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18 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

ICAR – Regresso ao passado

Não foi só a missa que regressou ao latim e os bispos fascistas ao seio da Igreja católica. É a agenda conservadora e obscurantista que está de volta pela mão de Bento 16 e sob o patrocínio do Opus Dei.

Os anúncios, em quadros de avisos e sites de igrejas, foram recebidos com entusiasmo por alguns e cautela por outros. Mas certo, certo, é que voltam em força, ao mercado, as velhas indulgências que escandalizaram Lutero.

Também regressa a arma medieval – a confissão –  que permitia à Igreja policiar as almas e controlar a sociedade embora nunca tenha sido abandonada. Os crentes é que se afastaram.

Bento 16 não desiste de uma certa forma de proselitismo. O apelo à confissão, feito no último Domingo, é disso a prova:  Os pecados que cometemos “distanciam-nos de Deus, e se não são confessados humildemente confiando na misericórdia divina, chegam até mesmo a produzir a morte da alma”. Cá está a ameaça do Inferno, o medo como veículo da fé, a confissão como detergente do pecado. (Ver os dois últimos posts).

A insistência nos milagres é mais uma manifestação do obscurantismo a que os dois últimos pontificados regressaram. Nuno Álvares Pereira vai ser canonizado com o ridículo da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina, olho queimado com óleo de fritar peixe. «Urbano II fez uma excepção para quem há mais de 200 anos era prestado culto e reconhecido, pelo povo, a santidade», excepção que D. José Policarpo, bispo e cardeal-patriarca de Lisboa, tinha já confirmado aplicar-se-lhe, quando o processo foi reaberto a 13 de Julho de 2004, afastando o ridículo e a galhofa. Mas este Papa não tolerou a canonização administrativa.

Faz mais o papa pela descrença do que todas as associações ateístas.

18 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Indulgências de novo à venda

Os anúncios, em quadros de avisos e sites de igrejas, foram recebidos com entusiasmo por alguns e cautela por outros. Mas, em termos gerais, uma imensa geração de católicos romanos os ignorou por não fazer idéia do que significava o título “bispo anuncia indulgências plenárias”.

Nos últimos meses, dioceses de todo o mundo vêm oferecendo aos católicos um benefício espiritual que havia saído de moda décadas atrás – indulgências, uma forma de amnistia para as punições que os aguardariam no Além.

Isso serve como lembrete sobre o poder da Igreja para mitigar as consequências do pecado.

Comentário: É o regresso ao obscurantismo.

17 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Momento zen de segunda

Enquanto o teólogo Hans Küng afirma que o Papa comete um erro após o outro, os judeus temem que regresse ao anti-semitismo do Novo Testamento, a senhora Merkel se sobressalta e a comunicação social de todo o mundo anatematiza o velho prefeito da Sagrada Congregação da Fé, ex-Santo Ofício, aparece finalmente um irredutível devoto.

João César das Neves (JCN), na sua habitual homilia no DN, vem em socorro de Rätzinger que sofreu com a excomunhão de monsenhor Lefebvre e dos seus sequazes e que, ao tempo, a quis evitar.

JCN tem direito a defender o Papa, sendo certo que o defenderia se ele actuasse ao contrário do que tem feito, porque se move pela devoção, procura a salvação da alma em vez da análise e confunde a fé com a verdade. Para o devoto era-lhe indiferente que, para reintegrar bispos racistas e xenófobos, o Papa tivesse regressado à missa em latim ou a impusesse em aramaico.

Não é o bispo fascista Richard Williamson que está em causa – como afirma –, é o chefe da Igreja católica que o reintegrou não podendo desconhecer as suas reiteradas manifestações negacionistas e anti-semitas. Não cessaram os motivos da excomunhão nem se alterou a conduta extremista dos membros da  Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Segundo JCN «A Igreja (…)  procura reconciliar-se com todos os que ao longo dos séculos foram abandonando a comunhão católica», mas esquece os progressistas que a própria Igreja silenciou ou a quem interditou o múnus bem como o facto de ser o cristianismo uma cisão do judaísmo.

S. João Crisóstomo considerava bordéis as sinagogas e o imperador Constantino odioso o povo judeu. Não foram os nazis os primeiros a instituírem o gueto e a obrigarem os judeus ao uso de um distintivo amarelo. Coube ao Papa Paulo IV, no séc. XVI, essa infâmia.

Bento 16 precisava bem de demarcar-se do anti-semitismo, pela origem do seu nascimento, a circunstância da sua adolescência e a tradição da sua fé.

E não o fez.

Por muito que custe a JCN.

16 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Ainda há quem o ature?

Cidade do Vaticano, 15 Fev. (EFE).- O papa Bento XVI incentivou hoje os fiéis, em seu discurso prévio à oração do Angelus dominical, a confessarem seus pecados, porque, caso contrário, ocorre “a morte da alma” . (Leia mais)

15 de Fevereiro, 2009 Miguel Duarte

O Encontro Ateísta e Humanista de Fevereiro em Lisboa

O encontro Ateísta e Humanista do último dia 12 contou com a presença de três entusiásticos participantes e decorreu em pleno centro de Lisboa, no Chiado.

As conversas saltaram de tópico em tópico, percorrendo temas como o livro que um dos participantes está a escrever sobre a sua teoria relativamente à inexistência de Jesus, a discussões sobre o que se pode fazer para melhorar a vida dos não crentes em Portugal e a discussões sobre a religião no Médio Oriente.

O entusiasmo foi tal que o encontro durou mais de três horas e quando decidimos que era altura de encerrar o nosso encontro já passava das 22:00. Ficou a promessa de nos voltarmos a encontrar no fim de Março e a esperança de podermos ter mais participantes para transformarmos estes encontros numa verdadeira reunião dos não crentes alfacinhas.

Caso deseje estar informado sobre a realização do próximo encontro, inscreve-se aqui no site do meetup.