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Carlos Esperança

26 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

O crepúsculo da Igreja católica

Não são os ateus que destroem a Igreja Católica, como o Papa e os bispos nos acusam, atribuindo-nos uma importância que não temos e intenções que nos são alheias.

O ateísmo não faz proselitismo, limita-se a denunciar as mentiras em que as Igrejas se fundamentam, os crimes com que escreveram algumas das páginas mais negras da sua história e a obstinada resistência à democracia e à modernidade.

A ICAR foi a voz do feudalismo quando as transformações económicas e sociais se encarregaram de o liquidar; defendeu o absolutismo monárquico contra o liberalismo, a monarquia contra a república, o nazismo contra a democracia. As posições reaccionárias foram sempre bandeiras dos padres, bispos e Papas, assumidas com particular zelo nos dois últimos pontificados.

Numa sociedade de classes a ICAR quis ser a porta-voz de interesses antagónicos; num mundo que evolui e se transforma quis manter os dogmas e o imobilismo moral e social. Ficou só, num combate em que os jovens fugiram dos seminários e a sociedade entrou em choque com a última teocracia europeia – o Vaticano.

A contracepção, o aborto, o divórcio, a eutanásia, a homossexualidade, a clonagem e, sobretudo, a emancipação da mulher, reduziram a moral católica a um anacronismo que nem os crentes tradicionais estão dispostos a suportar.

E, se o apoio a todas as ditaduras, com excepção das comunistas, não contribuiu para o prestígio do último Estado totalitário da Europa, também o comportamento do seu clero não ajudou o prestígio do seu Deus.

Assim, a ICAR vai morrendo enquanto outras Igrejas, quiçá mais fanáticas, surgem com a violência das suas mentiras apoiadas no poder dos Estados que controlam, numa orgia mística e num desvario de violência e crueldade, como sucede com o fascismo islâmico.

Há-de ser a laicidade a ganhar a inteligência dos homens e a impor o Estado de direito ou serão as religiões a ditar as regras de conduta da Humanidade e a fazer regredir a civilização.

As religiões são incompatíveis com a democracia. A vocação totalitária só lhes permite fingir que se acomodam enquanto as não podem minar. As religiões fogem da liberdade como a ICAR diz do diabo em relação à cruz e os islamitas de Maomé face ao toucinho.

25 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

Igreja evangeliza o mundo da pornografia

Quando os fregueses não vão à igreja, os pastores vão à procura das almas nos labirintos da pornografia.

O Novo Testamento é omisso quanto à passagem de Jesus por casas pornográficas mas o Diário Ateísta não duvida de que «Jesus Loves Porn Stars», como se lê nas inscrição das bíblias distribuídas nos pavilhões de Las Vegas onde se exibem os filmes hardcore.

25 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

A crueldade de Deus e a demência dos homens

O crime de honra é uma velha excrescência religiosa que se observa nos meios mais reaccionários e embrutecidos pela fé. Deus é um ser misógino que odeia a mulher, acima de todas as coisas, e o amor como algo de vergonhoso.

A mulher é um ser desprezível que se destina a assegurar a reprodução da espécie, servir o marido e ensinar a doutrina aos filhos. Amar não é só o distúrbio dos sentidos, é uma ofensa para a família que apenas se consente dentro do matrimónio canónico, sem manifestações lascivas ou trejeitos mundanos, sem outro fim que não seja o da prossecução da espécie.

Esta notícia traz-me à memória a aldeia da minha infância, onde uma mãe solteira era expulsa de casa, pelos pais, e lançada na prostituição para que a honra da família ficasse limpa. E o responsável podia esperar o fio de uma navalha que lhe trespassasse as tripas por não ter reparado com o casamento a desonra de uma família.

Há nestes crimes cruéis várias infâmias que se perpetuam nos meios rurais, analfabetos e fortemente religiosos:

– Considerar a mulher um ser inferior;
– Considerar a sexualidade um tabu:
– Culto exacerbado da tradição;
– Ignorar os direitos humanos, em geral, e os da mulher, em particular;
– Manutenção de preconceitos hediondos.

Como curiosidade, aproveito para informar os leitores mais novos que, antes do 25 de Abril de 1974, em Portugal, o Estado considerava injustificadas «as faltas dadas por mães solteiras por motivo de parto». Que raio de país.

Pobres homens que não merecem que, ao menos uma vez na vida, uma mulher lhes diga «amo-te», porque as feras não merecem e os brutos não apreciam.

24 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

Religiões = Casas de alterne

Deus é o subterfúgio que os homens criaram para as suas próprias limitações, o escudo para os seus medos e a desculpa para os seus fracassos. Mas podiam ter feito do mito a síntese do que de melhor os homens são capazes em vez do monstro vingativo e cruel que faz as delícias dos padres e o terror dos crédulos.

As religiões monoteístas são as casas de alterne onde se compra o patrocínio da Virgem, a protecção do Santo ou a bênção de Deus. Os clérigos são as alcoviteiras do divino que aconselham o santo adequado, a virgem mais dedicada ou o profeta melhor cotado.

Não há no bordel da fé a alcova da tranquilidade, tudo é agitação e frenesim com cheiro a incenso e estearina, em vez de fluidos e permanganato, isto se estivermos a pensar no antro do Vaticano.

No judaísmo ainda há os lúgubres crentes das trancinhas que se esforçam por derrubar o Muro das Lamentações à cabeçada e que odeiam a carne de porco e o livre-pensamento.

Mas é no Islão que a enorme quantidade de parasitas da fé mantém o cerco mais feroz à liberdade individual. Quem duvidar do profeta, arrisca a separação da cabeça; quem não repetir em voz alta que Deus é grande e Maomé o seu profeta, fica sob suspeita do clero; quem beber um simples copo de vinho ou atacar uma sanduíche de presunto, paga com a vida; e, se for mulher, as vergastadas e a lapidação tornam-se a diversão pública que delicia os crentes, numa orgia de demente crueldade para glória de Deus e satisfação do profeta. Basta uma acusação de adultério.

E ainda há quem não acredite na bondade das religiões!!!

23 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

Um livro imprescindível (Continuação)


Comentário: Os pecados já foram mais caros mas a ICAR fazia descontos para grandes quantidades, como se pode ler. Basta clicar nas imagens.
23 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

Vaticano apela à «abjecção» de consciência

Bento 16, meio-casal assexual, vomita homofobia por todas as reentrâncias e saliências. O régulo da tribo católica apela à objecção de consciência de todos os profissionais para evitar a IVG, no cumprimento da lei, ou que casais homossexuais adoptem filhos.

Não sei se é um apelo à objecção ou à abjecção. Já o seu defunto antecessor pedira aos advogados portugueses que se abstivessem de patrocinar divórcios, num claro desafio às leis de um Estado democrático e num apelo patético à insurreição profissional, acatando ordens de uma potência estrangeira – um bairro de 44 hectares de sotainas e mitras.

Nunca os Papas incitaram à objecção de consciência dos católicos na colaboração com a ditadura salazarista, nunca denunciaram as mortes perpetradas pela polícia política, não se opuseram à guerra colonial, quando o consumo de hóstias era elevado e a influência do déspota do Vaticano era grande.

O major Silva Pais, cuja responsabilidade na morte do general Humberto Delgado foi uma evidência, nunca foi excomungado pelos seus crimes mas foi condecorado pelo Vaticano.

É abissal a diferença entre os ateus e os devotos do Sapatinhos Vermelhos. Os ateus não querem privar os católicos da hóstia, da água benta, do incenso, das indulgências e das orações, apenas não querem que os seus valores sejam impostos pela força a todos os que desprezam o seu Deus e acham ridículas as religiões.

22 de Fevereiro, 2007 Carlos Esperança

Recordações de viagens (Crónica)

DAS ANDANÇAS pelo mundo, por gosto umas vezes e dever profissional, outras, perduram memórias que assomam e trazem sorrisos embaraçosos quando, em espaços públicos, me encontro só. Um jornal ou livro são adereços com que disfarço a insólita boa disposição que, de supetão, me assalta. Mas como ficar sisudo quando recordo o taxista de Montreal, no Canadá, que, após longa conversa, em francês, tomou conhecimento da minha origem, mudou de idioma e não mais o compreendi? Só percebi que era açoriano, de S. Miguel, e que ficou feliz e loquaz por transportar um compatriota.

E a estupefacção, em Budapeste, quando o guia contava a portugueses o milagre das rosas, obrado pela rainha Santa Isabel, tia-avó de outra Isabel, que nasceria em Aragão e repetiu em Coimbra, também já rainha, o milagre que igualmente lhe valeu a santidade na reedição taumaturga do truque de família?!

A Elisa, uma guia com chapéu exótico e sombrinha garrida para que o grupo a localizasse, era convicta na descrição dos milagres com que estupefazia turistas e no apelo para se genuflectirem em frente do altar-mor das igrejas visitadas. Da Elisa lembro o ar empolgado com que mostrava os tétricos esqueletos que o clero italiano guarda nas igrejas para estimular a fé e a generosidade dos crentes.

No museu de um templo, parecido com uma sala de anatomia, a Elisa debitava, perante um esplêndido esqueleto, os milagres que obrara o bem-aventurado proprietário, não restando dúvidas sobre o mérito do santo e o crédito celestial de que gozava. Foi um esqueleto pequenote, vários ossos avulsos após, que perturbou a visita. A Elisa desfiava ainda milagres do santo e, interpelada sobre aquele último esqueleto, respondeu que pertencera ao mesmo, quando era mais novo, enquanto, por entre risos que não lhe abalaram a convicção, esgotou os prodígios do canonizado que era o patrono e estrela daquela catedral.

Das dezenas de profissionais que me guiaram em visitas, a Elisa é a que mais recordo. Não era o entusiasmo que lhe apreciava – pagavam-lhe para isso –, era a convicção. Nem sequer o padre que garantia, perante o pasmo dos paroquianos, que S. João Baptista, depois de decapitado, ainda agarrou a cabeça e a beijou, nem esse, punha tamanho convencimento nos prodígios com que preservava a fé e a côngrua.

Em Marraquexe, alertado por algo estranho, levei a mão ao bolso e encontrei outra, que logo agarrei, presa a um marroquino. Gritei pela polícia, e o miúdo, resignado, não tentou fugir. Com olhos de fome e tristeza, sem contar com a minha mão nem com a eventual vigilância de Alá, que mandou o profeta Maomé, bruto e primário, decepar as mãos que roubam, levou o óbolo que pretendia. Quando se afastou, foi meu o alívio e dele a gratidão pelas moedas com que recompensei a fome e o atrevimento. Num congresso sobre doenças benignas da mama, em Rodes, após os discursos dos presidentes das Sociedades Grega e Europeia de Endocrinologia e do ministro da Saúde da Grécia, todos em inglês, levantou-se o patriarca, com garridas vestes talares, e fez, em grego, uma curta prédica que, após a estupefacção geral, terminou em apoteose. Foram frenéticas as palmas e ergueu-se o congresso. Não sei se foi o tema que o atraiu para o imprevisto discurso ou a tentação de fazer ouvir a voz da Igreja ortodoxa a quatro mil congressistas que ignoravam o idioma.

Num jantar de gala, em Monte Carlo, um criado foi inadvertidamente empurrado e vazou o conteúdo da travessa sobre uma elegante mulher, com o molho a penetrar o decote, a inutilizar o vestido e a queimar o corpo que merecia outros ardores e não carecia do acidente para atrair olhares. Levantou-se e deixou o salão cheia de dignidade e nódoas, enquanto o criado era substituído, perante o silêncio sepulcral de oitocentas pessoas.

Em Lubliana, um ratinho decerto melómano passeou pelo palco durante a execução de um trecho de Beethoven, sem desconcentrar os músicos. Agitou a audiência e só saiu de cena depois de partilhar os aplausos com o maestro e os menestréis.

Em Nice, um congressista isolou-se numa área vazia do auditório e adormeceu. Era propício o ambiente: a luz ténue, a temperatura morna e monótona a voz do orador. Teria sido pesado o almoço e a digestão revelou um roncopata furioso cujos decibéis interromperam por instantes a comunicação e expuseram o imprudente participante à execração geral. Acordou, como o moleiro a quem pára a mó, com o silêncio. E a conferência lá prosseguiu, a bem da ciência e da decência.

Jornal do Fundão/Diário Ateísta/Ponte Europa