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1 de Outubro, 2013 Carlos Esperança

O fim da Inquisição em Portugal

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Por

João Farinha

A 1 de outubro, há 242 anos, Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) aboliu a Inquisição Portuguesa. Porém a sucessora, D. Maria, com a “viradeira” quebrou o progresso Iluminista e condenou os avanços que o líder progressista conseguiu para o nosso, então avançado, país…

1 de Outubro, 2013 Carlos Esperança

1 de outubro de 1936

Há 77 anos, Francisco Franco, líder da revolta antidemocrática conta a República espanhola, foi nomeado chefe de Estado.

Com a cumplicidade da Igreja católica, um dos maiores genocidas da Humanidade, morreu sem ter sido julgado, deixando inúmeras valas comuns cheias de cadáveres de adversários sumariamente executados durante o seu longo consulado.

Foi um dos rostos mais execráveis do fascismo internacional e a figura mais sinistra da Península Ibérica.

1 de Outubro, 2013 Carlos Esperança

A Espanha profunda continua católica e nazi

«Bandeiras pré-constitucionais, cartazes do ditador Francisco Franco, quadros com a efígie de José António, fundador da Falange, estandartes com a suástica nazi, panos com a caveira emblemática das SS Totenkopf… O colégio público Príncipes de Astúrias, de Quijorna, município de 3.000 habitantes governado pelo Partido Popular, converteu-se no sábado num mercado infindável da parafernália franquista e nacional-socialista numa dezena de stands encimados com a seguinte bandeira: “Saúde a Franco! Viva Espanha!”.

A presidente do município, Mercedes García, pediu desculpas. “Não havia nenhuma intenção de ferir os sentimentos de ninguém. Quando visitei a exposição, não me dei conta de que havia bandeiras pré-democráticas ou cruzes gamadas. Não ia com essa ideia de observar”, tentou explicar-se ontem. O PP conta com seis vereadores em Quijorna, para quatro do Grupo Independente de Quijorna e uma edil do PSOE».

(…)

(Traduzido do El País, de hoje)

1 de Outubro, 2013 Carlos Esperança

Aos pares é mais barato

Aos pares é mais barato !
E ainda leva o Walesa de brinde !!

João Paulo II e João XXIII declarados santos – Globo – DN

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30 de Setembro, 2013 José Moreira

Falta de visão…

Qualquer papa que se preze, logo que passa para as mãos do defunteiro só tem uma preocupação: tratar de obrar o maior número possível de milagres, para ser promovido a santo ou, será preferível dizer, a ressanto, uma vez que santo já ele é enquanto respira. Trata-se, pois, de uma redundância.

Compreende-se. Por via de regra, agarram-se ao poder com tal gana, que quando deixam a profissão é para se entregarem nas defunteiras mãos.

A confirmar o que escrevo o papa F1, o Chico para os amigos, acaba de anunciar não um, mas dois futuros santos: o ex-papa JP2 e o também ex-papa J23. Ambos ex-vivos, como não podia deixar de ser.

Felizmente, a História legou-nos uma excepção àquilo que tem sido a regra. Joseph Ratzinger ainda está vivo e são. Por isso, não se compreende a falta de sentido de oportunidade que o mesmo manifesta, em oposição à clarividência exibida durante o exercício papal. Então, não seria de aproveitar a oportunidade e desatar já a miracular tudo quanto disso fosse passível? Logo agora, que não tem mais nada que fazer e está a gozar uma merecida reforma? Por que raio está a roubar, urbi  et orbi, a suprema felicidade de ser canonizado ainda em vida? Além do mais, seria um estonteante golpe publicitário, que guindaria a ICAR para os lugares cimeiros do ranking das empresas religiosas. Está à espera de quê? De morrer? Mas isso deixa de ser original, não tem piada nenhuma: depois de morto, qualquer papa é canonizado. Em vida é que nunca aconteceu.

Julgo eu…

30 de Setembro, 2013 David Ferreira

Teísmo, ateísmo e agnosticismo

Um crente, um ateu e um agnóstico decidem organizar um jogo de futebol com fins caritativos. O agnóstico, que não gostava de desporto competitivo por ter receio de se lesionar, resolve ser o árbitro.

No início da partida, juntam-se os três no centro do relvado para sortear a bola e o campo. O crente, com o peito inchado de fé e esperança, olha o ateu nos olhos e diz, esfregando as mãos:

– Está no papo!

O ateu, mirando o crente de alto a baixo, retorque, condescendente:

– Tu estás mas é maluco. Como podes tu ganhar? Tu és só um e eu tenho 11 jogadores na minha equipa. Para além do mais tu só tens uma perna!

Ao que se interpõe o agnóstico:

– Prognósticos só no fim do jogo! Prognósticos só no fim do jogo! Enquanto a bola rolar, não se pode conhecer o resultado…

30 de Setembro, 2013 Carlos Esperança

A IGREJA E A ESCRAVATURA

A IGREJA E A ESCRAVATURA

Por João Pedro Moura

A Igreja Católica Apostólica Romana, mais na prática do que na teoria, sempre defendeu ou contemporizou com a servidão e a escravatura, nos tempos em que isso era normal, devidamente alicerçada nos seus fundamentos bíblicos.

Ocasionalmente, um ou outro clérigo, mais dos dominicanos, no séc. XVI, e mais dos jesuítas, no séc. XVII, criticaram os aspetos mais horrendos do esclavagismo, mas sem verdadeiramente se oporem a tal comércio de pessoas.

Alguns papas também “condenaram” a escravização, mas sem consequências para o comércio e utilização de escravos, por parte de clérigos ou leigos, até porque as determinações papais eram difíceis de aplicar nas lonjuras coloniais.

Só em 1839, com a Constituição “In Supremo”, o papa Gregório XVI faz um ataque muito elaborado e inequívoco a todo o tipo de escravaturas, abrangendo todos os tipos étnicos escravizados, e proíbe mesmo o pessoal eclesiástico e leigo de defender sequer ou condescender com a escravatura.

Palavras essas que, mesmo assim, ainda não chegaram para convencer esse pessoal esclavagista, eclesiástico e leigo…

Vejamos o que escreve Charles Ralph Boxer, no seu livro, A IGREJA E A EXPANSÃO IBÉRICA, Edições 70, Lisboa, 2013:

“Em meados do séc. XVI, a projetada evangelização do reino banto do Congo desmoronara-se, apesar de um começo prometedor (…) Basta lembrar-vos que este desaire se deveu, em certa medida, à grande atração exercida pelo comércio de escravos da África Ocidental, no qual os missionários (ou alguns deles) estavam ativamente envolvidos.” (ob. cit. p. 15)

“Durante quase quatro séculos, a atitude da Igreja face à escravatura dos negros era, se assim se pode dizer, altamente permissiva. A série de bulas papais a autorizar e encorajar a expansão portuguesa, promulgadas a pedido dessa coroa entre 1452 e 1456, deu aos Portugueses ampla latitude no que se refere à subjugação e escravização de quaisquer povos pagãos que encontrassem, se estes fossem “inimigos do nome de Cristo”. Os Portugueses aproveitaram as vantagens destas bulas e em 1460 tinham já desenvolvido um florescente comércio de escravos na África Ocidental.” (ob. cit., p. 40/41)

“ A própria Igreja era, e continua a ser, nos impérios coloniais ibéricos, uma instituição em escala maciça de capital escravo. Não só isso como, durante séculos, os rendimentos do bispo e da instituição eclesiástica de Angola eram financiados pelos lucros do comércio de escravos. Nas plantações de açúcar dos jesuítas (e outras) da América espanhola e portuguesa eram empregados escravos negros, bem como nos trabalhos domésticos, tanto aí como nas Filipinas e na Ásia e África portuguesas. Aliás, quando a Igreja, já tardiamente, denunciou a escravização de raças “civilizadas” como a japonesa chinesa, nunca estendeu esta condenação, quer explícita quer implicitamente, aos negros de África. As bulas papais de 1452-1456, que autorizavam explicitamente a escravatura dos negros da África Ocidental, eram ainda citadas por escrito como canonicamente válidas pelo “iluminado” bispo de Pernambuco, José (…) Coutinho, na sua defesa do tráfico português de escravos africanos, em 1798-1806.” (ob. cit., p. 41)

“Tanto católicos como protestantes encontravam ampla justificação no Antigo Testamento e, em certa medida, no Novo, para a escravatura como instituição. Só com a influência do iluminismo francês, os crescentes escrúpulos dos quacres [dissidentes do anglicanismo] e os esforços dos humanitários ingleses do fim do séc. XVIII, o tráfico de escravos veio gradualmente a ser atacado de uma forma séria, coordenada e com argumentos que se tornariam irrespondíveis. Mas a contribuição do Vaticano para esta nova visão foi praticamente nula até ao ano de 1839 – e muito pouca entre essa data e 1888, quando foi finalmente abolida a escravatura no Brasil.” (ob. cit., p. 45).

Dizia, contudo, o jesuíta António Vieira, no seu Sermão da Epifania, de 1662: “E pode haver maior inconsideração do entendimento, nem maior erro do juízo entre homens, que cuidar eu que hei de ser vosso senhor porque nasci mais longe do sol, e que vós haveis de ser meu escravo, porque nasceste mais perto?”.

Todavia, este sermão “… não impediu Vieira de defender até ao fim dos seus dias, como Las Casas o fizera durante quase toda a sua longa vida, que a melhor forma de assegurar a liberdade dos ameríndios era aumentar a importação de escravos negros da África Ocidental.” (ob. cit., p.45/46).

E o mesmo Boxer citando o investigador jesuíta Nicholas Cushner, numa obra de 1975:

“A versão espanhola do catolicismo, principalmente entre os jesuítas, era particularmente sensível à obediência hierárquica. Aos escravos ensinavam que a sua condição era decidida pelo próprio Deus, que o seu único dever era obedecer aos donos, e que a recompensa disso lhes seria dada no céu.” (ob. cit., p.46)

Continuando: “Este era também o tema dos sermões do padre António Vieira aos escravos, quando comparava os seus sofrimentos nos engenhos de açúcar, durante as colheitas, trabalhando noite e dia, aos de Cristo na cruz.”(ob. cit., p.46)

O investigador português, Arlindo Caldeira, no seu livro, ESCRAVOS E TRAFICANTES NO IMPÉRIO PORTUGUÊS – O comércio negreiro português no Atlântico durante os séculos XV a XIX, Editora A Esfera dos Livros, Lisboa, 2013, escreve sobre a relação entre clérigos, mormente jesuítas, e a escravatura, nos seguintes termos:

“Em todos os espaços do império, entre os séculos XVI e XVIII, não há praticamente nenhuma ordem religiosa que não esteja comprometida, de uma forma ou de outra, com o tráfico de cativos.” (ob. cit., p. 203)

“Em Angola, os próprios franciscanos, apesar do rigorismo da sua regra, aparecem a comprar e a vender escravos.” (ob. cit. p. 204)

“Em Cabo Verde, no início do século XVII, vemos os padres da Companhia de Jesus a enviar escravos para Cartagena das índias como forma de angariarem receitas para o seu trabalho evangélico no arquipélago, que procuravam alargar ao continente africano.” (ob. cit. p. 204)

“Os escravos, que eram a principal mercadoria em circulação em Angola, funcionando mesmo como moeda (na ausência de outra), afluíam à residência dos jesuítas por variadas formas: por doações (“esmolas”) oficiais ou privadas; deixados em testamento por particulares; recebidos dos sobas a título de imposto; e também, pelo menos numa segunda fase, por meio de compra.” (ob. cit., p. 204)

“Resumindo: os padres do Colégio [jesuíta de Angola] assumiam a venda de escravos para o Brasil e pretendiam continuar a fazê-la com os lucros que o mercado e o privilégio da isenção de direitos lhes proporcionavam, mas queriam evitar o “escândalo”, que consideravam, obviamente, prejudiciais aos seus objetivos espirituais.” (ob. cit., p. 208)

Eis a “Igreja dos pobres e dos desvalidos”, armada em vanguarda moral da civilização, e que deveria dar, como eles gostam de dizer, um suposto exemplo de “libertação”, de “misericórdia” e de contributo para o “progresso” dos povos, assim metida em tráficos negreiros lucrativos, à laia dos outros comerciantes leigos, todos eles cristãos, “sob a graça de Deus”…

29 de Setembro, 2013 José Moreira

Será mais uma inspiração?

Numa freguesia da Covilhã, as urnas de voto foram destruídas. Segundo a notícia, a destruição deu-se “depois da missa”.

Querem lá ver que foi o Espírito Santo a fazer mais uma das suas? É sabido que o rapaz tem feito umas asneirolas, tipo engravidar virgens e inspirar papas altamente desaconselháveis a uma estrutura mental estável. Mas não se lhe conheciam intromissões na política… Será que o Pedro Coelho também já conseguiu mandá-lo para a “requalificação”?