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9 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Os crentes voltaram de férias

Reprimidos pela castidade a que a sua religião os obriga, voltaram azedos e malcriados, o que não é exclusivo desses seres com os joelhos calejados nas missas e o pensamento obnubilado pelas orações.

Eles sabem que o ateísmo é anterior à inseminação de uma judia por uma pomba e que sem Paulo de Tarso, que fez a cisão com o judaísmo, e o pouco estimável Constantino, que transformou uma seita perseguida em religião oficial, não haveria cristianismo.

Convém recordar que o logótipo do cristianismo foi, nos primeiros séculos, o peixe e, só depois, o sinal mais o substituiu. Para quem sabe que foram os homens que criaram os deuses, e não o contrário, é curioso observar como os crentes ainda vêem no Pentateuco a palavra do deus abrâmico, não sendo honroso que tal manual sirva de orientação espiritual com a sua crueldade, própria da época em que foi criado, habitual nos seis séculos em que a tradição oral foi sendo adaptada.

Eram tempos em que a vida tinha pouco valor e a violência era apanágio das tribos que se submetiam a um rígido poder patriarcal. É por isso, por razões morais, que um ateu civilizado e que preze a vida não pode ver no Deuteronómio ou no Levítico, v.g., a orientação para uma conduta digna.

Ultimamente, o judeu que divinizaram e se tornou a mascote do cristianismo, está a ser substituído pela alegada mãe que aparece a dar recados, em países católicos, a pessoas de parca sabedoria e forte superstição. Da trindade cristã, o Espírito Santo há muito que foi deixado cair no olvido e é hoje residual o culto de que goza. Em breve restará apenas a virgem Maria para meter cunhas ao divino filho a troco das orações e do óbolo.

9 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

As orações podem matar

Em Veneza os muçulmanos correm risco de vida para rezarem.

9 de Setembro, 2011 Eduardo Patriota

Site de traição pede desculpas à Igreja por uso da imagem de Cristo

A propaganda do site Ohhtel, que chegou recentemente ao Brasil e visa promover sexo fora do casamento entre seus usuários, usou uma imagem do Cristo Redentor para fazer lá sua graça. A propaganda passa longe de ofender os cristãos ou a Igreja, mas foi uma escolha errada, já que a imagem do Cristo Redentor do Rio de Janeiro pertence à Arquidiocese do Rio de Janeiro. A empresa foi forçada a retirar a propaganda.

A retirada foi possível, principalmente, devido à lei sobre direitos de uso da imagem. Particularmente, acho que já temos tanta hipocrisia no meio religioso (ainda que alguns, certamente, se salvem), com seus escândalos sexuais e abusos de crianças, que considero que a escolha foi infeliz. Uma provocação gratuita demais. Algo que, inegavelmente, traria algum tipo de problema ou, no mínimo, um pouco de polêmica. Na verdade, acho que foi exatamente isso o que a empresa do site queria: polêmica. Um golpe baixo de uma empresa que já não está vendendo um serviço dos mais prestativos.

8 de Setembro, 2011 Abraão Loureiro

6 de Setembro, 2011 Raul Pereira

A propósito das 7 Maravilhas da Gastronomia

Comentário de um amigo:

A proliferação de infames ateístas e suas sinistras organizações é preocupante, mas acabo de descobrir o golpe de misericórdia do mundo moderno contra os sagrados valores do cristianismo: a Bertrand anuncia para breve um livro intitulado Cozinha conventual com a Bimby

6 de Setembro, 2011 José Moreira

Humor de Verão (III) – O Bem e o Mal

Filosofia da sanita.

Basicamente, o Bem e o Mal existem. Aliás, nem um poderia existir sem o outro. Com efeito o Mal só se compreende se houver o Bem para termo de comparação. E a inversa também é verdadeira.

De acordo com padres, pastores, rabinos, “ayatolahs”, “sheiks” e outros vendedores da banha da cobra, o Bem e todas as coisas boas foram criações de Deus, e o Mal e todas as coisas más são criações de Satanás. Por mero exemplo, apontam-se, tiradas da Bíblia, as seguintes coisas Boas, criações de Deus Nosso Senhor: as pragas do Egipto; as matanças dos primogénitos; o Dilúvio, etc. Já quanto a Satanás, parece não haver dúvidas de que foi o criador de tudo o que conduz ao pecado e ao Inferno: as mulheres boas como o milho, os bifes de picanha, as francesinhas, e por aí fora.

Pois é, mas não é assim. Na verdade, e contrariando todos os ensinamentos que nos têm sido fornecidos, o Mal foi inventado por Jeová. O primeiro acto mau de que fala a Bíblia foi decidido pelo dito “criador”, e nem sequer foi a morte de Abel, já que, nessa altura, ainda não tinha sido escrito o “Não matarás”. Logo, ainda não era proibido matar o irmão.

Repare-se: Adão e Eva estavam no Paraíso. Tudo era Bom, não Havia Mal. O jovem casal dispunha de tudo o que era necessário à sua sobrevivência e felicidade. Ou antes: de quase tudo. Porque: “Gen 2:17 – Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Ou seja, só é proibido o que é Mau; e Mau era comer da árvore. E foi Deus que o determinou. Foi Deus que inventou o Mal, sem qualquer dúvida.

Resta-nos a consolação de saber que, apesar de tudo, e contrariando (mais uma vez) a decisão divina, Adão não morreu no dia em que comeu da árvore; ainda durou mais uns anitos… Quanto a Eva, parece que ainda é viva, já que a Bíblia não fala na sua morte…

5 de Setembro, 2011 Raul Pereira

Dois livros proibidos

Duas críticas publicadas por José Carlos Fernandes, na Time Out Lisboa, a propósito de dois livros que andam (infelizmente) nas bocas do mundo, na televisão e nas linhas da imprensa e da Internet. Agradeço ao autor a permissão para publicá-las aqui.

 

Benjamin Wiker

Dez Livros que Estragaram o Mundo (10 Books That Screwed Up the World), 2011, Alêtheia (* mauzito)

São 15 e não dez, pois há “mais cinco que também não ajudaram nada”, e vão de O Príncipe (1513), de Maquiavel, a A Mística Feminina (1963), de Betty Friedan, passando por escritos de Descartes, Rousseau, Hobbes, J.S. Mill, Marx, Nietzsche, Lenin e Freud. Quase todos têm fraquezas, alguns (como Mein Kampf) são execráveis, mas poucos merecem ser alvo de simplificações grosseiras, leituras superficiais e citações fora de contexto, de forma a demonstrar, num exercício de panfletarismo sectário e desonestidade intelectual, que as ideias nele veiculadas são a raiz de todos os males do mundo – entre os quais estão o aborto, a homossexualidade, o sexo sem intuito reprodutivo e sem a benção do casamento e a emancipação da mulher.

O que estes livros têm em comum é serem obra de “ateus, e os ateus não gostam de coisas espirituais, porque as consideram enfadonhas” e são criaturas amorais, pois “quando se retira Deus do quadro, deixa de haver limites para o mal”. Do pai de Mill diz-se que estava “persuadido de que o destino e a felicidade dos seres humanos dependiam exclusivamente do esforço dos homens. Era um homem muito perigoso”. Quanto o marxismo, se este “permite demonstrar alguma coisa […] é que a doutrina cristã do pecado é uma doutrina verdadeira”. Já Darwin é um precursor de Hitler e só falta dizer que foi ele que planeou Auschwitz-Birkenau.

Um desses perigosos celerados que não crê no pecado original nem na imaculada concepção de Maria objectará que faltam na lista dois dos livros mais letais de sempre: a Bíblia e o Corão.

[publicado na Time Out Lisboa de 31.08.11]

 

 

Burpo, Todd & Lynn Vincent

O Céu Existe Mesmo (Heaven is for real), 2010, Lua de Papel (+ Infame)

Primeiro as boas notícias: o céu existe mesmo. A Colton Burpo, de quatro anos, filho de um pastor evangélico no Nebraska, estando à beira da morte, foi-lhe concedido visitá-lo e voltar.

Má notícia nº1: o céu de Colton corresponde ao imaginário de um miúdo submetido a doutrinação religiosa maciça desde que nasceu: Jesus tem trono, coroa e um cavalo arco-íris e ajuda as crianças a fazer os trabalhos de casa, reencontramos familiares falecidos, toda a gente tem asas, as portões do paraíso estão cravejados de pérolas, os anjos têm halo na cabeça e usam espadas com que combatem Satanás. Se o Paraíso for mesmo assim, embora as minhas probabilidades de a ele aceder fossem já escassas (demasiada masturbação na adolescência) vou tratar de roubar algumas caixas de esmolas de igrejas – mais vale não arriscar.

Má notícia nº2: 99% do livro é excipiente – vidinha de família numa parvónia do Midwest – e as visões celestiais de Colton cabem numa página.

Má notícia nº3: na redacção do livro, Todd, pai de Colton, teve o auxílio de Lynn Vincent, que possui sólida experiência em mistificações: é autora de Going Rogue, uma biografia glorificada da inefável Sarah Palin.

Má notícia nº4: esta pieguice vendeu dois milhões de exemplares em seis meses e está traduzida em 27 países (oh, por isto, qualquer escritor estaria disposto a morrer clinicamente por uns minutos).

Má notícia nº5: é o meu primeiro encontro com um livro conforme ao português de cafre instituído pelo Acordo Ortográfico, a cujos obreiros desejo que passem a eternidade no céu de Burpo.

[publicado na Time Out Lisboa de 03.08.11]