9 de Setembro, 2011 Carlos Esperança
As orações podem matar
Em Veneza os muçulmanos correm risco de vida para rezarem.
Em Veneza os muçulmanos correm risco de vida para rezarem.
O Irão executou seis homens, três deles por «sodomia», ou seja, por serem homossexuais. Tudo de acordo com a chária. Depois devem ter erguido as mãos ao céu.
A maior alfabetização, os avanços da ciência e da técnica, a progressiva secularização da sociedades e a conquista gradual de direitos e liberdades, vieram pôr em xeque as armas principais da evangelização religiosa – a prisão, a tortura, as perseguições e os autos de fé. Sobram o medo do inferno, o embuste dos milagres, a coacção psicológica e a protecção concordatária ou a promiscuidade com o poder, à ICAR, aos evangélicos e aos cristãos ortodoxos. E, claro, o poder totalitário e as práticas execráveis determinadas pelo Corão, aos muçulmanos.
Quando a violência religiosa está contida, surgem apelos ao respeito pela fé, como se nas sociedades democráticas e liberais alguém estivesse limitado na prática da oração, na frequência da Igreja, na degustação eucarística, nas passeatas piedosas a que chamam procissões ou nas novenas a pedir a interferência divina na pluviosidade. Acontece que, enquanto os governos laicos se distraem ou são cúmplices, nascem nichos com virgens nas esquinas, crescem capelas no alto dos montes, pululam crucifixos nos edifícios públicos e nos largos urbanos, crismam-se com nomes de santos os hospitais públicos e as ruas das cidades e cria-se um ambiente beato e clerical.
Ao apelar ao respeito pela fé não se pretende, apenas, a liberdade de culto, exige-se que não se desmascarem os milagres, não se investiguem os Evangelhos, não se duvide da existência de Deus ou da virgindade de Maria. Em nome do respeito pela fé, dificulta-se a divulgação da ciência e facilita-se a propaganda religiosa. A fé é o álibi da impunidade com que as Igrejas pregam a mentira, manipulam consciências, aterrorizam os crentes e fazem esportular o óbolo.
A minha ideia de respeito pela fé é a defesa intransigente do direito ao culto, não o silêncio perante a mentira, a conivência com a fraude, a passividade com o proselitismo.
Respeitar a fé é despenalizar a superstição, descriminalizar as auto-flagelações, absolver as idas à bruxa ou ao confessionário, enfim, permitir o retorno à Idade Média a quem o faça de livre vontade, vigiando os métodos e exigindo o respeito pelos direitos humanos contidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, que o Papa considera de inspiração ateia.
Claro que a liberdade não é de criação divina. Nem a democracia um sonho eclesiástico.
Bento XVI: Sem missa não há «verdadeiros cristãos»
Cidade do Vaticano, 30 ago 2011 (Ecclesia) – Bento XVI salientou as implicações espirituais e caritativas da missa nas cartas de nomeação dos seus enviados às celebrações dos 600 anos do milagre de Ludbreg, na Croácia, e ao congresso eucarístico italiano que vai decorrer em Ancona.
As agências portuguesas especializadas em turismo religioso estão a apostar em pacotes de viagem cada vez mais curtos e com destinos mais próximos, para responderem à quebra que se verifica no setor, motivada pela crise.
As dificuldades económicas têm feito com que “muitos párocos pensem duas vezes antes de proporem este tipo de actividades nas suas paróquias”, disse hoje à Agência ECCLESIA uma das responsáveis da agência de viagens Peregrino.
Comentário: Lá se vai uma fonte de rendimentos para os párocos.
A pederastia esvazia as arcas da igreja irlandesa
A Arquidiocese de Dublín admite que está à beira do “colapso financeiro” – Em plena crises tem dado grandes indemnizações às vítimas e perdido fieis.
Após as revelações sobre os reiterados abusos a menores por parte de membros do clero nas últimas décadas, la Igreja católica de Irlanda enfrenta una grave crise financeira. Deve arcar com grandes indemnizações num contexto de recessão económica e de perda de fregueses e das suas doações. Num país onde 87% da população se declara católica, muitas paróquias registaram uma drástica diminuição dos seus proventos; em casos como os de Cashel, Armagh ou Tuam, de uns 15%.
PATRICIA TUBELLA – Londres – 27/08/2011
Começou nas redes sociais, com a criação de uma página no Facebook, e chegou ao Parlamento, pela mão do Partido Radical italiano: em tempos de crise, o Vaticano não pode escapar à vaga de austeridade e tem de estar disponível para abdicar de alguns dos privilégios de que tem beneficiado ao longo de décadas.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.