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21 de Maio, 2011 Abraão Loureiro

O Mundo Acabou (continuando vivo)

Quantas pessoas terão mudado as suas vidas e quantas se terão suicidado por culpa dos profetas sem escrúpulos e sacadores de dinheiro?
O que a justiça deveria fazer a quem ameaça as pessoas desmioladas com fins de mundos?

20 de Maio, 2011 Ricardo Alves

Sexo e religião

Um estudo da Universidade do Kansas sobre sexo e secularismo chegou às seguintes conclusões (a partir de entrevistas a mais de 14 mil e quinhentas pessoas).

  1. Ateus e religiosos começam a ter relações sexuais com a mesma idade, e têm relações sexuais um número semelhante de vezes por semana.
  2. Ambos os grupos admitiram masturbar-se, ver pornografia, ter sexo oral.
  3. A diferença é que os ateus estão mais satisfeitos com a sua vida sexual, enquanto os religiosos se sentem culpados.

Portanto: ateus e religiosos são animais da mesma espécie (o homo sapiens), daí o mesmo comportamento. A culpa é que é um implante cultural. Que torna os religiosos menos felizes.

(Rogo que a caixa de comentários mantenha um nível de discussão elevado sobre este assunto.)

19 de Maio, 2011 Ricardo Alves

Estes católicos são loucos

Segundo a mui católica Agência Ecclesia, «Bebés que nasceram por intercessão de Madre Clara estarão na beatificação». Como é que uma pessoa morta em 1899 interveio na fecundação de mulheres nossas contemporâneas, é algo que me dispenso de aprofundar. A bruxaria e as magias não são a minha especialidade. Mas que haja pessoas, em pleno século 21, que fazem pronunciamentos surreais destes, e sem provocar o riso generalizado, é abismal.

Na mesma notícia, descobre-se também que o Policarpo vai levar para casa dele uma falange de um dedo da tal Maria Clara que a ICAR vai «beatificar». Eu sou tolerante, e considero que estes fetichismos são inócuos. Mas se isto se passasse fora da Europa seria considerado idolatria. Acho eu.

19 de Maio, 2011 Luís Grave Rodrigues

Prudência

15 de Maio, 2011 Abraão Loureiro

Um Amigo e Pêras

O melhor amigo do meu pai ainda se mantém vivo na minha memória. Era ateu, activista político e considerado um engenheiro civil notável.
Por vários motivos não o posso esquecer: Porque tinha muita paciência comigo; Porque me acarinhava muito (talvez por não ter tido um filho, era pai de duas filhas bem mais velhas do que eu); Porque me explicou coisas que o meu pai não me explicou. Eu era visita constante na sua casa. Havia motivos fortes para isso: Um piano que me atraía e onde eu martelava as teclas, um violino que eu ouvia, pegava mas não me atraía e um carro descapotável onde eu me sentava e sonhava que conduzia. Sua esposa dava aulas particulares de música. Complementava o orçamento familiar em virtude das dificuldades que ele enfrentava constantemente por ser avesso ao regime. Tão avesso foi que volta e meia a PIDE ia a casa prendê-lo. Uma vez ouvi o meu pai contar a um amigo que ele construiu um esconderijo por baixo do monte da lenha na garagem para aí delinear o orçamento possível de forma a família viver enquanto estivesse na prisão. Terminado o esquema de sobrevivência familiar foi-se entregar voluntariamente. Da última vez não voltou vivo, vítima das torturas infligidas.
Um exemplo do seu elevado nível cultural: Numa das noites que ele me acompanhou até casa dos meus avós (nesse tempo eu tinha 7 anos), perguntei-lhe como é que as cegonhas traziam os bebés. Então ele com a sua habitual calma, tanto no falar como no caminhar, foi-me explicando com todos os pormenores o processo desde a concepção até ao nascimento. Fiquei completamente esclarecido e com a certeza que sabia mais que os meus amigos e olhem que nessa altura nós até já sabíamos umas malandrices. Agora, ao lembrar-me de tantas coisas que ele me ensinou fico admirado comigo mesmo pelo facto de sempre o ouvir com atenção e compreender sem ficar constrangido mesmo nos assuntos que envolveram educação sexual, coisa por muitos impensável ainda nos dias de hoje.
Bom, o motivo desta crónica é simples. Apenas contar a troca de galhardetes entre ele e um outro cidadão (ou vilão, pois nessa época era ainda vila).

Todos sabendo o seu ateísmo, numa conversa de rua há um que dispara:
Oh engenheiro, com essas barbas só lhe faltam os cornos para parecer o diabo.
Resposta na ponta da língua: Meu caro pois a si só lhe faltam as barbas!