Entrou ontem na AR (DN, pág. 16) uma petição com 5300 assinaturas com o texto que os autores crismaram «Defender o futuro», embora sejam indivíduos com passado ao serviço da Igreja e dos «bons costumes» e, sobretudo, obsoletos.
Bagão Félix, Fernando Ribeiro e Castro, Manuel Braga da Cruz, António Gentil Martins, João César das Neves e Rui Gomes da Silva são o elenco da devota petição. Saídos de uma pia de água benta, cuja infusão lhes liquefez os neurónios, confundiram o futuro que dizem defender com o passado a que estão amarrados.
A revisão das leis de família é um objetivo santo a que juntam o argumento do apoio do PR que, numa primeira fase, após a aprovação na AR, as vetou para, finalmente, ter de engolir o veto, como manda a Constituição, apesar das mensagens ao Parlamento e do azedume público que evidenciou.
Argumentam ainda os bem-aventurados que as referidas leis «foram todas aprovadas no tempo do Governo de José Sócrates», como se a bondade legal derivasse da pessoa que ocupa o lugar de PM.
Entendem os seis amigos da hóstia que as leis em apreço «têm vindo a corroer o tecido social do país». E são elas: a lei do aborto, da procriação medicamente assistida, a lei da mudança de sexo e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a lei do divórcio e a do financiamento do Ensino Particular e Cooperativo.
Além de pretenderem que o Estado dê mais dinheiro para as escolas da Igreja católica, um voto que certamente lhes aplaina o caminho do Paraíso, as sumidades entendem que têm direito a impor os seus valores morais à totalidade de um povo, sem perceberem que as referidas leis não os obrigam a mudar de sexo ou de mulher nem a casar com indivíduos do mesmo sexo ou a procriarem medicamente assistidos.
São marretas e reacionários.
Foto de Bento XVI queimada por padre italiano durante missa
Andrea Maggi, padre de uma igreja na cidade de Castelvittorio, queimou durante uma missa uma fotografia do papa emérito Bento XVI.
O fracasso da civilização árabe exacerba o fundamentalismo islâmico que contamina os países não árabes, como o Irão e a Turquia, atingindo a Europa, EUA e África.
Em nome da liberdade religiosa poder-se-á dizer que falta legitimidade às democracias para proibir os símbolos identitários mas, em nome da liberdade, deverão ser proscritos os símbolos da submissão de género, situação agravada pelo facto de se saber que, por cada mulher que pretende usar a burca, há centenas a quem é imposta.
De menor importância, embora, a lei que impede o uso de máscaras na via pública, por razões de segurança, devia ser suficiente para impedir tais adereços que, para além de discriminarem as mulheres, são um embaraço à identificação pessoal para prevenção e apuramento de autores de crimes.
Depois da proibição francesa, belga e holandesa, a discussão continua em vários países europeus e a proibição ordenada por 13 municípios espanhóis, sofreu um revés legal, no Supremo Tribunal, contra o município de Lleida, o primeiro em Espanha a proibir o uso da burca e do niqab. O Supremo argumenta que o princípio que proíbe o véu integral só pode ser feito através de uma lei, como indicado pela Constituição espanhola, uma vez que é uma limitação ao exercício de um direito fundamental (a liberdade religiosa).
Sem debater a argumentação cujo fundamento é discutível, ressalta a necessidade de se legislar, não a nível autárquico, mas a nível nacional. A Europa sabe que a liberdade de que frui foi conseguida com a repressão do proselitismo clerical. A Guerra dos 30 Anos (1618/1648) não pode ser esquecida, nem o sangue aí vertido, até à paz de Vestefália.
Dominado o totalitarismo católico que apenas viria a reconhecer a liberdade religiosa no concílio Vaticano II, não podemos permitir que o fascismo islâmico destrua a mais bela conquista civilizacional – a igualdade de género.
Já basta que nos países reféns do Islão não sejam permitidas outras religiões e a pena de morte seja ainda o castigo para a apostasia, um direito indeclinável de qualquer cidadão.
A má consciência do colonialismo europeu não pode condescender com anacronismos.
Na imagem da direita os ombros de Michele Obama foram cobertos para não elevar a testosterona de Maomé.
Três sacerdotes e um ex-padre acusaram o cardeal da diocese de Saint Andrews e Edimburgo, Keith O’Brien, de tê-los assediado sexualmente durante os anos oitenta do século passado, segundo informa em exclusivo o jornal londrino de domingo The Observer .
O’Brien, que exerce o mais alto cargo da Igreja Católica na Escócia, líder da Conferência Episcopal, está previsto aposentar-se no próximo mês mas tem direito a participar no conclave para eleger o sucessor do Papa Bento XVI.
Agora é o cardeal escocês O’Brien – outro megaultrahiperconservador – que é acusado de assediar sexualmente membros do clero. Quem quiser construir teorias de conspiração sobre a luta de morte na Cúria romana entre o «lóbi gay» e outra coisa qualquer (será o lóbi hetero? o lóbi assexual?) , tem muito com que se entreter…
Quando os dissidentes de uma instituição poderosa, uns voluntariamente, outros à força, têm a coragem de lavar a roupa suja em público, nem tudo o que é parece.
http://www.huffingtonpost.com/matthew-fox/the-dark-legacy-of-pope-benedict-xvi_b_2720313.html
Ouçamos ainda a «Rede de Cuidadores».
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