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A polémica sobre o “véu islâmico” varre a França há vários anos. Ela é, acima de tudo, fruto do secularismo que está entranhado no povo gaulês e de um indefinido sentimento de islamofobia, cujas raízes se entroncam no fatídico 11 de Setembro de 2001.
Citando um político conservador, Jacques Chirac, então ( em 2004) Presidente da República francesa, uma das essências da República é a laicidade. Disse sobre este problema: “a separação entre Estado e religião, é a pedra fundamental da República, o conjunto de nossos valores comuns de respeito, tolerância e diálogo”.
Com certeza que sim!
É, todavia, discriminatório restringir este problema aos diferentes tipos de véus ou vestimentas islâmicas. A laicidade deve tocar a todos. Nomeadamente, por serem mais expressivas demograficamente, aos cristãos e aos judeus.
Não se percebe a razão da proibição do véu islâmico se, ao mesmo tempo, não interditarmos – para nos circunscrevermos às religiões mais conhecidas – o uso de quipás (aquele solidéu que cobre o apex da cabeça dos judeus), nem a permanência de crucifixos pendurados em espaços públicos, nomeadamente em escolas.
Como, também, não se compreende a discriminação dos feriados religiosos que, habitualmente, na Europa, contemplam, selectivamente, a religião cristã. Porque não são feriados, por exemplo, o Yom Kippur (judaico) e Aïd-el-Kebir (muçulmano)?
Na verdade, a comunidade islâmica em França é enorme. Cerca de 5 milhões.
Mas a polémica não se restringe ao uso de símbolos religiosos. Sarkozy incorporou neste campo, já minado pela discórdia, o problema da identidade francesa..
Este novo item introduzido na discussão levou, por exemplo, a que tenha sido recomendado a recusa do direito de residência e cidadania a pessoas que apresentem sinais visíveis de práticas religiosas radicais.
É, neste convergência entre o uso de símbolos e a questão da identidade nacional francesa que a comunidade islâmica se sente particularmente atingida e vislumbra um incontornável traço de segregação.
Na verdade, sendo difícil definir o que são “práticas religiosas radicais” (o facto de os muçulmanos rezarem 5 x dia, será radicalismo?) as propostas de Sarkozy são, no concreto, um sério obstáculo a integração dos muçulmanos na sociedade francesa.
Na realidade, os problemas há muito tempo que se adivinhavam. O ministério empossado e escolhido por Nicolas Sarkozy conta com a participação de Eric Besson (por coincidência um homem oriundo da área socialista) que assumiu o cargo num “novo” ministério, com múltiplas competências: para a Imigração, Integração, Identidade Nacional e Desenvolvimento Cooperativo.
Esta designação contem a marca de água dos valores retrógrados da Direita (não obrigatoriamente republicanos como os de Chirac) e é reveladora de objectivos submersos que não andarão longe da pura xenofobia.
Como diz o povo: Nem tudo o que luz é ouro…!
O escândalo de abusos sexuais de menores por padres jesuítas num liceu de Berlim, revelado na semana passada, alastrou a outros colégios na Alemanha e no estrangeiro, confirmaram responsáveis desta ordem religiosa.
Na segunda-feira, três ex-alunos do Colégio de Sankt Ansgar, em Hamburgo, disseram que também foram vítimas de actos pedófilos por parte de um dos padres que leccionou em Berlim.
O padre em questão, de 65 anos, leccionou Religião e Alemão em Berlim, nos anos 1970 e, de 1979 a 1982, foi professor de Ginástica no Colégio Sankt Ansgar.
Talvez como preparativo da sua visita à Grã-Bretanha prevista para Setembro deste ano, o Papa Bento XVI decidiu criticar a legislação que já desde Janeiro de 2009 proíbe as agências de adopção – incluindo as agências católicas – de praticarem qualquer forma de discriminação em razão da orientação sexual.
Diz ele assim:
«A Grã-Bretanha é justamente conhecida pelo seu firme empenho na igualdade de oportunidades. Mas algumas leis aprovadas com esse objectivo têm como efeito impor limitações injustas à liberdade das comunidades religiosas actuarem de acordo com as suas crenças».
«Nalguns aspectos essas leis violam a lei natural sobre a qual a igualdade de todos os seres humanos está baseada e pela qual é garantida».
Fazendo jus ao seu papel de homófobo-supremo da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, Ratzinger acha que as leis que promovem a igualdade entre os seres humanos afrontam a liberdade de culto e, por isso, defende que as Igrejas devem poder discriminar os cidadãos de acordo com a sua moralidade religiosa.
É pois este energúmeno que vem a Portugal em Maio próximo, e que vai ser recebido pelo Presidente da República com honras de Chefe de Estado.
“Contemplando toda a gama de crimes nazis, a política do papa durante a primeira fase da guerra poderia ser definida como um exercício de conciliação selectiva“, escreve Friedländer.
Pacelli manteve Cesare Orsenigo, pro-nazista e anti-semita, como núncio em Berlim, e anulou a excomunhão do movimento monárquico e anti-judeu Acção Francesa.
“O papa não pode condenar atrocidades particulares”.
“Não esquecemos as deportações dos judeus, e em particular do trem que em 16 de Outubro de 1943 levou 1.021 deportados para Auschwitz da estação Tiburtina de Roma, diante do mutismo de Pio 12”, disseram os rabinos.
Comentário: Curiosa coincidência – B16 também anulou a excomunhão do movimento fascista e anti-semita – este de natureza eclesiástica – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX)
Arquivos sobre Pio XII serão abertos dentro de cinco anos
O prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, D. Sergio Pagano, informou que os registros referentes ao pontificado de Pio XII (1939-1958) estarão disponíveis para o acesso de estudiosos no prazo de cinco anos.
Papa critica projecto de lei britânico contra a discriminação de homossexuais
O papa Bento 16 criticou, nesta segunda-feira, um projecto de lei do governo britânico que pode, entre outras medidas, tornar ilegal a descriminação de homossexuais.
Terrorismo – Três terroristas tentaram entrar na casa do ilustrador holandês Kurt Westergaard, autor de uma das polémicas caricaturas de Maomé, com intenção de o matarem. A polícia parou a tiro a devoção e o crime.
Casamento gay – A lei que consagra direitos, negados a uma minoria, coloca Portugal em sintonia com os países mais avançados. É um problema de liberdades que foi enfrentado com firmeza e determinação, contra a raiva da ICAR.
Egipto – As perseguições aos cristãos coptas mostram a vocação totalitária dos crentes da religião dominante contra as minorias, na convicção de que o deus dos outros é sempre falso – o que pode ser verdade –, mas a violência torna-os malditos.
Centenário da República – Celebrar esta efeméride marcante é afirmar os seus valores: igualdade dos cidadãos perante a lei; separação da Igreja e do Estado; valorização do ensino e legitimação do poder pelo voto. Merece comemoração digna. Laica e democrática.
Associação Ateísta Portuguesa – A AAP defende as liberdades, incluindo a religiosa, revê-se na Declaração Universal dos Direitos do Homem e repudia as guerras santas e o ódio, tão do agrado dos crédulos e supersticiosos. Para que conste.
Holocausto – Sessenta anos depois do encerramento do campo de concentração de Auschwitz a memória da violência persegue-nos e não há resposta para a barbárie que assassinou milhões de judeus, ciganos e homossexuais num delírio racista do nazismo.
João Paulo II – O hábito de dormir nu, no chão, e de se flagelar com um cinto especial, seria sinal de santidade, que facilita a canonização – como afiançam os padres –, mas não é recomendável deixar alguém assim, sem tratamento médico
No início das comemorações do centenário da República é justo recordar o maior vulto político do período histórico de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926.
Afonso Costa foi o grande legislador e ideólogo da República. Defensor da laicidade e progressista, teve contra si os reaccionários de sempre, particularmente virulentos na época. Perseguido por todos os ditadores, João Franco e Sidónio Pais, encontrou no 28 de Maio quem de forma persistente e implacável o denegrisse e odiasse, quer durante o exílio em Paris, quer depois da morte.
Orador brilhante, governante probo e perspicaz, deve-se-lhe a Lei da Separação entre a Igreja e o Estado, a primeira Lei do Divórcio e notável legislação no âmbito da família (protecção de filhos ilegítimos, das mães solteiras, etc.).
Como ministro da Justiça, das Finanças e chefe do Executivo, Afonso Costa foi sempre um político de rara envergadura, competência e honestidade.
Hoje, 31 de Janeiro, 119 anos depois da fracassada revolta do Porto, que foi o embrião da República, começam as comemorações do centenário da República.
O ódio que ainda hoje lhe devotam os meios clericais mostra como a Igreja se adapta mal à separação do Estado. De pouco vale a tentativa actual de disfarçar o acrisolado amor à ditadura e ao ditador Salazar referindo vozes isoladas, nessa altura condenadas pela própria Igreja, recordando os raros clérigos honrados. Mesmo esses, só apareceram depois de 30 anos de conúbio e de silêncio cúmplice com os crimes do salazarismo
Nesta segunda República, iniciada em 25 de Abril de 1974, lembrar o maior de todos os republicanos – Afonso Costa – é pagar uma dívida de gratidão e denunciar os que nunca aceitaram a laicidade e a República.
Pergunta: Quem os obriga a casar com pessoas do mesmo sexo?
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