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Carlos Silva

6 de Setembro, 2026 Carlos Silva

«O ateísmo não existe…»

Imagem: Internet

«O ateísmo não existe… e a culpa é dos ateus»

Observador, Ricardo Ferreira, 26 abr. 2026

«O ateísmo não existe… e a culpa é dos ateus»

(…)

O ateísmo enquanto certeza, enquanto afirmação positiva da inexistência de Deus, tem ainda outro problema adicional, que apenas alguns ateus mais honestos reconhecem aceitando o custo. Para afirmar com certeza que Deus não existe em nenhum lugar, sob nenhuma forma, em nenhuma dimensão possível da realidade, seria necessário um conhecimento total e exaustivo de tudo o que é. Seria necessário o conhecimento total do passado, do presente e do futuro. Tanto quanto sei, nenhum humano tem esse conhecimento.

Quando falamos de ateísmo como certeza, falamos de uma fé. Uma fé invertida, mas ainda assim, fé. E esta fé exige o mesmo que os ateus criticam aos crentes em Deus: um salto além do que a evidência permite. Com uma importante diferença: os crentes em Deus admitem-no e os ateus torcem a narrativa para não admitir o salto.»

(…)

O ateísmo nada conclui e nada prova. É uma identidade que, como qualquer outra identidade abstracta, não passa no seu próprio teste. O que tem a sua piada, porque o lugar onde o ateísmo claramente não existe é exactamente o lugar onde o ateu mais insiste em verificar as coisas: na evidência empírica.

Ricardo Ferreira


Não foi pela indiferença de saber quem é, mas apenas pela diferença de análise que optei por não efetuar qualquer pesquisa sobre a sua pessoa…

Assim, após uma segunda leitura algo mais atenta ao texto…

Meu caro desconhecido Ricardo Ferreira,

Como ateu, “confesso” que a minha postura não foi nada “comovente”; pelo contrário; diria que senti uma misericordiosa necessidade de responder, sobretudo pela sua animosa referência ao ateísmo. É realmente um grandioso texto, do qual, depois de bem exprimido, não resultou praticamente nenhum sumo.

Quero, antes de mais, salientar que é impossível comparar o incomparável!

Ateísmo é simplesmente uma consequência do pensamento racional. Não implica existência, mas sim ausência de crença. Ausência de crença num ou mais deuses.

Não se pode comparar o ateísmo a uma crença!

O ateísmo, tal como o teísmo, só existe como conceito mental abstrato, porque um qualquer iluminado, baseado num simples ato de fé pessoal, afirma que existem entidades supranaturais. Se existisse alguma entidade supranatural, obviamente que não se justificaria a sua existência, uma vez que a crença esvaziar-se-ia deixando de fazer qualquer sentido. Se não houvesse pessoas a acreditar no que não vêm e não podem provar, obviamente que não existiria ateísmo nem teísmo.

Ateísmo não é uma filosofia em que possamos acreditar ou desacreditar, como devotamente procura confecionar. É um posicionamento de ausência de crença. É a admissão do óbvio com base na leitura racional que a ciência e a realidade nos mostram e demonstram. É a simples escolha do evidente e faz parte desta liberdade que hoje a laicidade nos concede; tal como a escolha do dogma religioso por mais absurdo ou ridículo que seja.

O ateísmo é simplesmente uma postura intelectual baseada na lucidez, na capacidade de duvidar, de analisar, de quem continua permanentemente a evoluir na sua compreensão e resulta de um processo de evolução pessoal, intelectual e ético.

O ateísmo não é apresentado como imposição ou superioridade, mas como consequência natural do pensamento racional, crítico e científico. Valoriza a liberdade individual, o humanismo, a tolerância, a solidariedade e a paz como pilares para uma sociedade mais equilibrada e sustentável.

O ateísmo não é negação ou combate à fé alheia, mas uma constatação baseada em factos e evidencias, afastando a crença no sobrenatural. Mais do que um rótulo, trata-se de uma forma consciente de estar no mundo, de viver o presente e procurar o conhecimento e a verdade através da razão.

Nenhum ateu parte da premissa que já conhece a verdade. O ateu analisa, erra, muda de opinião, acerta, erra, muda de opinião, acerta… até conhecer a verdade.

Nenhum ateu nega a existência de uma alegada entidade supranatural, vulgo «deus». Constatando a inexistência de provas ou evidências da sua existência, simplesmente não acredita no que o crente afirma existir com base num intrínseco ato de fé. Tendo em conta que essa suposta entidade supranatural se limita a uma imagem mental abstrata que varia conforme a imaginação do criador ou imputador, parece evidente que, qualquer mente minimamente ciente, não pode negar o que não existe, ou simplesmente confirmar a materialidade do amigo imaginário criado pelo próprio homem. Não podemos provar a sua inexistência porque só a existência pode ser provada. Daí que o ónus da prova esteja do lado do crente. O que negamos é a crença e não o conhecimento!

Resumindo…

Ser ateu não é negar ou lutar contra qualquer crença alheia.

Ser ateu é simplesmente constatar a inexistência de qualquer entidade divina.

Ser ateu é simplesmente raciocinar sobre a realidade dos factos.

Ser ateu é simplesmente retirar conclusões com base em provas fidedignas.

E concluindo…

O ateísmo não é nenhuma crença. O ateísmo não se impõe. É uma opção que resulta duma forma racional de estar e lidar com a realidade!

P.S. Como ateu, “confesso” que não acredito que uma mente realmente inteligente acredite no sobrenatural. Reconheço que o ateísmo não implica inteligência, mas realmente a inteligência pode levar qualquer mente minimamente racional ao ateísmo.


TEU ATÉ AO FIM, 2026-09-06 Carlos Silva

17 de Fevereiro, 2026 Carlos Silva

Laicidade

Imagem: IA

A laicidade é um pilar fundamental e inviolável da democracia e um dos princípios identitários da Constituição da República Portuguesa (CRP) que legalmente todos estamos obrigados a respeitar.

Os artigos 41.º e 43.º da CRP consagram precisamente a liberdade de consciência, de religião, de culto e estabelecem a base da laicidade: «as igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado» e «o ensino público não será confessional».

De igual modo, a Lei de Liberdade Religiosa (LLR) estabelece que «o Estado não adota qualquer religião nem se pronuncia sobre questões religiosas»; «nos atos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade»; «o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes religiosas» e «o ensino público não será confessional».

Compete, pois, à Assembleia da República «garantir o cumprimento da Constituição e das leis e fiscalizar os atos do Governo e da Administração», bem como «tratar todos os assuntos respeitantes aos direitos e deveres fundamentais consignados na Constituição e na lei».

Compete ao Estado assegurar a liberdade de consciência dos cidadãos, onde se inclui a religiosa, a separação entre política e religião, que protege ambas, e a igualdade de todas as pessoas perante a lei. É precisamente a liberdade de consciência que garante o direito de professar, mudar, ou não ter qualquer religião.

Compete ao Estado (a todos os órgãos) adotar e manter uma postura neutra e imparcial relativamente a todas as confissões religiosas, não interferindo nem permitindo interferências na administração, nomeadamente no que se refere à educação religiosa na escola pública e a participação em atos oficiais ou protocolares de entidades religiosas.

O proselitismo religioso deve restringir-se exclusivamente às instituições religiosas. De igual modo, governantes e todos os membros de órgãos do Estado, no exercício de funções, devem abster-se de participar em cerimónias ou rituais religiosos, podendo, no entanto, a título privado, exercer esse direito no seio da sua própria confissão.

O Estado não pode estabelecer nenhum tipo de convenções ou acordos jurídicos que privilegiem determinada religião. A “Concordata” entre a Santa Sé e a República Portuguesa, é um manifesto exemplo de violação do princípio fundamental da laicidade. Mais do que uma imposição legal, a revogação da Concordata e a revisão da LLR, são imperativos democráticos que urge retificar e ratificar, por forma que sejam abolidos os privilégios e isenções concedidos exclusivamente à Igreja Católica.

Um Estado democrático não tem religião oficial e não apoia ou discrimina qualquer crença; garante que todos os seus cidadãos sejam tratados em igualdade de direitos, independentemente da sua confissão religiosa, ou ausência da mesma.

A laicidade é em si um modelo de cidadania baseado na neutralidade e igualdade de todos os cidadãos perante a lei num espaço comum livre e democrático.

A laicidade do Estado é inviolável!

ATEU ATÉ AO FIM, 2026-01-07 Carlos Silva

25 de Dezembro, 2025 Carlos Silva

Solstício de Inverno

 

Imagem: Internet

Não deveríamos celebrar o Natal, mas sim o Solstício de Inverno!
Na realidade, os cristãos copiaram e deturparam o conceito de Natal.
Na realidade o Natal não passa de uma relíquia dos primórdios da civilização humana que tinha por crença a adoração do Sol.
Quase todas as festividades pagãs estavam ligadas a eventos naturais…
Durante milénios, os nossos antepassados celebravam o Solstício com festivais de luz, trocas de presentes e encontros sazonais…
O Solstício de Inverno anuncia o renascimento simbólico do Sol, o prolongamento dos dias…
Celebrar o Natal católico é, pois, celebrar uma imitação… uma ilusão!
Celebrar o Natal católico é manter acesa a chama de um dos mais antigos dogmas impostos pelo Cristianismo.

Celebrar o Solstício de Inverno é celebrar a Vida e a Realidade!

AGORA ATEU (II), 2024-12-25 Carlos Silva

1 de Novembro, 2025 Carlos Silva

Dia de todos os santos

Imagem: Internet


Não há dia que não se recorde um santo
Todos os santos têm seu dia quem diria
São tantos os santos e os dias de pranto
Que todos os santos juntos têm um dia

Não há noite ou dia em que um santo
Não tenha feito milagre ou boa ação
Que não seja venerado em algum canto
Que não tenha exposto doente ou vilão

Não há dia que não se recorde um santo
Todos os dias são dias santos
Até um dia é dia de todos os santos


AGORA ATEU (I), 2020-01-11 Carlos Silva

24 de Outubro, 2025 Carlos Silva

Projeto de lei da Burca

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A Assembleia da República aprovou hoje um projeto de lei que prevê a “proibição do uso de roupas que impeçam a exibição do rosto em locais públicos” e a “proibição de forçar alguém a cobrir o rosto por motivos religiosos ou de género”.
A proposta foi apresentada pelo Chega e tem como objetivo primordial a interdição do uso de burca em espaços públicos usando como pretexto a “segurança e a defesa da dignidade da mulher”.
O projeto invoca os princípios da igualdade e laicidade do Estado estabelecidos na Constituição e na Lei de Liberdade Religiosa… “nenhum símbolo religioso deve ser privilegiado ou permitido em instituições públicas…”, argumenta que “esconder o rosto é violar os requisitos mínimos da vida em sociedade” e “permitir o uso da burca ou o niqab é incompatível com os princípios de liberdade e dignidade humana”.
O próprio líder, André Ventura, dirigindo-se especificamente aos imigrantes, afirmaria categoricamente no Parlamento que “o objetivo do projeto é proibir o uso da burca em Portugal”. “Quem chega a Portugal, independentemente da sua origem, costumes ou religião, deve antes de tudo cumprir e respeitar os valores e tradições do país”. “Uma mulher forçada a usar burca deixa de ser livre e independente, tornando-se um objeto”.

Logo após a apresentação, algumas vozes críticas se levantaram alegando que trata de “ódio contra a comunidade muçulmana” … que “o debate promovido pelo Chega apenas pretende atacar os estrangeiros” e que “negar a burca constitui um ataque à liberdade de culto e consciência…”
Vozes mais sonantes optaram pela discrição ou pelo politicamente correto… “é preciso preservar a igualdade de género, defender valores, cultura e tradições do povo português…”; “são valores comportamentais que estão em confronto…”

Mas, afinal, quais são os valores que realmente importa defender?
Os valores do Islamismo… do Cristianismo… as leis do Estado… ou os direitos da mulher?

Perante a conjetura atual, é evidente que andar de cara tapada em espaços públicos pode suscitar algumas questões de segurança… mas, a questão fundamental será realmente o perigo do uso da burca em espaços públicos ou a violação de direitos fundamentais da mulher?
Pode uma mulher ser impedida de vestir o que quer ou forçada a vestir o que não quer apenas porque um homem o diz, uma religião o exige ou um Estado o impõe através de lei?
Pode um Estado que se diz laico, livre e democrático, sobre determinado pretexto político, atropelar a sua Constituição ou a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e proibir o uso de determinada peça de vestuário?
Não será a liberdade de escolha um direito inalienável da mulher… e de toda a humanidade?

Referem algumas vozes que a burca é apenas uma “simples peça de vestuário, um mero símbolo de cultura ou tradição…”; outras que a burca é “um símbolo de machismo tóxico, de humilhação da mulher e de extremismo religioso…”
A burca é realmente um símbolo de opressão, submissão e aniquilação da entidade da mulher, sobretudo quando usada num contexto de extremismo religioso! Por isso o que importa realmente proibir/combater é o extremismo religioso que a impõe… o extremismo religioso que humilha, mata e viola a liberdade da mulher!
Nenhuma mulher pode ser precocemente mutilada ou violada… doutrinada ou privada da personalidade… nenhuma!
Nenhuma mulher nasce submissa a mandamentos religiosas absolutamente bárbaros e machistas, seja de que religião for… nenhuma!
Todas, sem exceção, têm direito a uma vida com dignidade, segurança e em plena liberdade.

Um projeto de lei que, sob o pretexto de defesa do laicismo do Estado, da liberdade e da segurança, impõe restrições a direitos fundamentais previstos na Constituição, nunca pode ser Lei. Nunca será demais recordar que tal como a laicidade do Estado, também a liberdade de escolha e a liberdade religiosa são valores fundamentais da democracia!
É, pois um projeto de lei ferido de inconstitucionalidade… uma espécie de nado-morto condenado à nascença.
O único objetivo é o ruido… o tal ruido que confere votos!

AGORA ATEU (II), 2025-10-17 Carlos Silva

8 de Setembro, 2025 Carlos Silva

Sudário de Turim

Imagem: Internet

Diz o povo, com razão, que “a mentira tem a perna curta”.

Em Cadouin, França, desde o século XII que os cristãos veneravam e atribuíam milagres a um Sudário (peça de tecido) que supostamente teria envolvido a cabeça de “Cristo” e tinha sido preparada pela própria “Virgem Maria”.

Porém, inesperadamente, em 1935, a Igreja Católica cancelou abruptamente todas as peregrinações e cerimónias pois descobriu que a “relíquia” continha a inscrição “em nome de Deus clemente e misterioso… Deus não há senão Allah” e teria pertencido a Moustali, califa do Egipto entre 1094 e 1101.

 Resumindo, por mais de 700 anos, milhares de fiéis cristãos veneraram um véu islâmico que continha inscrições que glorificaram Allah… -um longo e humilhante período de paixão religiosa, agora desmascarado, ridicularizado e alvo de chacota popular.

Como há algum tempo que uma relíquia da Igreja Católica não era desmascarada ou desacreditada, eis que chegou a vez do Sudário de Turim.

O Sudário de Turim é um pano de linho que se encontra guardado na Catedral de Turim, norte da Itália, desde 1578, que mostra a imagem de um homem que milhões de católicos ainda hoje veneram por acreditarem piamente que se trata da mortalha que envolveu o corpo de “Cristo” após a sua crucificação.

Tal como o Sudário de Cadouin, o Sudário de Turim também tem uma longa e controversa história de devoções e desacreditações…

Recentemente, Cícero Moraes, designer brasileiro, publicou um estudo científico onde demonstra que a imagem do Sudário não foi formada pelo contato de um corpo humano, mas sim por um molde de baixo-relevo, uma técnica artística comum na Idade Média, levantando assim dúvidas sobre a sua autenticidade.

Já em 1988, uma datação por radiocarbono efetuada por três laboratórios diferentes, tinha estabelecido que o material de linho do Sudário foi produzido entre os anos 1260 e 1390, o que reforça o estudo de Cícero de Morais, uma vez que estas representações religiosas em baixo-relevo eram práticas comuns na Europa nesse período.

Entretanto, eis que um documento medieval, recentemente descoberto, vem complementar as provas anteriores e arrasar por completo a crença do Sudário, classificando-a como uma “fraude deliberada”.

“A autenticidade do Sudário já tinha sido rejeitada por Nicole Oresme, teólogo do século XIV que se tornaria Bispo de Lisieux. Oresme classificou o Sudário como um “engano claro e patente” que teria sido orquestrado por clérigos para obter donativos dos fiéis.”

Esta análise de Oresme é, pois, a rejeição mais antiga que se conhece sobre a autenticidade do Sudário o que revela que nessa altura já se sabia que era falso!

Há mais de 500 anos que a Igreja Católica sabe que o Sudário de Turim é falso!

Perante a esmagadora evidência das provas agora apresentadas, muita gente questionará…

Como é que a Igreja Católica consegue fazer com que milhões de pessoas continuem a acreditar piamente que o Sudário é uma mortalha que envolveu o corpo de “Cristo” após a sua crucificação?

Como é que o Vaticano consegue manter vivo este “milagre”?

A resposta é muito simples…

O Sudário é um negócio lucrativo que continua a dar dinheiro… muito dinheiro!


AGORA ATEU (II), 2025-09-03 Carlos Silva

24 de Agosto, 2025 Carlos Silva

“Deus está morto”

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Muita gente terá questionado o que realmente pretendia Nietzsche dizer com a célebre frase do seu Livro III Gaia Ciência…

Deus está Morto” 

“Deus não morre porque é eterno e todo-poderoso…” -comentam alguns crentes.

“Se Deus não existe, logo não pode morrer!…” -comentam alguns descrentes.

Pensando no que eventualmente Nietzsche teria pensado…

Penso que simplesmente previa o princípio da morte abstrata de “deus”.

Penso que simplesmente previa o princípio do fim da religião, em particular o Cristianismo, pelo facto de analisar, raciocinar e percecionar que a religião está a perder o lugar de destaque na cultura ocidental e a entrar num irreversível espiral de declínio.

No passado “Deus” era praticamente o “centro do mundo”!

No presente, a cada dia que passa, cada vez mais, deixa de ser o centro cultural do mundo e sobretudo o centro do ser humano.

No futuro apenas uma recordação de alguém… depois, não será absolutamente nada!

Cada vez mais precocemente o homem se liberta da sua prisão mental…

Cada vez mais “a ciência, a filosofia, a literatura, a arte, a música, a educação… e a vida social quotidiana…” se libertam da religião…

Cada vez mais o poder estatal, seu milenar aliado, se separa da religião…

Cada vez mais o cidadão comum rejeita ou simplesmente ignora a “religião” para evitar cair no ridículo de justificar o injustificável, observar e invisível, ou concluir o inconclusivo.

Ainda existem milhões de pessoas em todo o mundo que são profundamente religiosas fruto da constante doutrinação… -é um facto!

Muitas delas acreditam piamente que o seu Deus está realmente vivo.

Grande parte não sabe, não lê, não percebe… e nem sequer pensa ou questiona se o seu “deus” estará realmente morto!… -apenas acredita que existe porque tem fé… como se a sua fé o fizesse existir.

A tradicional imagem que cada ser em particular tem de “deus”, e o Cristianismo em geral (movido pelo ideal de poder, de domínio e sobretudo ganância económica), sempre fez parte do quotidiano e do pensamento filosófico humano; praticamente todos os sistemas educacionais e sociais eram geridos pela religião ao ponto de ainda hoje quase toda a gente ser “batizada, casada ou sepultada pela igreja, frequentando-a com alguma regularidade durante toda a vida”.

O que tem realmente causado a “morte de deus” é o pensamento racional!…

O que tem realmente causado a “morte de deus” é a explosão do conhecimento… a liberdade da literatura e de tantos génios como Nietzsche…

A globalização e a revolução científica têm vindo a permitir a explicação objetiva de inúmeros fenómenos naturais que acabam por deitar por terra as escrituras e dogmas religiosos que, em alguns casos, serviam de lei ou de inquestionáveis mandamentos.

O iluminismo do séc. XVIII, com a ideia de “razão” em detrimento de “tradição”, a Revolução Industrial do séc. XIX, com o crescente poder tecnológico e económico desencadeado pela ciência, a evolução da medicina, a melhoraria significativa das condições de vida da maioria da população mundial, também foram fatores determinantes para o declínio da ideia de “deus”.

Durante milhares de anos, reinou a “suprema ideia de Deus”.

O omnipotente, o omnisciente, omnipresente era o criador da terra e do céu… o pai; o fiel amigo; a moral; a lei fundamental… a base de todo o pensamento humano; o determinante do comportamento dos fiéis, a eternidade… o limiar do paraíso… ou inferno -a punição de todos os que ousassem não seguir o seu caminho.

“Deus está morto!” -afirmou Nietzsche…

Talvez se trate mesmo de um processo de extinção simples e natural… afinal, todos os conceitos acabam por expirar na consciência de todas as civilizações porque na realidade apenas existem na mente de quem neles crê.

Simples espectadores como eu…

Pensadores, escritores, artistas…

Apenas voam em liberdade…

Apenas observam e descrevem a realidade!

Deus está morto! -subscrevo-o obviamente.

Podem até pensar que esteja louco por também o afirmar ainda no presente!

Talvez também tenha estado por aqui cedo demais e não seja este ainda o meu tempo.

Talvez a maior parte só o entenda um pouco mais à frente…

Talvez até nunca o entenda…

Afinal, tudo precisa de tempo para ser observado… provado e comprovado!

.

Nota:

Curiosamente, em países como Portugal ainda hoje se realizam Jornadas Mundiais de Juventude católicas, cujo maior “embaixador” é um presidente católico duma República laica! Ah… e (quase) todos acreditam que “deus está vivo”!


AGORA ATEU (I), 2023-11-14 Carlos Silva

19 de Agosto, 2025 Carlos Silva

“Desintoxicação religiosa”

Imagem: Internet

Perguntava o Rui Batista numa das suas publicações…

“COMO COMEÇAR O PROCESSO DE DESINTOXICAÇÃO DA CRENÇA RELIGIOSA?”

E o próprio respondeu…

“A crença religiosa não é algo que se “desligue” de um momento para o outro.

Eu próprio levei anos.

Há vários pontos importantes que contribuem para nos libertarmos dessa fantasia que se torna parte de nós desde tenra idade.

Primeiro, e talvez o mais importante, é perceber que NÃO TEMOS RESPOSTAS PARA TUDO, E ISSO NÃO É MAU.

Ou seja, por vezes, a resposta para algo é “NÃO SABEMOS” e isso não é vergonhoso. Vergonhoso é não saber, mas dizer que se sabe, e usar uma desculpa qualquer para justificar aquilo que, realmente, não se sabe.

Ler sobre vários temas é importante, pois existem ligações (por vezes não imediatamente claras) entre temas que parecem não ter relação. Por exemplo, o comportamento religioso está relacionado com a socialização, com a procura de aceitação e confirmação no seio de uma sociedade (uma família, um grupo de amigos, a cidade onde se vive, o país em que se vive, etc.), com a autojustificação de princípios que se tomam como certos, com aspetos da psicologia humana (como o viés de confirmação, a confusão entre casualidade e causalidade, etc.), com a dificuldade de aceitação de que se investiu tempo e recursos em algo que se tem medo de abdicar, com dissonâncias cognitivas, etc.

Portanto, ler sobre psicologia, antropologia, sociologia, história, cosmologia, etc., é importante. Já a filosofia é uma área com tantas ramificações que pode dar para ambos os lados, pois a filosofia é ótima para fazer perguntas, mas não particularmente boa a dar respostas, portanto pode ser usada como tentativa de se justificar aquilo que se pretende acreditar, através do processo de levantar mais dúvidas do que oferecer respostas.

Outra coisa importante é questionar, pesquisar e não ficar satisfeito com os primeiros dados que se obtém e, acima de tudo, não aceitar apenas aqueles dados que parecem confirmar o que já tomamos como certo e descartar aqueles que contrariam aquilo que queremos acreditar. Fundamentalmente, procurar o maior número de dados sobre algo, cruzar e filtrar esses dados, e apenas reter aqueles que são sólidos e que se corroboram entre si e que cujas fontes são fidedignas.

Também importante é perceber que a avaliação pessoal baseada em senso comum é altamente insegura, e pode ser influenciada por inúmeros fatores que irão distorcer a apreensão e avaliação seja do que for. Acima de tudo, usar a “navalha de Occam”, que postula que entre duas ou mais explicações para um facto, a mais simples é usualmente a correta. E, uma explicação natural é sempre mais simples do que uma explicação que exige que se recorra a magia, esoterismo, sobrenatural (basicamente, que exija que se aceitem coisas que nem sequer podem ser comprovadas).

Basicamente, seguindo estes princípios será um excelente caminho para deixar de se acreditar em algo que não é real, nunca foi, e nunca será, pois quando se estuda o suficiente, ficamos a saber que a religião foi apenas o primeiro esforço humano de tentar arranjar explicações para o que não compreendia. Um esforço digno, louvável, mas extremamente pueril e baseado em fantasia, ignorância e superstição.

E isto leva-nos à máxima mais importante que é preciso seguir para largar a religião:

SABER É MAIS IMPORTANTE QUE ACREDITAR.”

*

Impulsivamente, tal como outros, acabaria também por responder à sua questão com um pequeno comentário…

“COMO COMEÇAR O PROCESSO DE DESINTOXICAÇÃO DA CRENÇA RELIGIOSA?”

Para dar início a um “processo de desintoxicação da crença religiosa” é necessário reunir um grupo de pessoas que estejam dispostas a lutar por um objetivo comum que pode ser fundamental para o futuro de muitos jovens e sobretudo das gerações vindouras.

Será certamente um trabalho contínuo, longo e árduo… -nunca é demais recordar que, no passado, muitos heróis improváveis e anónimos sacrificaram a própria vida para salvar milhares de crianças de seitas religiosas, da guerra, da fome e da miséria.

O primeiro passo será, pois, reunir esse grupo de pessoas…

O segundo, conversar, definir estratégias, objetivos e ações concretas que possam ser materializadas e traduzidas em resultados reais.

É de louvar a “luta diária” do Rui com todos os seus “amigos crentes” … -um trabalho realmente árduo!… -já lhe disse uma vez, que é preciso muita paciência para responder/argumentar com todos… por vezes fico cansado (sorriso) só de ver!

Despertar/desvendar/desmascarar dogmas religiosos…. sim, porque não, usando da “navalha de Occam”?…

Após estabelecer as diretrizes, o terceiro passo é passar à ação!

Fazer parte de um grupo ou associação ateísta é fundamental. É no âmbito dessa união que residirá a força!

A Associação Ateísta Portuguesa e a Associação República e Laicidade, são exemplos pioneiros dessa ação pacífica em Portugal. Embora existam há alguns anos, conheci-as há pouco através da comunicação social onde surgiram a contestar as “Jornadas da Juventude Religiosa”. São dois magníficos exemplos de heróis que escolheram viver sem a religião que lhe querem impor… que assumiram defender a laicidade do Estado e lutar contra a doutrinação/chantagem religiosa sobre as sociedades livres e democráticas.

O meu elogio para todos os seus membros!

O meu orgulho por também agora ser um deles!

(…)

VAMOS COMEÇAR!


AGORA ATEU (I), 2023-07-01 Carlos Silva

14 de Agosto, 2025 Carlos Silva

Feriado (15 agosto)

Imagem: Internet

Muita gente, crente e descrente, hoje questionará certamente…

Porque se celebra o 15 de agosto?!
Porque é que é feriado nacional?!

Será este dogma da Igreja Católica tão importante ao ponto de fazer dele mais um feriado nacional?
Sabe-se que em 1950, o Papa Pio XII determinou que na “Constituição Apostólica” constasse que a “Imaculada Mãe de Deus, a Virgem Maria, terminaria o seu curso de vida terrestre e subiria de corpo e alma à glória celestial.”
À luz desta brilhante determinação, a Igreja Católica, decretaria que o 15 de agosto passasse a ser feriado nacional em todos os países ditos católicos, e consequentemente, dia de “santo descanso”.
Embalado nesta mesma luz, dois anos depois, o Primeiro-Ministro, António de Oliveira Salazar, em nome do Estado português, ratificaria a determinação do Papa, decretando o 15 de agosto feriado nacional.
Foi a partir dessa data que no calendário religioso português se passaria a celebrar a “Assunção de Nossa Senhora”, que é como quem diz, o fim da vida terrena e a sua subida ao céu.

Subida ao céu? Mas qual céu!? -questionarão alguns…
Que local é esse para onde ela foi? Onde é que fica?! -questionarão outros…
Terá ido de avião, de foguetão, ou apenas de corpo e alma?! -questionarão os mais céticos.
Se realmente a “Senhora” decidiu subir ao céu a 15 de agosto de 1950, porque é que não o teria feito nos últimos dois mil anos?!
Porque é que a Igreja Católica e os anteriores Papas não se lembraram disto antes!?
Sempre poderiam ter gozado mais uns feriados!

Se é importante ou não, dirá o povo, não importa!
O que realmente importa é que hoje é feriado e dia de “santo descanso”!

AGORA ATEU (I), 2023-08-15 Carlos Silva

9 de Agosto, 2025 Carlos Silva

“Peregrinação das crianças”

Imagem: ECCLESIA

“FÁTIMA RECEBE MILHARES DE CRIANÇAS EM PEREGRINAÇÃO APÓS 2 ANOS DE PAUSA”

“Gostei muito de ver Nosso Senhor”, uma frase do vidente de Fátima, Francisco Marto, é o tema da peregrinação, para a qual os serviços do Santuário esperam grande afluência, tendo em conta que este momento concentra, nalguns anos, um número de participantes maior do que o registado na Peregrinação Aniversaria de 12 e 13 de outubro.
As cerimónias da Peregrinação das Crianças serão presididas pelo bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, e o programa começa na noite de quinta-feira, com uma vigília de oração, às 21:00, na Basílica da Santíssima Trindade, onde, na manhã do dia seguinte, terá lugar uma encenação relativa ao tema da peregrinação, a partir das 09:30.
Após a recitação do rosário, às 10:00, na Capelinha das Aparições, segue-se a celebração da missa às 11:00, no recinto de oração. O dia terminará com a repetição da encenação da manhã, às 15:00, na Basílica da Santíssima Trindade, à qual se seguirá a celebração de despedida.
Os grupos de crianças presentes terão um lugar reservado no recinto de oração, durante a missa da peregrinação e, no final, como é tradição, receberão uma surpresa que ficará a assinalar a sua presença na Cova da Iria neste dia.
O tema da peregrinação remete para “a experiência do encontro íntimo, pessoal e transformador com Cristo”, segundo informação do Santuário de Fátima.
“Em Fátima, três crianças — Lúcia, Francisco e Jacinta – tornaram-se testemunhas de um encontro profundo com Cristo Ressuscitado. (…) A intimidade da amizade com Jesus, que viram naquela luz, transformou o coração e o olhar dos três. Cada um, a seu modo, passou a ver tudo e todos com a mesma compaixão de Jesus. E as suas vidas tornaram-se sinal luminoso desse amor”, refere a apresentação desta peregrinação, que tem o objetivo de despertar as crianças em grupos de catequese para a mensagem de Fátima e dar-lhes a conhecer a vida e a espiritualidade dos santos Francisco e Jacinta Marto.
07/06/22 LUSA


Em pleno século XXI, é impossível a qualquer mente minimamente sensível e racional, assistir a este contínuo massacre de crianças indefesas e ficar absolutamente indiferente!
A doutrinação religiosa de crianças é uma flagrante violação de liberdade e personalidade!
A doutrinação religiosa de crianças tem que ser objeto de um amplo debate público para esclarecer as suas reais causas e sobretudo denunciar as suas nefastas consequências!
Nenhuma criança nasce devota de imagens de pedra, madeira ou gesso!
São influenciadas para acreditarem piamente em seres imaginários!
Pela envolvência simbólica do cenário e sofreguidão do discurso apresentado, certamente que muitas destas crianças idealizarão o seu “Senhor” e a maioria ficará plenamente convicta que realmente ali o viu!
É um assunto demasiado grave para não ser levado a sério!
Não se trata de transmitir inofensivas mentiras a inocentes crianças!…
Trata-se de transformar mentiras em verdades inquestionáveis com o vil propósito de manter acesa a chama da religião… até se tornarem adultas… úteis e rentáveis aos doutrinadores!
Trata-se de incutir mentiras em inocentes antes de alcançarem discernimento racional ou terem acesso a informação fatual, o que lhes pode acarretar graves consequências para o futuro.
A maioria destas crianças, ao chegar à idade adulta, acreditará incondicionalmente nestas falsidades e deixará de ter capacidade crítica para as questionar.
Cegarão… não terão sequer consciência da cegueira que as condenará a uma dependência e subserviência total aos doutrinadores, ocultos sobre o manto de entidades supremas e divinas.

“Gostei muito de ver Nosso Senhor”…
(…)
“Em Fátima, três crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta), tornaram-se testemunhas de um encontro profundo com Cristo Ressuscitado. (…)

No caso acima apresentado pela LUSA, o objeto de doutrinação infantil é precisamente a “visão” de uma pobre criança de 9 anos, um dos “videntes”, usado e exorbitado na construção da mentira que agora se pode obviamente constatar.

O objetivo da doutrinação infantil?!
Neste caso em concreto, obviamente prolongar no tempo a mentira de Fátima, também ela sustentada sem o mínimo pudor na inocência de três pobres crianças… hoje principal fonte de rendimento da Igreja em Portugal e fundamental para a sua sobrevivência.

O objetivo geral da doutrinação de Fátima?!
João Ilharco revelou-o (denunciou-o) melhor que ninguém:

“O sobrenatural de Fátima foi obra de um pequeno grupo de eclesiásticos, inteligentes e ousados, que tinham contra o regime republicano, implantado em 1910, grandes ressentimentos.
A República reduzira a importância social do clero e os seus rendimentos, e isso levou os padres a hostilizarem abertamente o novo regime, tanto no púlpito como fora dele.
E se eclodisse em Portugal um fenómeno sobrenatural, capaz de causar alguns engulhos a republicanos e livres-pensadores?
Usando de prudência e de absoluto sigilo, dois ou três eclesiásticos começaram a estudar um plano de atuação -e desses conciliábulos nasceram as aparições da Cova da Iria, na freguesia de Fátima, distrito de Santarém.
Os autores do sobrenatural de Fátima pretendiam alcançar três objetivos imediatos:
– Tentar a fundação de uma nova Lourdes, que conservava então o primeiro lugar entre os centros de peregrinação do mundo católico.
– Arranjar uma copiosa fonte de receita para a propaganda católica.
– Fazer de Fátima uma arma contra o regime republicano, implantado em Portugal em outubro de 1910.”

O fim último desta doutrinação é obviamente o lucro. O autêntico “deus”: O DINHEIRO!
Uma ilusão fundamental à continuidade e à sobrevivência da religião!
Criar, perpetuar e explorar uma ilusão até ao limite… até que o povo finalmente abra os olhos e desperte para a realidade dos factos. Há custa de muito sofrimento… é inegável!
Enquanto o interesse do estado/clero continuar a prevalecer sobre o interesse destas inocentes crianças, que ainda não têm capacidade para distinguir a fantasia da realidade…
A doutrinação continuará…
A mentira perdurará…
É evidente que não basta apenas ler e entender os factos… não basta apenas ficar indignado…
É preciso agir em defesa dos doutrinados, dos que realmente sofrem as trágicas consequências desta doutrinação infantil…

As crianças!
Afinal, “o futuro são as crianças!”


AGORA ATEU (I), 2022-06-29 Carlos Silva


Nota: Peregrinação das crianças 2025

Imagem: Santuário de Fátima