“O Homem Criou Deus”
– Livro de Onofre Varela
“O Homem Criou Deus” é o título do novo livro de Onofre Varela, cartunista e ilustrador, que, no campo das letras, percorre caminhos do humor e do ensaio. Aparentemente diversos entre si, o humor e o ensaio têm muito em comum, no entender do autor. Desde logo porque ambas as atitudes exigem uma observação atenta da sociedade para a criação do espírito crítico e analítico imprescindível ao ensaísta e
ao humorista.
A obra, editada pela Edium Editores, terá a sua sessão de lançamento e apresentação no próximo sábado, dia 3 de Dezembro, pelas 22 horas, no espaço Contagiarte, na Rua Álvares Cabral, 372, no Porto (próximo da Praça da República).
O autor (co-fundador da Associação Ateísta Portuguesa e seu dirigente, e com 67 anos de idade) diz que o seu ateísmo se deve às interrogações que desde muito novo faz sobre o conceito de Deus, o que o interessou pela antropologia religiosa, levando-o a ler filósofos, ensaístas, histórias das religiões, a Bíblia e o Alcorão, para além de, desde há mais de 30 anos, ser um atento leitor de jornais e das notícias que abordam atitudes do Vaticano e do Islão. Assiste a missas e a rituais religiosos de casamentos, baptizados, funerais e procissões, a programas televisivos de âmbito religioso, e priva com crentes de várias confissões. É essa a matéria prima das suas reflexões.
Em “O Homem Criou Deus”, Onofre Varela diz que expõe as suas opiniões com limpidez e total respeito pelas ideias dos crentes, os quais lhe merecem toda a consideração. Mas adverte que se, eventualmente, alguns religiosos se sentirem incomodados, isso é algo que não pode ser evitado, pois resulta da diversidade de sensibilidades impossíveis de contornar, o que não pode ser confundido com insulto ou falta de consideração pelas crenças e pelos crentes.
Ao mesmo tempo da apresentação do livro, e no mesmo espaço, será inaugurada uma exposição dos seus cartunes e caricaturas, que ficará patente ao público por cerca de um mês.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS – Lusa (ontem)
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) enviou hoje uma carta ao primeiro-ministro a pedir o fim das isenções fiscais da Igreja Católica, que considera “lesiva dos interesses nacionais” tendo em conta o actual contexto de crise económica.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, a AAP solicita “a caducidade do artigo 26, que concede total isenção fiscal sobre os rendimentos e bens da ICAL [Igreja Católica Apostólica Romana] e pedir a inclusão desta confissão religiosa, por razões de equidade, no esforço fiscal a que os portugueses estão sujeitos”.
Na missiva, que também foi enviada ao ministro do Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, e aos partidos com assento parlamentar, a Associação Ateísta Portuguesa salienta que a isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), nem como sobre os rendimentos da Igreja Católica, “são uma ofensa aos portugueses que sofrem as sucessivas medidas de austeridade”.
A AAP “sempre considerou desnecessária a concordata assinada entre a Santa Sé e a República portuguesa (…) e acha-a lesiva dos interesses nacionais nos privilégios que confere à Igreja”.
Atendendo ao actual contexto económico, em que os portugueses vão sofrer aumentos de impostos e cortes nos subsídios, estas isenções “são uma ofensa” para os “que sofrem as sucessivas medidas de austeridade”.
“A isenção de impostos sobre rendimentos e bens da Igreja é um privilégio que prejudica tanto os católicos, a quem cabe sustentar o culto, como os crentes de outras religiões e os não crentes, todos sacrificados de forma mais pesada com as contribuições exigidas pelo Estado para poder isentar uma confissão religiosa”, adianta a associação na carta ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
A AAP sublinha que a posição de pedir o fim da isenção “não é um ato anticlerical”, mas antes “uma acção de justiça social que a própria [Igreja] devia reivindicar”.
Exmo. Senhor
Dr. Pedro Passos Coelho
Primeiro-ministro de Portugal
4 – 1200-888 Lisboa Cc. – Partidos políticos; Gabinete do ministro das Finanças
Senhor primeiro-ministro Pedro Passos Coelho:
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) sempre considerou desnecessária a concordata assinada entre a Santa Sé e a República Portuguesa, no dia 18 de Maio de 2004, e acha-a lesiva dos interesses nacionais nos privilégios que confere à Igreja.
A isenção do IMI sobre o património, bem como do imposto sobre os rendimentos da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), são uma ofensa aos portugueses que sofrem as sucessivas medidas de austeridade.
O acordo assinado pelo Governo português com a troika previu um aumento expressivo do imposto sobre o património (IMI) até 2012, aumento que consta do OE 2012, ora em discussão, para ser aprovado na A. R., ampliando a imoralidade da isenção da ICAR.
A isenção de impostos sobre rendimentos e bens da Igreja é um privilégio que prejudica tanto os católicos, a quem cabe sustentar o culto, como os crentes de outras religiões e os não crentes, todos sacrificados de forma mais pesada com as contribuições exigidas pelo Estado para poder isentar uma confissão religiosa.
Em face do exposto, na certeza de defender os interesses dos portugueses, a AAP, na impossibilidade de ver denunciada a Concordata, vem junto de V. Ex.ª solicitar a caducidade do seu art. 26 que concede total isenção sobre os rendimentos e bens da ICAR, e pedir a inclusão desta confissão religiosa, por razões de equidade, no esforço fiscal a que os portugueses estão sujeitos.
O pagamento do IMI pela Igreja católica, com um imenso património imobiliário, não é um acto anticlerical, é uma acção de justiça social que a própria devia reivindicar.
Esperando que o OE 2012 venha a contemplar este elementar acto de justiça, a AAP apela ao Governo e aos partidos políticos para que um módico de equidade abranja a Igreja católica, única que, segundo é do nosso conhecimento, beneficia de tão injusto privilégio.
A AAP apresenta a V. Excelência os melhores cumprimentos .
Direcção da Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 25 de Novembro de 2011
A Nunciatura Apostólica em Portugal anunciou hoje que D. Carlos Azevedo, até agora bispo auxiliar de Lisboa, foi nomeado por Bento XVI como “delegado do Conselho Pontifício para a Cultura” (CPC), organismo da Santa Sé.
Em declarações à Agência ECCLESIA, o prelado fala num “momento de profunda alteração no estilo de serviço à Igreja”.
Nota: Este prelado era especialista em combater os ateus no Correio da Manha, com algumas mentiras e sem direito de resposta.
Senhor Primeiro-Ministro,
Excelência
Portugal continua vergado à teocracia do Estado Vaticano e os portugueses forçados a serem seus obedientes súbditos!
O Vaticano diz que aceita mudança de feriados se o Governo…
Até quando o Governo de Portugal aceitará imposições e condições do Estado Vaticano?
O Estado português é laico e os portugueses não são súbditos do Papa nem obrigados a prestar-lhe vassalagem e fidelidade!
Não se pode nem se deve proceder como sendo todos os portugueses católicos, que não são!
O Estado português respeita as sensibilidades religiosas acreditadas mas não impõe nem deve impor nenhuma!
Os portugueses são livres de seguirem as sensibilidades que entenderem mas também não podem e não devem impor as suas!
Um verdadeiro cristão não precisa de feriados para comungar a sua fé e a sua religiosidade.
Há no calendário muitas datas que são o orgulho da nossa história e do nosso patriotismo que deveriam substituir os dias feriados religiosos que só a alguns tocam.
É urgente que Portugal renuncie a todos os acordos com o Estado do Vaticano e a todos os clausulados da Concordata que imponham ao Estado português e aos portugueses condições e obrigações religiosas.
Apresento a vossa Excelência, Senhor Primeiro-Ministro,
a expressão da minha mais alta consideração
a) Carlos S. de Ceia Simões


P. S. Onde se lê Velho Testamento deve ler-se Novo Testamento.
Acho que muitos dos que se dizem ateus já passaram, em algum momento, pelo tipo de discussão com algum religioso (ou qualquer pessoa que acredito, com ou sem motivos, em qualquer tipo de deus ou coisa do género), no qual se discute a prova da existência com o argumento de que “é só olhar para o sol, para o mundo tão perfeito, as coisas tão perfeitas… essa é a prova da existência de deus”… pois eu digo que essa é a prova de sua “não existência”… olhar para o mundo, todos seus organismos funcionando perfeitamente, e ao mesmo tempo tão frágil… isso é a maior prova que não existe deus.
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Ou seja, as raízes da superstição estão cravadas tão fundo na psique humana, que quase não é possível retirá-la depois de um certo tempo. então é melhor cortar o mal pela raiz…é por isso que desde pequena, minha filha sabe que deus existe, assim como o papai noel e o coelho da páscoa…
a) Cassio Junior
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.