
Grupo islâmico rapta mulheres e obriga-as a matar outras mulheres
Um relatório agora tornado público confirma os piores abusos de direitos humanos cometidos pelo grupo islâmico Boko Haram (1) na Nigéria. Recorde-se que esta sinistra entidade, cujo objectivo é criar um estado islâmico puro, em Fevereiro invadiu uma escola e matou trinta e dois estudantes, apenas por o serem. Na ideologia do grupo, a educação vai a par com outros ódios tradicionais, nomeadamente às mulheres.
Constantinopla já estava cercada pelos turcos otomanos, mas, antes da queda iminente, os teólogos discutiam, com ardor científico, a dúvida perturbadora do sexo dos anjos.
Todos sabemos que os zelosos funcionários alados, que a vontade divina distribuiu por rígida hierarquia, não podem ser desprezados, nem que o céu caia em cima dos devotos e eminentes investigadores.
Para os menos versados na hierarquia celeste, decalcada da militar, ou vice-versa, aqui fica por ordem decrescente a fauna que povoa o Paraíso:
– Serafins, Querubins e Tronos (oficiais generais); Dominações, Virtudes e Potestades (oficiais superiores); Principados, Arcanjos e Anjos da Guarda (subalternos). Convém esclarecer que Lúcifer, caído em desgraça, era um Serafim, não um anjo de segunda linha ou mero alcoviteiro, ao nível do arcanjo Gabriel.
A importante discussão não foi interrompida nessa terça-feira, em 29 de maio de 1453, em que o sultão Maomé II destruiu o Império Romano do Oriente e fez de Constantino XI Paleólogo o último imperador bizantino, cuja alma logo enviou para o Paraíso.
Nesse dia, a Idade Média expirou na Europa e apenas o sexo dos anjos e o seu nebuloso método de reprodução continuaram uma incógnita.
Lembrei-me da discussão quando foram anunciados os resultados da eleições francesas. O PCP logo descobriu que o PSF foi o culpado e o PS português emitiu um comunicado a dizer que o maior aliado da direita é o PCP. Independentemente da razão que a ambos decerto assiste, e que a este Diário pouco interessa, preocupa-me o ardor dos teólogos da política, mais interessados na caça ao voto do que nos esforços comuns para conter a extrema-direita que surge apoteótica, católica, esquecida a linhagem fascista e a matriz genética donde provém.
Em 1453 acabou a Idade Média – sei que os historiadores inventaram outras divisões –, e agora pode começar o fim da Idade Contemporânea. A vida é um eterno retorno mas as pessoas serão já outras.


Por
João Pedro Moura
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” João 6:56
O Governo apoiado pela Igreja católica foi contestado na rua por 2 milhões de pessoas.
José Medeiros Ferreira teve direito a um voto de pesar da Assembleia da República e a um minuto de silêncio.
O patriarca emérito de Lisboa, teve direito a um dia de luto nacional e a vários dias de ruído com o governo de joelhos e o PR em oração.
Vale mais um dia ao serviço da religião do que uma vida ao serviço do País.
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