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Categoria: Religiões

3 de Março, 2010 Carlos Esperança

A vinda do Papa a Portugal

Segundo a Agência Lusa, a Igreja Católica consideraria “muito bem-vinda” alguma “medida que facilitasse” a participação das populações na visita que Bento XVI fará a Portugal em Maio, nomeadamente a concessão de tolerância de ponto à função pública.
É fácil ver na pia intenção da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) a pressão sobre o Governo, objectivo revelado pelo porta-voz, padre Manuel Morujão, ao anunciar que o tema tem sido abordado nos contactos preparatórios.

Gozando o Vaticano do estatuto de Estado, o chefe vitalício da única teocracia europeia deve ser recebido com consideração e as honras devidas, mas não podem os dignitários do Estado português, em nome da laicidade e do escrúpulo republicano, ir além disso.

Se o Estado der ao Papa, que se desloca a Portugal em viagem prosélita, um tratamento que nenhum outro líder religioso usufruiu, quebra o princípio da laicidade e obriga-se, de futuro, a dar igual tratamento aos líderes das religiões concorrentes.

Se o Papa, receber tratamento especial, como chefe de Estado, não se vê como Portugal poderá negar, no futuro, um dia de tolerância de ponto quando os príncipes do Mónaco ou do Liechtenstein visitarem Portugal e, pelo menos quinze dias quando for visitado pelos presidentes dos EUA ou da China.

Esperemos que o ridículo não acabe por nos matar.

2 de Março, 2010 Ricardo Alves

Visita do Papa é ofensiva clerical

No seu documento de enquadramento da visita de B-16, os bispos da ICAR «apelam» a que este evento não «se esgote num mero acontecimento passageiro», mas que sirva para «fortalecer a nossa unidade [dos católicos] (…) com o intuito de poder responder às alterações civilizacionais em que vivemos». É cada vez mais óbvio que esta visita está concebida para fazer, não a mera propaganda católica (o que seria aceitável), mas sim, inevitavelmente, para fazer também o combate aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e para condicionar as celebrações do centenário da República. Enquanto monarca da última ditadura europeia, Ratzinger será recebido pelo Presidente e pelo Primeiro Ministro. Enquanto líder religioso, fará o que não seria tolerado a chefe de Estado algum: interferir na política interna portuguesa.

Subindo a parada, os bispos exigem ao governo que seja declarado feriado ou tolerância de ponto durante a visita, com o óbvio objectivo de aumentarem o número de pessoas presentes em manifestações que irão para além do ritual religioso para assumirem um cariz político. Já conseguiram que a Câmara Municipal de Lisboa aceitasse que a inauguração da «nova» Praça do Comércio, supostamente integrada nas celebrações do Centenário da República, seja feita pelo monarca do Vaticano. Mais exigências «pastorais» com água política no bico surgirão nas próximas semanas.

Após o fracasso da manifestação anti-homossexual de 20 de Fevereiro, o clericalismo português necessita de um reforço chamado B-16. E um governo em queda de popularidade não lhe recusará «pedidos» pastorais. Estupidamente.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

26 de Fevereiro, 2010 Carlos Esperança

Os manuais dos maus costumes

O Talmude e a Tora, O Antigo e o Novo Testamento, O Corão e a Sunnah (séc. IX) têm em comum o carácter misógino mas diferem em relação ao álcool, à carne de porco e na defesa do véu e da burka. No islão as proibições atingem o fulgor demente, onde até urinar com o jacto virado para Meca é proibido.

Paulo de Tarso moldou o cristianismo. Perseguir era a sua obsessão esquizofrénica sem cuidar do objecto da perseguição. Ouviu vozes na estrada de Damasco e passou a perseguir o que deixara em nome do que abraçou. Juntou a essa tara a vocação pirómana e apelou à queima dos manuscritos perigosos.

Paulo de Tarso odiava o prazer e injuriava as mulheres. Advogou o castigo do corpo e glorificou o celibato, a castidade e a abstinência. É um expoente da patologia teológica, do masoquismo místico e da cegueira beata – um inspirador do Opus Dei.
O cristianismo herdou a misoginia judaica. O Génesis condena radical e definitivamente a mulher como primeira pecadora e causa de todo o mal no mundo.

As três religiões monoteístas defendem a fé e a submissão, a castidade e a obediência, a necrofilia (pulsão da morte, não a parafilia), a castidade, a virgindade e outras santas tolices que conduzem à idiotia e ao complexo de culpa do instinto reprodutor.
A história de Adão e Eva é comum às três religiões monoteístas. Em todas, Deus proíbe a aproximação à árvore da sabedoria e o demónio incita à desobediência.

Aliás, o pecado é definido como a desobediência a Deus, ou seja, à vontade dos padres.
As páginas do Corão apelam constantemente à destruição dos infiéis, da sua cultura e civilização, bem como dos judeus e cristãos (por esta ordem) em nome do mesmo Deus misericordioso que alimenta a imensa legião de clérigos e hordas de terroristas.

Fonte: Traité d’athéologie, Michel Onfray – Ed. Grasset & Fasquelle, 2005

26 de Fevereiro, 2010 Carlos Esperança

Um padre católico e genocida

Padre católico ruandês Wenceslas Munyeshyaka é um genocida que a Igreja protege, à semelhança do que fez com os nazis. Não se pode dizer que é uma coisa do passado, é um crime do presente que deve ser denunciado.

Aqui fica um importante artigo de Le Monde.

Comentário do leitor que me chamou a atenção para o referido artigo:

Seja no passado mais recuado, seja antes e após a II guerra Mundial seja agora com este padre reconhecidamente mandante e executor de genocídio no Ruanda, a ICAR escolhe sempre o mesmo caminho: apoiar, esconder, proteger tudo o que é bandido. (E. C. D.)

20 de Fevereiro, 2010 Carlos Esperança

Bispos não vão à manifestação

Apesar de ninguém ser obrigado a casar com pessoas do mesmo sexo, são esperados numerosos participantes, desejosos de impedir que outros o possam fazer, no desfile de hoje, na Av. da Liberdade, em Lisboa.

Exercem um direito legítimo e indiscutível, além de ser a oportunidade para visitarem a capital com transporte pago, para os que aí rumam de dioceses tão longínquas como a de Bragança.

A Plataforma Cidadania e Casamento que convocou o protesto para as 15H00, com a ajuda de 19 comités regionais, teve a bênção eclesiástica e a divulgação da homofobia percorreu todas as paróquias de Portugal. A manifestação teve apelos nas homilias, nos confessionários e na comunicação social, mas é desolador saber que apenas alguns padres, a quem é vedada a interrupção do celibato, integram a manifestação.

Em Espanha foi diferente. Cardeais e bispos misturaram-se com as sotainas do baixo clero e os vestidos luxuosos da alta sociedade num êxtase de raiva beata e de ódio santo. Em Portugal nem uma só mitra indica o caminho da revolta, nem um só báculo marca o passo desde o Paço à Avenida, nem um único anelão com ametista se exibe aos beiços ansiosos dos devotos.

A Conferência Episcopal aplaude a iniciativa mas recusa comprometer os bispos – esses especialistas em moral familiar – nas vicissitudes da manifestação de êxito incerto e sem apoio divino. As próprias condições meteorológicas podem trocar a devoção pia pelo aconchego dos cafés e das bebidas quentes. Só o Papa se alegra com as intenções.

O céu pode esperar.