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Carlos Esperança

21 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Humor negro

(sem se rir)

Bento XVI pede respeito pelas opiniões de todos

Lotação esgotada no Vaticano em manifestação de apoio ao Papa

Bento XVI viveu este Domingo um dos maiores banhos de multidão do seu pontificado, com mais de 100 mil pessoas (200 mil segundo o porta-voz do Vaticano) a marcarem presença no Angelus.

21 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Terrorismo islâmico

O desmantelamento de uma célula de presumíveis terroristas islâmicos em Barcelona é uma boa notícia mas aumenta a perplexidade perante a capacidade e determinação dos suicidas islâmicos. Sábado, o jornal El Pais noticiou que Portugal, França, Reino Unido e Espanha foram alertados pela secreta espanhola para riscos de atentados durante o périplo europeu do presidente Musharraf, do Paquistão, iniciado em Bruxelas.

O respeito pelos islamitas inocentes e por muitos outros que o terror religioso impede de abjurar, obriga ao comedimento de quem sabe que é fácil atear ódios, despertar emoções racistas e incitar à xenofobia. É, pois, inaceitável que ao terror islâmico se replique com a suspensão do Estado de direito ou o aligeiramento das normas democráticas.

A Europa está, neste caso do terrorismo religioso, a responder de forma irrepreensível e é bom recordar que o que os árabes (maioritariamente muçulmanos) mais apreciam na Europa é a liberdade religiosa. Mas não se pode desprezar o conteúdo do Corão e a conduta dos pregadores do ódio que usam as mesquitas como campos de doutrinação terrorista e os sermões como veículo de fanatização.

A Europa conhece o que sofreu, no passado, com as lutas religiosas de que os dirigentes políticos actuais parecem andar esquecidos, capazes de trocar por um punhado de votos a laicidade que permitiu conter o proselitismo das diversas religiões. Essa cumplicidade está na origem de mentiras que atribuem objectivos de paz às religiões e aos seus crimes meros desvios de radicais dementes.

Ora isso não é verdade. O que Bento XVI disse de Maomé, através de uma citação, em Ratisbona, era pura verdade embora dita por quem lhe minguava autoridade.

Esquecer que o Corão, um plágio grosseiro dos mitos judeus e cristãos, servido por uma ideologia guerreira, é incapaz de renunciar à tortura e à censura – práticas de que judeus e cristãos há muito se privam –, é alimentar um mito politicamente correcto e perigoso.

Basta ver o júbilo pio da rua islâmica sempre que alguns infiéis explodem na companhia de um suicida que julga ter 70 virgens à espera no Paraíso, numa ânsia de deboche para que a repressão sexual o impele. Fantasias de santas alimárias que não imaginam que as virgens prometidas pelos mullahs não passam de um erro de tradução.

Matam e morrem por umas «passas de uvas brancas doces». 

20 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Xiitas nas ruas de Kerbala

Se a existência de Deus dependesse do número de crentes e a sua bondade das tropelias de que estes são capazes, certamente que o dos xiitas era bem credível e bondoso.

Ontem, 2,5 milhões de peregrinos imbuídos de uma fé avassaladora rumaram a Kerbala. Vê-los na televisão a flagelarem-se, ver o sangue a brotar dos corpos chicoteados pelos próprios, crianças que já rasgavam a pele para agradar a Deus, senti um imenso dó das vítimas da fé e uma raiva ainda maior dos clérigos que pregam, estimulam e aplaudem estes actos de demência.

Os crentes estão para a fé como as moscas para o seu alimento predilecto. Se crêssemos no paladar das moscas, se admitíssemos que biliões de moscas não se enganam, estaríamos condenados a refastelar-nos com excrementos.

Os ateus são a consciência crítica da humanidade, que não se deixam contaminar com o desvario de milhares de milhões de crentes.

Pobres xiitas, com a pele rasgada, a derramarem sangue para consolo do mito tenebroso que os padres inventaram. E acreditam que, algures, no Paraíso um Deus raivoso rebola de gozo perante o sofrimento inútil e a humilhação gratuita. 

19 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

B16 e a Universidade La Sapienza. Texto de um leitor

Se algum dia a Igreja – vamos falar deste torrão pátrio – tivesse tido a humildade ou a ousadia de convidar, p. exº, o escritor Luiz Pacheco, para uma prédica dominical, num dos seus múltiplos templos, então teríamos retirado grandes pedregulhos do muro da intolerância…

Laicidade não significa recusar ouvir quem quer que seja. Significa ouvir todos, sem privilégios (de qualquer natureza). Laicidade é sinónimo de equidade e universalidade.
Bento XVI teria estado na Universidade La Sapienza, porque o reitor resolveu conceder-lhe esse especial privilégio (sem ouvir o corpo docente).
Mas nada de especial habilitava o académico Ratzinger para falar sobre a Ciência, tema escolhido para a abertura do ano escolar nessa Universidade romana.
Pelo contrário, as suas concepções sobre Ciência, à luz dos actuais conhecimentos, são pouco recomendáveis.

A frase invocada pelos académicos, para o declarar “personna non grata”, pode ser inserida em milhares de contextos (como já vi escrito), mas o então cardeal Ratzinger, em 15 de Março de 1990, disse:
“Na altura de Galileu, a Igreja mostrou ser mais fiel à razão que o próprio Galileu. O julgamento contra Galileu foi razoável e justo”.

Ora bolas! Para o Mundo, a prisão e o julgamento de Galileu tornou-se o mais citado e paradigmático exemplo da luta entre “fé e ciência”.

a) e-pá

18 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Missa zoológica

Fiéis levaram nesta quinta-feira seus animais domésticos à Praça São Pedro para a festa de Santo Antonio Abate, protetor dos animais domésticos. A iniciativa foi organizada pela Associação Italiana de Criadores e cinco mil de seus membros compareceram ao Vaticano com cavalos, galinhas, cabras, coelhos, cachorros e até um avestruz. A festa de Santo Antonio Abate foi celebrada com uma missa na Basílica de São Pedro, realizada pelo cardeal Angelo Comastri, que benzeu os animais após a cerimônia.

Comentário: Os animais não tiveram direito à eucaristia.

18 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Amnistia Internacional

El artículo 104 del Código Penal iraní describe que la pena con la que se castigará el “delito” del adulterio será la lapidación. Para ello se usarán piedras “no tan grandes como para matar a la persona de uno o dos golpes, ni tan pequeñas como para no poder considerarlas piedras”. En el artículo 102 se detalla que para ejecutar este castigo, en el caso de un hombre, se le enterrará en el suelo hasta la cintura, y en el caso de las mujeres, hasta el pecho.

Amnistía Internacional lanza hoy el informe contra la lapidación en Irán, mientras, al menos 11 personas, están condenadas.

Tu firma es una herramienta útil. Úsala para que podamos desterrar este castigo cruel. Sólo necesitarás dedicar un minuto de tu tiempo. Además si puedes, reenvía esta campaña a todos tus contactos.

De todo corazón, gracias.

Esteban Beltrán

Director – Amnistía Internacional

18 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

A vida de José. Crónica piedosa

Naquele tempo, em Nazaré, aparava tábuas um carpinteiro, com delongas, que a crise da construção civil estava para durar. A cidade regurgitava de taumaturgos, pregadores, profetas e mendigos, que os tempos eram difíceis e urgia fazer pela vida.

José, na pacatez de quem se habituara a esperar pelas encomendas, ruminava o desgosto da miséria em que caíra, descendente que lhe diziam ser do rei Salomão, personalidade que ficava bem em todas as árvores genealógicas mas não mitigava a fome a ninguém.

Às vezes soía o carpinteiro abandonar as alfaias do ofício e entrar sorrateiramente em casa para solicitar à mulher o cumprimento das obrigações matrimoniais. Demovia-o ela por mor da enxaqueca que a apoquentava, da dor de dentes que lhe provocava a cárie do segundo molar ou do estado de impureza que invocava. E lá voltava o carpinteiro para o ócio da oficina que as encomendas tardavam em chegar e era inútil a faina.

Quando um dia esperava a compreensão da mulher ouviu dela o anúncio da gravidez, um milagre que a própria não sabia explicar e que ele aceitou mal, apesar da conversa que a casta esposa tivera com o anjo que trazia o correio do Paraíso, de nome Gabriel, e que tanto anunciava uma gravidez a uma virgem, mulher de um carpinteiro judeu, como ditaria em árabe, séculos depois, a vontade de Deus a um rude condutor de camelos.

E o José, na sua infinita paciência e melancolia, ensimesmado, refugiava-se na oficina, e pensava na vida. Um dia poisou-lhe nas tábuas por aparar uma pomba. Pegou num martelo e atirou-lho com tal força e pontaria que a pomba, a sangrar do bico, logo se finou.

Chegou o anjo Gabriel, furioso como nunca se vira, a abanar as asas e a levantar poeira, a avançar irado para o carpinteiro. Este, calmo e decidido, impediu o anjo de falar.

– Não te metas na minha vida, são contas velhas.