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Carlos Esperança

18 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Bíblia imprópria para menores em Hong Kong (2)

Discordo de que a Bíblia seja imprópria para menores, sobretudo se ainda não souberem ler. E, contrariamente a todas as religiões, sou pela liberdade de expressão e pelo direito à divulgação de todos os livros.

No entanto, ressalvando a liberdade de expressão, penso que a Bíblia é imprópria para adultos como, aliás, a Tora e esse plágio bíblico rude e torpe – o Corão.

Que os livros sagrados são perigosos provam-no as guerras que fomentam, o ódio que espalham, o racismo que cultivam e a xenofobia que promovem.

Que a Bíblia é imprópria para adultos, basta ver o carácter misógino e o anti-semitismo do Novo Testamento.
A Bíblia é imprópria para pessoas de sã e recta moral mas não deve ser banida sob pena de começarmos hoje a censurar a Bíblia e acabarmos amanhã a queimar o inofensiva conto da Branca de Neve e os 7 anões.

18 de Maio, 2007 Carlos Esperança

A missa em latim

Cansado da indiferença de Deus, o Papa regressa ao latim. É a tentativa desesperada de quem nota o desprezo divino e o desinteresse dos crentes. B16 pensa na possibilidade de se fazer entender por Deus e na vantagem de que os fiéis o não compreendam.

Partindo da premissa de que o analfabetismo favorecia a fé, o Papa terá concluído que a língua morta é ideal para estupefazer os crédulos e evitar perguntas sobre as mentiras da sua Igreja.

Quanto menos se conhecerem as mentiras da Igreja mais se acredita no martírio de Deus e na virtude dos padres. O Vaticano não esconde o pretendido regresso ao Concílio de Trento e Vaticano I. O Concílio Vaticano II foi o Diabo que apareceu à ICAR. É com o mistério e os segredos revelados por virgens que poisam nas azinheiras ou mergulham em grutas que se mantém florescente o negócio.

Cristo, morto há dois mil anos, não sabia latim mas fizeram desaparecer o cadáver para criar o mistério e ampliar a pantomina. O latim veio depois e foi imposto como língua sagrada mas, sem latim e sem Inquisição, não houve fé que resistisse ao Iluminismo e ao livre-pensamento.

Mais tarde impor-se-ia uma cópia grosseira do cristianismo – o Islão – adoptando o árabe como língua sagrada e usando decapitações, vergastadas e lapidações, como suplementos evangelizadores. Os resultados estão à vista – crentes cada vez mais rudes, violentos e convictos.

B16 segue-lhes o exemplo. Por ora regressa ao latim, as fogueiras virão depois. Um bom inquisidor faz mais pela fé do que as orações, os sacramentos e as homilias.

16 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Moral e bons costumes

Se deseja conhecer os bispos portugueses da minha infância, leia o artigo de El País sobre o arcebispo nazi de Pamplona. Mas se quiser perceber que país era Portugal viaje até ao Irão.

A Idade Média é o sonho de todos censores, o paraíso dos polícias de costumes e dos defensores da moral. A primeira vítima é a mulher que na nossa cultura foi execrada por santo Agostinho, que tantas amou e tanto ódio lhes tomou.

No Irão a polícia dos costumes zela para que nem uma só madeixa dos cabelos possa soltar-se do véu, vela para que a moral se preserve e os bons costumes se mantenham.

Maomé deixou instruções a esse respeito, ele que adquiriu fortuna e respeito graças à viúva rica com quem casou. O resto aprendeu nas deslocações entre Medina e Meca, nas conversas em que Deus que lhe ditou o Corão mas foi incapaz de o ensinar a ler e de lhe aliviar os costumes bárbaros da tribo a que pertencia.

Hoje, os crentes temem mais a polícia do que o Profeta porque a violência que o livro santo preconiza tem algozes para a aplicar.

15 de Maio, 2007 Carlos Esperança

B16 fracassou no Brasil

O professor Rätzinger não é historiador, é um mitómano que pretende falsear a História, rato de sacristia capaz de subverter a verdade para vender mais hóstias e disseminar a fé.

No último Domingo, no santuário de Aparecida, um centro de negócios do catolicismo romano, B16 teve o desplante de afirmar que a evangelização católica não se fez à custa da destruição da cultura indígena da América Latina.

Os jesuítas, quando a varíola os atingia, iam para o meio dos índios a disseminar a fé e a doença. O proselitismo é a tara dos avençados do divino. O Sapatinhos Vermelhos diz, ainda hoje, que não devemos relativizar a verdade, isto é, a única verdade é a mentira de Roma com cheiro a incenso, aspergida de água benta.

Da escravatura à imposição da fé, a Igreja católica cometeu os despautérios do costume para maior glória divina. A Companhia de Jesus foi então o que é hoje o Opus Dei, um instrumento de domínio ao serviço da ICAR, sem olhar a meios ou hesitar na violência.

Nizia Maldonado, que pertence a uma etnia amazónica, acusou a ICAR do genocídio dos povos indígenas e acrescentou que o objectivo de impor uma religião alheia à sua cultura, como é o caso da católica, se mantém ainda.

O ditador do Vaticano e arauto da castidade não foi muito bem sucedido nesta viagem de negócios ao Brasil. Quinhentos anos de má conduta não deixam grande margem de manobra. E, sem Inquisição, não há medo do Inferno que convença os autóctones.

14 de Maio, 2007 Carlos Esperança

O desaparecimento de Madeleine McCann

O desaparecimento da menina inglesa, no Algarve, deu origem à doentia exploração da comunicação social.

Os telejornais abrem com meia hora sem notícias na demente perseguição do mórbido e na devassa da vida íntima do casal que perdeu a filha. Não há sentido de proporções, a ética foi exonerada e os sentimentos são explorados de forma vil e degradante.

O drama da menina de quatro anos, Madeleine McCann, merece a contenção e pudor que a conquista de audiências não justifica. Claro que o genocídio do Darfur é longe, as vítimas são feias e pobres e a morte por inanição ou lapidação já faz parte do dia-a-dia.

Há dez dias que os virtuosos pais são acompanhados na praia, na piscina e nas devoções pias: orações e missas com homilias preparadas. Em Fátima, os peregrinos esqueceram os pedidos próprios e levaram fotos da criança à Virgem. O massacre informativo é uma desmedida manifestação de mau gosto.

Há nesta febre demente um masoquismo malsão, uma mistura de atrofia mental com a coscuvilhice rural, um sofrimento colectivo que parece uma fuga à realidade quotidiana e às responsabilidades de cada um.

Transformar os pais, que por incúria ou fleuma deixaram sozinhos os três filhos de tenra idade, em modelos é o início de uma nova devassa que transformará em vilões os heróis fabricados pelos noticiários e exaltados pelas convicções religiosas.

A juntar à tragédia da criança e à dor da família vem aí a decepção dos espectadores.

14 de Maio, 2007 Carlos Esperança

É preciso topete!

Ontem, no Brasil, o Papa expressou a sua preocupação pelo aparecimento de formas autoritárias de Governo na América latina.

B16 é um modelo de tolerância e o Vaticano um exemplo de Estado democrático.

13 de Maio, 2007 Carlos Esperança

A resistência da Turquia laica

A Turquia resiste. Sitiada pela Europa que a abandona às mãos dos seus fanáticos e dos fundamentalistas seus vizinhos, assediada pelo clero, cujas únicas leis que respeita são as do anacrónico Corão, a Turquia laica, civilizada e democrática sai à rua para defender os valores civilizacionais.

A Europa, medíocre e cobarde, que invadiu o Iraque e ignorou o genocídio de Darfur, insiste em invocar referências confessionais para si própria e abandona a Turquia, que a tem protegido do desvario dos mullahs e do proselitismo dos ayatolás.

Este mês, em Ankara um milhão de pessoas saiu à rua. Em Istambul foi ainda maior a multidão. Agora, em Esmirna, os turcos continuam a defender o laicismo e os princípios republicanos com gigantescas manifestações de massas. Têm consigo juízes, militares, a Constituição, a memória de Mustafa Kemal Atatürk e, sobretudo, o pavor da sharia.

A Europa, vítima de contradições internas, pusilânime e incapaz de enfrentar o populismo, condescende com os afloramentos xenófobos e abandona a Turquia que lhe serve para integrar a NATO mas despreza como parceiro digno de inclusão no espaço económico e civilizacional da Europa secular, multicultural e democrática.

A falta de grandeza e dimensão política dos actuais dirigentes europeus não vê para lá dos negócios e quem não vê mais além, nem os negócios será capaz de defender.

13 de Maio, 2007 Carlos Esperança

13 de Maio – uma farsa de 90 anos

Ontem, em Roma, eram quinhentos mil levados e acirrados por padres e monsenhores, a crocitar e uivar contra a proposta de lei que admite as uniões de facto e homossexuais. Eram a voz do ódio à diferença, da intolerância aos outros, do medo de si próprios e da sua insegurança.

Hoje, um número idêntico cantava e rezava na Cova da Iria, apaziguando temores, cumprindo promessas e mendigando graças. Virados para a Virgem de cujo barro só chega o silêncio e a indiferença da matéria inerte de que a fizeram, solicitam favores, abandonam pertences, por conta, e, na histeria própria das multidões e do ambiente prometem voltar.

Alguns chagaram os joelhos e muitos tinham os pés gretados e as pernas inchadas. Até a menina inglesa lhes serviu de inspiração para os pedidos com que esqueceram os seus.

Da padralhada veio a bênção, a missa, o terço e a procissão, mas do andor apenas chegou a mudez do barro e o fulgor das tintas que refulgem na intensidade das luzes.

Os manifestantes de Roma reclamaram o Inferno para os legisladores tolerantes e justos, os de Fátima pediram um pedaço de Céu nas agruras da Terra, uma centelha de Deus na vida de sofrimento e angústia.

Da catarse colectiva que ali os levou, resta a recordação do espectáculo grandioso das multidões, o folclore dos vestidinhos eclesiásticos, o deslumbramento dos simples com uma estátua de barro a viajar numa padiola e a vastidão de lenços a adejar à passagem do pedaço de barro pintado, em forma de mulher vestida até aos pés e com os cabelos cobertos, a ensinar a forma de trajar feminina.

Terminada a feira, regressam os peregrinos à tristeza quotidiana e às dificuldades de sempre, à espera de graças que não chegam e de milagres que não acontecem.

É a fé.

12 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Religião e morte

Lê-se e não se acredita. Vêem-se as fotografias e, entre a raiva e o asco, maldiz-se o mundo, a crueldade e a intolerância.

«El País» dá-nos conta de uma jovem de 17 anos que se apaixonou por um muçulmano e que, por amor, para casar com ele, se converteu ao Islão.

De volta a casa, dois mil curdos de uma seita satânica a que a adolescente pertencia, aguardavam para a matar. À pedrada, como manda a tradição e a honra das famílias. Demorou 30 minutos a agonia de uma vida enquanto o corpo era dilacerado.

A seita – esclarece «El País» – é uma mistura de judaísmo, cristianismo e islamismo, com numerosas regras para ambos os sexos. Os homens não podem lavar-se – nem a cara -, ou barbear-se, e as mulheres são impedidas de aprender a ler e escrever. E o azul é uma cor proibida.

O céu e o mar estão proibidos onde se vive sem azul e morre com o vermelho do sangue próprio. Nenhum credo perdoa ao apóstata.

Parece que adoram o Diabo, a face oculta de Deus, a intolerância dos preconceitos que fazem parte do ADN e constituem a matriz genética de todos os fanatismos.

Fala-se de tradição e há um sobressalto de horror que assoma nos que se libertaram da cultura da morte. Em nome dos costumes, há uma memória colectiva que, de tempos a tempos, nos assalta na orgia de horror e sofrimento que os preconceitos alimentam.

Neste Inferno que a superstição alimenta são sempre mulheres as vítimas da crueldade, as preferidas dos deuses para o sofrimento, designadas pelos hierarcas para expiarem os pecados originais e as culpas colectivas que a demência inventa.

Raios os partam.

DA/Ponte Europa