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25 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

O Papa, a criação de cardeais e a de frangos

É mais fácil criar cardeais do que criar frangos. Os primeiros são mamíferos e mamam a vida inteira; os segundos são granívoros e, em liberdade, fazem pela vida esgaravatando a terra; os cardeais usam o báculo e a mitra para ganharem a vida faustosa; os frangos servem-se do bico e das unhas para sobreviverem.

Os frangos servem para alimentar as pessoas; os purpurados alimentam-se delas. Quem cria os galináceos são as donas de casa que decidem quando os depenam, chamando-os ao som do piu!, piu!; os cardeais são criados pelo Papa que os chama em latim e decide quando podem depenar a diocese. Há bispos que perdem a cabeça por causa da mitra e frangos que perdem a vida por causa da mitra, que é a sua parte mais saborosa, mas têm destinos diferentes.

O papa B16 criará no próximo sábado seis novos cardeais vindos de várias partes do mundo. O número de frangos criados no Planeta são milhares de milhões que abanam a crista; os cardeais são em número reduzido e agitam o Cristo. Os frangos dão belos churrascos que deliciam os gourmets; os cardeais abdicaram do churrasco dos hereges porque a secularização lhes reduziu os poderes.

Um frango distingue-se de um cardeal porque o primeiro reveste o ânus com a mitra e o segundo cobre com ela a cabeça. A criação de frangos é universal e transversal a todas as religiões; a de cardeais é exclusiva do Papa e a capoeira é o Vaticano.

Não é preciso ser erudito para distinguir um galo de um cardeal. A utilidade e o volume são diferentes.

24 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

Ateus, crentes e livre-pensamento

Os ateus não reivindicam superioridade moral. Não é a crença que faz alguém melhor nem o ateísmo que torna qualquer um pior. A influência do meio ambiente, a educação recebida, a instrução que se adquire e a matriz genética, fazem os homens. Os homens são eles próprios e a sua circunstância, como disse Ortega y Gasset.

Há crentes que visitam o Diário de uns Ateus e que demonstram tolerância, espírito de diálogo, sentido crítico e respeito pelos valores humanos. Mas isso não faz respeitável a sua religião nem universais os seus valores e, muito menos, prova a existência de Deus. Apenas faz deles cidadãos respeitáveis ou mesmo exemplares.

O Diário de uns Ateus procura preservar alguns valores que as religiões combatem – a liberdade individual, a laicidade do Estado e tratamento igual para todos os cidadãos, independentemente do sexo, da religião e da raça. É surpreendente que os crentes se não interroguem sobre a geografia das religiões e não reflitam sobre como se distribuem os credos pelo planeta e à custa de quanto sangue.

Outro aspeto inquietante é o facto de todas as religiões defenderem tratamento igual quando são minoritárias e afirmarem que «não de deve tratar de forma igual o que é desigual» quando são maioritárias – argumento usado até à náusea em Portugal, pela ICAR, na negociação da Concordata.

A religião só não é mais repressiva porque não tem força suficiente. A cada conquista exige sempre mais. Não dispensa o batismo de crianças de tenra idade, não desiste de tornar obrigatório o ensino religioso na escola oficial, interfere através das associações que domina nos conteúdos e programas escolares e no comportamento social dos que não são crentes. Condiciona o aparelho de Estado e influencia as leis.

A possibilidade do divórcio entre casais que contraíram matrimónio católico só foi possível depois do saudoso ministro da Justiça Salgado Zenha ter ameaçado com a denúncia da Concordata. As Escolas do Magistério Primário, até ao 25 de Abril, tinham uma cadeira de Religião Católica, igual a qualquer outra, que exigia nota positiva para a obtenção do diploma de professor. Ninguém era dispensado da missa de consagração do curso, da bênção da pasta e da fotografia com o bispo da diocese. Ninguém podia ser professor sem praticar a religião católica, embora a lei não fosse clara a esse respeito.

A admissão em Escolas de Enfermagem exigia um certificado de batismo católico e o atestado de bom comportamento passado pelo padre da paróquia de nascimento. Eram documentos necessários. E, no fim do curso, lá vinha a bênção, a missa da consagração e outras pias violências a que tinha de se sujeitar quem precisava de ganhar a vida.

Para conter a violência clerical é preciso uma vigilância constante. O combate às religiões e o direito à blasfémia são necessários para a preservação da liberdade de pensamento que as igrejas se esforçam por erradicar.

 

23 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

Petição pelos direitos das minorias

Urge assinar uma petição contra a pena de morte para gays no Uganda. Recentemente, sob intensa pressão global, o parlamento ugandês retirou seu apoio à aprovação da pena de morte para gays. Mas essa lei hedionda está prestes a voltar para o parlamento.

Temos poucas horas para recolher um milhão de assinaturas contra esse projeto de lei — coloque seu nome agora e passe adiante!

http://www.avaaz.org/po/uganda_stop_gay_death_law/?kZMEGab

 

22 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

O papa, a vaca e o burro

Quando se perde a fé na vaca e, sobretudo, no burro, duvida-se do martírio do seu deus. Este papa veio transformar uma estrebaria numa mentira pia. Em vez da manjedoura e da palha requisitou uma gruta para maternidade da estrela da companhia.

Jesus, que nasceu em ano diferente do que afirmam as escrituras e em local diverso do que a profecia prometia, fez as delícias das crianças com a vaca que o aquecia e o burro que o adorava perante o espanto comprometido de S. José.

Não é provável que o burro seja substituído por um doutor nem que a vaca dê lugar ao aparelho de ar condicionado. Jesus, um judeu que viveu de expedientes, de milagres e pregações, atividades que proliferam em tempos de crise, jamais imaginou a lenda que a seu respeito seria urdida e, muito menos, o negócio a que daria origem.

Se era mentira pia a falsidade secular, não se distinguia das outras que alimentam a fé dos simples e os interesses do Vaticano. Quis o Papa fingir a correção de um engano e acabou por semear dúvidas na credulidade dos devotos e sorrisos nas faces dos incréus.

Não sei se nevava em Nazaré, onde seguramente Jesus não nasceu, nem se as estrebarias tinham ar condicionado ou os reis magos viajavam tendo as estrelas como GPS, mas sei que a Inquisição não teria deixado de grelhar quem pusesse em dúvida tais mentiras que outros infalíveis papas impunham como verdades.

B16 anda perdido. Escondam-lhe a água benta. Confisquem-lhe o hissope. Guardem-lhe o bordão. Vistam-no normalmente. Arranjem-lhe um atestado e ponham-no de baixa ou dêem-lhe a reforma e atribuam-lhe uma pensão.

Se continua a explorar as mentiras pias acaba por dar com os beatos em malucos e pôr as pessoas cautas a rir a bandeiras despregadas.

 

22 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

Deus é um holofote

… ou a senilidade a que um Papa infalível pode chegar.

Deus “não é absurdo”, mas uma realidade misteriosa, às vezes, obscura por ser justamente deslumbrante, declarou nesta quarta-feira o papa Bento XVI durante uma audiência geral semanal no Vaticano, em um novo debate sobre a aliança entre a fé e a razão.

“Misterioso, Deus não é absurdo. Se diante do mistério a razão vê apenas escuridão, não é devido à ausência de luz, mas a seu excesso”, disse o Papa teólogo para sete mil fiéis reunidos no grande salão Paulo VI.

22 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

O Papa perdeu a fé na vaca e no burro

Por

Kavkaz

O Papa Bento XVI escreveu mais um livro para os crentes comprarem. Desta vez aborda a “A infância de Jesus” e revela que os católicos têm sido enganados desde que aderiram ao catolicismo. Segundo Ratzinger, Jesus nasceu numa gruta, mas não haveria lá animais. A famigerada vaca e o burro que aqueceram Jesus não existiram. Foi uma invenção e os criadores serão, sempre os mesmos, os hebreus do século VII.

Esta revelação, que os Papas antecessores, todos inspirados pelo “Espírito Santo, nunca imaginaram, faz questionar-nos sobre o que ainda iremos saber sobre a história mal contada da Bíblia. Depois de o Papa já ter anulado o Purgatório, chegou a vez de acabar com os animais do presépio.

No seu novo livro, o Papa reitera que Jesus era filho de um extra terrestre e de uma mulher virgem, sem nos explicar a técnica utilizada, a da fecundação pelo “Espírito Santo”. Ficamos, assim, a saber que Jesus seria meio deus, pois Maria não era deusa, mas mulher prometida ao carpinteiro José. E este foi ultrapassado por um “Todo-Poderoso”. Coitados dos fracos…

O Papa Bento VI, muito interessado na vida sexual da mãe de Jesus, passados dois mil anos, afirmou que ela era mesmo virgem. Esta é uma questão de grande importância e sobre a qual o Clero adora gastar o seu tempo em reflecção e investigação, um tema relevante para a ocupação celibatária do Vaticano.