

  • «(…) como foi a instituição que os formou – mal – e tomou conhecimento quando eles cometeram esses actos e escondeu-os para bem do nome da Igreja, e não fez nada: em última instância quem tem de se demitir é o Papa. Tem obrigação moral de ser o primeiro a dizer: “Eu demito-me, e agora sigam o meu exemplo.” Enquanto o não fizer, não tem moral para demitir ninguém.»

Pode-se ler na íntegra aqui.