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13 de Maio, 2007 Carlos Esperança

13 de Maio – uma farsa de 90 anos

Ontem, em Roma, eram quinhentos mil levados e acirrados por padres e monsenhores, a crocitar e uivar contra a proposta de lei que admite as uniões de facto e homossexuais. Eram a voz do ódio à diferença, da intolerância aos outros, do medo de si próprios e da sua insegurança.

Hoje, um número idêntico cantava e rezava na Cova da Iria, apaziguando temores, cumprindo promessas e mendigando graças. Virados para a Virgem de cujo barro só chega o silêncio e a indiferença da matéria inerte de que a fizeram, solicitam favores, abandonam pertences, por conta, e, na histeria própria das multidões e do ambiente prometem voltar.

Alguns chagaram os joelhos e muitos tinham os pés gretados e as pernas inchadas. Até a menina inglesa lhes serviu de inspiração para os pedidos com que esqueceram os seus.

Da padralhada veio a bênção, a missa, o terço e a procissão, mas do andor apenas chegou a mudez do barro e o fulgor das tintas que refulgem na intensidade das luzes.

Os manifestantes de Roma reclamaram o Inferno para os legisladores tolerantes e justos, os de Fátima pediram um pedaço de Céu nas agruras da Terra, uma centelha de Deus na vida de sofrimento e angústia.

Da catarse colectiva que ali os levou, resta a recordação do espectáculo grandioso das multidões, o folclore dos vestidinhos eclesiásticos, o deslumbramento dos simples com uma estátua de barro a viajar numa padiola e a vastidão de lenços a adejar à passagem do pedaço de barro pintado, em forma de mulher vestida até aos pés e com os cabelos cobertos, a ensinar a forma de trajar feminina.

Terminada a feira, regressam os peregrinos à tristeza quotidiana e às dificuldades de sempre, à espera de graças que não chegam e de milagres que não acontecem.

É a fé.

12 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Religião e morte

Lê-se e não se acredita. Vêem-se as fotografias e, entre a raiva e o asco, maldiz-se o mundo, a crueldade e a intolerância.

«El País» dá-nos conta de uma jovem de 17 anos que se apaixonou por um muçulmano e que, por amor, para casar com ele, se converteu ao Islão.

De volta a casa, dois mil curdos de uma seita satânica a que a adolescente pertencia, aguardavam para a matar. À pedrada, como manda a tradição e a honra das famílias. Demorou 30 minutos a agonia de uma vida enquanto o corpo era dilacerado.

A seita – esclarece «El País» – é uma mistura de judaísmo, cristianismo e islamismo, com numerosas regras para ambos os sexos. Os homens não podem lavar-se – nem a cara -, ou barbear-se, e as mulheres são impedidas de aprender a ler e escrever. E o azul é uma cor proibida.

O céu e o mar estão proibidos onde se vive sem azul e morre com o vermelho do sangue próprio. Nenhum credo perdoa ao apóstata.

Parece que adoram o Diabo, a face oculta de Deus, a intolerância dos preconceitos que fazem parte do ADN e constituem a matriz genética de todos os fanatismos.

Fala-se de tradição e há um sobressalto de horror que assoma nos que se libertaram da cultura da morte. Em nome dos costumes, há uma memória colectiva que, de tempos a tempos, nos assalta na orgia de horror e sofrimento que os preconceitos alimentam.

Neste Inferno que a superstição alimenta são sempre mulheres as vítimas da crueldade, as preferidas dos deuses para o sofrimento, designadas pelos hierarcas para expiarem os pecados originais e as culpas colectivas que a demência inventa.

Raios os partam.

DA/Ponte Europa

12 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Correio dos leitores – Cumplicidades com a ICAR

Sou um ex-aluno da Universidade de Aveiro. Formei-me nesta bela instituição de ensino superior há poucos anos.
Sempre senti orgulho da minha universidade (duplamente até, porque não só sou formado por ela, mas também sou aveirense), até há 4 dias atrás.

Ao ler um jornal da região, vi que a tradicional “Bênção das Pastas”, este ano, foi realizada em pleno campus universitário, na chamada “Alameda da Universidade”.
Apesar das minhas fortíssimas convicções ateias, não me oponho à liberdade das pessoas (liberdade é aliás, na minha opinião, um dos grandes estandartes dos verdadeiros ateus e humanistas seculares). Quem quiser abençoar a sua pasta, que o faça à vontade. Considero um acto assente na mais pura estupidez e ignorância, mas se é disso que gostam, façam favor.

O que me irrita profundamente, é ver uma cerimónia religiosa, com a presença oficial do bispo de Aveiro, a ser realizada no terreno de uma instituição de ensino. Já para não dizer ensino superior. E pior ainda, ensino superior público. Porque se a Universidade Católica quisesse fazer o mesmo, obviamente não podia criticar. É privada e intimamente ligada à Igreja.
O mais incrível é que o seminário de Aveiro, onde treinam os novos atiradores de hóstias, fica a não mais que 500 metros do local onde foi realizada a cerimónia.

Enviei prontamente um e-mail dirigido à reitora da Universidade de Aveiro, em nome pessoal, como ex-aluno, a questionar as razões para permitir a realização de uma cerimónia religiosa num local de ensino superior público.

Surpresa das surpresas, até este momento não recebi qualquer resposta.

Aproveitei também para enviar um e-mail à secção “Nós por cá” do Jornal da SIC. Também não obtive resposta.

É incrivelmente triste ver que neste país, o que aconteceu no campus da Universidade de Aveiro é visto como algo perfeitamente banal, normal e aceitável. Duvido que a reitora ou a SIC se dignem responder.
Para ambos, nada de mal aconteceu certamente.

Aproveitemos o 13 de Maio para rezar à virgem que os meus e-mails obtenham resposta.
Se entretanto houver desenvolvimentos, manter-vos-ei informados.

a) João Brandão

12 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Supermercado da fé

A feira anual da fé tem este ano o atractivo suplementar dos números redondos. Faz 90 anos que a burla levantou voo depois de aterrar a Virgem numa azinheira, um anjo nas pastagens e o catecismo terrorista na cabeça de três crianças.

A luta contra a República e o ódio à separação da Igreja e do Estado e à instituição do divórcio, levaram a padralhada ao desvario e os rurais embrutecidos nas paróquias ao desespero pio.

Valeu-lhes a Virgem e o Anjo, caídos do Céu, que andavam a passear na Cova da Iria e encontraram três inocentes criancinhas. Até o Sol ajudou, com as cambalhotas, o circo místico ali montado.

A Lúcia, a mais mitómana, via e ouvia aquela que disse «Eu sou a Nossa Senhora». A Jacinta só ouvia e o Francisco não viu nem ouviu mas todos sabiam que, para reparar o humor divino, o terço era a arma terapêutica, o amuleto de eleição, o argumento para que Deus tramasse os portugueses dando longa vida ao seu enviado – Salazar.

Amanhã, dia 13, Fátima será o enorme cinzeiro da fé, um recipiente cheio de beatas, com cheiro a incenso e a estearina, com uma multidão de parasitas da fé a borrifar peregrinos com hissopes de prata e a fazerem cruzes no ar com anelões de ametista.

Em Fátima viajam báculos, esvoaçam mitras e, dentro de vestidinhos de púrpura, alguns cardeais abanam custódias, distribuem hóstias, debitam orações e alinham a coreografia que estimula os crentes a deixarem os ouros e os euros numa ansiedade mórbida de se inscreverem no Paraíso.

Os padres dirigem o espectáculo com o profissionalismo de grandes ilusionistas e com a certeza de que as autoridades não interferem no negócio.

Se fossem ciganos a vender roupa contrafeita na Feira do Relógio apareciam polícias a apreender a mercadoria e a multar os comerciantes, mas aos padres ninguém controla a qualidade das hóstias, a higiene do fabrico e a validade da consagração.

Um cardeal não é um cigano que precisa de sustentar a família, é um agiota que alicia os supersticiosos para deixarem as alianças e os cordões à guarda da Virgem em troca de bênçãos para nutrir a alma. Um bispo não é a bruxa que alivia a carteira da mulher que o marido abandonou e a livra do mau olhado, é o artista que usa a mitra e o báculo como garantia de uma assoalhada no Paraíso para a alma de quem lhe beije o anelão.

Deus é pretexto para espoliar crentes e encher de bolhas os pés e de chagas os joelhos dos peregrinos.

11 de Maio, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Cruzada ao piercing

Dementes jovens alienados pelos esgotos psicológicos que se formam no Vaticano e desaguam um pouco por todo o mundo, decidiram enveredar por uma cruzada contra o piercing. Dor de cotovelo em relação à liberdade, deambulam pelas sombras exteriores ao Vaticano em busca de presas, tentando roubar-lhes os piercings em troca de um rosário. Pirómanos, tal descendência católica confere, tencionam fazer churrascos de piercing, não em lenha que não derrete, antes em fornos talvez.

Pelas ruas importunam transeuntes com as suas blasfémias e esquizofrenias, debitando orações e distúrbios psicopáticos, apregoando a profundidade que um rosário acarreta, não sendo da conta de ninguém, nem tão pouco interessante saber os seus gostos de inserções anais com rosários. A vida é deles, e dos rosários façam o que quiserem, a profundidade onde chega não é bonito de saber, muito menos de ver. Metam cilícios nas pernas e rosários no ânus, contra isso nada.

São 10 mil os Papaboys, saudosos da Cruzada das Crianças de 1212, ainda não conseguindo os feitos, muito menos o número e seguidores, ainda menos o número de mortos e escravizados. Se a moda pega não há quem os ature, até porque não estão previstas acções idênticas, mas nos objectivos antagónicos, não andarão pelas Igrejas pessoas como eu a atemorizar os crentes com suas cruzes, especialmente por que existe um factor muito contrário ao destes lunáticos, chamado de vida própria.

Estas pobres criaturas insultam a inteligência com os seus lixos sonoros, tentando alienar os outros com as suas alienações. Piercings existem desde o Antigo Egipto, desde os Maias. Reflectem várias culturas, várias espiritualidades, diversas formas de significância. Adornos que podem adquirir vários significados, que obviamente ultrapassam em muito as suas minúsculas inteligências.

Piercings no umbigo já usavam as mulheres da família real no Antigo Egipto, muito antes de existirem catolicismos e barbaridades intelectuais e físicas semelhantes. Cultura e bom senso inexiste nos esgotos católicos, que construam fossas nos seus próprios estabelecimentos pois as sociedades laicas não são obrigadas a consecutivamente os encaminhar para estações de tratamento de águas residuais.

Se ao recolherem piercings para os mandar para o churrasco incomoda, não lhes passe pela cabeça sequer pensar em fazer o mesmo com as tatuagens.

Também publicado em Ateismos.net e LiVerdades

11 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Lula da Silva recusa submissão ao Vaticano

Carácter “laico” do Estado brasileiro salientado por Lula da Silva

«O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva recusou a proposta feita pelo Papa Bento XVI para assinatura de um acordo que concedesse à igreja católica condições favoráveis no país, noticia hoje a imprensa local.
Segundo o jornal Folha de São Paulo, Lula da Silva terá salientado ao Papa o carácter “laico” do Estado brasileiro, durante o encontro que ambos mantiveram na quinta- feira, em São Paulo.»

11 de Maio, 2007 jvasco

Ateísmo na Blogosfera

  1. «Muitos preferem a humanidade criada pelo artifício de vontade alheia em vez de algo que evoluiu pelos seus atributos. Alegam que a maravilha da natureza testemunha a magnificência do seu deus, mas a maravilha não lhes chega. O Homem tem que ser melhor ainda. Tem que ter coisas que nem esse deus conseguiu incluir na natureza. E isso parece-me uma grande treta.

    Por um lado, subestimam a natureza. O Homem não pode ser só átomos porque átomos são incapazes de pensar, sentir e ter vontade. A diversidade de comportamentos humanos refuta a nossa natureza biológica. Mas a diversidade é característica do ser biológico. Quem os tem sabe que até cães e gatos são indivíduos distintos e com personalidade. Aprendem, adaptam-se ao ambiente em que vivem, reagem, interagem, e agem por vontade própria. […]

    Cada organismo é uma complexa interacção dos seus átomos e dos átomos que o rodeiam. Um átomo sozinho faz pouca coisa, mas com átomos a interagir há fotossíntese, o voo das aves, o sonar dos morcegos, alcateias de lobos. Há vida. Até recentemente, por ignorância, insistia-se que a matéria nunca poderia ser viva. Afinal, um átomo não é vivo. Pois um átomo também não é molhado e a água é. Um sistema complexo de átomos pode ser vivo. Agora é a vez de negar à matéria a liberdade, a ética e a consciência. Outra vez por ignorância. […]

    O Homem é um mamífero esperto, mas com ilusões de grandeza. Tem um cérebro enorme, linguagem e capacidades que os outros animais não têm. Mas é normal na natureza que os organismos se especializem. Outros há que vêem, correm, nadam, mordem ou ouvem melhor que nós. E se a matéria faz tudo o que os outros animais fazem pode muito bem fazer o que nós fazemos.»Treta da semana: à imagem de Deus.», no Que Treta!)

  2. «Como escreveu o Carlos, “Ciência em palco significa trazer a ciência para diante dos nossos olhos, para o palco das nossas atenções, fazê-la passar para a sociedade. É, portanto, uma forma, uma das melhores formas, de fazer cultura científica.”

    Eu acrescentaria que ciência em palco é uma forma privilegiada de unir as duas culturas, de abrir as portas da comunicação que urge escancarar para que a ciência permeie a sociedade, seja discutida em mesas de café e, como consequência, obste ao proliferar de obscurantismos sortidos.» («Darwin e o canto dos canários cegos», no De Rerum Natura)

  3. «Depois, para simbolizar o quanto ela tinha desonrado a religião yezidi por namorar com um rapaz sunita e, por isso, por ter ofendido também toda a sua família, os homens rasgaram-lhe as roupas à força e despiram-na completamente.
    Nas imagens seguintes vê-se a menina deitada no chão, já completamente nua, rodeada por um mar de sangue, com cabeça esmagada, a sua cara de menina inocente já irremediavelmente desfigurada pelas pedras.
    Já não grita..
    »(«Adeus, Du’a!», no Random Precision)
11 de Maio, 2007 Ricardo Alves

A ICAR é pobre?

Muitos responsáveis da ICAR gostam de dizer que «a igreja é pobre». Ai sim? Se é pobre, como será possível que tenha 60 milhões de euros (12 milhões de contos em moeda antiga) para pagar uma basílica faraónica como a que está a ser terminada em Fátima?

Vejamos quanto são 60 milhões de euros: 60 milhões de euros seriam suficientes para financiar 15% do que o Estado gasta anualmente em Ciência e Tecnologia; ou para subsidiar 60% do orçamento anual da Fundação Calouste Gulbenkian; ou para pagar dois anos inteiros de orçamento de uma Câmara Municipal como Beja; ou ainda para pagar dez salários anuais a um jogador de bola como Luís Figo.

E depois disto ainda vão dizer que a ICAR não apenas é pobre, como só gasta dinheiro em «assistência social»… Haja paciência.