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27 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

HIPOCRISIA

Cidade do Vaticano, 26 Jan. (RV) (…) O papa concluiu a homilia recordando que em 25 de Janeiro de 1959, exactamente cinquenta anos atrás, o bem-aventurado Papa João XXIII manifestou pela primeira vez o desejo de convocar “um Concílio Ecuménico para a Igreja Universal”. (…)

27 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Autocarro ateu circula em Madrid

Saúdo a União de Ateus e Livres Pensadores de Espanha e congratulo-me com a chegada do autocarro ateu a Madrid onde os madrilenos podem ler: “Provavelmente Deus não existe. Então, deixe de se preocupar e desfrute a vida”.

Sendo pacífica a manifestação de cidadania, ao contrário das homilias homofóbicas do cardeal Rouco Varela ou dos mullahs islâmicos contra os infiéis, espero que a população madrilena tenha mantido o civismo, sem se deixar instrumentalizar pelos fundamentalistas que consideram a Espanha um protectorado do Vaticano.

Perante numerosas solicitações e ofertas de  dinheiro, algumas aqui no DA, para importar esta iniciativa dou a minha opinião pessoal:

1 – Não temos ainda meios humanos e financeiros para, neste momento, pôr de pé uma iniciativa desta natureza em Portugal;

2 – As ofertas reiteradamente feitas impedem a sua aceitação por não se poder assegurar o êxito da iniciativa e não haver condições para, em caso de fracasso, devolver as importâncias recebidas;

3 – Saúdo todos os ateus e livres-pensadores e acompanha-os na inquietação com a agressividade das três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo –, frequentemente detonadoras do ódio e fomentadoras de guerras.

O ateísmo tem rodas para circular contra o pensamento único e a intolerância religiosa porque « provavelmente Deus não existe» e não há motivos para temer o que não existe nem razões para o medo que  impede as pessoas de desfrutarem a vida.

26 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Bento 16 – Papa integrista

O Vaticano anulou a excomunhão dos bispos extremistas ordenados em 1988 por Monsenhor Marcel Lefébvre, através de um decreto datado de 21 de Janeiro e  publicado no último Sábado.

João Paulo II, santo por profissão e infalível por inerência, excomungou há vinte anos o arcebispo integrista e os bispos por ele sagrados à revelia do Vaticano. A cidade de Roma e o Mundo espantaram-se por terem sido excomungados bispos fascistas quando era hábito virar armas contra a esquerda. Quem não conhecia a Cúria admirou-se de como foi possível, sendo João Paulo II conservador e Rätzinger prefeito da Sagrada Congregação da Fé (ex-santo Ofício), de ideias abertamente reaccionárias. Mas o mal acaba de ser reparado.

Rätzinger é agora santo, por desígnio do Espírito Santo e vontade do Opus Dei, e infalível por herança de Pio IX. Desde o início do seu pontificado, com o regresso ao latim, mostrou  como era sensível ao magistério de Lefebvre e dos seus sequazes, um dos quais nega o Holocausto – Richard Williamson, agora reabilitado.
Não se trata de discutir a existência de Deus, é necessário denunciar quem se instalou no Vaticano e acolhe os talibãs da fé romana.

O próximo passo será a concessão do estatuto de prelatura ao inquietante bando dos quatro bispos agora reintegrados na ICAR: os franceses Bernard Fellay, líder da Fraternidade, e Bernard Tissier de Mallerais, o argentino Alfonso de Gallerata e o britânico Richard Williamson.

O poder financeiro do Opus Dei foi determinante no apoio ao sindicato Solidariedade da amada Polónia de JP2 e acabou por dominar o Vaticano. Agora é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que prega o catolicismo do Concílio de Trento, que ajudará à glória de Bento 16. São mais 460 padres e milhares de devotos a reconduzir a Igreja à Idade Média.

Quem disse que a modernidade tinha chegado ao antro do Vaticano?

25 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Ateus e falsos ateus (2)

As Igrejas têm um ror de prosélitos a defender-lhes as manhas e a publicitar as virtudes dos seus deuses. Têm gente à espera de bilhete para o Paraíso, capaz de dar a vida, própria e alheia, para ouvir as sinfonias que os padres prometem com o som de harpas tocadas por anjos.

Os crentes têm certezas sobre coisa nenhuma enquanto os ateus têm dúvidas sobre todas as coisas. Por isso, os crentes repetem tautologicamente as afirmações de que não têm provas enquanto os ateus duvidam de provas sem confirmação.

Os crentes são dados a rituais, suportam as genuflexões, inalam em êxtase os odores pios e acreditam que a água benta é diferente da outra. Os ateus têm a pituitária alérgica ao incenso e a pele avessa à água benta.
Mas há seres híbridos que, para defenderem as Igrejas e os seus dogmas, se dizem ateus para servirem de polícias da fé. Afirmam que os ateus não devem associar-se, que não têm o direito de criticar quem crê, que devem deixar à solta a mentira e o embuste.

Estes avençados do divino julgam que o ser imaginário lhes pagará a pia mentira com uma assoalhada para a alma, seja lá isso o que for, pelos bons serviços que julgam prestar ao negócio da fé e à indústria dos milagres.

Bem-aventurados os pobres de espírito.

25 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Momento de poesia

Dissertação sobre a existência de Deus…

Ao Carlos Esperança,
pelo seu esclarecido empenhamento
na causa ateísta

Hoje trago-vos uma boa notícia
Deus não existe
ou, pelo menos, não existe
tal como os sacerdotes o inventaram
procurei-o por toda a parte
nas cidades, nos palácios, nos muceques,
nas favelas e em todos os bairros da lata
procurei-o por montes e vales
na infinidade do Céu e da Terra
nas intimidades da natureza humana
e não o encontrei
nem a matéria o revelou
assim como não tropecei
nas asas de um qualquer arcanjo
a arengar as palavras divinas
também não me apareceu no Sinai
embora eu tivesse levado as tabuinhas
a gruta de Meca estava interdita aos infiéis
e já nem foi preciso ir a Jerusalém
visitar o Muro, o Sepulcro
e o Pátio das Mesquitas
na esperança de provar a sua existência
ali só iria sentir o cheiro intenso dos incensos
e o ódio em todas as bocas
nas horas das lamentações
e no coro de todas as orações.

Alexandre de Castro

24 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Morrer em Cristo

SÃO PAULO – A Associação dos Advogados Criminalista do Estado de São Paulo (Acrimesp) informou que foi procurada por 40 famílias que devem entrar com acção na Justiça por danos morais e materiais contra a Igreja Renascer em Cristo.

O tecto da sede mundial desabou no domingo, no Cambuci, zona sul de São Paulo, e deixou nove mortos e 108 feridos.

Segundo o presidente da Acrimesp, Ademar Gomes, os familiares devem formar uma Associação de Vítimas da Renascer para organizar a acção. (Leia mais…)

24 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Laicidade a menos. Opinião de um leitor

God bless America?

Por: Renato Soeiro

(Publicado em: O Gaiense, 24 de Janeiro de 2009)

Os EUA e o mundo chegaram ao fim de um pesadelo. Bush partiu, sem honra nem glória, detestado pelos seus e odiado pelo mundo.

O fim de um pesadelo não é necessariamente o início de um sonho. Mas é certamente o início de um novo ciclo, que não poderá ser pior do que o anterior.

O discurso inaugural de Obama, que o mundo ouviu com emoção e esperança, teve inúmeros aspectos positivos, absolutamente diferenciadores da retórica e da estratégia do seu antecessor. Embora tenha acabado mais ou menos com as mesmas palavras: “God bless the United States of America”.

Apesar de referir que “somos uma nação de cristãos e muçulmanos, de judeus, de hindus e de não-crentes”, apesar de apelar à unidade de todos os norte-americanos, o seu juramento foi feito sobre o livro sagrado de apenas uma daquelas religiões e o seu discurso esteve repleto de referências a Deus e às Escrituras. Até a igualdade e a liberdade foram referidas como dádivas de Deus, a fonte do chamamento para forjar um destino incerto.

Já antes do discurso do presidente, o controverso pastor evangélico Rick Warren tinha feito uma invocação usando citações judaicas e cristãs. E depois do seu discurso, o reverendo Joseph E. Lowery abençoou Obama com as suas palavras (no mais progressivo de todos os discursos da cerimónia, referindo mesmo a transformação dos tanques de guerra em tractores).

Foi Deus a mais para a sensibilidade política dos europeus, que não vêem com muito bons olhos esta mistura de política com religião, que tantos problemas continua a gerar no conflituoso mundo em que vivemos. Até porque, em princípio, se trata do mesmo Deus invocado por Bush em cada um dos seus discursos, nomeadamente naqueles em que fez as desastradas declarações de guerra que marcaram tragicamente o seu mandato. Invocado em vão, como se provou.

24 de Janeiro, 2009 Ludwig Krippahl

Extremismo, só com moderação.

Foi marcado o julgamento do casal Neumann, do Wisconsin (1). Cristãos dedicados, sempre trataram a sua filha Kara com oração em vez de medicação. Infelizmente, a criança tinha diabetes e morreu em Março do ano passado. Tinha 11 anos de idade e nenhuma culpa pelos genes e pais que o deus dos seus pais lhe dera. Se condenados, os devotos Neumann podem cumprir até 25 anos de prisão. Não ajuda a Kara mas talvez evite que façam o mesmo a outro filho.

Felizmente, a maioria dos crentes não é idiota e a maioria das crianças não tem doenças mortais. Por isso a conjunção dos dois é rara. Mesmo assim, só nos últimos 25 anos a estupidite religiosa matou trezentas crianças nos EUA. É muito menos rara do que devia ser.

Mas também é preocupante que as crenças dos fundamentalistas e dos moderados sejam as mesmas. Ambos crêem que os filhos nascem com a religião dos pais, que as coisas acontecem segundo a vontade divina, que um livro sagrado é a palavra do seu deus e assim por diante. A grande maioria de crentes sensatos distingue-se da minoria de doidos apenas por levar as mesmas crenças menos a sério.

Pode bastar. Há muita gente que bebe bagaço ou fuma haxixe sem ser alcoólico ou drogado. Mas tem que ser pouquinho de cada vez. Também as crenças religiosas são para consumir com moderação por serem tão fortes. Há poucas religiões light. Um deus algo-poderoso que dê uns toques aqui e ali não satisfaz. Os crentes querem um Deus Todo-Poderoso, com maiúsculas e tudo, capaz de controlar todo o universo. Uma crença que os aqueça por dentro. Mas disso só se pode tomar um calicezinho aos domingos e dias de festa. E nunca quando se tem crianças doentes em casa.

1- New York Times, Trials for Parents Who Chose Faith Over Medicine

Em simultâneo no Que Treta!

24 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

A oração – o anestésico da inteligência

Se acreditassem nas orações, as religiões já teriam encomendado ensaios duplo-cegos para demonstrar  a superior eficácia em relação ao placebo pois é a metodologia habitual para testar a eficiência das drogas.

Os pedidos pungentes dos crentes,  ao longo dos séculos, jamais levaram o deus de cada religião a intervir nas leis da física ou a alterar condições meteorológicas. Não se trata de surdez divina, apenas de destinatário cuja existência aguarda provas.

Poder-se-á perguntar o que leva os especialistas do marketing da fé a insistir nas velhas e ineficazes receitas. Os subornos através de orações são inúteis e moralmente condenáveis, mas há uma razão plausível para a insistência:

Enquanto rezam, os crentes perdem o espírito crítico e aceitam a propaganda do clero.

Os crentes sabem que as outras religiões são falsas, o que, de facto, é verdade. Mas como não lhes dizem que a sua provavelmente também é, partem de joelhos a pedir ao seu deus – o único verdadeiro – para que converta os crentes da concorrência.

Está em curso na ICAR a «semana de oração», com «apelo à conversão», mas as outra religiões também pedem o mesmo e os deuses, cansados da guerra pela hegemonia no mercado, há muito que não fazem prova de vida.

A oração – diz um bispo – dispõe o coração a acatar o que Deus quer. Na falta de um deus que se pronuncie o clero tem procuração para divulgar a vontade.

Não viria mal ao mundo se as crenças fossem da esfera particular, sem o desejo de conversão e a violência irracional com que alguns crentes querem salvar todos os outros.