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1 de Agosto, 2013 Carlos Esperança

Vai ser precisa muita benzina

Banco do Vaticano lança site em ação de transparência

Presidente Ernst von Freyberg disse que site vai publicar relatório anual.
Instituto para Obras de Religião tem sido alvo de várias investigações.

O banco do Vaticano inaugurou nesta quarta-feira (31) uma página na internet, em mais uma tentativa de melhorar uma imagem manchada por uma sucessão de escândalos e críticas por falta de transparência.

30 de Julho, 2013 Carlos Esperança

O sexo, a hipocrisia e a ICAR

“Quem sou eu para julgar os gays?”, disse o Papa Francisco, na primeira conferência de imprensa na viagem de regresso ao Vaticano.

***
Esta interrogação do Papa católico, ainda que fosse um gesto estudado para limpar a face da sua Igreja, destinado a atenuar a erosão moral causada por sucessivos escândalos, não deixa de marcar uma diferença abissal com a tradição romana e o seu antecessor.

Bento 16, ressentido da longa repressão sexual, nutria pela sexualidade a animosidade e o constrangimento que caracteriza a ICAR. Negar o sacerdócio a homens com «tendências homossexuais profundamente enraizadas» era espantoso em quem reclamava a castidade
Bento 16 não conhecia o desejo. Jamais percorreu um corpo, saboreou uma boca ávida ou sentiu o afago; não descobriu no seminário um púbere adolescente ou um diácono curioso; não contemplou, na paróquia, o cio de uma catequista; não sentiu, na diocese, o assédio de um presbítero ou a languidez da freira que lhe engomava os paramentos.

A raiva às mulheres e o desvario perante opções sexuais minoritárias remete para uma adolescência em que o pecado solitário é a única fonte de prazer e vergonha, o coito uma obsessão reprimida e a ejaculação noturna se tornou um remorso com sabor a genocídio.

Se, em vez de orações e jejuns, amassem, os vetustos inquisidores gostariam do amor.

A pergunta do Papa Francisco, “Quem sou eu para julgar os gays?”, traz uma mudança capaz de aliviar a infelicidade e dissimulação a que, durante séculos, a Igreja condenou parte da humanidade. Finalmente parece existir um pensamento humano sob uma tiara.

É justo saudar a leve brisa que parece percorrer os soturnos corredores do Vaticano.
absoluta. Que interessava a orientação sexual se era vedada a atividade?

Para Bento XVI o paradigma de sacerdote era um ‘homem com tendências heterossexuais profundamente enraizadas e nunca experimentadas’. Não admira. A ICAR nega à mãe do seu Deus o êxtase de um orgasmo e ao marido a consumação do matrimónio. Até o Deus mais velho da trilogia quis reduzir a reprodução a um trabalho de olaria.

29 de Julho, 2013 Carlos Esperança

O papa Francisco defende a “laicidade do Estado”

O papa Francisco surpreendeu claramente ao defender o Estado secular: “a coexistência pacífica entre as diferentes religiões fica beneficiada pelo estado secular, que, sem assumir como própria, nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade “.

Como se conciliam tais palavras, que admito sinceras, com o que se passa em Portugal:

– Isenções de impostos de que beneficia a Igreja católica Apostólica Romana (ICAR);
– Pagamento pelo Estado dos capelães militares, hospitalares e prisionais;
– Existência de uma disciplina de EMRC;
– Contratação de professores da EMRC, livremente nomeados e exonerados por bispos;
– Presença de cavalos, músicos e militares nas procissões e em outros espetáculos pios;
– Profusão da iconografia católica nas paredes dos edifícios públicos;
– Presença de sotainas em cerimónias do Estado;
– Designação pia de hospitais quando não há uma só Igreja com nome de políticos;
– Com restrições orçamentais, uma embaixada exclusiva para o bairro do Vaticano;
– Etc., etc., etc..

29 de Julho, 2013 Carlos Esperança

A fé e a prudência

O pára-raios na Igreja
Serve para lembrar aos ateus
Que um cristão, por mais que o seja,
Não tem confiança em Deus!

António Aleixo

PARA-RAIOS NA IGREJA

28 de Julho, 2013 David Ferreira

Hóstia dominical – VI

Deus é um produto da nossa mente. A nossa mente é um produto do nosso cérebro. O nosso cérebro é um produto da evolução. Como tal, Deus não pode ter existido antes de nós sermos. E sendo que só o que existe pode gerar, Deus é um produto do Homem e não este um produto de Deus.

28 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Auto da Barca do HM

AUTO DA BARCA DO HM*

Por

João Pedro Moura

 

– Ó da barca, para onde me levas?

– Para meu novo porto, mas de Senhor velho, viajante! Eu, H.M., ao leme… o porto é só meu!

– E que me ofereces nesta tua barca velha?

– Ora… isso mesmo… um vinho único e bom e bom petisco, de celeste aprisco!

– …

– …

– Chamas bom a este vinho, de sabor a pinho?! E petisco a este cisco?! De arisco e diabólico aprisco!…

– É tudo da minha capela, viajante! E só eu é que enfuno a vela!…

–  H.M., que porto é aquele de que afinal me afastas?! Não lá pastas?!…

– Por ora derivo, viajante! Não tenho divo, que me oriente!…

– Mas não governas capela???!!! Não és tu que enfunas vela???!! ! Que testas no teu porto novo???!!!

– Ora, nem novo nem velho testamento!… Mingua-me o tento! Já não aguento!…

 

*H.M. – Heteronimista Metastático:  apodo da mascote viscosa, deste Diário, em processo (abortivo…) de renascimento crédulo…