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Categoria: Ateísmo

20 de Março, 2013 Carlos Esperança

MARIA CAVACO SILVA E O VÉU

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Por

João Pedro Moura

O que é que aquela senhora está ali a fazer de véu na cabeça???!!!

É norma da casa, obrigar as senhoras a usarem véu, ante o papa???!!!

Se não é, para que é que ela usa???!!!

Qual a relação entre usar véu e estar diante do papa???!!!

Nos tempos hodiernos, ver uma mulher a usar véu ante o papa, sem que o seu homem também use, remete-nos para costumes ancestrais, em que as mulheres usavam véu nas igrejas, sobretudo até ao Concílio Vaticano II, embora não fosse obrigatório…

…Mas o véu era sinal de submissão feminina, recato, pudor, enfim, coisas totalmente dissonantes, há muito tempo, com a igualdade entre homens e mulheres, trazida pela mentalidade contemporânea dos “direitos humanos”…

Uma mulher de véu submisso é rebaixar-se à condição inferior das mulheres de antanho e equiparar-se à condição das mulheres muçulmanas, que o usam…

Nos tempos bíblicos, havia mulheres com véus, em sinal de submissão feminina, mas também algumas sem o mesmo, em sinal de libertação feminina…
As que não usavam eram, normalmente, as prostitutas, viúvas e esposas adúlteras… porque não tinham dono…

Mas, para esclarecer as coisas, não há nada como consultar o verdadeiro fundador do cristianismo, Paulo de Tarso, que traça a doutrina cristã, isto é, paulina, em matéria capilar…
…Dando para fazer uma ideia da conceção cristã sobre a mulher…

1 Coríntios 11:3-15:

Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.
Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.
Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.
Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.
O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.
Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem.
Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.
Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.
Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor.
Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus.
Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?
Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido?
Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.

 

 

14 de Março, 2013 Carlos Esperança

O Papa, a Igreja e o mundo

Os católicos desejavam um papa novo e saiu-lhes um novo papa, naturalmente santo por exigência do cargo, para receber a tiara, o solidéu branco, a romeira, sapatos vermelhos que na Páscoa passam a cetim branco, a infalibilidade e a diocese de Roma, que vagara.

O Espírito Santo, que ainda resiste na mitologia cristã, herdado de antigas civilizações, desinteressou-se dos consistórios em 1621, após a aclamação de Gregório VI, altura em que os cardeais acreditavam ser iluminados pela 3.ª pessoa da Trindade. Talvez por isso, o culto foi-se apagando e resiste apenas em zonas isoladas, de que a ilha de S. Miguel, nos Açores, é exemplo.

Na prática a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) tornou-se politeísta e guarda da Trindade apenas a segunda pessoa – Cristo –, o ícone da instituição. A devoção viajou para a Virgem Maria, com mais heterónimos do que Fernando Pessoa, e para os santos criados em doses industriais nos dois últimos pontificados, sob a influência da prelatura Opus Dei.

O papa Francisco, discípulo de Loyola, com aproximação ao movimento reacionário Comunhão e Libertação, constitui uma derrota para o antecessor, que conservou a vida, a santidade e o pseudónimo, mas perdeu o camauro, o anel, a batina do pescador e o alvará para criar cardeais e santos. Sabe-se que B16 nomeava os bispos argentinos sem consultar a Conferência Episcopal, claro sinal de rutura com o episcopado autóctone.

Jorge Bergoglio, que escolheu o pseudónimo de Francisco, a quem a presidente Cristina Kirchner apodou de medieval e inquisitorial, é francamente homofóbico e misógino mas nisso mantém apenas uma linha de continuidade.

A cumplicidade da ICAR com as ditaduras não é uma característica argentina mas uma tradição ancestral. O atual papa está beliscado pelas relações com Videla e é acusado de ter sido cúmplice da ditadura mas no último consistório foi usado pelos cardeais liberais para barrar o caminho a Ratzinger tendo capitulado perante a bem organizada campanha do que viria a ser B16 e agora papa emérito.

Os jesuítas são conhecidos pela sua grande cultura e, nos últimos tempos, por uma visão progressista dentro da ICAR. O perfil conservador do papa Francisco parece afastá-lo da congregação que tem a tradição de recusar báculos, mitras e barretes cardinalícios mas «o caminho faz-se caminhando» e Francisco começa agora a viagem como papa.

A sua longevidade vai depender mais das relações que mantiver com o IOR, o banco do Vaticano, do que da vontade divina. A pedofilia e a lavagem de dinheiro no IOR são os maiores desafios do novo papa, além de fixar a clientela que lhe resta na Europa e fazer face ao proselitismo agressivo do fascismo islâmico.

Não são fáceis os desafios que enfrenta mas com dois papas a rezar o mundo fica mais protegido. Ámen.

cardinal-jorge-mario-bergoglio

14 de Março, 2013 Carlos Esperança

“Roma” de Fellini

Esta cena foi cortada na íntegra pela censura aquando da exibição do filme em Portugal no início dos anos 70.

Na realidade, foram tantas as cenas cortadas que o filme ‘encolheu’ meia hora!

7 de Março, 2013 Carlos Esperança

Dúvida metódica

Ainda não percebi no meu empedernido ateísmo a razão que leva a esquerda a silenciar o fascismo islâmico do Irão e a direita o da Arábia Saudita.

7 de Março, 2013 Carlos Esperança

Religião – a mentira herdada

Uma religião é um conjunto de indivíduos unidos por medos, hábitos e superstições comuns, transmitidos através de gerações, e ligados por um ódio coletivo aos medos, hábitos e superstições alheios.

As religiões monoteístas têm um deus verdadeiro privativo que garante aos crentes uma felicidade eterna, depois da morte, conquistada pelo sofrimento, resignação e obediência durante a vida. Cada religião acredita serem falsas as outras e falso qualquer outro deus. Nisso todas têm razão. Aliás, os ateus só consideram falsa mais uma religião e um deus mais, o que, no fundo, faz de todos ateus.

O proselitismo, característico do cristianismo e do islamismo, conduziram o primeiro à violência sectária contra os hereges, os judeus, os cátaros e outros e aos crimes bárbaros da evangelização. O cristianismo foi dominado pela repressão política contra o seu clero e tornou-se uma religião civilizada onde a laicidade contém os seus desvarios pios. Já o islamismo, que é poder em numerosos países, continua na implacável barbárie contra os desvios ideológicos da mais selvagem e cruel religião do globo.

Não devemos esquecer o judaísmo que, não sendo prosélito, encontrou no sionismo a forma de exercer a brutalidade religiosa imperialista através do mito bíblico de que lhes pertence a Palestina.

Muitos judeus de hoje são árabes convertidos tal como alguns talibãs são descendentes de judeus islamizados. A xenofobia é uma demência religiosa que tem menos a ver com questões étnicas do que a etnia tem a ver com circunstâncias políticas, administrativas e linguísticas que as moldaram.

Poucas mentiras são tão estimadas como as que se transmitiram, de geração em geração, através da fanatização religiosa.

26 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

Momento zen de segunda 25_02_2013

João César das Neves (JCN) é um arrebatado devoto cujas homilias de segunda (feira) hilariam e confundem os leitores. Chega-se a pensar que JCN pensa o que diz e diz o que pensa, embora não seja radioso o que pensa nem o que diz.

Cita a Bíblia como referência histórica rigorosa e acredita nela como o ministro Gaspar nas previsões financeiras que faz. A diferença é Vítor Gaspar demorar apenas um mês a apurar o engano e JCN a vida inteira convencido de que acerta.

Na homilia desta segunda feira repete as tolices habituais e, na pressa, acrescenta algumas novas. Diz, por exemplo, que o fator decisivo da renúncia do Papa «foi Deus», o mesmo suspeito que apontou para justificar o martírio a que a Cúria sujeitou João Paulo II.

JCN desconhece que este Papa teve de resignar em direto para poder sobreviver; que o relatório sobre o IOR e a fuga de documentos do Vaticano não são alheios à decisão; que a antecipação do conclave é necessária para manter cardeais em número suficiente antes de serem salpicados com nódoas do passado.

O exotismo do devoto está na facilidade com que acusa o seu Papa de mentir, ao afirmar: « Nem sequer foi por motivos de saúde, apesar de o próprio os ter invocado. O seu gesto só aconteceu porque ele está plenamente convencido ser essa a vontade de Deus».

Então o Papa católico invoca motivos falsos por estar convencido de ser essa a vontade do Deus de JCN? O bem-aventurado está cada vez mais desorientado.

«…toda a Igreja recebeu a notícia como vinda de Deus, e espera do Senhor a continuação desta história». JCN continua à espera do Armagedão.