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Carlos Esperança

25 de Junho, 2007 Carlos Esperança

H. U. C. – A gula dos católicos (2)

Mandaria a ética e a defesa dos interesse público que se realizasse um concurso, nos seguintes termos:

A V I S O
Hospitais da Universidade de Coimbra

CONCURSO PÚBLICO Nº ___
CONCESSÃO DA EXPLORAÇÃO DE ESPAÇO DESTINADO À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RELIGIOSOS
***

Está aberto concurso para concessionar a exploração de um espaço destinado à prestação de serviços religiosos que será adjudicado à proposta economicamente mais vantajosa, por um período de cinco anos (a fim de poder ressarcir-se o concessionário dos investimentos iniciais).

O concurso é válido pelo prazo de 60 dias a contar de hoje (V/ Boletim Informativo N.º ___ de __/___/___.

Observações:

1 – O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser levantados nos Serviços de Aprovisionamento, dentro de horário de expediente, mediante a caução de 20 euros.

2 – Os concorrentes terão de apresentar documentos comprovativos de que não têm dívidas ao fisco, nem à Segurança Social, nem foram demandados criminalmente por burla nos últimos dois anos.

3 – As propostas serão apresentadas em carta fechada e lacrada e abertas em sessão pública cuja data será comunicada aos concorrentes.

4 – Este aviso será publicado em dois diários de âmbito nacional e em dois semanários de grande audiência.

§ único: Serão excluídas as religiões que tenham ao seu serviço mão-de-obra infantil ou ilegal.

23 de Junho, 2007 Carlos Esperança

Deus é pior que os homens

A luta contra as religiões é um imperativo ético para a vitória da ciência sobre a superstição, da modernidade contra o obscurantismo e da liberdade dos homens contra a prepotência divina.

Não são os crentes, vítimas indefesas dos medos herdados de geração em geração, os alvos da animosidade ateia. Aliás, os ateus não têm ódios, defendem a tolerância e a liberdade, que são incompatíveis com a violência e os interditos destilados pelos livros sagrados das religiões monoteístas e pelos clérigos de serviço.

O descrédito das religiões é o caminho para a livre determinação de homens e mulheres prisioneiros do dogma, da tradição e da perversidade das relações de poder.

Um Deus que tem fúrias não merece respeito nem se domestica com orações, precisa de uma camisa-de-forças. Se é propenso à ira devia acalmar-se com uma benzodiazepina de semi-vida curta. Mas como tratar um déspota que só existe na imaginação dos créus?

É na denúncia da falsidade do martírio que lhe inventaram e da virtude que reclamam os que vivem à sua custa, que encontraremos os caminhos da liberdade e da paz, sem os temores do Inferno e as sevícias dos clérigos.

Não há verdades teológicas. Estas não passam de mentiras ao serviço da superstição.

* Brito é português, radicado em França, onde é um dos melhores caricaturistas. O cartoon foi publicado por amável deferência do autor.

22 de Junho, 2007 Carlos Esperança

Padre preso em flagrante

A detenção de um padre na freguesia de Areias, concelho de Santo Tirso, quando fazia um baptizado, é inaceitável à luz do direito ao trabalho. O indivíduo em causa até tinha experiência em missas, baptizados, funerais e outras cerimónias litúrgicas. Não tinha queixas dos fregueses e comportava-se como qualquer outro inofensivo aldrabão.

Com quatro anos de experiência em missas na cidade da Trofa e a fazer tudo o que os outros padres fazem, o oficiante não é um principiante no ofício do divino. Pode não ter diploma mas, com a falta de padres, não se vê que mal tem o exercício da profissão que, ainda por cima, não prejudica ninguém (quando é a brincar).

A um pedreiro ninguém pede o diploma de assentador de tijolos nem a um varredor o de operário especializado em alfaias de limpeza, e pode empunhar a vassoura sem carteira profissional. Por que razão se há-de exigir a um profissional de baptismos, confissões e ofícios correlativos o respectivo alvará?

Aqui houve perseguição do bispo. Deus não se importou com o trabalho do biscateiro mas o dono da diocese reclamou para a polícia. Com que autoridade? Acaso a alma do neófito ficava mal limpa, os nubentes que abençoou ficaram a viver em mancebia, as confissões não libertaram os créus dos pecados que os atormentavam e as missas não aliviaram das obrigações os cristãos que as rezaram?

Que raio de profissão é essa de padre que exige carteira profissional e um certificado de garantia passado pelo bispo da diocese?

22 de Junho, 2007 Carlos Esperança

H. U. C. – A gula dos católicos

Os Hospitais da Universidade de Coimbra tinham no projecto um espaço destinado aos crentes e não crentes onde, nas horas de tristeza, pudessem recolher-se para meditar ou rezar.

É um espaço amplo onde a Igreja católica, na sua gula insaciável, começou por colocar uma cruz, depois o patrono do hospital (santo certamente virtuoso) e finalmente reuniu a família. Hoje até a Senhora de Fátima jaz numa peanha a lembrar aos católicos que, se querem curas, é a ela que devem meter a cunha para o divino filho.

Há sessenta cadeiras e genuflexórios e, nos anexos, dois capelães ganham a vida a meter medo com a morte. O vencimento dos empregados do Deus católico é igualado ao dos chefes de clínica – o grau mais elevado da carreira médica. No fundo são médicos das almas sem necessidade de tirarem a especialidade ou sujeitarem-se a concursos.

À entrada da capela estão quatro montes de publicações pias:

1 – Folheto da Capelania cujo verso se reproduz;
2 – Um panfleto A8 com uma história em casa de Simão onde Jesus teve um encontro casto com uma mulher impura e que termina com «cânticos»;
3 – O pio jornal «Correio de Coimbra» onde o Sr. António Marcelino, bispo reformado de Aveiro, tem um interessante artigo: «Teremos ainda Portugal por muito tempo»?
4 – O Amigo do Povo cujo artigo principal «À sombra do castanheiro» é um ataque ao primeiro-ministro e uma tentativa de ironia com o percurso académico de Sócrates cujo nome nunca é referido.

Consta-me que foi contratada uma freira para os serviços religiosos. Não se destinando à reprodução, palpita-me que é mais um encargo com as almas à custa do erário público.

20 de Junho, 2007 Carlos Esperança

Eutanásia

O respeito pelos direitos individuais e pela dignidade humana estão a mudar as pessoas. É um processo lento que não acompanha a rápida secularização, umas vezes por cálculo político dos partidos, outras por preconceito e hipocrisia.

A eutanásia é uma palavra que, tal como a morte, parece ser do domínio do obsceno. É preciso que haja coragem para as trazer para a discussão pública, para fazer reflectir os que nunca têm dúvidas e gostam de verdades imutáveis.

Mal se avança num interdito beato e logo o apodo de assassinos carimba os que ousam pôr à discussão assuntos dolorosos ou dramáticos. Invocam Deus, em vão, à espera de que a Idade Média refulja em apoteose por entre fogueiras, torturas e banimentos.

É neste caldo de cultura que ganha relevância a afirmação de João Lobo Antunes, neurologista, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e mandatário nacional de Cavaco Silva na última candidatura presidencial: «Há situações em que acho que a devia ter feito [eutanásia]».

Não admira, pois, que – segundo um inquérito – 24% dos médicos oncologistas fariam eutanásia e 39% defendem a sua legalização. Estes médicos portugueses são os que melhor conhecem o paroxismo da dor e a crueldade de prolongar o sofrimento inútil.

Claro que aparecem os ressentidos do costume, incapazes de respeitar a vontade alheia, possessos de uma pulsão totalitária que pretendem impor a todos os outros as legítimas convicções que os outros lhes respeitam.

A eutanásia já se encontra legislada em países civilizados que têm pela vida e bem-estar das pessoas mais respeito do que aqueles que se opõem à discussão e que confundem o eventual direito com a imposição da obrigação.

A experiência holandesa é um bom ponto de partida para a reflexão serena e urgente.

18 de Junho, 2007 Carlos Esperança

Momento Zen de segunda

Apesar de já referida pelo Ricardo Alves não resisto a comentar também a prosa do beato JCN.

João César das Neves (JCN) parece um clérigo saído do Concílio de Trento a defender a pureza da fé e a zurzir os infiéis. É a versão romana dos talibãs, um mullah para quem a verdade é um detalhe que não deve atrapalhar o proselitismo.

Ao acusar a República portuguesa de perseguição religiosa, por ignorância ou má fé, esquece os caceteiros de Paiva Couceiro e o clero ultramontano que nunca perdoaram ao regime a lei do divórcio, a do Registo Civil obrigatório e, sobretudo, a da separação da Igreja e do Estado.

JCN pensa que os portugueses são cegos. Ao afirmar na sua homilia de hoje que, em Portugal, «a expressão religiosa é possível, mas deve ser privada, e as manifestações da civilização cristã são silenciadas ou distorcidas», vê-se que não assiste à missa dominical pela televisão pública, perde as cerimónias de Fátima em directo, não acompanha o terço na rádio Renascença e não vê as reportagens das viagens papais nem ouve a mensagem de Natal do patriarca Policarpo.

A RTP, na sua dedicação à causa da fé, tem um sacerdote católico avençado na RTP1, de manhã, onde é presença regular. Haverá, pois, alguma honestidade na queixa de JCN?

Há uma justificação plausível para o delírio mitómano – as suas próprias palavras:
«Quem se afunda no deboche e sofre as suas dramáticas consequências sente a necessidade de descarregar os remorsos».

18 de Junho, 2007 Carlos Esperança

Brasil – Frei Galvão faz milagres online

Engana-se quem julga a Igreja católica imóvel, que só pensa no regresso ao latim e ao Concílio de Trento, que apenas sonha com Cruzadas e novas Inquisições.

Pelo contrário, a ICAR é uma adepta da produção em série, como demonstra nos beatos e santos que cria, para maior glória do Deus de fabrico próprio, ao preço de 1400 euros por milagre.

O número de bispos e cardeais, a quem distribui bibes de púrpura, mitras douradas e báculos com pedras preciosas cravadas, é prova do dinamismo da mercearia e da adaptação do bairro do Vaticano às exigências do mercado.

Agora o Vaticano começa a ser ultrapassado pelas sucursais nas maravilhas que obram e pelos santos que cria.

O primeiro santo do Brasil, criado com tecnologia local, começou a fazer milagres pela Internet. Ainda bem que não caiu a ligação quando o milagre estava a ser obrado. Frei Galvão, o primeiro santo com sítio, velas e orações online já começou a fazer milagres virtuais, apesar de já não precisar deles para a promoção canónica.

Com os avanços da Internet e o aumento da banda larga não faltarão megamilagres na giga superstição que embrutece os crentes e enche os cofres da multinacional da fé.

18 de Junho, 2007 Carlos Esperança

Os doidos de Deus

Reacção dura à decisão do Reino Unido em homenagear o escritor

«Se algum homem-bomba se fizer explodir, ele teria toda a razão para o fazer a não ser que o governo britânico peça desculpa e retire o título de «cavaleiro» a Salmon Rushdie, referiu esta segunda-feira o ministro dos Assuntos Religiosos do Irão, Mohammed Ijaz ul Haq citado pela Sky News.

RE: Para além do erro de sintaxe, fica a demência do ódio, a intolerância da fé, o horror à liberdade e o coice da besta.

«Este é o momento para 1.5 biliões de muçulmanos de todo o mundo se aperceberem da gravidade desta decisão», acrescentou salientando ainda que o «Ocidente está a acusar os muçulmanos de extremismo e terrorismo».
RE: Não são os muçulmanos os extremistas, é o Islão que é criminoso, bárbaro e boçal, que odeia a liberdade mais do que o álcool e o toucinho.

O Irão acusou o Reino Unido de insultar o Islão ao ordenar cavaleiro o escritor Salman Rushdie, autor da polémica obra «Versículos Satânicos», que lhe custou uma fatwa, lançada pelo Ayatollah Khomeini.
RE: Quem insulta a inteligência e a democracia é o Irão com a violência contra as mulheres, com autorização de casamentos por meia hora e a legitimidade de um homem se poder casar com uma criança de 9 anos.

Segundo Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do ministro dos negócios estrangeiros, a decisão de honrar o novelista é um atentado à sociedade islâmica, uma vez que Rushdie é «uma das figuras mais odiadas».
RE: Ser uma figura odiada do Islão é um atestado de grandeza moral passado à vítima.

«Honrar e entregar uma comenda a essa figura odiosa coloca definitivamente os oficiais britânicos em confrontação com as sociedades islâmicas», disse, indo ainda mais longe nas acusações: «Este acto demonstra que o insulto aos valores sagrados do Islão não é acidental. É planeado, organizado, guiado e apoiado por alguns países ocidentais».
RE: Quem se coloca em confrontação com as sociedades livres e democráticas é o Corão, um livro pouco recomendável, arauto de uma civilização falhada e de inomináveis atrocidades.
16 de Junho, 2007 Carlos Esperança

Honni soit qui mal y pense

Virgem saboreada e paga às fatias.

Já não bastava comerem-lhe o filho às rodelas!