Numa surpreendente votação, em que 30 republicanos votaram ao lado dos democratas, a Câmara dos Representantes* aprovou ontem um esboço de lei que inclui violência contra homossexuais na actual lei dos crimes de ódio, que contempla apenas crimes com motivação religiosa, étnica ou racial. A lei, que para além destes pretende incluir o género e orientação sexual nos crimes de ódio, e que tem sido repetidamente bloqueada no Congresso, vai ser agora apreciada no Senado.
Certamente que os teocratas americanos, publicamente visceralmente homofóbicos, carpirão em alto e bom som tal desvio à lei divina. Um dos assuntos favoritos da esmagadora maioria dos Jesus freaks americanos é exactamente a pregação contra os homossexuais, que são responsáveis por tudo, desde o 11 de Setembro ao Katrina. Tema de homilia que será interdito se a lei passar no Senado…
*O Congresso dos Estados Unidos, que detém os poderes legislativos, é composto pelo Senado, com dois senadores por cada Estado eleitos por um período de seis anos, e pela Câmara de Representantes, com um número variável de representantes por Estado, eleitos bianualmente.
Próximo das eleições autárquicas, o pelouro de Acção Social da Câmara de Municipal de Vila Nova de Famalicão, em articulação com as juntas de freguesia, aliciou 10.200 idosos do concelho para participarem na eucaristia das 11H00, no próximo dia 17 de Setembro, em Fátima.
É duvidosa a legitimidade da autarquia para disponibilizar 196 autocarros para uma manifestação de carácter particular.
Trata-se de um processo eticamente reprovável, politicamente pusilânime, de contornos fraudulentos e uma tentativa de manipulação eleitoral.
Voltámos aos tempos de Fátima, futebol e fados.
Ao menos as hóstias são por conta do Santuário.

Um tribunal de Moscovo começou a audição de um caso no mínimo sui generis: um caso em que a queixosa é uma astróloga russa, Marina Bai, e o réu a NASA. A charlatã astróloga pretende que a experiência levada a cabo pela agência espacial americana em 4 de Julho, que envolveu a colisão de uma sonda com o cometa Tempel 1, interferiu com a sua vida espiritual e com o seu sistema de valores. A charlatã astróloga pretende uma indemnização de 300 milhões de dólares já que para além dos consideráveis danos espirituais para a queixosa e dos danos cometidos em relação à «vida elementar» do cosmos perturbando assim o balanço de forças no Universo, a NASA alterou o horóscopo de Bai.
«É óbvio que elementos da órbita do cometa e correspondentemente do periélio, serão alterados depois da explosão o que interfere com o meu trabalho de astrologia e distorce o meu horóscopo» afirmou há uns tempos Marina Bai.
Haja tolerância para crendices obscurantistas sejam elas astrológicas ou exorcistas mas há limites para os anacronismos «espirituais» de uns quantos fanáticos oportunistas! Considero aberrante que semelhante disparate tenha sequer chegado às salas de qualquer tribunal mas espero, para bem da humanidade, que o veredicto neste caso seja liminar: esta acção é completamente absurda!
Este novo caso foi aberto por Michael Newdow com a ajuda de outras famílias ateias que não abdicam de lutar por uma escola pública laica (notícia na Humanist Network News), e poderá levar este assunto, mais uma vez, até ao Tribunal Supremo.
Claro que ao longo de milénios muitas organizações religiosas tentaram arranjar justificações para tais «acidentes» mas realmente nenhuma das desculpas pegou. As religiões do livro ao abandonarem as perspectivas teleológicas pré-clássicas e clássicas (quer se trate do caso babilónico em que todos os males são vistos como insatisfação divina – sendo que a morte era apenas um prolongamento da vida, incluindo o sofrimento – ou do caso grego em que se remete o mal para o acaso, o destino e os caprichos da natureza divina e humana – a morte neste caso é uniforme sendo que a todos espera o negrume do Hades onde se encontrarão num eterno estado de espera num mundo de sombras e cinza onde não se sofre mas onde também não se existe prazer) criaram uma impossibilidade lógica – o deus que é bom mas deixa sofrer as criaturas que supostamente ama.
Muito sofisma e retórica têm sido tecidos pelo clero à volta desta questão. De facto ela encontra-se tão mal explicada intelectualmente que regra geral remete os crentes para explicações simplistas mas obviamente insuficientes (os desígnios misteriosos do senhor, o evento em questão faz parte de um plano cósmico mais vasto – a tentativa clara, e frustrada acrescente-se, de dar sentido à morte ou ao sofrimento). As palavras do enigma de Epicuro continuam tão válidas como no dia em que fora escritas:
Deus quer acabar com o mal mas não é capaz?
Então não é omnipotente
É capaz mas não o quer fazer?
Então é malévolo
É capaz e quer fazê-lo?
Então de onde surge o mal?
Não é capaz nem quer fazê-lo?
Então porquê chamar-lhe Deus?
O cristianismo explica o mal através de duas ideias falsas mas que à primeira vista parecem resolver o enigma. Primeiro advogam a suposta queda do Homem de um estado de graça devido ao pecado original. Não é universal entre os crentes (aqueles que conhecem a sua religião – uma minoria com toda a certeza) o que é que esse pecado original realmente envolveria. Existe a versão da usurpação por parte do homem do conhecimento que só a Deus pertence enquanto outros falam de um afastamento do divino (com claros laivos de anti-laicidade à mistura). E em segundo lugar criaram a figura do livre arbítrio em que a vontade própria da criatura é a fonte do mal.
Nenhuma destas tentativas de «racionalização» da questão resolvem o problema. A omnipotência e Omnisciência excluem qualquer hipótese de erro divino, se o Homem falha é porque Deus assim o quis. A liberdade humana por essa perspectiva nada mais é que uma ilusão, a carne é fraca e o Homem está destinado a falhar e cair nas condenações infernais sádicas que povoam as realidades e os infernos dos monoteísmos violentos (o sadismo presente nessas visões resulta da sublimação de desejos reprimidos por um código (i)moral opressivo, e como tal é bastante frequente que as visões artísticas e populares do inferno ao longo do tempo reflictam esses impulsos que anseiam por ser satisfeitos e aproveitam todas as oportunidades para se manifestarem – a isso junta-se é claro o desejo de ver todos os que não se auto-flagelam como «os escolhidos de Deus» serem castigados pela felicidade e prazer que gozam).
Até aos dias de hoje o problema do mal é o mais flagrante exemplo de impossibilidade do deus do bem, aquele que é pessoal e guia o crente, o deus dos incautos. O problema em si mesmo não tem solução. Para negar a constatação que daqui resulta: «não há justiça» o crente refugia-se na crença no deus que tem que existir porque ele quer, porque precisa de um sentido exterior (devido à sua incapacidade de projecção directa da sua vontade pessoal). Para muitos crentes deus existe porque deveria existir. O argumento, por razões óbvias, não tem muitos adeptos nos círculos mais sérios.
O crente tenta vender ao ateu o seu maravilhoso mundo encantado em que a ilusão se sobrepõe à realidade, realidade essa que, em termos de atracção, jamais poderá competir com as fantasias que o Homem constrói. Cabe a cada um decidir se prefere permanecer lógico e sério ou se quer deixar-se intoxicar pelo ópio da irracionalidade. A realidade é sempre preferível a qualquer sonho por muito agradável que seja.
Andavam os créus mais tranquilos depois da abolição do Inferno pelo Papa JP2, quiçá convencidos de que sem inferno não há diabos pois até o demo tem direito a domicílio, fogueira e combustíveis, além das almas que o exército de parasitas de Deus entende que lhe devem ser reservadas.
Agora o Papa Bento 16 entusiasma os exorcistas a não esmorecerem no santo ministério sob a vigilância atenta dos bispos.
Da residência de verão em Castelgandolfo, B16 dirigiu-se ao Vaticano para a habitual audiência pública das quartas-feiras onde o aguardavam cerca de 20.000 mirones, incluindo os participantes no congresso de Exorcistas Italianos que teve lugar nestes últimos dias.
Segundo B16 os exorcismos têm de ser realizados no mínimo por sacerdotes em estreita dependência do bispo da diocese. Fica assim arredada a possibilidade de um diácono se dedicar ao ramo e, muito menos, um sacristão. A profissão exige saber, água bem benzida, um crucifixo em bom estado de conservação e, em caso de perigo, um báculo para partir os cornos ao diabo. Daí a necessidade do bispo.
JP2 realizou 3 exorcismos durante os 27 anos de pontificado, sendo dois já conhecidos.
O padre Gabriele Amorth, um dos mais prestigiados exorcistas italianos declarou em 2003 que, dois anos antes, JP2 realizou na Praça de «S.» Pedro um exorcismo para tirar o diabo do corpo duma rapariga endemoninhada que participava numa audiência geral.
Em 1982 JP2 expulsou o diabo do corpo de uma mulher italiana, Francesca, que o então bispo de Spoleto (centro de Itália) monsenhor Alberti, levou ao seu apartamento. Este exorcismo foi confirmado em 1993 pelo cardeal Jacques Martin, ex-prefeito da Casa Pontifícia.
Fonte: El Periódico, 14-09-2005
Em pleno século XXI quando a ciência desvenda as razões fisíco-químicas associadas a comportamentos considerados anormais, a Igreja Católica ainda tenta vender possessões diabólicas e quejandos e treina os seus sacerdotes naquilo que é chamado de «exorcismo real», um mambo jambo de 27 páginas que envolve o uso de litros de água-benta, encantamentos e orações sortidas q.b., incensos, imposição de relíquias ou símbolos cristãos como a cruz, para expulsar os «espíritos malignos» que supostamente possuem o desgraçado que lhes cai nas mãos.
O primeiro curso de caçadores de demónios, realizado no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, teve aparentemente tanto sucesso e o Demo é uma invenção tão conveniente para justificar as mais abjectas práticas, dirigidas, claro, não a pessoas mas a servos do Demo, que o Vaticano decidiu reeditar em Outubro o seu curso sobre «Exorcismo e oração de libertação».
Entretanto decorre em Roma, no meio do secretismo necessário à profissão, a convenção dos exorcistas católicos, saudados hoje por Bento XVI em pessoa, certamente depois de no Catecismo da Igreja que afirma: «Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objecto sejam protegidos contra a influência do maligno e subtraídos ao seu domínio, fala-se em exorcismo».
Quiçá esta autoridade da Igreja em identificar a obra do Demo não seja suficientemente reconhecida, nomeadamente na Venezuela. De facto, o governo venezuelano não reconheceu qualquer necessidade de aceitar a piedosa oferta do Cardeal Rosalio Castillo Lara de exorcizar Hugo Chávez, certamente possuído pelo próprio Belzebu para cortar o financiamento à «santa» Igreja venezuelana.
Esta descrença na existência do princípe das trevas tem sido tão prejudicial aos cofres ensinamentos da Igreja Católica que, para além desta abundância de cursos na arte de bem exorcizar qualquer mafarrico, o Vaticano se viu na necessidade de actualizar o esquecido ritual de exorcismo, formalizado no ano da Graça de 1614.
Falando agora em demónios modernos no seio da Santa Sé relembro que o Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, onde decorrerão os cursos para charlatães exorcistas, é uma instituição, dita universitária, privada, sustentada pelos Legionários de Cristo e pela Regnum Christi, fundadas pelo padre mexicano Marcial Maciel Degollado, uma «máquina» de angariação de fundos para a Igreja de Roma, sobre o qual pendem há décadas inúmeras acusações de abuso sexual de menores. Todas elas ignoradas pelo Vaticano, que não quer hostilizar uma das suas mais bem conseguidas fontes de rendimento. Estas e outras histórias «edificantes» sobre o patrono dos exorcistas podem ser lidas no «Vows of Silence: The Abuse of Power in the Papacy of John Paul II», de Jason Berry e Gerald Renner ou na análise do livro no National Catholic Reporter.
É uma experiência realmente assustadora passar em frente à chamada Catedral Mundial da Fé, o templo principal da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no Brasil. Localizada no subúrbio carioca de Del Castilho, a poucos quilómetros do Centro, a edificação monumental (e medonha) atesta a riqueza desta seita neopentecostal surgida há pouco mais de duas décadas. Em formato de meia lua, com mais de 63 mil metros quadrados de área construída, tem os muros de sua fachada revestidos com 10 mil metros quadrados de pedras trazidas de Israel. Nas reuniões de culto, os pastores despejam suas charlatanices aos mais de 10 mil crentes que se acomodam em modernas e confortáveis poltronas dispostas em degraus, como numa arena. Pelos programas da rede de televisão da IURD, a Record, vemos essas pobres criaturas entregando de boa fé seus salários, anéis, colares, relógios e até mesmo óculos aos abutres que insistem que elas atestem sua fé doando a Cristo seus bens materiais. Só assim Deus as fará cada vez mais prósperas.
Além do dízimo e das doações de milhões de fiéis em todo o território nacional, o cofre da IURD se locupleta de outras fontes de renda. Um dos maiores representantes da IURD no Congresso Nacional, o bispo Rodrigues, renunciou ao mandato de deputado federal nesta última segunda-feira (12/9), para evitar sua provável cassação. Estava envolvido num amplo esquema de corrupção. Em outro episódio envolvendo a IURD, em Julho deste ano, a Polícia Federal encontrou com o bispo e deputado federal João Batista Ramos e mais seis pessoas, sete malas contendo cerca de 10 milhões de reais. Apesar da IURD afirmar que o dinheiro era proveniente do dízimo arrecadado, a presença de notas seriadas e a dificuldade em explicar a origem do dinheiro fazem com que a polícia não acredite muito na história. Suspeita-se de lavagem de dinheiro advindo da corrupção. O mesmo João Batista Ramos já respondia a processo no Supremo Tribunal Federal por crimes de falsidade ideológica e contra a ordem tributária. O bispo e senador Marcelo Crivella também responde ao mesmo processo, entre outras coisas por ser sócio-proprietário de uma TV mesmo exercendo um cargo político.
Essa corja está em Brasília para legislar pela causa de Deus e tentar impor à sociedade leis condizentes com as suas crenças lamentáveis, mas também, e sobretudo, para enriquecer ainda mais a igreja do bispo Edir Macedo.

Que interditos e medos sobrevivem de modo a calar qualquer crítica à ICAR? Serão temores antigos do braço secular, desconfiança dos incontáveis esbirros do Santo Ofício ou terror das obscuras ligações do Vaticano e das suas seitas mais ou menos secretas?
B16 é o velho inquisidor de cuja biografia se apagou a passagem pela juventude nazi antes de ingressar nas forças armadas donde desertaria, na iminência da derrota, em 1944.
Há neste filho de um polícia alemão, de facto, uma adolescência difícil. Não o podemos condenar pela juventude que o fez autoritário, com horror à sociedade plural, mórbida homofobia e patologia misógina. Certamente não esquece as noites frias do seminário, obrigado a dormir com as mãos fora dos cobertores para evitar as tentações da carne e o castigo do preceptor.
O ataque desferido, num documento de 2000, contra anglicanos, luteranos e protestantes em geral, afirmando que a Igreja Católica é o único caminho para a salvação, mostra o seu conceito de tolerância e ecumenismo.
A condenação sistemática dos movimentos feministas, a relutância em aceitar mulheres a cantar nos coros das missas e a afirmação de que «gays e lésbicas até poderiam ser aceites na Igreja, se concordassem viver em castidade», mostra o carácter misógino e homofóbico de quem foi «eleito» Papa com o aplauso extasiado do Opus Dei.
Este homem, hoje regedor de um bairro mal frequentado, foi nomeado Papa por 115 cardeais onde apenas ele e um outro não foram criados por JP2 de acordo com a sua indicação e forte influência.
O teólogo que sabe que a existência de Deus não se pode provar é o autocrata que dirige a pesada máquina que vive do charlatanismo e da mentira. Desistiu de ser humano e é o déspota que envelhece e envilece na defesa anacrónica dos preconceitos da sua igreja.
Se Bento 16 tivesse um dia conhecido as delícias do amor, se tivesse encontrado um corpo que se fundisse com o seu, uma boca que se abrisse à sua, um coração que batesse ao mesmo ritmo, não seria o beato moralista que confunde prazer e pecado, nem viveria a doentia obsessão contra o sexo.
Os pios leitores do Diário Ateísta não se dão conta do antro onde se cruzam cardeais, freiras, monges, arcebispos e outros parasitas da fé e se processam informações sobre tudo o que interessa à ICAR, oriundas dos centros de espionagem que começam num confessionário recôndito e acabam no Vaticano. É neste bairro mal frequentado que reina como monarca absoluto e vitalício o último ditador europeu – Bento 16.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.