20 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança
O ridículo não mata, só a fé…
A família de um aluno muçulmano apresentou queixa de um professor de Geografia de uma escola secundária de Cádiz, Espanha, porque este falou de presunto durante uma aula.
A família de um aluno muçulmano apresentou queixa de um professor de Geografia de uma escola secundária de Cádiz, Espanha, porque este falou de presunto durante uma aula.
O jornalista Peter Seewald, que entrevistou Bento XVI, considera que tem mudado a imagem dura e racional que lhe é atribuída por muitos.
Eu ainda continuo achando que se tivéssemos mais ciência nas TVs, teríamos menos religiosos fundamentalistas. Infelizmente, não é o que ocorre no Brasil. Tanto nas TVs quanto nas rádios, há uma invasão de igrejas neopentecostais que ficam o dia todo passando orações, milagres e curas feitos pelos donos das igrejas, além de (claro) pedir o dízimo ou mesmo o trízimo (sim, há uma igreja que prega que você deve dar 30% do que ganha).
Levantamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine) constatou que 24,1% da programação das TVs abertas no Brasil estavam destinados a telecompras e religião em 2009. A CNT, por exemplo, responde sozinha por 29,4% dos programas que tratam desses temas em toda a TV aberta. Na sua grade, o peso supera os 50%.
João Brant, membro da Coordenação Executiva da Intervozes, organização não governamental que defende o direito à comunicação, critica o excessivo espaço dedicado à religião e a falta de pluralidade religiosa:
“Não existe preocupação com a diversidade. O problema maior é o proselitismo religioso. Tem que haver respeito à liberdade de crença. Há espaços dedicados na TV para apenas uma religião. E ainda há ataques a outras crenças.”
Pelo levantamento, a CNT é a emissora que mais dedica tempo a esses programas (64,1%), enquanto a TV Gazeta vem logo atrás, com 58,8%. Em seguida, vêm a Rede TV!, com 38,6%, a Band, com 28% e a Record, com 21,5%.
Empresas de mídia barraram uma campanha publicitária com dizeres contra a religião patrocinada pela Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos). As firmas se recusaram a veicular os anúncios mesmo depois de o contrato já ter sido assinado. A Atea estuda as medidas judiciais cabíveis.
As empresas que decidiram barrar a campanha, na verdade, só estão defendendo o seu lado. Há passageiros que se recusam a entrar em ônibus “ateus”, além de pessoas que poderiam reclamar da campanha, afetando negativamente a imagem da mesma perante a sociedade.
Independente do teor da campanha, o presidente da ATEA disse o óbvio:
“As seguidas recusas de prestação de serviço são uma confirmação contundente da força do preconceito contra os ateus, e da necessidade de acabar com ele. Nossas peças nada têm de ofensivas, e o teor de suas críticas empalidece frente às copiosas afirmações dos livros sagrados de que ateus são odiosos, cruéis, maus e devem ser eliminados. Existe um duplo padrão em ação aqui“, diz Daniel Sottomaior, presidente da Atea.
As peças de propaganda, com frases como “Religião não define caráter” e “A fé não dá respostas; ela só impede perguntas”, deveriam circular em ônibus de Salvador, São Paulo e Porto Alegre pelo período de um mês. A recusa ocorreu primeiro em São Paulo e depois em Salvador, sob a alegação de que as mensagens poderiam violar dispositivos das respectivas leis de publicidade em espaços públicos.
Fica óbvio que se a propaganda fosse louvando Jesus ou qualquer outro tipo de religião, “misteriosamente” não haveria nenhuma lei impedindo a divulgação da mesma.
Por
A Europa durante muito tempo considerou que estava de fora, ou à margem, da “onda terrorista” actual. Digo actual porque a Europa desde há muitos anos que lida com actos de violência, seja de natureza étnica ou separatistas [País Basco] ou étnico-religiosos [Irlanda do Norte, ex-Jugoslávia, etc.].
Como denominador comum para a maioria destas graves convulsões político-sociais que afectam profundamente a segurança dos cidadãos está: o nacionalismo. O ideário nacionalista cresce à sombra do desaparecimento de modelos imperiais, sejam universais, majestáticos ou regionais.
Há quem suporte a missa semanal, até a diária, sabendo que o espectáculo se repete e só mudam as rendas dos vestidinhos eclesiásticos e a cor dos enfeites, conforme a época e o cânone litúrgico. Até os cenários se mantêm, excepto quando alguma mosca poisa onde não deve ou uma aranha tece a teia num espaço longe da fé e dos crentes.
Para um ateu é como assistir ao mesmo filme todos os dias, com o desconsolo de saber o enredo de cor e não poder dizer piadas. Os crentes da vida eterna vêem no sacrifício a apólice que lhes garante o espaço onde julgam que há virgens lúbricas à espera de bem-aventurados para orgias loucas e rios de mel sem medo da diabetes da alma, deus a dizer piadas ao filho e anjos a tocar harpa no baile das almas sem corpo.
Os santos andam ali em perpétua pasmaceira, privados de canastro e de entendimento, sem saberem que fizeram milagres depois da ida para o Paraíso. Os anjos voam em bandos enquanto os da primeira hierarquia jogam aos dados com o Espírito Santo.
No Paraíso dos judeus Jeová canta em aramaico para os que deixaram as trancinhas e o resto a apodrecer debaixo do cipreste, enquanto Maomé aluga camelos para o oásis das virgens com a recomendação aos ex-suicidas de seguirem o leito do rio de mel doce.
No Paraíso cristão onde Jesus, o que fazia milagres à beira do Lago Tiberíades e passou o Mar Morto a pé antes de ter furados os pés, o único deus verdadeiro fica à direita de quem vem do Purgatório e à esquerda dos que saem do Inferno, canonizados depois de uma excomunhão.
O que não entendo é esta sedução dos crentes pelo Diário Ateísta. Aqui não encontram quem os siga nas novenas, quem viaje de joelhos ou se ponha de rastos perante o deus que lhes venderam na pia baptismal.
Não nos encontraremos no vale de Josafá onde é exíguo o espaço para os que acreditam na ressurreição da carne, na vida eterna e no julgamento de um deus que, se existisse, estaria a contas com a justiça pelas asneiras que dizem que disse e pelas crueldades que são atribuídas ao seu divino mau feitio.
Quando o ciclo biológico se tiver cumprido só nos distingue a água benta com que os créus se borrifam e os óleos com que se besuntam enquanto os ateus partem mais asseados.
Diretora de ONG diz que Sakineh esteve em liberdade e foi presa novamente no Irã
BERLIM – Após a Press TV do Irão desmentir a informação de que Sakineh Mohammadi Ashtiani foi solta , a directora da ONG alemã que divulgou a notícia disse nesta sexta-feira que a iraniana passou três dias em liberdade e voltou para a prisão.
Segundo Mina Ahadi, do Comité Internacional Contra a Pena de Morte e o Apedrejamento, há uma disputa interna no governo iraniano sobre o caso da mulher que fez o país se tornar alvo de pressão internacional.
Eu realmente não entendo como uma pessoa em pleno século XXI consegue acreditar que sacrificar animais em rituais religiosos possa trazer algum benefício para si, ou ainda que seja algo capaz de “saciar” os deuses.
Infelizmente, esse fato ainda é realidade pelo mundo e os pobres animais continuam a ser cruelmente assassinados para honrar a crença do ser humano insensível. Na cidade de Piracicaba, Brasil, uma lei que tentava proibir práticas como essa no município foi vetada.
O plenário da Câmara de Vereadores de Piracicaba, na reunião ordinária de anteontem (06/12/10), manteve o veto total do prefeito Barjas Negri (PSDB) ao Projeto de lei (202/10), de autoria do vereador Laércio Trevisan Júnior (PR), que proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba. Foram sete votos contrários ao veto e cinco favoráveis.
No projeto, o vereador Trevisan defendia a proibição do sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos. O descumprimento da lei implicaria em multa de R$ 2.000,00 (dois mil reais) dobrado a cada reincidência. O Executivo deve apresentar outro projeto na Câmara.
Festeja-se hoje o feriado mais ridículo do nosso calendário: o da Imaculada Conceição. Muitos profanos pensam que se trata da “imaculada conceição” de Jesus Cristo, nascido do ventre de sua mãe Maria por obra e graça do Espírito Santo, isto é, sem que nenhum homem tenha fecundado o referido ventre, pois Maria era e continuou sempre a ser virgem (é claro que anatomicamente isto é impossível: se Maria fosse virgem antes de Cristo nascer, certamente que o seu imaculado hímen não teria resistido à passagem por ele do corpo do menino Jesus; este teria assim desflorado a sua própria mãe ao nascer!).
Mas não é isso. A coisa é ainda mais absurda. A Igreja Católica não achou suficiente que Jesus tivesse nascido de uma virgem: entendeu ser necessário que a sua mãe tivesse também nascido “sem pecado”, isto é, sem que a mãe dela, avó de Cristo, tivesse sido “profanada” por nenhum homem. Por isso o Papa Pio IX, em 8 de dezembro de 1854, na Bula Ineffabilis Deus, com toda a sua infalibilidade, decretou como dogma indiscutível (passe o pleonasmo) que “a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda a mancha de pecado original”.
E é por isso que hoje em Portugal é feriado.
Parece-me inadmissível que num Estado laico exista um tal feriado. Mas estranhamente existe e persiste, sem que nenhum legislador ouse pô-lo em causa. Ninguém ousa afrontar a ICAR, que ainda por cima neste caso teria a seu lado, além obviamente dos fidelíssimos partidos da direita, o Partido Comunista, sempre pronto a defender o sacrossanto “direito adquirido” dos trabalhadores a não trabalharem neste dia, e os Verdes, esses alter ego do PC, e se calhar também o Bloco de Esquerda, pelas mesmas razões e agora ainda por ter como leader parlamentar o devoto Dr. Pureza.
E assim, com esta piedosa unanimidade, continuamos e continuaremos – até quando? – a festejar a “Imaculada Conceição”!
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.