Loading

Categoria: Religiões

3 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Deve-se respeitar a fé ?_1

A maior alfabetização, os avanços da ciência e da técnica, a progressiva secularização da sociedades e a conquista gradual de direitos e liberdades, vieram pôr em xeque as armas principais da evangelização religiosa – a prisão, a tortura, as perseguições e os autos de fé. Sobram o medo do inferno, o embuste dos milagres, a coacção psicológica e a protecção concordatária ou a promiscuidade com o poder, à ICAR, aos evangélicos e aos cristãos ortodoxos. E, claro, o poder totalitário e as práticas execráveis determinadas pelo Corão, aos muçulmanos.

Quando a violência religiosa está contida, surgem apelos ao respeito pela fé, como se nas sociedades democráticas e liberais alguém estivesse limitado na prática da oração, na frequência da Igreja, na degustação eucarística, nas passeatas piedosas a que chamam procissões ou nas novenas a pedir a interferência divina na pluviosidade. Acontece que, enquanto os governos laicos se distraem ou são cúmplices, nascem nichos com virgens nas esquinas, crescem capelas no alto dos montes, pululam crucifixos nos edifícios públicos e nos largos urbanos, crismam-se com nomes de santos os hospitais públicos e as ruas das cidades e cria-se um ambiente beato e clerical.

Ao apelar ao respeito pela fé não se pretende, apenas, a liberdade de culto, exige-se que não se desmascarem os milagres, não se investiguem os Evangelhos, não se duvide da existência de Deus ou da virgindade de Maria. Em nome do respeito pela fé, dificulta-se a divulgação da ciência e facilita-se a propaganda religiosa. A fé é o álibi da impunidade com que as Igrejas pregam a mentira, manipulam consciências, aterrorizam os crentes e fazem esportular o óbolo.

A minha ideia de respeito pela fé é a defesa intransigente do direito ao culto, não o silêncio perante a mentira, a conivência com a fraude, a passividade com o proselitismo.
Respeitar a fé é despenalizar a superstição, descriminalizar as auto-flagelações, absolver as idas à bruxa ou ao confessionário, enfim, permitir o retorno à Idade Média a quem o faça de livre vontade, vigiando os métodos e exigindo o respeito pelos direitos humanos contidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, que o Papa considera de inspiração ateia.

Claro que a liberdade não é de criação divina. Nem a democracia um sonho eclesiástico.

29 de Agosto, 2011 Carlos Esperança

Turismo religioso em queda

As agências portuguesas especializadas em turismo religioso estão a apostar em pacotes de viagem cada vez mais curtos e com destinos mais próximos, para responderem à quebra que se verifica no setor, motivada pela crise.

As dificuldades económicas têm feito com que “muitos párocos pensem duas vezes antes de proporem este tipo de actividades nas suas paróquias”, disse hoje à Agência ECCLESIA uma das responsáveis da agência de viagens Peregrino.

Comentário: Lá se vai uma fonte de rendimentos para os párocos.

27 de Agosto, 2011 Carlos Esperança

Igreja católica em dificuldades

A pederastia esvazia as arcas da igreja irlandesa

A Arquidiocese de Dublín admite que está à beira do “colapso financeiro” – Em plena crises tem dado grandes indemnizações às vítimas e perdido fieis.

Após as revelações sobre os reiterados abusos a menores por parte de membros do clero nas últimas décadas, la Igreja católica de Irlanda enfrenta una grave crise financeira. Deve arcar com grandes indemnizações num contexto de recessão económica e de perda de fregueses e das suas doações. Num país onde 87% da população se declara católica, muitas paróquias registaram uma drástica diminuição dos seus proventos; em casos como os de Cashel, Armagh ou Tuam, de uns 15%.

PATRICIA TUBELLA – Londres – 27/08/2011

24 de Agosto, 2011 Carlos Esperança

Bento 16 deixou Espanha

B16 deixou Espanha convencido de que Jesus Cristo é o único redentor da humanidade e a mãezinha dele a rainha dos Céus dos católicos romanos.

A humanidade existia há muitos milénios quando JC foi promovido a «redentor», sem que  a vinda desse judeu, que provocaria mais uma religião, estivesse na origem de uma vida para além da morte na qual o próprio papa teria dificuldade em acreditar se não fossem tão fartos os proventos.

A reincidente visita de Ratzinger a Espanha insere-se na obsessão de recristianizar uma Espanha onde o medo da Igreja e do franquismo conseguiu pôr um povo de joelhos. A sua intromissão na política interna é uma evidência que a raiva contra as leis da família pôs a descoberto. Foi uma ajuda ao PP para as eleições que se avizinham.

O ditador vitalício do Vaticano não pediu perdão ao povo espanhol pela colaboração da sua Igreja com a ditadura franquista, com os seus crimes e com a onda de terror que, durante anos, percorreu Espanha.

O Vale dos Caídos, construído pelos escravos que estiveram do outro lado da barricada, na guerra civil, é um monumento à maldade e espírito vingativo do clero romano. Não é preciso absolver os crimes praticados pelos republicanos para condenar a conduta do catolicismo durante e após a guerra civil.

Os dois últimos papas, com as canonizações provocatórias, não fizeram mais do que dar o aval aos que se comprometeram com uma das mais sangrentas ditaduras europeias.

O regresso do Papa ao bairro do Vaticano deixa a Espanha com ar mais respirável.

20 de Agosto, 2011 João Vasco Gama

O secularismo torna as pessoas mais éticas?

«Os não crentes são frequentemente mais educados, mais tolerantes, e sabem mais a respeito de Deus que os crentes. Novas pesquisas têm tentado perceber o que se passa na mente do sempre-crescente grupo de pessoas conhecido como os “nadas”.»

Estas palavras não são minhas, são a minha tradução da introdução de um artigo da Spiegel, denominado «O secularismo torna as pessoas mais éticas?», que recomendo vivamente a quem se interessa por estes temas.