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Categoria: Religiões

26 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Momento Zen de segunda 26_12_2011

 

João César das Neves (JCN), entendido em coisas da fé e conhecedor do Paraíso ensina na habitual homilia do DN, «O burro do Presépio», que no céu também há cavalariças, deixando perplexos os ateus que não acreditam na existência do Céu e que o julgavam uma invenção exclusiva para almas pias. Um ateu não acreditaria que JCN tivesse lá reservada a uma estrebaria, se não fosse ele próprio a confessá-lo no DN.

Afinal o Céu é um conglomerado de condomínios. Segundo JCN, nos palácios do Céu moram os grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, santos incomparáveis. Para ele está reservada uma cocheira o que, para si, é um privilégio porque – segundo afirma – lá até as cocheiras são maravilhosas.

Algumas expressões pias, como «virgens puras», parecem redundantes aos ímpios, mas o que mais admira é que o Paraíso, com tantas estrebarias, seja uma reserva de solípedes porque, segundo o exegeta das coisas celestes, no Céu os currais são Presépio.

JCN adverte os leitores de que no Céu não entra qualquer asno, entram apenas aqueles que carregam aquilo que tiver de ser, sem discutir, sem escolher, sem resmungar, sem pedir descanso, contentando-se com a ração, enfim, asnos subservientes e acéfalos.

No fundo parece que as cocheiras são exclusivas dos crentes que imitem o burro do Presépio e transportem uma mulher grávida que tenha dentro de si o Salvador. Apesar de não faltarem burros na Terra, é de crer que escasseiem virgens grávidas que possam ser transportadas por asnos ansiosos de uma estrebaria no Paraíso.

O Céu pode ter lugares para muitos burros mas é de crer que, com excepção da reserva para JCN, as estrebarias continuarão vazias e deus terá de contentar-se com os grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, e santos incomparáveis. Talvez por isso, à falta de solípedes, o Papa se atarefe na criação de santos e beatos para fazerem companhia ao patrão.

E, quanto a JCN, arrisca-se a não ter com quem relinchar nem com quem trocar amáveis coices na eternidade que a religião dele reserva à fauna da sua santa Igreja.

21 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

A política como religião

O Partido Comunista Chinês determina que os seus militantes sejam ateus, isto é, a ideologia política é a sua própria religião.

Não há só totalitarismos religiosos, também os há políticos. E todos são prosélitos.

19 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Uma pesquisadora de milagres. A indústria não pára

Irmã Célia Cadorin, 84 anos, é uma espécie de detective da fé que conta com o apoio do cepticismo da ciência para encontrar milagres. Seu trabalho, minucioso e de mais de cinco décadas, é reunir documentos, relatos e pacientes que comprovam curas milagrosas creditadas à santidade de brasileiros.

As pesquisas da religiosa já sustentaram, por exemplo, a decisão do Vaticano em canonizar Frei Galvão e Madre Paulina.

17 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Deus é omnipotente…

A Conferência Episcopal da Holanda manifestou hoje “dor e vergonha” diante dos resultados de uma investigação que fala em milhares de crianças vítimas de abusos sexuais em instituições católicas, no país, entre 1945 e 2010.

Num comunicado citado pela Rádio Vaticano, os bispos holandeses e os representantes das congregações religiosas reconhecem a culpa dos autores destes atos, mas também das autoridades eclesiais que não agiram no “interesse prioritário” das vítimas, às quais apresentam um pedido de desculpas, que estendem às famílias.

 

14 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Franco e o Vale dos Caídos

Creio que foi do El País que traduzi estas doridas palavras:

« O que não se pode tolerar mais é que numa democracia como a espanhola se perpetue a homenagem monumental a um genocida (mais de 114.000 execuções premeditadas e ordenadas ao mais alto nível, a maior parte depois da vitória, prisões e depurações maciças impostas retroactivamente aos republicanos, sequestros de crianças, etc.), quem mais sequestrou à força a vontade dos espanhóis durante mais de três décadas».

Nota: A Igreja católica foi cúmplice dos crimes deste pio facínora – Francisco Franco.

 

8 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

O regresso das religiões e o retrocesso democrático

Paulo VI, João XXIII e João Paulo I, que o Senhor logo foi servido de chamar à sua divina presença, foram papas que se esforçaram por fazer esquecer as cumplicidades de Pio XII com o fascismo e que pareciam conduzir a Igreja católica para a modernidade. O concílio Vaticano II, pela primeira vez na história do catolicismo, admitiu a liberdade religiosa embora sabendo que todas as outras religiões eram falsas.

João Paulo II e Bento XVI, em linha com o fundamentalismo muçulmano entraram num caminho de retrocesso, num proselitismo exacerbado e no regresso à ingerência política nos países onde julgam maioritária a sua Igreja.

O secularismo e a laicidade pareciam garantir que o poder das Igrejas não voltaria a crucificar a liberdade. Talvez por isso, as revoltas nos países muçulmanos foram vistas pela Europa como auroras da liberdade quando já havia sinais de que podiam ser o seu crepúsculo.

A civilização árabe fracassou e conduziu à miséria e ao atraso civilizacional os países onde o Corão é ensinado nas madraças e recitado nas mesquitas. O Islão é o ópio que seduz as populações submetidas aos governos corruptos onde a caridade se exerce por intermédio da religião. São centenas de milhões de vítimas da fé.

Na Tunísia, em Marrocos e no Egipto surge agora uma onda de fanatismo que despreza os mártires que lutaram pela liberdade e derrubaram as ditaduras e já reclama a chária, a recordar-nos que das eleições livres municipais de 1990 até as legislativas de 1991 a Frente Islâmica de Salvação tinha o apoio generalizado dos argelinos para impor uma teocracia que os militares impediram com mais uma ditadura laica.

A Líbia e o Iémen são dois países onde as eleições livres, quando as puderem realizar, se limitarão a mudar de ditador  e a transformar países sem quaisquer direitos em países onde quaisquer direitos serão impedidos pelo Islão.

A Arábia Saudita e o Irão são para os países oprimidos o modelo de opressão desejado. Quem nunca conheceu a democracia só sonha com ditaduras alternativas e o poder tribal e teocrático parece fascinar quem entrou na espiral da miséria e da violência.

A Turquia, contrariamente ao que pensam os optimistas, está a sofrer um processo lento e eficaz de re-islamização ao mesmo tempo que o protestantismo evangélico avança nos EUA, os governos dos países cristãos ortodoxos tomam posse em nome da Santíssima Trindade e o Vaticano negoceia Concordatas e interfere nos países onde se infiltrou.

Os sionistas e os fundamentalistas simétricos, do Hamas e do Hezbolá, não dão tréguas. Forçoso é concluir que Deus podia ter sido uma ideia interessante mas acabou por ser um insuportável pesadelo com milhões de crentes.