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11 de Julho, 2012 Luís Grave Rodrigues

11 de Julho, 2012 Carlos Esperança

Ateus, créus e amigos da hóstia

Nunca me permiti fazer um comentário desprimoroso ou ofensivo num site religioso. Jamais seria capaz de denunciar as mentiras pias num local pio ou de negar a eficácia da água benta e do incenso ainda que aí seja alvo de ataques.

Não me permitiria denunciar o passado crapuloso de vários papas e numerosos santos nem a superstição e embustes promovidos pelo negócio dos milagres. Seria intolerável escrever num sítio islâmico que Maomé era apreciador de crianças ou que Cristo nasceu da relação de uma pomba (ou pombo?) com uma judia.

No entanto o Diário de uns Ateus, cujo nome não engana, está cheio de insultos de intrusos cuja linguagem de sacristia contraria a prescrição cristã de dar a outra face como dizem ser seu dever. Mais uma mentira que 2 mil anos desmentem.

Vêm aqui, cheios de proselitismo, a dizer que o fundador da seita veio ao mundo para «nos» salvar, como se alguém lhe tivesse pedido, e sem se perceber o atraso no negócio da salvação, com pouco mais de dois mil anos. Antes desse judeu, que ganhou a vida a fazer milagres, já tinham vivido milhões de seres humanos que não foram salvos e que não souberam o que era o batismo ou a eucaristia, sacramentos rentáveis para a ICAR – multinacional da fé.

O Diário Ateísta ou o Diário de uns Ateus é, como o nome indica, um espaço de denúncia das mentiras e crimes das várias religiões. Assim continuará enquanto existir. A referência comum dos colaboradores é a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

10 de Julho, 2012 Administrador

IMPORTANTE: MUDANÇA DE DOMÍNIO

Informamos que, a partir deste momento, o blogue que até aqui era o Diário Ateísta passa a chamar-se Diário de uns ateus e muda o seu domicílio para o domínio diariodeunsateus.net.

O actual domínio ateismo.net e o Diário Ateísta manter-se-ão em funcionamento, mas mudarão de linha editorial dentro de algum tempo.

Os leitores que nos acompanham através dos leitores de feeds continuarão a receber os nossos artigos.

Obrigado pela vossa compreensão.

10 de Julho, 2012 José Moreira

“Graças a Deus”

A TV passava um excerto de reportagem acerca da violência doméstica. Uma vítima, alvo de uma série de facadas por parte do ex-companheiro, relatava dos detalhes da agressão. E elucidava (cito de memória):

– Os médicos disseram que ele (o agressor) procurou os locais de modo a causar-me a morte. Ele queria matar-me.

A seguir, ergueu os olhos ao alto e concluiu:

– Graças a Deus, estou aqui.

Dei comigo a pensar: “Graças a Deus”, porquê? “Graças a Deus” que está viva, ou “graças a Deus” que o companheiro a agrediu? Na primeira hipótese, o tal Deus não poderia ter evitado a agressão? Se sim, por que não o fez? Se não, dar-lhe graças porquê (Epicuro não perguntaria melhor)?

Na segunda hipótese: assim, já se entende. Basta ler, por exemplo, Efésios:

22 – Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao senhor;

12 – Porque o marido é a cabeça da mulher…

 

Hummmm; assim, já se compreende. Ou obedeces, ou…

9 de Julho, 2012 Carlos Esperança

Quem inventou Deus ?

‘Partícula de Deus’ é maravilha do Criador, afirma bispo do Vaticano.

Ele acrescentou: ‘se ela, a partícula, está aí, é porque alguém a colocou’

A Igreja Católica está tentando capitalizar a descoberta do bóson de Higgs, um extraordinário avanço da ciência, como sendo mais uma evidência da grandeza de Deus, ao se julgar pelas palavras de dom Marcelo Sánchez Sorondo, teólogo e chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, do Vaticano.

Ao comentar a descoberta anunciada na quarta-feira, Sorondo disse que a “partícula de Deus”, como é chamada popularmente o bóson de Higgs, “demonstra que a criação é algo maravilhoso”. E acrescentou: “Se ela [a partícula] está aí, é porque alguém a colocou.”

Comentário: Para os bispos, Deus é a explicação por defeito para todas as dúvidas.

9 de Julho, 2012 José Moreira

“Alá é grande”

A barbárie religiosa não tem limites. Deus, seja o dos católicos, seja o dos islâmicos, seja o dos judeus, seja o do raio que os parta a todos, é a justificação perfeita para que se continuem a perpetuar as maiores barbaridades. Desta vez, foi no Afeganistão. Mas podia ser em qualquer outra parte do Mundo. Porque o deus é “grande”, seja onde for. Principalmente, onde convier.

Em simultâneo no “À Moda do Porto”.

9 de Julho, 2012 Ricardo Alves

O «Prós e Contras» de hoje promete

Décadas inteiras a fazer contas complicadas, a montar experiências complexas e a analisar dados, para afinal tudo ser reduzido a um rodapé religioso. Ah, pois. Porque a Física é um ramo da teologia, e ninguém melhor do que os padres para explicarem o triunfo do modelo padrão. Se «manipulação» e «aproveitamento» significam alguma coisa, o programa de Fátima Campos Ferreira promete hoje elevar esses conceitos a novas alturas. Dedico-lhes a imagem abaixo.
Nota: o bosão de Higgs passou de «partícula deus que a carregue» a «partícula divina» graças(!) a este livro.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
8 de Julho, 2012 Carlos Esperança

Os castrati

Por

Kawkaz  

O jornal Público publicou um artigo muito interessante sobre os castrados em nome da arte do canto que se praticou na Europa cristã e em Portugal no século XVIII.O trabalho tem a assinatura de Cristina Fernandes.

Ela conta-nos, e vou reproduzindo algumas partes desse texto, que no período barroco os homens castrados dominaram nos principais palcos europeus e deliciavam com os seus cantos e vozes especiais as cortes dos reis, as igrejas e os teatros.

Em Portugal haveria muitos cantores castrados italianos ao serviço dos teatros e da Capela Real e Patriarcal no século XVIII. Menos conhecido será o facto de também terem existido castrati portugueses e de que essa prática desumana em prol da arte do canto e do eventual êxito de uma carreira futura também ocorreu entre nós.

O culto da beleza vocal sobrepunha-se à crueldade da operação a que os jovens cantores do sexo masculino eram submetidos antes da puberdade no intuito de preservar o registo vocal agudo das crianças durante a vida adulta. Impedia-se assim o desenvolvimento da laringe e das cordas vocais, mas não o crescimento do resto do corpo e da caixa torácica, o que permitiria sustentar notas longas por muito tempo. A visibilidade dos castrati como superestrelas da ópera faz por vezes esquecer que as suas primeiras funções se encontram ligadas à música sacra. A Capela Sistina empregava-os pelo menos desde meados do século XVI, o mesmo acontecendo com algumas catedrais espanholas ou com a capela da corte de Munique no tempo de Orlando di Lassus. Mesmo num país como a França, cuja tradição operária era alheia a esta prática, eram contratados castrati para a Capela Real de Versalhes nos meados dos séculos VII e XVIII.

Em Portugal o uso de castrati na música religiosa e na ópera encontra-se documentado a partir do reinado de D. João V. A importação regular de cantores italianos (cerca de 140 entre 1750 e 1807), dos quais dezenas eram castrati, prosseguiu nos reinados de D. José e D. Maria I e durante a regência de D. João VI. E quando a corte se transferiu para o Brasil em 1807, na sequência das invasões francesas, o Príncipe Regente continuou a contar com castrati na Capela Real do Rio de Janeiro.

Os estatutos do Real Seminário de Música Patriarcal (1764), a principal escola de música em Lisboa antes da criação do Conservatório em 1835, mencionam que a idade de admissão dos alunos deveria ser de oito anos, podendo ingressar posteriormente no caso de já saberem música ou se fossem “castrados, com voz de soprano ou alto”.

Ao contrário dos seus colegas italianos, nenhum dos alunos do Seminário Patriarcal identificados como castrati fez carreira operática, mas tiveram cargos profissionais respeitáveis no âmbito da música sacra ou do ensino.

Após ter assistido à cerimónia da sagração da primeira pedra da Igreja da Memória em 1760 (celebrada pelo patriarca na presença da família real e do Marquês de Pombal), o italiano Giuseppe Baretti escreve ironicamente: “Terminou a missa e terminaram a fefautada e a rabecada de um bom número de castrados e de instrumentalistas, dos quais se mantém na corte um número muito superior ao dos professores de Letras de Coimbra.”

A Igreja Católica e a Monarquia encantava-se com o canto dos castrados e os “Direitos Humanos” não faziam parte da inspiração de “Deus”!

P.S. Não havendo qualquer relação com castrati proponho-vos a audição do
Contratenor Philippe Jaroussky em “Vivaldi aria”.