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20 de Setembro, 2018 Carlos Esperança

Direitos Humanos e tradição

Quando vejo invocar a tradição, como argumento para qualquer iniquidade, apetece-me sacar da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) que a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas proclamou em 10 de dezembro de 1948, ainda com a tímida designação de Direitos do Homem, e o rancor das madraças e sacristias que lhe denunciavam o pendor ateu. Já eu sabia ler.

Foi em 1893, no dia de hoje, apenas 55 anos antes, que a Nova Zelândia foi o primeiro país a ‘permitir’ o voto das mulheres (JN, hoje, Efemérides, pág. 51). Repare-se no verbo, como se um direito, embora inédito, fosse uma autorização, uma concessão, um consentimento masculino que deixava de proibir o que Deus tinha por desígnio.

Refiro o direito que então foi ‘concedido’, não para exultar com a ‘generosidade’, mas para execrar a iniquidade da demora. Não foi pequeno o salto civilizacional do facto, o seu pioneirismo, a abertura para a igualdade que ainda hoje não está conseguida, mas é motivo de reflexão tão tardia marcha para a civilização.

Que preconceitos atávicos, que raio de tradição, ou devoção, levou a que se perpetuasse a infâmia, a que metade da Humanidade fosse afastada dos direitos humanos?

Que caminho será preciso ainda percorrer para que a moral das sociedades patriarcais da Idade do Bronze seja erradicada do Planeta?

Quando me justificam as iniquidades com a tradição apetece-me esfregar nas ventas dos argumentadores a DUDH, e quando me dizem que é a vontade do Deus que os patriarcas inventaram, para benefício dos homens, apetece-me abrir-lhe a cabeça com os livros sagrados com que ofendem, humilham e exploram metade da Humanidade.

Maldita misoginia.   

14 de Setembro, 2018 Carlos Esperança

Detido por ler a Bíblia?

Espanha

Português detido em contramão a ler a bíblia está desaparecido

Português detido em contramão a ler a bíblia está desaparecido

Um homem de 51 anos de Rio de Moinhos, no concelho de Penafiel, está desaparecido em Espanha.

José Cunha, emigrante na Alemanha e com uma depressão crónica, foi detido na Corunha, quando conduzia em contramão enquanto lia a bíblia. Foi libertado, mas continua sem chegar a casa. A família está desesperada e alguns familiares já se deslocaram para Oleiros, na Corunha, para procurar o homem.

13 de Setembro, 2018 Carlos Esperança

Foi dos melhores papas da ICAR…

…admitindo que algum foi bom.

Arqueólogos revelam provas de que a Papisa Joana existiu

Wikimedia

A Papisa Joana representada como o anti-cristo. “The Whore of Babylon”, óleo de Lucas Cranach (1534)

Arqueólogos conseguiram provas substanciais de que uma mulher ocupou o cargo mais importante da Igreja Católica. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Flinders, na Austrália.

Para os pesquisadores, a história acerca da existência de uma papisa, alimentada desde a Idade Média, é real. Entre as provas que sustentam os argumentos está a produção de moedas em homenagem à papisa.

De um lado das moedas analisadas está o nome do imperador Luís II. Do outro, um monograma assinado pelo papa vigente que representa o nome “IoHANIs”. Segundo os pesquisadores, este nome pode ser lido como “Iohannes”, latim para João.

“Nessa época [850 d.C.], não existiu oficialmente nenhum papa com o nome de Iohannes. Mas há muitos registos de Iohannes Anglicus, a papisa”, afirmou Michael E. Habicht, autor do livro “Papisa Joana: O Pontificado Encoberto de uma Mulher ou uma Lenda?”, numa entrevista à AH.

De acordo com o escritor, a história oficial apresentada pela Igreja levantou sempre suspeitas. O autor destaca ainda que a ligação das moedas ao nome de João VIII, que reinou de 872 até 882, é bastante frágil.

“Esse papa tem um monograma diferente. E uma análise grafológica apoia a conclusão de que são diferentes assinaturas, de duas pessoas diferentes”, conclui.

Apesar de muito comentada durante a Idade Média, esta história e estas suspeitas acabaram por cair em esquecimento com o passar do tempo. Em 1099, o dominicano Jean de Mailly, ressuscitou a lenda, falando sobre a vida de Joana.

Pesquisadores dizem que Joana se disfarçou de homem para ascender na hierarquia católica, até conseguir ser eleita papa. A papisa teria reinado entre 856 e 858, sob o nome falso de João (Iohannes, em latim) e o disfarce foi descoberto durante uma procissão, quando o suposto papa João se sentiu mal e deu à luz no meio da rua.

A peripécia, por motivos óbvio, causou grande indignação e levou Joana para a prisão, onde, depois de ver o seu nome removido de todos os documentos da Igreja Católica, acabou por falecer, aos 42 anos, pouco tempo após o nascimento da sua criança.

Joana terá nascido na Idade Média, em janeiro de 814. Proveniente de uma família de camponeses, seria filha de um missionário da Igreja Católica. Historiadores dizem ainda que a jovem tinha o hábito de questionar os cânones do seu tempo.

A história da papisa chamou atenção do cinema e em 1970, a atriz Liv Ullman protagonizou um filme sobre o assunto. Em 2009, a papisa voltou aos grandes ecrãs numa produção dirigida pelo cineasta alemão Sonke Wortmann. O filme baseou-se no livro “Papisa Joana”, da inglesa Donna Woolfolk Cross.

Até aos dias de hoje a Igreja Católica não permite mulheres em cargos de liderança.

ZAP // Hypeness