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Carlos Esperança

10 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

A ICAR e o aborto

Surpreende-me a violência dos ataques dos movimentos pró prisão aos que pretendem, apenas, que as mulheres (quase sempre pobres) não sejam alvo de devassa da sua vida íntima, da perseguição policial e do julgamento que as pode conduzir à prisão.

Surpreende-me que a Igreja católica, que foi violentamente contra a despenalização do aborto nos casos de malformação do feto, perigo de vida da mãe e violação, mantenha hoje o discurso trauliteiro e as mesmas imagens obscenas de então.

Surpreende-me que, enquanto em Portugal os 20 bispos titulares de dioceses, sem uma única excepção, se empenhem em manter a violência legal contra as mulheres, que em desespero recorrem à interrupção voluntária da gravidez, os bispos de Malta mantêm a mesma intolerância em relação ao divórcio e os de Timor no que diz respeito ao uso de contraceptivos.

Surpreende-me que os recursos financeiros sejam tão amplos para os defensores da prisão e tão escassos para os partidários da despenalização.

Surpreende-me, ainda, que o único Estado do mundo sem maternidade – o Vaticano -, se empenhe tão denodadamente na coacção das consciências e no desafio à legalidade (caso de um clérigo que já ameaçou fazer campanha na missa do próprio dia do referendo).

Surpreende-me, finalmente, que um país laico tivesse ficado refém da vontade clerical sem ter resolvido o problema da IVG em sede própria, na Assembleia da República, um problema de saúde pública que atira as mulheres pobres para o vão de escada, a prisão e o cemitério.

Ler artigo: Diário de Notícias – Publicado em Diário Ateísta/Ponte Europa

10 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

Bento XVI recusa convite

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) revelou que B16 recusou o convite para o encerramento das celebrações dos 90 anos de Fátima.

A CEP obrigou o Sapatinhos Vermelhos a armar uma desculpa para não se aventurar na festa comemorativa da maior burla que a ICAR forjou na luta contra o comunismo e no ódio vesgo ao 5 de Outubro de 1910.

A Virgem que puseram a saltitar, de azinheira em azinheira, para os pastorinhos, em que uma ouvia e via, o que o padre lhe dizia, outro só ouvia, e a terceira não via nem ouvia, é hoje o símbolo do Portugal beato, analfabeto e supersticioso onde germinava o ódio à República e o horror à laicidade.

Em 1917 o Sol andou às cambalhotas na Cova da Iria tão doido como beatos que viajam de joelhos ou os Papas que divulgaram essas idiotias. Se JP2 ainda fosse vivo, na sua incomensurável superstição, não faltaria à encenação mística da mentira, mas B16 já viu que não pode contar com o Espírito Santo, que não queimou a tempo os papéis que incriminavam como espião soviético o sucessor de JP2 na Polónia, apenas fez sumir os que comprometiam os antecessores com a CIA.

B16 lá vai sofridamente rubricando os milagres que lhe apresentam, para criar santos, mas tem a noção de que por cada analfabeto que estupefaz nas pampas argentinas ou no sertão brasileiro, perde o respeito das pessoas alfabetizadas de Buenos Aires, S. Paulo e Roma.

É difícil manter viva uma mentira recente quando dois milénios de trapaça começam a fazer sorrir a humanidade e os poucos que fingem acreditar o fazem para se opor a outros aldrabões, dementes e beatos, que vêm dos lados do Islão, fanáticos que debitam o Corão, põem bombas e querem o mundo de cócoras, virado para Meca.

9 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

Santos escândalos

5/1/2007 11:08 h ESCÁNDALO EN EEUU
Una diócesis de EEUU pagará 36 millones a víctimas de abusos de sus sacerdotes (EFE)

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A diocese católica de Spokane, no estado de Washington (EUA), aceitou pagar 48 milhões de dólares (cerca de 36 milhões de euros) às vítimas de abusos sexuais presumivelmente cometidos por alguns dos seus sacerdotes.

O juiz federal, Gregg Zive, que serviu de mediador, anunciou que o acordo extrajudicial alcançado entre a diocese e os queixosos, fixa o procedimento a seguir para o pagamento de futuras queixas.

A referida diocese tinha-se declarado em bancarrota nos princípios de 2006 para se proteger deste tipo de queixas e o próprio bispo, William Skylstad, manifestou então que a diocese enfrenta mais de 120 processos por abusos sexuais, metade dos quais cometidos por apenas dois dos seus sacerdotes.

O bispo pediu publicamente perdão «pelos terríveis prejuízos causados» e instou os católicos a aceitar o acordo extrajudicial anunciado hoje (5-1-2007) numa das maiores dioceses do estado de Washington com cerca de 90.000 fiéis.

Os parágrafos anteriores são relativos à notícia em epígrafe. Esperei que a comunicação social portuguesa referisse o assunto, o que não aconteceu.

Começo a pensar que, desde que o BCP começou a subsidiar a campanha do NÃO á IVG, há órgãos da comunicação social que estão de joelhos perante a ICAR.

8 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

A Igreja católica negoceia com menores

O COMPROMISSO QUE NASCE DO BAPTISMO É O DE OUVIR JESUS E SEGUI-LO, DISSE BENTO XVI.

Um pouco antes de rezar a oração mariana do Angelus, um espectáculo encenado para entreter os crentes e alimentar a fé, o Sapatinhos Vermelhos referiu o baptismo como o compromisso assinado entre a ICAR e o baptizado.

As pessoas sérias não confundem o ritual com um acto notarial, um sinal cabalístico e uma borrifadela de hissope com uma escritura e não amarram crianças indefesas a uma hipoteca.

Para B16, uma criança com um mês de idade, levada à pia baptismal com a candura de um boi a caminho do matadouro, fica obrigada a ouvir o mudo e a seguir um cadáver com dois mil anos – Jesus.

O Papa reivindica como válido um negócio feito com um bebé. Para a Igreja católica é um contrato, para um tribunal é uma burla com a conivência dos pais e a intermediação clerical.

As religiões começam cedo a manipular as consciências e a transformar os inocentes em crentes. Aproveitam a generosidade das crianças para as compelir ao ódio, à xenofobia e ao proselitismo.

O desaforo com que B16 afirma uma tal insanidade é a prática corrente das religiões do livro. O Papa não é pior do que os mullahs que treinam crianças para o martírio e para matar infiéis. São faces da mesma moeda, parasitas de um Deus concorrente.

7 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

As religiões têm o clero que merecem

O Arcebispo Wielgus tomou posse canónica da Diocese e a cerimónia de entrada oficial na Catedral de São João Baptista, em Varsóvia, foi marcada para hoje.

O novo arcebispo de Cracóvia sucederia a Josef Glemp. Graças a esta nomeação, de um antigo colaborador da polícia secreta comunista, ficava reposto um certo equilíbrio num país onde a colaboração do primaz costumava ser com a CIA, após a queda do nazismo.

Ver o artigo «Na melhor mitra cai a nódoa».

No entanto, o novo arcebispo de Varsóvia pediu a demissão durante a missa, demissão que o Vaticano aceitou. A resignação deve-se não ao passado de colaboração com o regime soviético mas ao facto de se ter tornado público.

D. Stanislaw Wielgus confirmou que assinou um acordo com a polícia secreta comunista no final dos anos 70.

4 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

A ICAR e a IVG

Na caverna de Deus ulula o Papa, convencido de que a tiara lhe aumenta a raciocínio e os paramentos lhe conferem santidade. Julga que o incenso, a água benta e o sinal da cruz são poderosos demonífugos que convertem incréus e levam de volta os apóstatas.

Nada disso. Apenas alinham em devota subserviência os ventríloquos do costume: os patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos, cónegos, monsenhores, arciprestes, vigários, reitores, abades, padres e arquipadres, presbíteros e arquipresbíteros, diáconos e toda a variedade de Reverências, Excelências Reverendíssimas, Eminências e outros primatas paramentados que obedecem cegamente à Santidade vitalícia domiciliada no Vaticano.

Todo este coro de avençados da ICAR repete as mesmas inanidades que o Papa debita, sem prejuízo de dizerem o contrário quando a crença, os tempos e o prazo de validade da mentira anterior se esgotarem.

Confundir um embrião com uma criatura humana não é uma questão de ciência, é uma alucinação que o sindicato da hóstia vulgariza. É a mesma perturbação sensorial que vê milagres em coincidências ou imposturas, que vê um corpo apodrecido há dois milénios e o respectivo sangue numa rodela de pão ázimo, que engendra um hímen intacto numa fêmea parida.

Pessoas assim, a quem a fé ou o embuste causam alterações sensoriais, são dadas ao exagero e à mitomania. Numa pessoa simples tal comportamento chama-se mentira ou destrambelhamento mental, num dignitário eclesiástico atribui-se ao milagre da fé.

Não admira, pois, que o Papa e os seus sequazes vejam no orgasmo um genocídio capaz de esbanjar almas e provocar a cólera de Deus.

Mas se a ICAR vê no embrião uma pessoa, por que motivo não o baptiza?

3 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

B16 e os Direitos Humanos

Bento XVI assinala o início de 2007 com um forte apelo em favor da defesa da vida e da paz em todo o planeta.

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O ditador vitalício do bairro das sotainas, B16, julga-se defensor dos direitos humanos só porque vê num embrião um daqueles impostores de que fez santos, após a morte; um daqueles meninos obrigados a dormir com as mãos fora da roupa, nos Invernos dos seminários, para produzir um padre; ou uma daquelas freiras que se encontram com residência fixa e em reclusão num convento das carmelitas.

Ao apelar à paz, esquece que foi o último titular da Sagrada Congregação da Fé, (ex-Santo Ofício) que é o chefe vitalício de uma Igreja que evangelizou os Índios pelo terror e pela varíola, que expulsou os islamistas da Península Ibérica em guerras sangrentas, que perseguiu e queimou judeus, que condenou livres-pensadores e a democracia, que esteve sempre do lado do obscurantismo, dos ditadores (desde que fossem católicos) e dos regimes autoritários.

Quem é o Papa que se diz mandatário de Cristo, sem procuração com assinatura reconhecida, prova testemunhal ou sequer a certeza da existência do representado.

Quem leva a sério o indivíduo que confirma curas miraculosas sem nunca ter mostrado provas fotográficas de um maneta a quem tenha nascido a mão ou de um cego cujo olho de vidro tenha passado a captar imagens?

A aldrabice da religião é o húmus onde floresce a intolerância e se cultiva o ódio. O Papa é um ayatollah vestido por costureiros ocidentais, com cores garridas e paramentos de fino corte. Que diferença existe entre um Conselho de Ulemás e uma Conferência Episcopal? São faces da mesma moeda, impostores do divino, embusteiros místicos, que vivem do medo que inspiram e do terror com que assustam os supersticiosos.
2 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

Bento 16 reza

Papa reza para que 2007 seja um ano de paz. O Papa reza, a vaca muge, o corvo crocita, a rola geme e o papagaio palra. Cada animal tem a voz que o identifica.

Todos os anos o Papa reza debalde pela paz, este Papa, os precedentes e os que vierem. Se faltassem provas de que Deus não existe ou, no mínimo, é insensível à dor, bastariam os apelos lancinantes do Papa para provar a indiferença divina e a irrelevância papal.

Não há orações que salvem da fome as crianças que morrem de inanição, preceitos canónicos que encravem as armas, missas que demovam a humanidade da orgia de sangue que grassa nos países mais pobres e devotos.

Enquanto no Vaticano o Papa pede ao Deus dele que haja paz, através da televisão para que os fiéis o vejam, o ditador vitalício não se dá conta de que os homens, cansados de Deus, acabarão por virar-se para si próprios.

Os homens, de mãos postas, não trabalham a terra, de joelhos não constroem fábricas e a rezar não resolvem problemas, enganam-se a si próprios. Os que disparam as armas e dizem que «Deus é grande» construiriam fábricas, se o clero que fanatiza as crianças e instila o ódio estivesse interessado em melhorar o mundo e a prescindir do poder.

Se o Papa, em vez de rezar, trabalhasse, deixasse de dizer que é o representante de Deus como nos manicómios os doentes dizem ser Napoleão, não teríamos um exército de parasitas e ociosos a divertirem-se com a missa, o terço, o lausperene, a procissão, o Te Deum, o Ano Santo, a indulgência plena e a novena de acção de graças, teríamos gente para trabalhar em prol da paz e da prosperidade.

O clero está para a paz e o progresso como as religiões para a democracia e a liberdade.

1 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

Em Malta o divórcio é proibido

Deus é um erro humano que o masoquismo de uns e o interesse de outros perpetuam.

O Deus católico, não desfazendo em Alá, é um polvo cujos braços são os bispos e as ventosas os padres. A cabeça do molusco está no Vaticano, garrida, com sapatinhos Prada, e as orelhas aconchegadas sob o camauro.

Como todos os moluscos, parece inofensivo e representa um perigo que urge esconjurar com o laicismo e a secularização da sociedade.

Pensam alguns cidadãos desatentos que o Vaticano, por ser um antro de apenas 44 hectares, é inofensivo. Não se dão conta dos tentáculos, não ponderam a força das ventosas, nem vêem no aspecto repulsivo do cefalópode o perigo que representa.

Muitos já esqueceram que, até Fevereiro de 1975, a Concordata impunha, em Portugal, a indissolubilidade do casamento católico. Foi preciso o 25 de Abril e a ameaça de Francisco Salgado Zenha, ministro da Justiça, para que as sotainas se vergassem ao poder democrático.

Poucos sabem ou se lembram da carta da Irmã Lúcia, reclusa das carmelitas, dirigida a Marcelo Caetano para proibir o divórcio nos casamentos civis, certamente por inspiração da Senhora de Fátima, que andava doida com a conversão da Rússia, e obcecada a promover o terço.

Quase todos se esquecem de João Paulo 2, uma espécie de mullah sorridente, a apelar aos advogados católicos para recusarem patrocinar acções de divórcio, alegando objecção de consciência.

Muitos ficarão atónitos sabendo que no dealbar deste ano de 2007 ainda há um país da União Europeia onde o divórcio é proibido. Chama-se Malta e a religião do Estado é o catolicismo. Os cônjuges que se separam não podem reconstituir a sua vida matrimonial de forma legal.

E de Roma, do bairro infecto onde se criam cardeais e santos, onde se obram milagres e decretam anos santos, vem a lepra da intolerância que impede quem teve um casamento falhado de celebrar outro.

Sob a violência das sotainas fenecem as liberdades cívicas, mas o Papa e os núncios são recebidos como pessoas de bem em países democráticos e organismos internacionais.

É preciso reduzir à esfera particular as religiões, proteger os crentes, que renunciem à fé, das perseguições eclesiásticas e impedir que a violência sobre os fregueses alastre aos agnósticos, ateus e avençados de outros credos.

É preciso salvar Malta das garras do Vaticano e da violência das sotainas.

Fonte: DN de 31-12-2006, site indisponível.