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11 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

Diário de uns Ateus e a política

O Diário de uns Ateus, nos nove anos de existência que se completam no corrente mês, teve sempre a preocupação de evitar clivagens partidárias e respeitar o pluralismo dos ateus que aqui colaboram e dos que aqui vêm comentar os textos, notícias e imagens.

Procuramos, pois, evitar a luta partidária para que as opções de cada um não molestem o combate contra o obscurantismo, a mentira e o ódio que as religiões destilam. A política procura resolver os problemas das pessoas na sua passagem pela Terra, ao contrário das religiões, que procuram vender um lugar de estacionamento no Paraíso, fique isso onde ficar, com cama, mesa e roupa lavada, ainda que o façam através de ações caritativas.

Mas não nos iludamos quanto à neutralidade política. Os muçulmanos conquistam o seu espaço, não apenas pelo medo, como é hábito de todas as religiões, mas também através das escolas e obras de assistência. Esse modelo é comum às diversas crenças, razão para florescerem em épocas de crise. À medida que o Estado se demite das suas funções na educação e na assistência fica vazio o espaço por onde se infiltram o clero e a legião de crentes disposta a prestar-lhe vassalagem.

Em épocas de prosperidade as religiões recuam; em períodos de crise a fé em deus entra em apoteose. A doença, a fome e o analfabetismo são os ingredientes ideais com que se confeciona a esperança numa bem-aventurança eterna. Os períodos mais dramáticos da história da humanidade corresponderam sempre a amplos movimentos de fé e, muitas vezes, à repressão violenta sobre os descrentes.

Não há a mais leve suspeita da existência de deus mas a fragilidade humana, o medo do desconhecido e o temor da morte fazem as delícias dos parasitas de deus.

A crise internacional, com reflexos dramáticos em Portugal, já prenuncia uma onda de proselitismo servida por obras assistenciais que, tendo aspetos benéficos, não descuram a propaganda.

O ateísmo não pode ser, não deve e não é, uma religião. É uma opção filosófica que tem na defesa da laicidade e no combate às afirmações pias, sem provas, o seu objetivo. É o combate pela liberdade e o livre-pensamento que fazem do ateísmo uma forma superior de moral. A prática do bem não é exclusiva de crentes ou ateus mas é moralmente mais nobre se não tem em vista uma alegada recompensa de um ser hipotético.

11 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

Deus despreza o Vaticano

Vaticano condena cúmplice de espionagem a dois meses de prisão

Dois meses de prisão foi a sentença recebida neste sábado por Claudio Sciarpelletti, técnico de informática acusado de encobrir Paolo Grabiele, ex-mordomo do papa Bento XVI, no caso de roubo e vazamento de documentos do Vaticano. Apesar de condenado, o homem de 48 anos teve a pena suspensa por cinco anos.

10 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

A ALMA MÁ DE SETSUAN – Isabel Jonet

Há 70 anos, Bertolt Brecht contou-nos a história de três deuses que vieram à Terra à procura de uma alma boa e que encontraram na prostituta Chen Tê, que os acolheu, a alma que procuravam. Foi assim, graças ao encontro de uma única alma boa que os deuses desistiram de acabar com a porcaria cuja criação lhes atribuem.

Com uma tabacaria, a prostituta conseguiu ser esmoler ao mesmo tempo que apareciam os oportunistas que dela se aproveitavam e a exploravam. Acabou por inventar a figura masculina de um alegado primo, Chui Ta, vestindo-se de homem, engrossando a voz e tornando-se má para se livrar dos parasitas. E é nesta alternância dialética entre Chen Tê e Chui Ta, que a peça de Brecht se desenrola.

Diga-se de passagem que Chen Tê, na noite que acolheu os deuses, deixou de atender um cliente para fazer a sua boa ação.

Não sei porque me lembrei hoje desta peça e da personagem principal. Há associações por semelhança, contraste e proximidade, e não sei qual foi a que me trouxe à memória a dramaturgia de Brecht.

Talvez a região da milenária China onde viveu Chen Tê seja no multissecular Portugal a zona de Cascais e as tias que vivem na proximidade da paradisíaca baía se aproximem da versão masculina de Chen Tê.

Isabel Jonet não precisou do balcão de uma tabacaria para socorrer os pobres. Ganhou a presidência do Banco Alimentar contra a Fome para exercer a caridadezinha com um olho na sopa e outro na quantidade que os pobres devoram, porque a barriga de pobre é um buraco que não enche e a sua fome insaciável. Um conjunto de pobres chama-se um bando de porcos, capazes de comerem bifes diários, mastigados com ruído e boca aberta e sem reconhecerem os benfeitores nem terminarem com uma prece ao bom Deus.

Em Portugal não há fome e o Banco Alimentar contra a dita é uma mera instituição para satisfazer uma alma crente e exibir, perante os deuses que andam por aí, que a bondade é apanágio da condição social e a sopa uma marca cristã que precisa de pobres para que as tias ganhem o Paraíso.

Confesso: estimo cada vez mais as prostitutas.

9 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

Evolução Islâmica (3)

Universidade do Cairo – 2004

Universidade do Cairo – 1959 (Foto enviada por JPM)

9 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

A evolução islâmica (1)

Irão – 1970

Irão 2012

 

 

Fotos envidas por

João Pedro Moura

8 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

Deus também falha?

Por

Kavkaz

O rabino Dov Berish Englander, de 47 anos, morreu afogado durante um banho ritual no mar na localidade de Aberystwyth, no País de Gales.

Ele era proprietário duma empresa em Stamford Hill, a norte de Londres, casado e tinha 11 filhos entre os 19 meses e 22 anos.

Os judeus presentes no ritual ainda o tentaram salvar, mas a corrente levou-o para o mar agitado.

Não há nada que não possa acontecer aos crentes… Estes sentem-se protegidos por “Deus”, mas há falhas frequentes no sistema de segurança. Quem se responsabiliza?