Depois de assinada a lei que obriga os médicos da Florida a manterem o estado vegetativo de Terri Schiavo, um juiz federal decidiu contra a reinserção do tubo de alimentação.
De acordo com o magistrado, os pais de Terri Schiavo não foram capazes de provar «uma probabilidade de sucesso substancial» no julgamento sobre o mérito da causa. O magistrado escreveu ainda que «os interesses de liberdade e de vida» foram protegidos pelos tribunais do estado da Florida.
Como nas últimas horas da manhã foi apresentado um recurso da decisão, o caso ainda não está encerrado.
Será que vão começar a distribuir preservativos nas igrejas?
Os legisladores americanos nos últimos tempos têm demonstrado uma inusitada preocupação com a religião, empenhando-se em fazer passar leis que imponham uma religiosa moral e bons costumes dos seus cidadãos, tais como a proibição de mostrar a roupa interior e a negação do direito a morrer com dignidade, para além de fomentarem financiamento público de actividades religiosas que o façam.
No entanto qualquer restrição à posse de armas é vista pelos mesmos legisladores como uma intrusão nos direitos dos indíviduos. Ontem numa escola secundária em Red Lake, Minnesota, um adolescente abriu fogo sobre os seus colegas, matando sete e ferindo vários, depois de ter morto dois dos seus avós!
Quando a religião ocupa a agenda política a saúde da «alma» é o tema dominante e o bem estar físico irrelevante!
A escola inglesa «Coopers’ Company and Coborn», em Upminster Essex, que é pública e portanto financiada pelos contribuintes, anunciou que não aceitará «humanistas ou ateus». O responsável pelas admissões na escola justifica-se afirmando que «esta é uma escola cristã e, a final de contas, os candidatos têm que estar preparados para apoiar o ethos da escola». Dado que os ateus e os humanistas não conhecem os dogmas essenciais do cristianismo (ao contrário dos judeus e muçulmanos), não são aceites.
Comentário: ao cuidado dos fanáticos da autonomia escolar e do financiamento estatal da escola confessional.
Ayaan Hirsi Ali, a deputada holandesa que se atreveu a colaborar num filme que focava a opressão islâmica sobre a mulher (filme esse que parece ter levado ao assassinato de Theo Van Gogh), teve autorização de um tribunal para continuar com as filmagens do seu novo filme, que no entanto foi criticado pelo tribunal por se arriscar a testar os limites da liberdade de expressão.
Hirsi Ali não desiste de fazer campanha contra a mutilação genital feminina e de tomar posição contra o fundamentalismo religioso. Vive presentemente sob escolta policial permanente, dormindo ou em bases militares ou em prisões de alta segurança. A esposa de um islamista detido pela polícia afirmou recentemente que Hirsi Ali será morta por mulheres muçulmanas, «nem que demore dez anos».
Comentário: Hirsi Ali arrisca-se, infelizmente, a sofrer o mesmo destino do que Salman Rushdie.
Falando para um fórum religioso britânico, Denis MacShane disse que embora a omissão do cristianismo no preâmbulo fosse lamentável, a verdade é que o Tratado Constitucional europeu estabelece um relacionamento entre a UE e as igrejas que «não existe em nenhum outro Tratado». Referia-se, como é evidente, ao artigo I-52, e desafiou ainda os religiosos a encontrarem outro Tratado internacional que desse uma tal «centralidade às crenças e práticas religiosas». O ministro britânico incitou as igrejas a aproveitarem esta «porta aberta».
Comentário: só não concordo com o lamento e com o incitamento. O resto está certo.
A Argentina é um país frequentemente vítima de uma dupla tirania – dos militares e da Igreja católica. Agora, que generais recolheram as garras, assanharam-se as da ICAR. O bispo das Forças Armadas, António Baseotto, um pio almocreve da fé, explodiu em ódio beato contra o ministro da Saúde por este defender a despenalização do aborto e o uso do preservativo, como assinalou a Palmira no artigo «Bispo católico despedido».
Para o asinino prelado são intoleráveis tão medonhas heresias e defendeu que o ministro da Saúde, Ginès Gonzalez Garcia, merecia «ser atirado ao mar com uma pedra de moinho ao pescoço». Esta era, aliás, uma prática corrente na ditadura militar, em que se atiravam ao mar, a partir dos aviões navais, os presos políticos , perante o silêncio cúmplice da ICAR cuja simpatia pelos generais fascistas era mútua e recíproca.
A democracia rompeu esse equilíbrio perfeito entre o altar e o poder, entre os bispos e a ditadura, entre a fé a disciplina. Os militares impunham a ordem e os bons costumes e o clero combatia o demo e a democracia. Antigamente a Igreja católica purificava pelo fogo da inquisição, hoje opta pela água do mar onde pretende afogar os ministros que se conformam com o aborto e defendem o preservativo.
O presidente da República argentina pediu à Santa Sé para substituir, na chefia do clero das Forças Armadas, um bispo que evocou os tristemente célebres «voos da morte» que levaram o luto, a revolta e a indignação ao povo argentino e que, de algum modo, o bispo queria perpetuar indicando como vítima o ministro da Saúde.
Quando se esperava que das alfurjas do Vaticano viesse uma advertência ao bispo, um anti-semita violento que já levou a comunidade judaica a pedir também a sua remoção, assistiu-se ao seguinte:
– O porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro Valls, declarou que se tratava de uma violação da liberdade religiosa impedir o bispo de exercer o seu múnus;
– Os bispos argentinos, reunidos no sábado passado, qualificaram a decisão do Presidente da República, de pedir a substituição da santa cavalgadura, de «apressada e unilateral»
– O porta-voz do Episcopado, Jorge Oesterheld, declarou à comunicação social que a remoção do bispo Baseotto era «um passo para a discriminação e um atropelo à liberdade religiosa».
A demência não é um apanágio do islão, está inscrita no código genético das religiões reveladas e dos sicários de Deus.

O presidente Bush assinou esta madrugada a lei que obriga os médicos da Flórida a manterem o estado vegetativo de Terri Schiavo!
Vinda do Renas e Veados, chega a notícia que um bispo católico, em San Diego, recusou um funeral a um católico, por este ser dono de dois bares gays.
De acordo com um representante da diocese, o negócio do falecido era «inconsistente com os ensinamentos católicos» e «as pessoas ficariam escandalizadas se a igreja concedesse um funeral a alguém que se dedicasse a estas actividades».
O mais curioso é que o bispo que recusou a cerimónia fúnebre acordou numa indemnização de 100 000 dólares a um ex-seminarista que alegava ter sido coagido a ter relações sexuais não só com este senhor, mas também com outros clérigos influentes.
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