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21 de Agosto, 2010 Carlos Esperança

O Vaticano está obsoleto

Juan G. Atienza acusa a Igreja de, com a colaboração do Opus Dei, tentar criar o governo teocrático universal sonhado por Paulo. A sua aberta aliança com a Mafia internacional e a pseudo-maçonaria financeira bem como o abuso indiscriminado do negócio milagreiro (Lourdes, Fátima, La Salette, Chestojowa, o sangue de S. Pantaleão, os milagres do padre Pio, etc., são outras acusações que o mesmo autor lhe faz e de que todas as pessoas se podem dar conta.

Em «Os pecados da Igreja» o Opus Dei aparece como o instrumento do confronto final entre o cristianismo e o islão fundamentalista.

Quem pensa que o estado-maior da ICAR esquece a guerra santa, quem julga que sob as sotainas se escondem apenas desejos reprimidos e votos de castidade, ignora o potencial de violência de que a fé, a repressão sexual e o desejo de martírio são capazes.

Numa carta apostólica sobre o Ano da Eucaristia, João Paulo II concedeu uma indulgência plenária aos católicos que «participaram numa missa, adoração eucarística ou procissão». Enganaram-se os que pensavam que a Igreja tinha mudado. Até na  promoção dos produtos repetiu os bónus que levaram à ruptura com Lutero.

Graças ao fabrico de beatos e santos, em série, JP2 passou a ICAR da época artesanal para a era industrial, com o negócio a ser continuado por B16.

Quem acredita na conversão da ICAR à modernidade?

20 de Agosto, 2010 Carlos Esperança

A religião e os transplantes

Há 56 anos um cirurgião americano, Joseph Murrey, realizou o primeiro transplante humano – um rim doado por um irmão gémeo a outro que estava a morrer de doença renal. A generosidade fraternal foi compensada com mais de 8 anos de vida do irmão transplantado que constituiu família e gerou duas filhas.

Os crentes mais devotos de então consideraram que se tratou de uma profanação do corpo e que os médicos interferiram numa prerrogativa de Deus. Nesse dia os homens deram mais um pequeno passo para a sua emancipação e Deus um enorme trambolhão para o seu descrédito.

O êxito da operação foi também uma vitória sobre a omnipotência e a omnisciência divina cuja credibilidade sofreu um rude golpe. E, a partir daí, milhares e milhares de vidas puderam ser prolongadas graças à ciência.

Para os que acreditam na vida eterna e na ressurreição da carne, deve perturbar-lhes as meninges, no caso de as terem, o que acontecerá no vale de Josafat (entre Jerusalém e o monte das Oliveiras), no dia do Juízo Final. O Deus deles, cruel e medonho, lá estará a julgar os vivos e os mortos, perante uma enorme confusão em que aos problemas logísticos se junta a berraria de quem pede a devolução do fígado,  dos milhares que reclamam os rins próprios, daqueles que exigem de volta o coração ou procuram o esqueleto dividido por centenas de próteses após o acidente rodoviário.

Deus começa a ter problemas complicados. O melhor é desistir dessa ideia maluca da ressurreição e manter-se na clandestinidade a que se remeteu após o género humano ter decidido pensar.

19 de Agosto, 2010 Carlos Esperança

Deferência e cumplicidade com as crenças

Nenhum credo tem o monopólio da violência e da crueldade, mas só a repressão política sobre as crenças irracionais, que a fé perpetua, conseguiu erradicar o tormento que a «vontade divina» infligiu, desde sempre, aos povos dominados pelo clero das diversas religiões.

Não foi a bondade das crenças ou a dos seus zeladores que contribuiu para abolir o esclavagismo, a tortura, a pena de morte, a discriminação da mulher, os autos-de-fé e muitas outras tradições que causaram indizível sofrimento ao longo dos séculos.

As cruzadas, a jihad e o sionismo não são tragédias devidas à má interpretação de textos ditos sangrados, foram e são a dolorosa consequência de serem levados a sério.

A crença hindu de que o casamento de uma viúva é um acto abominável e de que devia acompanhar o defunto para a pira funerária, desafiando a lei, aumentam um intolerável sofrimento à desgraça da divisão em castas e ao carácter sagrado das vacas.

A lapidação de um casal de alegados adúlteros, no Afeganistão, acrescenta, à tragédia que representa a retoma do poder pelos talibãs, o recrudescimento de crenças que a dignidade humana e a liberdade individual não podem consentir.

Este caso não é um acto bárbaro isolado, faz parte dos códigos morais e da tradição de países como a Arábia Saudita, Nigéria, Sudão, Somália, Iémen, Iraque, Paquistão e outros. É um hábito milenar em diversos países islâmicos, praticado em público, para gáudio das multidões. São vários os países, desde o Egipto à Turquia, onde vastos sectores da opinião pública anseiam pelo restabelecimento da sharia com a mesma desvairada fé e incontido júbilo com que os cristãos queimavam bruxas e hereges.

Pio IX afirmou que a religião era incompatível com a liberdade e o livre-pensamento, tal como pensam hoje mullahs, aiatolas e, quiçá, o seu actual sucessor, mas o mundo não pode ficar á mercê do deus que o clero quer impor contra a herança do Iluminismo.

18 de Agosto, 2010 Carlos Esperança

A islamofobia é uma forma de racismo

Os EUA dividem-se entre os que concordam com a aprovação, no final de Julho, do projecto de construção de um centro muçulmano próximo ao chamado Marco Zero, em Nova York, e os que a abominam. Recorde-se que foi nessa zona que ficaram reduzidas a escombros as Torres Gémeas que serviram de túmulo a milhares de pessoas, vítimas da demência fanática da Al-Qaeda, em 11 de Setembro de 2001.

Apesar da proibição de religiões concorrentes nos países onde o islão tornou decadente uma civilização outrora pujante, não podem os países democráticos proceder de igual modo nem um Estado de direito julgar as intenções de quem não tem qualquer acusação ou antecedentes criminais.

Assim, Obama revelou uma vez mais coragem e coerência, que o tornam uma referência ética e política, ao defender a construção do centro islâmico, enquanto Ibrahim Hooper, director de comunicação do Conselho de Relações Islâmicas Americanas (CAIR), se queixa do aumento das manifestações xenófobas contra o Islão.

Mandaria o bom senso que o líder islâmico tivesse avaliado os sentimentos, certamente primários, dos que se opõem à decisão que a ética, o direito e a liberdade não podem impedir. Mandaria a reciprocidade que escrevesse aos líderes dos países onde se aplica a sharia a denunciar o seu carácter terrorista. Mandaria o respeito pelo estado laico que renunciasse ao carácter prosélito da sua religião e à pregação dos versículos terroristas, xenófobos, misóginos e homofóbicos que os crentes, na sua simplicidade, acreditam que o arcanjo Gabriel ditou em árabe a Maomé, com a mesma convicção com que Bush cria que a Bíblia tinha sido ditada a Moisés, em inglês.

O proselitismo dos que não se contentam em conquistar o Paraíso, e querem obrigar os outros, é um detonador de ódios e guerras que urge prevenir.

18 de Agosto, 2010 Carlos Esperança

Madre Teresa de Calcutá (3) – Fim

Por

C S F

Madre Teresa faleceu em 1997. No primeiro aniversário da sua morte, duas freiras na aldeia Bengali de Raigunj afirmam ter prendido uma medalha de alumínio da falecida (uma medalha que estivera, supostamente, em contacto com o seu corpo morto) no abdómen de uma mulher chamada Monica Besra. Esta mulher, que se dizia sofrer de um grande tumor uterino, ficou, assim, curada. Monica é um nome católico não muito comum em Bengala e, portanto, provavelmente quer a paciente quer, sem dúvida, as freiras já eram fãs de Madre Teresa. Esta definição não abrangeria o Dr. Manju Murshed, o director do hospital local, nem o Dr. T. K Biswas e o seu colega ginecologista, o Dr. Ranjan Mustafi. Os três afirmaram que a senhora Besra sofria de tuberculose e de um crescimento ovariano e que fora tratada com sucesso dos dois problemas. O Dr. Murshed ficou particularmente aborrecido com os inúmeros telefonemas que recebeu da ordem de Madre Teresa, as «Missionárias da Caridade», pressionando-o para dizer que a cura tinha sido milagrosa.

A própria paciente não constituiu um tema de entrevista muito impressionante, falando a alta velocidade porque, como disse, «se assim não fosse poderia esquecer» e pedindo que não lhe fizessem perguntas porque talvez tivesse de se «lembrar». O seu próprio marido, um homem chamado Selku Murmu, quebrou o silêncio algum tempo depois para dizer que a mulher tinha sido curada com um vulgar e simples tratamento médico,

Qualquer supervisor hospitalar em qualquer país dirá que às vezes os pacientes têm melhoras extraordinárias (do mesmo modo que pessoas aparentemente saudáveis adoecem muitas vezes com problemas inexplicáveis e graves). Aqueles que desejam certificar milagres podem querer dizer que essas melhoras não têm explicação «natural». Mas isto não significa de forma alguma que há uma explicação «sobrenatural». este caso, porém, não houve nada surpreendente no regresso da saúde da senhora Besra. Alguns distúrbios comuns tinham sido tratados através de métodos bastante conhecidos. Estavam a ser feitas reivindicações extraordinárias sem as provas mais básicas. A imposição de Agnes Gonxha Bojaxhiu ao mundo inteiro em Roma como a santa cuja intercessão se impôs à medicina é um escândalo que adiará ainda mais o dia em que os aldeões indianos deixarão de acreditar em charlatães e faquires.

Muitas pessoas morrerão assim sem necessidade por causa deste «milagre» falso e vil. Se isto é o melhor que a igreja sabe fazer numa época em que as suas reivindicações podem ser verificadas por médicos e repórteres, não é difícil imaginar o que foi inventado em tempos passados de ignorância e medo, quando os padres enfrentavam menos dúvida ou oposição.

17 de Agosto, 2010 Fernandes

Moralidade

“O último deus desaparecerá com o último dos homens”, escreve o filósofo francês Michel Onfray, no seu Tratado de Ateologia; acrescenta: “E com o último dos homens desaparecerão o temor, o medo, a angústia, essas máquinas de criar divindades”.

O ateísmo nasceu com a primeira religião, mas só entrou no cardápio das ideias abertamente debatidas, com o advento do iluminismo. Os ateus divergem em muitos pontos, mas há alguns consensos. Um deles é o de que a moralidade não é um exclusivo das religiões, e, portanto, um ateu pode ser ético e bom como qualquer crente ou o contrário. A favor da tese está a neurociência, cujas descobertas já provaram que até os chimpanzés têm noções morais, sentimentos de empatia e solidariedade – e não rezam nem crêem em Deus. Outro ponto em que todos os autores sobre ateísmo concordam, é que as religiões deixaram e ainda deixam, um enorme rasto de sangue atrás delas. Além dos exemplos clássicos das Cruzadas ou da expansão islâmica pela espada, há exemplos contemporâneos. Na Irlanda do Norte, protestantes lutam contra católicos. Em Caxemira, são muçulmanos contra hindus. No Sudão, cristãos contra muçulmanos, que também se confrontam na Etiópia, na Costa do Marfim, nas Filipinas… Crentes de diferentes religiões ou denominações guerreiam-se no Irão, no Iraque, no Cáucaso, no Sri Lanka, no Líbano, na Índia, no Afeganistão…

Entre os grupos populacionais a que se convencionou chamar de minorias – racial, sexual ou de género –, a minoria mais rejeitada é a religiosa, ou a anti-religiosa. Será isto uma prova da intolerância das religiões? Fará sentido rejeitar alguém apenas porque acredita noutro deus ou não acredita em deus algum? A verdade é que a sociedade ainda olha o ateu como alguém sem carácter, sem ética, “sem moral”. Segundo alguns estudos, apenas 13% da população votaria num candidato ateu. Num país cristianizado, como Portugal, em que os seus líderes religiosos elegem por patética inspiração divina, Fátima, “Altar do mundo!”; alguém que se confesse ateu é olhado de soslaio. É evidente que a moralidade nada tem que ver com a religião, assim como não é o resultado da sua ausência. Adolf Hitler (1889-1945), que planeou dizimar um povo inteiro, dizia-se religioso. Josef Stalin (1879-1953), cujas vítimas rondam os 20 milhões, dizia-se ateu.

A modernidade, com o aumento da escolarização e a crescente profissionalização de certas camadas sociais, fez com que o número de crentes diminuísse drasticamente. A resistência ao mundo da religiosidade é cada vez mais marcada pela descrença. Percebem-se aqui e ali, sinais de que a religião começa a perder aderentes. Não acabam todos ateus, é claro. Entre eles, há agnósticos, secularistas, cépticos e até quem se confesse, meio a contragosto, que foi católico, mas não tem religião, acredita em Deus, mas não é praticante.

Os “sem-religião” já são no Brasil, o terceiro maior grupo, atrás de católicos e evangélicos. Pelos dados do último censo, os sem-religião no país irmão, somavam 12,5 milhões, mais que um Portugal inteiro.

Nos Estados Unidos os sem-religião chegam aos 15%. O embate entre religiosos e os “sem-fé” ficou mais intenso depois dos atentados de 11 de Setembro. Os líderes religiosos, em vez de condenarem os atentados, afirmaram que foi uma punição de Deus por despenalizarem o aborto e a homossexualidade. A direita cristã, interlocutora de Deus, luta para que o seu rebanho não se disperse, e exerce uma considerável influência nas escolas e tribunais. E cresce um notável preconceito relativamente aos ateus de tal modo que a obsessão dos líderes religiosos é “livrarem-se” do estigma social que eles consideram ser o ateísmo.

Em Portugal, por ocasião da visita ao país do papa Bento XVI. Uma pesquisa relevou que aproximadamente 90% dos inquiridos acreditam na existência de Deus, e quase 80% acreditam que Jesus Cristo subiu ao céu depois de morrer crucificado, sendo que aproximadamente 70% acreditam que Maria deu à luz sendo virgem, e continuou virgem. Estes números revelam um Portugal crédulo e supersticioso – é lícito questionar: – Se são cada vez mais abundantes as descobertas científicas sobre a origem do universo e das espécies e a credulidade não se abala diante delas; talvez nenhuma prova científica, por mais sólida e contundente que se apresente, seja capaz de reduzir a crença e a superstição. Ajudará o facto de ainda hoje passarmos em povoados onde não existe uma biblioteca, uma farmácia ou uma escola, mas lá encontramos uma ou mais igrejas e várias capelas?

– Constato que continua a ser mais fácil abrir uma igreja do que uma mercearia.

17 de Agosto, 2010 Carlos Esperança

Madre Teresa de Calcutá (2)

BEATIFICAÇÃO POLÉMICA

Por

C S F

No dia 19 de Outubro de 2003, o papa João Paulo II beatificou Madre Teresa justificando o seu acto com milagre ocorrido com Monica Besra, uma indiana, que foi curada de um tumor no ovário após tocá-lo com uma medalha de Madre Teresa

A madre é fortemente atacada por diversos estudiosos como Christopher Hitchens e Richard Dawkins por ter desviado dinheiro de doações para proveito próprio de sua irmandade, promovendo o sofrimento dos pobres como um meio de arrecadar fundos.
O livro de Christopher Hitchens revela o relacionamento da madre com figuras como Jean-Claude Duvalier e o economista Charles Keating. Este foi responsável pelo roubo de 250 milhões de dólares pertencentes a dezessete mil investidores. Doou 1,25 milhões à irmandade de madre Teresa, que não comentou os acontecimentos.
Sanal Edamaruku, presidente do grupo Rationalist International, no dia da beatificação da freira, acusou-a de mostrar uma imagem distorcida de Calcutá, onde o grupo da religiosa nem se nota. Sanal demonstrou que diversos argumentos e factos defendidos pela freira não terem fundamento ou terem sido manipulados para se adequar à sua visão de pobreza, e que os abrigos da irmandade de Teresa eram construídos de modo desorganizado, tornando-se focos de contaminação e desordem.

Christopher Hitchens foi convidado pelo Vaticano para testemunhar numa audição para a beatificação de Agnes Bojaxhiu, uma ambiciosa freira albanesa que se tomou muito conhecida sob o nome de «Madre Teresa». Muito embora o então papa tenha abolido o famoso cargo de «Advogado do Diabo», para canonizar rapidamente um enorme número de «santos» novos, a igreja continuava a ser obrigada a procurar o testemunho de críticos e assim que aquele jornalista representou o diabo, por já ter ajudado a denunciar um dos «milagres» relacionados com Agnes Bojaxhiu.

O homem que a tornou famosa foi um evangelista (mais tarde católico) inglês chamado Malcolm Muggeridge. Foi o seu documentário Something Beautijül for God, transmitido pela BBC em 1969, que lançou a marca «Madre Teresa» no mundo. O operador de câmara do seu filme era um homem chamado Ken Macmillan, que tinha ganho um prémio pelo seu trabalho na grande série sobre história realizado por lorde Clark, Civilisation. A sua percepção de cor e luz era excelente. Eis a história tal como Muggeridge a contou no livro que acompanhou o filme:
A Casa dos Moribundos de Madre Teresa é mal iluminada por pequenas janelas no cimo das paredes e Ken MacmilIan foi inflexível na recusa de fiImar naquele local. Tínhamos trazido apenas um holofote pequeno e seria completamente impossível iluminar adequadamente o espaço no tempo que tínhamos ao nosso dispor. Não obstante, ficou decidido que Ken tentaria, mas para ter uma garantia de qualidade filmaria igualmente num pátio no exterior onde alguns dos habitantes estavam sentados ao sol. Depois de revelado o filme, a parte filmada no interior estava banhada por uma luz suave e especialmente bela e a parte filmada no exterior encontrava-se bastante esbatida e confusa…
Eu próprio estou absolutamente convencido de que a luz tecnicamente inexplicável é, de facto, a Luz Bondosa a que o cardeal Newman se refere no seu maravilhoso e muito conhecido hino.

Este terá sido o primeiro milagre fotográfico autêntico…
O testemunho verbal directo de Ken Macmillan, o operador de câmara foi os eguinte:
Durante Something Beautifull for God, aconteceu um episódio quando fomos levados a um edificio a que a madre Teresa chamava a Casa dos Moribundos. Peter Chafer, o realizador, disse, «Ah, bem, está muito escuro aqui dentro. Achas que vamos conseguir filmar alguma coisa?» Como tínhamos acabado de receber na BBC uma película nova fabricada pela Kodak que não tinhamos tido tempo de testar antes, eu disse para Peter, «Bem, podemos tentar». E filmámos. E quando voltámos, várias semanas depois, cerca de um ou dois meses mais tarde estávamos sentados na sala de visionamento de filmes não editados dos Ealing Studios quando foram projectadas as imagens da Casa dos Moribundos. E foi surpreendente. Viam-se todos os pormenores. E eu disse, «É surpreendente. É extraordinário». E preparava-me para dizer que devíamos dar três vivas para a Kodak. No entanto, não tive tempo para falar porque Malcolm, que estava sentado na primeira fila, voltou-se e disse: «É luz divina! É a Madre Teresa. Vais descobrir que ê luz divina, meu rapaz.» E passados três ou quatro dias comecei a receber telefonemas de jornalistas de jornais londrinos que diziam coisas do género: «Ouvimos dizer que acabou de voltar da Índia com Malcolm Muggeridge e que foi testemunha de um milagre.»

Em fui convidado pelo Vaticano para uma sala fechada que continha uma Bíblia, um gravador, um monsenhor, um diácono e um padre, e pediram-me se poderia dar a minha opinião sobre a questão da «serva de Deus, a Madre Teresa». Porém, enquanto eles pareciam estar a perguntar-me isto de boa-fé, os seus colegas do outro lado do mundo certificavam o «milagre» essencial para permitir a concretização da beatificação (prelúdio para a canonização plena).