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24 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

Há mortos mais iguais do que outros

Milhares de católicos, entre fiéis e autoridades eclesiásticas, além do presidente do Haiti, René Préval, compareceram neste sábado ao funeral do arcebispo de Porto Príncipe, monsenhor Serge Joseph Miot, que morreu no terremoto do dia 12 de janeiro.

A missa, que durou duas horas e meia, foi celebrada ao ar livre, perto da catedral de Notre Dame de l’Assomption, um dos símbolos de Porto Príncipe, que ficou destruída depois do tremor.

23 de Janeiro, 2010 Luís Grave Rodrigues

As palhaçadas do Sr. Cardeal

 

Argumentando que a família se baseia no contrato entre um homem e uma mulher onde acontece a procriação, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, afirmou que «a Igreja Católica nunca aceitará o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo».

Mas será que este gajo – que pelos vistos não tem família – nem ao menos percebe a ridícula irrelevância daquilo que anda para aí a dizer?

22 de Janeiro, 2010 Ricardo Alves

«As Tardes da Júlia», 10/11/2009

Eis aqui, a pedido de vários comentadores e de várias famílias (umas muito católicas, outras nem tanto), a minha prestação no programa da TVI «As Tardes da Júlia», no dia 10/11/2009, em debate sobre laicidade e crucifixos com o sacerdote católico Jacinto Farias e com Hermínio Corrêa, representante da CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais). Em representação da Associação República e Laicidade.

Crucifixos nas escolas – Tardes da Júlia from Republica Laicidade on Vimeo.

21 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

A indústria dos milagres e Pio XII

Diálogo de reaccionários

Diálogo de reaccionários

O Papa não é obrigado a ser crente, mas tem o dever de preservar a fé e de a promover. Não admira, pois, que, apesar do descrédito dos milagres e da santidade, ainda insista no negócio das beatificações e canonizações para contentar os crentes e competir com a concorrência.

Que um torcionário tivesse sido beatificado entre centenas de bem-aventurados cuja santidade se manifestou sobretudo no ódio à República espanhola, é um detalhe que não embaraça um papa que trocou os milagres avulsos pela produção industrial.

Bento XVI foi o ideólogo de João Paulo II, supersticioso, muito provavelmente crente, que canonizou monsenhor Escrivà de Balaguer, admirador de Hitler e indefectível de Franco, depois de lhe ter adjudicado três milagres, um acto de gratidão pela solução encontrada em vida para o escândalo do Banco Ambrosiano.

As canonizações são pias condecorações póstumas, de que a teocracia do Vaticano tem o alvará, iguais às veneras que nos países laicos fazem comendadores e cavaleiros, para gáudio dos agraciados, pagamento de favores ou distinção de méritos públicos.

Não se percebe, à primeira vista, a batalha que o actual pontífice trava para elevar aos altares o Papa de Hitler, Pio XII, quando o Vaticano é uma criação de Benito Mussolini e este foi considerado, pelo infalível Papa de serviço, como enviado da Providência.

O nazismo, sendo um fenómeno de natureza secular, contou com a solícita colaboração de padres católicos e de pastores protestantes que forneceram as certidões de baptismo, permitindo, por exclusão, mais facilmente diagnosticar os judeus. E quem se admira do ódio aos «pérfidos judeus» que nasceu com um dissidente, Paulo de Tarso, e alimentou o cristianismo até ao concílio Vaticano II? O anti-semitismo é a tara dos monoteísmos prosélitos que provieram do judaísmo.

A insistência de Bento XVI na canonização de Pio XII, além da simpatia ideológica pelo antecessor, é uma tentativa de branquear o passado anti-semita da sua Igreja, como se não tivesse havido Cruzadas, a Inquisição não tivesse perseguido judeus, os papas não os tivessem odiado e não os execrasse o Novo Testamento.

Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Actos dos Apóstolos têm, segundo Daniel Jonah Goldhagen (in A Igreja católica e o Holocausto) cerca de 450 versículos explicitamente anti-semitas, uma média de «mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».

20 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

Uma opinião respeitável…

Ali Agca, o turco de extrema-direita que atirou contra João Paulo II na Praça de São Pedro em 13 de maio de 1981, afirma que o papa polaco foi “um homem excepcional”, informa hoje o jornal “La Repubblica”.

Comentário: O homem é tão bom a pensar como a matar.

20 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

Desde que obedeçam ao Papa…

O papa Bento XVI afirmou hoje, recebendo uma delegação da Igreja Luterana Finlandesa, que desde o Concílio Vaticano II a Santa Sé se empenha “com todo o coração” pela unidade dos cristãos.

18 de Janeiro, 2010 Luís Grave Rodrigues

O Insulto

 

A «Agência Ecclesia» noticia que o Papa Bento XVI visitou este Domingo a Sinagoga de Roma, e defendeu que «o Vaticano ajudou os judeus, muitas vezes de forma “escondida e discreta”, durante a II Guerra Mundial».

 

E pronto: numa única e singela frase este Papa imbecil insultou a memória e vilipendiou a coragem, a honra e a dignidade de milhares de pessoas – sim, muitas delas católicas – que durante a noite nazi e o pesadelo do Holocausto ajudaram tantos e tantos judeus, se virmos bem todas elas bem conscientes de que o faziam frequentemente com o risco das suas próprias vidas.

 

Na sua cegueira fanática de limpar a imagem de Pio XII, o Papa de Hitler, com o óbvio fito de o canonizar mal lhe arranje uma curazinha milagrosa a uma maleita qualquer, Ratzinger tem o autêntico desplante de fazer de conta que não sabe que a política oficial do Vaticano foi tudo menos ajudar os judeus.

 

Muito pelo contrário, é perfeitamente conhecida a ajuda dada aos nazis fugitivos no final da Guerra – de Eichmann aos mais sanguinários comandantes de campos de extermínio – a quem foram concedidos passaportes diplomáticos do Vaticano que lhes possibilitaram a fuga para países da América do Sul.

 

Não sem antes Pio XII ter tido o cuidado de celebrar uma Concordata com a Alemanha de Hitler, como sempre procurou fazer com todos os ditadores, o Vaticano ia mantendo um silêncio confrangedor tanto à «Noite de Cristal» como às atrocidades nazis que o mundo ia conhecendo com o desenrolar da Guerra.

 

E se em 1939 o Vaticano concedeu vistos a cerca de 3.000 judeus que pretendiam fugir da Alemanha, só o fez depois de ter obtido garantias de que todos eles se tinham convertido ao catolicismo e já tinham sido convenientemente baptizados!

 

Pois bem:

Se Bento XVI sabe tudo isso muito bem, quando tem a autêntica lata de vir afirmar que «o Vaticano ajudou os judeus» isso só demonstra que este Papa não é sério e é de uma desonestidade intelectual a toda a prova.

 

Só resta saber quem é que ainda se revê nesta tão curiosa espécie de «líder espiritual»…