6 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança
Os beatos rangem os dentes
9% dos espanhóis declaram-se ateus apesar dos constrangimentos sociais
9% dos espanhóis declaram-se ateus apesar dos constrangimentos sociais
A origem persa do maniqueísmo e a sua teorização em aramaico pelo próprio Maniqueu acabou por ser inerente aos três monoteísmos, para quem um defeito nunca vem só. Foi seu admirador Agostinho de Hipona, conhecido pelo epíteto de Santo Agostinho, que o difundiu vigorosamente, embora, mais tarde, tenha vindo a combatê-lo.
Para cada religião só há um deus verdadeiro – o seu –, sendo falsos todos os outros. Por isso, em boa verdade, todos somos ateus, limitando-se, quem se reivindica ateu, a negar apenas mais um e a considerar falsa uma religião mais do que o mais inexorável beato.
As religiões monoteístas têm ainda uma outra tara – o proselitismo –, exceto o judaísmo que, sendo isenta dessa, guardou para si outra: considera-se a detentora de um registo da Conservatória do Registo Predial Celeste (CRPC), que lhe garante a posse da Palestina com a assinatura do conservador Jeová sob o selo branco da estrela de David.
O judaísmo, o cristianismo e o islamismo, este numa fase de exacerbamento fascista, à medida que o falhanço da civilização árabe se agrava, influenciam largamente a política global e transmitem aos partidos políticos o carácter maniqueísta que divide e subverte objetivos que deviam ser comuns.
Na religião, o dissidente é herege e na política é um traidor. Um convertido é venerado numa e noutra e, na religião, facilmente se torna santo. Hereges, renegados e traidores são os que pagavam com a vida a obstinação de serem livres-pensadores. O iluminismo e a Revolução Francesa vieram abalar os alicerces do dualismo maniqueísta e, por isso, devemos-lhes mais do que a todas as religiões juntas. Vale mais uma página de Voltaire do que todo o Pentateuco.
O pluralismo, a rotatividade política e o direito de nos arrependermos do voto errado, e de o corrigirmos pacificamente, são conquistas recentes na história da humanidade. O direito divino era um castigo demasiado cruel para que os homens livres o aceitassem. Preferiram trocá-lo pela vontade popular expressa no sufrágio universal e secreto.
É altura de nos emanciparmos politicamente e deixar para a fé os interditos, os ódios e o proselitismo que são apanágio das religiões. A política precisa da diversidade e exige de todos um esforço para evitar que a riqueza seja apropriada por uma única classe ou por um bando que assalte o poder.
Para isso não podemos ser maniqueístas. Não há verdades absolutas. A não ser para os crentes.
Após o escândalo de documentos vazados, o Vaticano decidiu apertar medidas de segurança.
Em particular, cada funcionário terá um cartão de identidade com um microchip, informa o Daily Telegraph.
Os cartões com microchips, capazes de definir a localização do proprietário no palácio papal, serão introduzidos a partir do dia 01 de janeiro de 2013. Tais documentos ajudam também a controlar quando os funcionários vão e vêm. O endurecimento do controle tocará milhares de funcionários do Vaticano.
Diário de uns Ateus – É um Estado totalitário e a última ditadura europeia.
Milhares rodeiam palácio de Morsi para dizer que não querem Constituição islamista
Juízes apelam ao boicote do referendo de 15 de Dezembro, jornais não saíram nesta terça-feira em protesto contra “ditadura do Presidente”. Manifestação da oposição levou milhares de pessoas até Heliópolis para gritar “o povo quer a queda do regime”.
Diário de uns Ateus – Só a religião consegur converter em ditadura uma eleição democrática.
João César das Neves (JCN) voltou à cruzada contra o aborto e o casamento entre indivíduos do mesmo sexo.
Sofre como se um e outro fossem obrigatórios e parece temer que o primeiro tenha efeitos retroativos. Sangra-lhe o coração por, nas últimas eleições americanas, três estados terem votado a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo; dilacera-se-lhe a alma porque na França a medida foi aprovada há pouco e na Nova Zelândia, Inglaterra e Escócia se preparara decisão idêntica.
O pio JCN, bem procura exorcizar os pecados com a defesa da moral eclesiástica mas o mundo, que julga criado pelo deus do Papa, é o que é e não o que o clero gostaria que fosse. Pelo menos, na lei.
Mas nada faz sofrer tanto o devoto JCN como os «milhões de embriões chacinados pelo aborto todos os anos». Nem se lembrou da médica dentista, de 31 anos, que os médicos deixaram morrer, com septicémia, porque a legislação da Irlanda os impediu de a salvar enquanto o feto teve batimentos cardíacos.
JCN é um talibã católico que quer impor aos outros a moral que julga de origem divina. Lastima-se, na homilia de hoje, no DN, da facilidade do divórcio, dizendo que «custa mais despedir a criada [sic] do que o marido». E, sem se benzer, acaba a queixar-se da ideologia antifamília que considera responsável pela baixíssima taxa de fertilidade, 1.3 filhos por mulher.
Na obsessão pela abstinência sexual – virtude que sempre recomenda –, JCN nem se dá conta de que a castidade é o método mais eficaz contra a prossecução da espécie.
O Alto Conselho do Audiovisual (RTUK) turco aplicou uma multa de 22.600 euros ao canal de televisão CNBC-E devido à exibição de um episódio em que deus serve uma chávena de chá ao diabo.
No novo livro “A infância de Jesus”, Bento XVI escreve que os três Reis Magos não vieram do Oriente mas de uma região entre Huelva, Cádis e Sevilha, na atual Andaluzia.
Obs: Nada faz pior à fé do que a substituição de uma fábula por outra.
Vai grande agitação na comunicação social: o papa enviará o 1.º twit no próximo dia 10 e uma duquesa inglesa está prenha. O primeiro é o chefe de uma seita e a segunda é a mulher do futuro chefe de outra.
O Papa Bento XVI foi filmado a fazer festas num leão.
Um leão de dimensões seguras, claro. Uma irresistível cria em plena Santa Sé, a receber os carinhos papais.
Foi um dos momentos altos do dia do Papa, que recebeu em audiência no Vaticano cerca de sete mil artistas de rua, artistas de circo, malabaristas, dançarinos, palhaços, com certeza também.
Uma animação em São Pedro, agora que começa o mês do Natal e do circo.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.