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27 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

Páscoa ortodoxa

Centenas de milhar de ortodoxos russos encheram os templos da capital russa durante a madrugada de hoje para celebrar a Páscoa ortodoxa.

«Na noite da véspera da Páscoa, mais de 140 mil pessoas encheram os 225 templos ortodoxos e mosteiros da capital, mais de 110 mil crentes participaram em procissões e cerca de 150 mil moscovitas foram visitar as campas dos seus parentes nos cemitérios da cidade» , declarou o coronel Victor Biriukov, porta-voz do Ministério do Interior da Rússia.

Segundo o responsável, «as celebrações realizaram-se sem qualquer tipo de incidentes», quando estavam «mobilizados mais 15 mil agentes da polícia e militares» do Ministério do Interior da Rússia.

O coronel da polícia moscovita sublinhou que «o maior número de crentes, seis mil pessoas, esteve no Templo de Cristo Salvador», onde a Missa de Aleluia foi celebrada por Alexei II, Patriarca de Moscovo e de toda a Rússia, e onde estiveram os presidentes cessante e eleito, respectivamente Vladimir Putin e Dmitri Medvedev, acompanhados pelas mulheres.

«Quero agradecer-lhe pela mensagem em que felicita todos os ortodoxos que festejam a Ressurreição de Cristo» , declarou o Patriarca ortodoxo, dirigindo-se a Vladimir Putin.

«Deus lhe dê forças para realizar os seus grandes feitos heróicos em prol da Rússia. Estamos-lhe gratos, profundamente respeitado Vladimir Vladimirovitch (Putin), pelos oito anos da vossa presidência. Você fez tanto pela Rússia!» , acrescentou Alexei II.

Dirigindo-se depois ao presidente eleito, o Patriarca acrescentou: «Dmitri Anatolievitch (Medvedev), ao realizar os projectos nacionais, visitou muitas regiões e sabe o que o país precisa, quais as necessidadeas das pessoas. Vós dois terão de realizar um feito heróico difícil em prol da Pátria, em prol do nosso povo».

«Prometo-vos que a Nossa Igreja irá sempre rezar e pedir a Deus que vos dê forças, coragem para superar todas as dificuldades, todas as provas. Para fazerem o que fazem em prol do homem, para bem do homem» , concluiu o chefe da Igreja Ortodoxa Russa.

Depois, Putin e Medvedev aproximaram-se do Patriarca, agradeceram-lhe pelas suas palavras, beijaram-no três vezes, como manda a tradição ortodoxa, e Putin ofereceu a Alexei II o ícone «Deus Omnipotente».

«Quero garantir-lhe que o Estado continuará a prestar todo o apoio à Igreja no seu trabalho com vista à educação moral dos cidadãos da Rússia, ao reforço do prestígio dos valores da família na consciência social, à conservação e reforço da unidade da Ortodoxia» , declarou Putin.

O sucessor de Putin no Kremlin, Dmitri Medvedev, sublinhou que a acção da Igreja «contribui em alto grau para a realização das transformações sociais nos interesses dos cidadãos da Rússia, abre novas possibilidades para a interacção do Estado e da Igreja na solução das questões actuais da cultura e da saúde moral da nação, na educação da geração jovem».

Não obstante a Igreja Ortodoxa Russa apelar aos seus crentes para que não visitem os cemitérios no dia de Páscoa, centenas de milhares de pessoas continuam a observar essa tradição pagã.

Neste dia, os russos colocam nas campas dos seus entes queridos ovos, kulitchi (espécie de pão-de-ló), alimentos e vodka.

Segundo um estudo do Centro de Estudo da Opinião Pública, 16 por cento dos russos visitam os cemitérios no dia de Páscoa, apesar dos apelos da Igreja Ortodoxa.

Fonte: Sol, 27 de Abril de 2008.

27 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

As preocupações do Papa

O papa Bento XVI exprimiu hoje «preocupação e sofrimento» pelos bombardeamentos e as confrontações armadas na Somália, no Burundi e no Darfur, onde «uma tragédia sem fim afecta centenas de milhares de pessoas».

Bento XVI exortou as autoridades políticas locais e a comunidade internacional a não pouparem esforços para obter o fim da violência e o cumprimento dos acordos assinados «com vista a criar pilares sólidos para a paz e o desenvolvimento».

«As notícias que chegam de alguns países africanos continuam a ser motivo de sofrimento profundo e viva preocupação. Peço-vos que não esqueçam estes trágicos acontecimentos nem os nossos irmãos e irmãs neles implicados» , exortou o chefe da Igreja Católica.

O Bispo de Roma acrescentou que na Somália, especialmente em Mogadíscio, fortes confrontos armados tornam «cada vez mais dramática a situação humanitária dessa querida população, desde há anos oprimida pela brutalidade e pela miséria».

Bento XVI também referiu se referiu ao Darfur, sublinhando que «apesar de haver um raio de luz, permanece a tragédia sem fim para centenas de milhares de pessoas indefesas e abandonadas à sua sorte».

Fonte: Sol, 27 de Abril de 2008.

27 de Abril, 2008 Carlos Esperança

DA – Correio dos leitores

Carreira das Neves e o seu caminho para o ateísmo

Carreira das Neves, reverendo e professor de teologia da Universidade Católica Portuguesa produziu importantes declarações no programa de Júlia Pinheiro “As tardes de Júlia” no dia 24 deste mês de Abril de 2008 (http://www.youtube.com/watch?v=i72HBqCiXyM).

Disse ele, num jacto, como se fosse imperativo dizer, que “a Bíblia não é a palavra de deus”.

Concluiu que não se pode ler a Bíblia de maneira literal e completou as afirmações dizendo que o deus nunca falou com Abraão, Isaac e Moisés.

Pormenorizou que a fé dos judeus pôs na boca de deus (…) mas que este não mandou escrever nada, o que é importante. Nós tínhamos há muito a certeza, sabíamos muito seguramente que a Bíblia tem incongruências flagrantes e que só a fé a transforma no livro sagrado, sabendo também que por sua vez é um conjunto de textos e todos foram reunidos para constituir a base duma religião que se foi impondo nestes últimos dois mil anos à custa de outros tantos desatinos e pressões, jogando com valores de terrorismo verbal num ciclo de ajustamentos de deus, do diabo e do deus-homem encarregado da salvação.

Das ilações da sabedoria de Carreira das Neves vejamos uma contradição básica: Deus não entregou a Moisés as Tábuas da Lei (10 mandamentos). Esses mandamentos são a base da moral chamada judaico-cristã. São assim a chave do bem e do mal, constituem a primeira peça orientadora do comportamento, a santa aliança de deus com o povo judeu, regras que, diz a igreja, foram reafirmadas por Cristo.

O que mais importa, no que se entende dos dizeres de Carreira das Neves, isso não aconteceu. Deus não falou, deus não disse nada, concluímos sem abuso de raciocínio, não se estabeleceu nenhuma aliança e não há nenhum povo eleito nem, podemos afirmá-lo, nem a máquina opressora do pecado, nem a figuração do mal, o demo, nada disso, anjos e arcanjos e cortes celestiais, o grande reino, as promessas da eternidade.

Estamos entendidos agora, com mais esta certeza, deus é uma fábula, um objecto de fixação maníaca, uma invenção da fé. E nalguns crentes uma realidade perigosa, que tem orientado instintos de repressão, guerras e mortes, genocídios. Pena que a ICAR tenha inundado o seu caminho para os céus de sangue e torturas de vítimas indefesas.

Temos que intensificar o nosso trabalho e até, talvez, trazer o reverendo professor a colaborar connosco. É certamente um ateu culto.

a) Jorge Alarcão

25 de Abril, 2008 Ricardo Alves

Viva o 25 de Abril!

  • «1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

    2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.»

(Artigo 37º da Constituição da República Portuguesa.)

25 de Abril, 2008 Carlos Esperança

25 de Abril… Sempre. Missas… Nunca

Há quem, sendo quem é, esqueça a quem o deve. Há pessoas que Abril fez gente e, se pudessem, retiravam o dia 25 ao mês e suprimiam Abril do calendário.
Há quem exonere da lapela o cravo e da memória a Revolução, parasitas de alheia coragem, a comer frutos da árvore que não plantaram e a repoltrearem-se à farta na mesa que não puseram.
Há quem cavalgue a onda da democracia com ar de enfado e sinta azia com as madrugadas. São os chulos da democracia, proxenetas da liberdade.
Há quem esqueça que há 34 anos alguém arriscou a vida para nos devolver a honra, pegou em armas para nos dar a paz, derrubou a ditadura para trazer a democracia.
Há quem despreze Salgueiro Maia, Melo Antunes, Vasco Gonçalves, Carlos Fabião e outros mais, quem se esqueça de recolher uma pétala vermelha de um cravo de Abril em memória dos que partiram.
Não sei se a Pátria recordará, como deve, os que fizeram Abril. Mas certamente há-de esquecer os parasitas que medram à sua custa e olham o umbigo do seu narcisismo de costas para quem, há 34 anos, fez florir nos canos das espingardas cravos.

Glória eterna aos capitães de Abril.

24 de Abril, 2008 Ricardo Alves

A Noruega laiciza-se

Conforme o Diário Ateísta já referira, a Noruega atravessa actualmente uma reforma constitucional no sentido de separar o Estado da Igreja Luterana.
No dia 10 de Abril foi anunciado um acordo que inclui, entre outros pontos:

  1. Que o artigo 2 da Constituição deixará de referir que «a religião evangélica-luterana» é a religião de Estado;
  2. Que deixe de ser obrigatório, constitucionalmente, que metade dos membros do Governo sejam luteranos;
  3. Que a Igreja Luterana norueguesa se democratizará, passando os bispos a serem eleitos pelos fiéis.

A Associação Humanista Norueguesa lamenta que a Igreja Luterana continue a ser parte da administração do Estado, embora as cerimónias de casamentos e funerais humanistas passem agora a ser também subsidiados pelo Estado.

Uma situação a acompanhar.

24 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

Dez chicotadas e seis meses de prisão

Uma terceira activista iraniana, Nahid Jafari, foi condenada a uma pena suspensa de seis meses de prisão e a dez chicotadas pelo Tribunal Revolucionário do Teerão, anunciou hoje o diário reformador Etemad.

«O tribunal absolveu a minha cliente das acusações de risco à segurança nacional e ao desrespeito de uma ordem dada pela polícia, mas reconheceu-a culpada da tentativa de perturbação da ordem pública», declarou o advogado Zohreh Arzani segundo o jornal diário.

Esta pena é acompanhada de uma suspensão de dois anos.

Nahid Jafari foi presa em Março de 2007 em companhia de 32 outras feministas à frente do Tribunal Revolucionário de Teerão, onde deviam ser julgadas outras cinco activistas por terem participado numa manifestação em Junho de 2006.

A jornalista, Nasrin Afzali, outra militante feminista, foi condenada à mesma pena segunda-feira passada, tal como Marzieh Mortazi Langueroudi em Fevereiro.

As feministas iranianas lançaram uma campanha para reunir um milhão de assinaturas a pedir direitos iguais no que diz respeito ao casamento, o divórcio, a herança e a custódia dos filhos.

Recentemente várias militantes feministas foram presas pelas autoridades iranianas, algumas das quais ainda continuam encarceradas.

Fonte: Sol, 23 de Abril de 2008.