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Categoria: Arte e cultura

1 de Julho, 2008 Mariana de Oliveira

Fátima vista por Fernando Pessoa

O historiador José Barreto vai revelar quarta-feira, em Lisboa, um texto inédito de Fernando Pessoa a propósito de Fátima, assunto sobre o qual o poeta fez várias referências desde 1920 até à sua morte.

«Trata-se de um texto inédito de cinco páginas manuscritas em que Pessoa reflecte sobre o fenómeno de Fátima», disse José Barreto.

«Pessoa e Fátima. A prosa política e religiosa», será o título da palestra que o historiador apresentará na Casa Fernando Pessoa, quarta-feira às 18h30, no âmbito de um ciclo dedicado ao 120.º aniversário do seu nascimento.

No ano da sua morte, em 1935, Fernando Pessoa «tinha três projectos editoriais ligados a Fátima», afirmou o investigador.

Segundo José Barreto, o poeta «não tinha uma referência especialíssima com Fátima e era, aliás, anti-católico, mas acompanhou o fenómeno desde a sua génese à oficialização do culto e à construção da igreja».

Apesar de anti-católico, «em prol da liberdade, Pessoa defendeu a Igreja Católica contra o radicalismo republicano, em especial do Partido Democrático», explicou o investigador do Instituto de Ciências Sociais.

Esta não é a primeira vez que José Barreto aborda a figura de Fernando Pessoa, sobre a qual tem estado a investigar.

Já publicou na imprensa um artigo sobre esta temática religiosa, mas é a primeira vez que traz a lume o texto inédito intitulado Fátima.

A sua área de investigação tem sido, desde a década de 1990, a história social e política do século XX em Portugal, com destaque para a política católica, as relações Estado-Igreja e Fátima, bem como a história do pensamento político e dos intelectuais portugueses.

Fonte: Sol, 01 de Junho de 2008.

23 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

Jesus com «Instinto fatal»

O realizador Paul Verhoeven, autor de «Instinto Fatal», vai publicar um livro sobre a vida de Jesus Cristo com hipóteses bombásticas, que lhe levou 20 anos de pesquisa.

O cineasta holandês, que sempre quis fazer um filme sobre Cristo baseado em pesquisas científicas, afirma que o pai de Jesus foi provavelmente um soldado romano que violou Maria durante o levante dos judeus na Galileia.

O realizador afirma ainda que Jesus não foi traído por Judas Iscariotes. Verhoeven decidiu escrever o livro para chamar atenção para o seu projecto cinematográfico.

Verhoeven, que fará 70 anos em Julho, tem frequentado os seminários de Robert W. Funk sobre Jesus, que questionam os milagres e actos atribuídos a esta tão popular personagem histórica

Fonte: Sol, 23 de Abril de 2008.

22 de Abril, 2008 Ricardo Alves

Raúl Proença: «O problema religioso»

  • «Afirmada a supremacia dos fins ideais e universais sobre os materiais e contingentes, do mundo espiritual sobre o mundo da matéria, e formulado este problema: determinar a crença metafísica que, reconhecendo aquela supremacia, mais exija do homem, o erga ao maior heroísmo moral, lhe faça, por assim dizer, retesar a alma no mais violento e áspero esforço de grandeza e de beleza, a solução não podia ser outra, creio, senão a atitude ateísta. Esta contém na verdade (reconhecido sempre, repetimos, o primado dos valores espirituais) todas as condições para fazer do homem o ser eminentemente moral. Ela é a mais alta maroma erguida no espaço para exigir do homem os mais belos milagres de equilíbrio. Acima dela, sob ela, em volta dela, apenas a mudez e a surdez profundas. Nenhum eco responde à nossa voz, nenhuma voz ao nosso apelo. Bem e mal, palavras que só têm um sentido na linha de corda estendida sobre o abismo. Quando, chegado o fim, tivermos de fazer o salto mortal sobre o oceano do vácuo, pensar que entraremos novamente na mudez absoluta donde viemos. Não crer que há em qualquer parte do universo uma consciência que registe os nossos actos, os pese, premeie ou castigue. Crer na morte definitiva, e todavia fazer da vida a nossa eternidade. Exigir para a nossa acção as condições menos favoráveis e o mais alto risco – o não haver para ele nenhuma satisfação eterna. Desejar, para melhor se erguer no espaço a voz da consciência, que esse espaço seja mudo. Tomar sobre os ombros, de alma serena e resignada, todo o peso da indiferença do universo. E sentir e aceitar a tragédia da vida, e as dores sem recompensa, e o sacrifício sem paga, e o dom de si mesmo sem condições, e o divino sem Deus, e o bem amado em si e por si.» (Raúl Proença, Seara Nova nº19, 3 de Novembro de 1922)
6 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

A falsa reconversão

O escritor de origem indiana Salman Rushdie confessou que em 1990 fingiu ter regressado ao Islão para se defender da “fatwa” promulgada pelo “ayathola” Khomeini pela obra “Os Versículos Satânicos”, considerada uma blasfémia para os muçulmanos.

Numa entrevista à televisão, Rushdie explica que com essa falsa conversão pretendia reduzir o risco de algum muçulmano o atacar no cumprimento do édito emitido pelo líder supremo iraniano em 1989, que instava à sua execução.

Em 1990, em comunicado, Rushdie afirmava ter renovado a sua fé na religião muçulmana, repudiar os ataques ao Islão no seu romance e comprometer-se a contribuir para uma melhor compreensão daquele credo.

Todavia, numa conversa com uma psicoterapeuta no programa do canal britânico More4, que será emitido em Maio, o autor de “Os filhos da meia-noite” afirma que o regresso à sua religião de nascimento foi “pretenso”.

“Estava transtornado. Estava mais desequilibrado do que alguma vez estivera.Não pode imaginar debaixo da pressão que estava”, disse.

“Pensei simplesmente que estava fazendo uma declaração de fraternidade, porém, assim que o disse, senti como se tivesse arrancado a minha própria língua”, acrescentou Rushdie que apesar de ter nascido numa família muçulmana xiita nunca se considerou religioso.

Depois desse momento, sentiu que “tinha batido no fundo”, e deu-se conta de que o único mecanismo para sobreviver era a sua “integridade”, escreve o periódico britânico, citado pela agência Efe.

O romance “Os Versículos Satânicos” foi proibido na Índia e noutros países e queimado nas ruas do Reino Unido porque supostamente tratava com irreverência Maomé.

Na entrevista televisiva, Rushdie, 60 anos, assegura que as más críticas à obra o desgostaram mais do que a “fatwa”, já que tinha levado cinco anos a escrevê-lo e o considerava o seu “melhor trabalho”.

Os comentários negativos fizeram sentir-se desapreciado e inútil, e questionou; “se é isto que se tem, porquê escrever? Melhor tornar-me motorista de autocarro”.

Fonte: Agência Lusa, 06 de Abril de 2008.

25 de Janeiro, 2008 Ricardo Silvestre

pocilga

Vocês não vão acreditar nesta!!!

pig

“Um livro digital, com uma nova versão do clássico conto sobre os 3 porquinhos, foi rejeitado por juízes no Reino Unido porque “o uso de porcos como símbolos levanta questões culturais”.

Anne Curtis, a directora criativa da BECTA, a agência tecnológica governamental que foi a organização responsável pela criação do livro, disse que “a ideia que a inclusão de porcos numa história possa ser considerado racismo, é como levar uma estalada na cara”.

Este CD-Rom, que é destinado a crianças da escola primária, foi criticado por um conjunto de juízes porque estão “preocupados com questões culturais relacionados com a comunidade muçulmana”.

A história no CD-Rom foi galardoada com um prémio da Education Resources Award. No entanto esse grupo de juízes considera que os conteúdos no CD “não são recomendados para a comunidade muçulmana e que pode alienar membros que são dessa comunidade.”

Este estilo de notícias parece ser brincadeiras. A sério.

Mas quando se lê em mais detalhe, é que se percebe, na totalidade, até onde é que vai a insanidade destes pequenos casos, que sozinhos quase que não se percebem, mas quando se faz uma panorâmica geral, se tornam preocupantes.

É a capitulação da sociedade ocidental. Pura e simples. Brevemente estaremos todos a viver num califado.

6 de Janeiro, 2008 Ricardo Silvestre

Razões para ser ateísta

Seis razões para se ser um ateísta, retiradas do livro The Little Book of Atheist Spirituality de Andre Comte-Sponville 

  1. A fraqueza dos argumentos da oposição, principalmente as “provas que Deus existe”
  2. Senso comum: se Deus existisse, devia ser fácil o ver ou o sentir
  3. A capacidade de recusar o princípio que para explicar alguma coisa que não entendo tenho de utilizar algo que entendo ainda menos.
  4. A enormidade do mal
  5. A mediocridade da humanidade
  6. O facto de Deus corresponder tão perfeitamente aos nossos desejos, que só por isso temos todas as razões para acreditar que ele foi inventado para satisfazer esses desejos
2 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Ateísmo contra o proselitismo

Recentemente personalidades distintas do jornalismo, das ciências e da cultura sentiram necessidade de dar púbico testemunho das suas convicções ateias. Foram afectadas na sua tranquilidade e ganharam inimigos de estimação. Nada somaram ao seu bem-estar e ao prestígio, apenas correram riscos e despertaram críticas, ódios e vilipêndios.

Pode perguntar-se o que levou Christopher Hitchens, Sam Harris ou Richard Dawkins, por exemplo, a entrarem em polémicas com adversários poderosos e pouco leais, a enfrentarem o poder das sotainas e a legião de oportunistas que se promoveu à custa da piedade pública e da indiferença privada.

Creio que foi um sobressalto cívico que os impeliu para uma batalha que, não sendo fácil, pode evitar as guerras que o fanatismo promove, que as religiões preparam com a demência prosélita que católicos, protestantes evangélicos, cristãos ortodoxos, judeus sionistas e muçulmanos xiitas ou sunitas se esforçam por travar em nome de um Deus cuja existência é eliminada pela probabilidade estatística e pela razão.

A reflexão científica e filosófica arrasa os mitos da religião. As descobertas científicas cobrem de ridículo os livros sagrados, as novas gerações desprezam os mitos e os rituais que duraram séculos e, finalmente, a perda do poder temporal das Igrejas conduziu à progressiva secularização da sociedade, à indiferença religiosa e ao ateísmo.

A perda de poder, aliada à forte competição religiosa pelo mercado da fé, assanhou o clero e enraiveceu fanáticos, ansiosos por fazerem regressar a humanidade à Idade Média.

Foi a consciência desse perigo que levou vários intelectuais a manifestarem-se contra a superstição e a agressividade dos vários credos em confronto. «Deus não é Grande», «O Fim da Fé» e a «Desilusão de Deus» são alguns dos mais recentes livros com as mais consistentes denúncias do perigo que as religiões representam para a paz e o progresso.

Desmascarar as mentiras pias é mais do que um dever, é um serviço público prestado à humanidade. 

20 de Dezembro, 2007 Ricardo Alves

Vaticano contra «A Bússola Dourada»

O Vaticano, através do seu órgão central de propaganda, criticou o filme «A Bússola Dourada», que acusa de mostrar um «mundo sem Deus» e de promover a ideia de que os indivíduos podem controlar os acontecimentos e serem senhores do seu destino. Não é surpreendente: o ódio clerical à liberdade humana é recorrente. Desta vez, excitou-se com esta grande produção norte-americana que conta com Nicole Kidman e Daniel Craig nos papéis principais.

A campanha católica contra o filme, a mais violenta desde «O Código Da Vinci», é tanto mais estranha quanto o realizador teve o cuidado de eliminar (censurar) tudo o que pudesse «ofender os sentimentos religiosos» (ou a ICAR), o que prova, mais uma vez, que nem o mais «religiosamente corrigido» dos filmes satisfaz o zelo fundamentalista dos herdeiros da inquisição.

O filme «A Bússola Dourada» foi o mais visto em Portugal na semana de 6 a 12 de Dezembro, com mais de 74 mil espectadores. Todavia, há quem insista em que os portugueses (ainda) são muito católicos. Fantasias.