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Categoria: Catolicismo

8 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

O novel patriarca de Lisboa e a coadoção por casais do mesmo sexo

O Dr. Manuel Clemente, ex-bispo do Porto e atual patriarca de Lisboa, à espera do fim do prazo de validade cardinalícia do ex-patriarca Policarpo, para obter o devido barrete, entende que «os direitos das minorias devem ser referendados».

Não se trata de certezas metafísicas mas de opiniões pias. Certamente que foi o informal referendo à opinião pública que levou, perante aplausos devotos, os judeus e as bruxas à fogueira inquisitorial. Os direitos das minorias, sujeitos ao poder arbitrário das maiorias, podem erradicar vegetarianos, diabéticos, carteiristas, amola-tesouras, clérigos, leprosos ou corcundas.

Sendo a liberdade religiosa um direito que permite o culto às minorias eu imagino o que resultaria de um referendo sobre o direito das Testemunhas de Jeová, de Adventistas do 7.º Dia, mórmons ou dos mais minoritários, budistas Zen, a residirem em Portugal.

Estando em causa a adoção comum por casais do mesmo sexo onde, legalmente, o filho de um já coabita com os dois cônjuges, não se percebe se é o direito à família que Sua Excelência Reverendíssima quer pôr em causa ou se deseja a anulação da paternidade, biológica ou por adoção, ao cônjuge que a exerce.

Se os direitos individuais passarem a ser objeto de referendo, como pretendeu o líder da madraça juvenil do PSD, a mando do PDG virtual do partido, iríamos ser convocados a pronunciar-nos sobre o direito à adoção por chineses, berberes, esquimós e mongóis com o beneplácito do patriarca de Lisboa.

De repente lembrei-me de Camilo, que chamou a Frei Gaspar da Encarnação “uma santa besta”, epíteto que nunca teria a ousadia de atribuir a um prémio Pessoa: em primeiro lugar, porque não o conheço, em segundo, porque poderia ser injusto e, finalmente, o Sr. Patriarca pode não ser santo.

5 de Fevereiro, 2014 David Ferreira

Vaticano pressionado a entregar criminosos à justiça

http://www.publico.pt/mundo/noticia/onu-exige-ao-vaticano-prisao-imediata-de-todos-os-padres-pedofilos-1622443

“As Nações Unidas exigiram esta quarta-feira que o Vaticano “remova imediatamente” todos os padres que tenham abusado sexualmente de menores ou que sejam suspeitos disso, e que os entreguem às autoridades judiciais. Um relatório sem precedentes do Comité para os Direitos da Criança, apresentado em Genebra, concluiu que os abusos foram “sistemáticos” e pede à Igreja Católica que entregue os seus arquivos sobre abusos sexuais para que todos os casos sejam conhecidos, “até os escondidos”.”

Mais vale tarde que nunca.

 

5 de Fevereiro, 2014 Carlos Esperança

Recordando…

Em 1975 o arcebispo de Braga, D. Francisco, ameaçava com «a heresia e as penas do inferno» quem não votasse no CDS.

 

25 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

24 de janeiro

1984 – O Governo português aprova a proposta de lei para a despenalização do aborto.

Foi há 30 anos, quase dez depois do 25 de Abril, que pela primeira vez foi legalmente permitida a I.V.G. nos casos de violação, malformação do feto e perigo de vida da mãe, perante as homilias raivosas da ICAR.

Ainda andam por aí os que votaram contra e as pessoas que exibiam autocolantes, com frases terroristas, contra o avanço civilizacional que a lei consagrava. Um ato de saúde materna era encarado como crime por partidos onde se distinguiram honrosas exceções que a memória guarda.

Antes, houve tentativas falhadas, graças aos que invocavam a vontade de um deus que não lhes passou procuração. Há uma estranha maldição que nos remete para o preconceito atávico e a hipocrisia pia.

20 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

Fátima e os milagres eleitorais

De:

José Ribeiro

Se para um cristão adulto, Fátima é um embuste, para um católico praticante também não é matéria de Fé. No entanto todos sabemos que em Portugal existe muita gente que acredita numa coisa que nunca estudou e que não tem ponta por onde se lhe pegue. Mas o poder autárquico que tem gasto milhões aos erário público sem que seja disciplinado, retira dos contribuintes muito dinheiro para promover passeios à borla para uns quantos irem ao local onde se iniciou a grande mentira. Se querem ir, que vão, mas PAGUEM DO SEU BOLSO! Este regabofe tem de acabar de vez!

1 – IDENTIFICAÇÃO E CONTACTOS DA ENTIDADE ADJUDICANTE
NIF e designação da entidade adjudicante:
506663264 – Município de Vila Nova de Famalicão
Serviço/Órgão/Pessoa de contacto: Departamento Municipal Administrativo e Financeiro – Área de Concursos
Endereço: Praça Álvaro Marques
Código postal: 4764 502
Localidade: Vila Nova de Famalicão
Telefone: 00351 252320900
Fax: 00351 252323751
Endereço Eletrónico: [email protected]

2 – OBJETO DO CONTRATO
Designação do contrato: Concurso Público n.º 09/13/DAS – Aluguer de autocarros de passageiros para a Viagem a Fátima
Tipo de Contrato: Aquisição de Serviços
Valor do preço base do procedimento 130000.00 EUR
Fonte:http://www.dre.pt/sug/2s/cp/gettxt.asp?s=udr&iddip=407043577

 

13 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

Momento zen de segunda_13_01-2014

João César das Neves (JCN) não pode emprestar às homilias semanais, as culminâncias estilistas e o enlevo formal a que o maior paladino da língua portuguesa elevava os seus sermões – o padre António Vieira –, mas, como ele, também as batiza com o título com que julga passar à posteridade e, sobretudo, ganhar a bem-aventurança eterna.

A homilia de hoje (DN) chama-se “A dignidade permanece». O conteúdo recorrente é o aborto, a obsessão semelhante ao pânico de quem teme, sobre si, a retroatividade da lei.

JCN diz que o aborto nunca desaparecerá, embora pareça desconhecer a espontaneidade e o drama que atinge quem desesperadamente procura um filho, sendo, nesse caso, mera vontade do Deus do pregador.

Para o missionário, estamos «numa época promíscua e lasciva» em que a violação dos direitos humanos explode contraditoriamente na legislação familiar. Dá como exemplo dessa contradição, os EUA, «a sociedade mais aberta e dinâmica, [onde] o impasse dos embates entre “pró-vida” e “pró-escolha” se manifestam há muito».

Para JCN, onde se adivinha a coexistência entre felicidade do tartufo e o sofrimento do devoto, «a rejeição do relatório extremista de Edite Estrela pelo Parlamento Europeu a 11 de Dezembro e as discussões à volta da proposta de nova lei espanhola, apresentada a 20 de Dezembro, quebram o mito de solução pacífica deste lado do Atlântico», o que faz adivinhar a sanha com que JCN acalenta a regressão das leis da família. Quando o exaltado Irmão Católico diz que foi rejeitado o relatório “extremista” de Edite Estrela, pelo PE, diz parte da verdade. A decisão ficou ao critério de cada Estado membro com prejuízo para a saúde das mulheres pobres dos países vítimas do poder clerical.

«O respeitado semanário Expresso, num dos textos recentes que mais manchou a sua reputação de isenção e dignidade, tratou a questão desta forma: “Regresso ao passado. Rajoy cede à ala clerical e ultradireitista do PP com a revisão da lei do aborto que constitui um retrocesso de 30 anos na regulação de um direito adquirido pelas mulheres espanholas e gera um coro de críticas internacionais” (28/12/2013, p. 27).» – diz JCN.

Em apoteose mística escreve: «Como a identidade dos escravos e proletários, como a fé dos mártires e perseguidos, como os direitos dos pobres e espoliados, (…) a vida dos fetos abortados permanece no subconsciente das sociedades que os julgam extintos» e adita, clamoroso e profético, que os nossos descendentes terão dificuldade em entender.

7 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

Quando a Irmã Lúcia entrou no mundo da moda

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Em 24 de Fevereiro de 1971 a Irmã Lúcia, reclusa das Carmelitas Descalças em Coimbra, escrevia ao Presidente do Conselho, Dr. Marcelo Caetano, implorando medidas legislativas sobre as vestes femininas:

«…não seja permitido vestir igual aos homens, nem vestidos transparentes, nem curtos acima do joelho, nem decotes a baixo mais de três centímetros da clavícula. A transgressão dessas leis deve ser punida com multas, tanto para as nacionais como para as estrangeiras».

(In Arquivos Marcelo Caetano, citados em Os Espanhóis e Portugal de J.F. Antunes Ed. Oficina do Livro)