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Carlos Esperança

12 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Correio dos leitores – Cumplicidades com a ICAR

Sou um ex-aluno da Universidade de Aveiro. Formei-me nesta bela instituição de ensino superior há poucos anos.
Sempre senti orgulho da minha universidade (duplamente até, porque não só sou formado por ela, mas também sou aveirense), até há 4 dias atrás.

Ao ler um jornal da região, vi que a tradicional “Bênção das Pastas”, este ano, foi realizada em pleno campus universitário, na chamada “Alameda da Universidade”.
Apesar das minhas fortíssimas convicções ateias, não me oponho à liberdade das pessoas (liberdade é aliás, na minha opinião, um dos grandes estandartes dos verdadeiros ateus e humanistas seculares). Quem quiser abençoar a sua pasta, que o faça à vontade. Considero um acto assente na mais pura estupidez e ignorância, mas se é disso que gostam, façam favor.

O que me irrita profundamente, é ver uma cerimónia religiosa, com a presença oficial do bispo de Aveiro, a ser realizada no terreno de uma instituição de ensino. Já para não dizer ensino superior. E pior ainda, ensino superior público. Porque se a Universidade Católica quisesse fazer o mesmo, obviamente não podia criticar. É privada e intimamente ligada à Igreja.
O mais incrível é que o seminário de Aveiro, onde treinam os novos atiradores de hóstias, fica a não mais que 500 metros do local onde foi realizada a cerimónia.

Enviei prontamente um e-mail dirigido à reitora da Universidade de Aveiro, em nome pessoal, como ex-aluno, a questionar as razões para permitir a realização de uma cerimónia religiosa num local de ensino superior público.

Surpresa das surpresas, até este momento não recebi qualquer resposta.

Aproveitei também para enviar um e-mail à secção “Nós por cá” do Jornal da SIC. Também não obtive resposta.

É incrivelmente triste ver que neste país, o que aconteceu no campus da Universidade de Aveiro é visto como algo perfeitamente banal, normal e aceitável. Duvido que a reitora ou a SIC se dignem responder.
Para ambos, nada de mal aconteceu certamente.

Aproveitemos o 13 de Maio para rezar à virgem que os meus e-mails obtenham resposta.
Se entretanto houver desenvolvimentos, manter-vos-ei informados.

a) João Brandão

12 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Supermercado da fé

A feira anual da fé tem este ano o atractivo suplementar dos números redondos. Faz 90 anos que a burla levantou voo depois de aterrar a Virgem numa azinheira, um anjo nas pastagens e o catecismo terrorista na cabeça de três crianças.

A luta contra a República e o ódio à separação da Igreja e do Estado e à instituição do divórcio, levaram a padralhada ao desvario e os rurais embrutecidos nas paróquias ao desespero pio.

Valeu-lhes a Virgem e o Anjo, caídos do Céu, que andavam a passear na Cova da Iria e encontraram três inocentes criancinhas. Até o Sol ajudou, com as cambalhotas, o circo místico ali montado.

A Lúcia, a mais mitómana, via e ouvia aquela que disse «Eu sou a Nossa Senhora». A Jacinta só ouvia e o Francisco não viu nem ouviu mas todos sabiam que, para reparar o humor divino, o terço era a arma terapêutica, o amuleto de eleição, o argumento para que Deus tramasse os portugueses dando longa vida ao seu enviado – Salazar.

Amanhã, dia 13, Fátima será o enorme cinzeiro da fé, um recipiente cheio de beatas, com cheiro a incenso e a estearina, com uma multidão de parasitas da fé a borrifar peregrinos com hissopes de prata e a fazerem cruzes no ar com anelões de ametista.

Em Fátima viajam báculos, esvoaçam mitras e, dentro de vestidinhos de púrpura, alguns cardeais abanam custódias, distribuem hóstias, debitam orações e alinham a coreografia que estimula os crentes a deixarem os ouros e os euros numa ansiedade mórbida de se inscreverem no Paraíso.

Os padres dirigem o espectáculo com o profissionalismo de grandes ilusionistas e com a certeza de que as autoridades não interferem no negócio.

Se fossem ciganos a vender roupa contrafeita na Feira do Relógio apareciam polícias a apreender a mercadoria e a multar os comerciantes, mas aos padres ninguém controla a qualidade das hóstias, a higiene do fabrico e a validade da consagração.

Um cardeal não é um cigano que precisa de sustentar a família, é um agiota que alicia os supersticiosos para deixarem as alianças e os cordões à guarda da Virgem em troca de bênçãos para nutrir a alma. Um bispo não é a bruxa que alivia a carteira da mulher que o marido abandonou e a livra do mau olhado, é o artista que usa a mitra e o báculo como garantia de uma assoalhada no Paraíso para a alma de quem lhe beije o anelão.

Deus é pretexto para espoliar crentes e encher de bolhas os pés e de chagas os joelhos dos peregrinos.

11 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Lula da Silva recusa submissão ao Vaticano

Carácter “laico” do Estado brasileiro salientado por Lula da Silva

«O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva recusou a proposta feita pelo Papa Bento XVI para assinatura de um acordo que concedesse à igreja católica condições favoráveis no país, noticia hoje a imprensa local.
Segundo o jornal Folha de São Paulo, Lula da Silva terá salientado ao Papa o carácter “laico” do Estado brasileiro, durante o encontro que ambos mantiveram na quinta- feira, em São Paulo.»

10 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Brasil – Viagem de negócios de B16

O embusteiro da fé, ditador residente no Vaticano, anda em viagem de negócios pelo Brasil.

O empedernido celibatário tornou-se arauto da cruzada contra o aborto e um defensor da família, ele que nunca a constituiu, a proíbe aos empregados e que renegou o amor matrimonial.

O impostor apoiou a ameaça de excomunhão dos bispos mexicanos contra os membros da Assembleia Legislativa e o governador da cidade do México por terem despenalizado o aborto na capital.

A hipocrisia do tartufo revela-se na duplicidade. Por que não excomunga os deputados portugueses do PS, PCP, BE e PSD que o despenalizaram? Porque tem dois pesos e duas medidas. Porque é um talibã onde pode e uma pomba onde o desprezam.

Na deslocação, o caixeiro-viajante da fé foi explorar a superstição do povo brasileiro. Fez do cadáver de Frei Galvão o santo que a padralhada e os beatos reclamavam, deixando para mais tarde o padre Cícero Romão Baptista quando se reunirem as verbas necessárias à canonização, que o Vaticano não trabalha de borla.

Frei Galvão era ubíquo e levitava – dizem as testemunhas do costume -, números que os circos reservam para os ilusionistas, mas foi na cura de grávidas que o taumaturgo se iniciou, como se a gravidez fosse uma doença.

Os milagres eram feitos através de papelinhos onde o frade escrevia: «Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós». A ingestão dos papelinhos com tinta era o remédio que aliviava os vómitos, dilatava o útero e conduziu o frade à santidade.

E há quem leve a sério estes farsantes!

10 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Carta de um leitor e bom amigo

Caro amigo:

Você já leu isto, com certeza, mas a verdade é que a reflexão que estas coisas podem suscitar em almas bem formadas nunca será excessiva.

Suponhamos, então, que era ao contrário, e, num folheto alusivo a antros do pecado e da devassidão apereciam indicações de locais de oração e purificação espiritual!!!

Depois de criar o Mundo, Deus “testou” o homem e a mulher. Mostraram fragilidades, porventura à semelhança do criador.

Também me preocupa a quantidade de confessionários, aos quais vc chamou uma “lavandaria de pecados”. A título de exemplo, e seguindo o mesmo raciocínio, se a lei da IVG pode induzir o aumento de abortos, esta “lavandaria” pode vir a induzir o aumento do número de pecadores.

Um abraço,
a) PM

9 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Novo Centro Comercial

Em Fátima o negócio começou num terreno de cabras com uma azinheira, com espaço para uma virgem e um campo de aterragem de anjos, onde só poisou um, e transformou-se num lucrativo empreendimento do sector terciário, sob o ponto de vista económico e o da fé. O terço é a arma do negócio.

A maior sala de espectáculos do País – Basílica da Santíssima Trindade – ficará pronta em 13 de Outubro, com 9 mil lugares sentados e lotação para 12 mil clientes.

A ICAR pagará a pronto os 60 milhões de euros e deixa para o Estado uns arranjos que ateus e crentes pagarão, para maior glória divina.

Durante o grande espectáculo inaugural «missa da consagração da igreja» espera-se uma multidão que permita uma grande acção de propaganda. Não há milagres previstos mas é aconselhável ter cuidado com as carteiras.

Os clientes terão à sua frente uma ampliação de Cristo com 7 metros e, junto ao altar, uma imagem da Senhora de Fátima com 3 metros de altura.

A conversão da Rússia já deu o que tinha a dar. As novas instalações destinam-se às missas, orações e outros divertimentos pios, para gozo celestial e apaziguamento das angústias dos crentes. As caixas das esmolas continuarão a funcionar e é possível que subsidiem novas sucursais.

8 de Maio, 2007 Carlos Esperança

O Diário Ateísta e os crentes

Não ponho em dúvida a honestidade e tolerância de numerosos crentes que nos visitam e de muitos que desconhecem o Diário Ateísta. Negar o espírito humanista de muitos, a bondade intrínseca de numerosos judeus, muçulmanos e cristãos, não é apenas agir de má fé, é ser injusto para quem se esforça por um mundo mais justo, tolerante e fraterno.

Eu não seria capaz de humilhar um crente, de o desconsiderar na inteligência, cultura e sensibilidade. O mundo é dos que acreditam e dos que duvidam, mas são sobretudo as qualidades morais que definem as pessoas. Por isso nunca deixei uma crítica ou uma ironia na teosfera. Por isso é no DA que glorifico a blasfémia, o sacrilégio e a apostasia.

Dito isto, penso que só algum tolo pensaria vir encontrar no Diário Ateísta um hino à virgindade de Maria ou lágrimas de piedade pelo martírio do seu Deus. O DA não é um órgão paroquial que exulta com os baptizados e se entusiasma com o número de rodelas consagradas que os crentes consomem.

O DA não tem respeito pelas mentiras dos livros sagrados, repositórios de ódio, racismo e xenofobia, mas os autores do DA não seriam capazes de escrever ofensas num blog de crentes, não magoariam homens e mulheres que foram criados na mentira e crêem nela.

Quem aqui vem já sabe que combatemos a lepra da fé, venha ela da demência que se encontra nos caminhos de Meca, das cabeçadas no Muro das Lamentações ou escoltada de sotainas em direcção a um santuário.

Respeitamos os homens e mulheres que a creditam num ente superior, mas não temos que prezar os mitos que estão na origem das guerras, do ódio e do terrorismo.

Paz aos homens e mulheres, crentes e ateus. Guerra a Deus, porque é um mito perigoso.

8 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Vitória sobre o nazismo

Faz hoje 62 anos. A vitória dos Aliados sobre o nazismo foi o primeiro e decisivo golpe sobre um totalitarismo que sacrificou milhões de vidas e destruiu numerosos países. A Segunda Grande Guerra começou, de certo modo, em 1936, em Espanha, onde as tropas de Hitler, a Igreja católica (com honrosas excepções) e as tropas do Norte de África, comandadas por um general rude, inculto e devoto, derrubaram o Governo legal para instaurarem uma das mais sanguinárias ditaduras do mundo.

A guerra só terminou em 1945, com a rendição da Alemanha, faz hoje 62 anos.

Pio XII teve, no apoio a Hitler e Mussolini, à semelhança do Opus Dei em relação a Franco, um papel que não envergonha a Igreja católica cujo passado de violência soube honrar, mas que envergonha a humanidade e os homens livres, que fez tábua rasa do iluminismo e da Revolução Francesa.

Depois, muito tempo depois, havia de cair o Muro de Berlim e desmoronar-se o império soviético onde o estalinismo deixou um rasto de sangue a manchar o que podia ter sido uma bela utopia.

Hoje, a disputa da intolerância, a apoteose da crueldade e a demência do proselitismo pertencem às religiões monoteístas, aos exércitos de clérigos e milhares de beatos que querem conduzir as almas ao Paraíso enquanto dilaceram os corpos à bomba, lapidados ou por decapitação.

Enquanto põem os crentes de joelhos e de rastos, os dignitários das religiões intrigam, infiltram-se nos aparelhos de Estado, chantageiam e perseguem para transformar as democracias em charcos de água benta com as leis a cheirarem a incenso.

7 de Maio, 2007 Carlos Esperança

O Vaticano e as drogas

No pequeno Estado totalitário que Mussolini entregou ao seu amigo Papa não existem Constituição, eleições ou respeito pelos direitos humanos. É um Estado marginal, um bairro de 44 hectares onde esvoaçam sotainas, vagueiam monsenhores, deambulam freiras e o Papa dá a bênção, lança excomunhões e reina de forma vitalícia e absoluta.

No Vaticano andam cardeais à solta, bispos sem báculo e padres à espera de promoção. É o mercado onde se vendem mitras, títulos eclesiásticos e dignidades pias – um espaço congestionado de crucifixos, esqueletos e escândalos.

Os monges vão em busca de fotografias do Papa e relíquias para os conventos, as freiras pedem mais horas de reclusão e o Opus Dei o consentimento para apertar dois furos nos cilícios para maior glória do Altíssimo.

É um mundo esquizofrénico que vale a pena visitar. Escondem-se ali valiosos tesouros roubados nos países pobres e entregues ao Papa por reis dementes que julgavam ganhar o Paraíso a troco do ouro que levavam.

As drogas mais comuns são as orações, o incenso e as indulgências, placebos que excitam. Às vezes o terço, as ave-marias e as novenas também alucinam, mas quando os crentes deixam de acreditar na hóstia e nos sacramentos recorrem à cocaína.

Um funcionário do Vaticano foi condenado a quatro meses de prisão por posse de 87 gramas de cocaína mas, como não há leis nem vergonha, não foi divulgado o nome, a pena não é para cumprir e nem se sabe quem foram os juízes.

Há Estados párias que deviam estar sob vigilância policial e serem entregues à brigada dos narcóticos.