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31 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

Feliz 2013

Feliz Ano Novo

Feliz Ano Novo

Diário de uns Ateus deseja aos colaboradores e visitantes um 2013 tão feliz quanto possível.

30 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

Bento XVI – um papa obsoleto e reacionário

Consta que o conclave, donde saiu o papa Bento 16, só não elegeu o Prefeito da Sagrada Congregação da Fé (ex- Santo Ofício) à primeira votação, pelo mau aspeto que poderia provocar e para não deixar mal colocado o Divino Espírito Santo a quem se reconhece dificuldade e lentidão a iluminar cardeais.

O novo monarca absolutista e vitalício, regedor do Vaticano, bairro de 44 hectares, sede do catolicismo político, só desagradou a alguns católicos ingénuos convencidos de que a sua religião é compatível com a liberdade e a democracia, que se compadece com a modernidade e se preocupa com a explosão demográfica ou com o flagelo da SIDA que ameaça dizimar a África e provoca tragédias em todos os continentes.

Os católicos fundamentalistas, que sempre digeriram mal essa aventura liberal que deu pelo nome de Vaticano II, exultam com o novo Papa. Os muçulmanos estão de acordo com ele. A sua religião (a de cada um deles) é a única que conduz à salvação, convicção igualmente perfilhada por judeus ortodoxos. Todos têm instruções do seu Deus para converter os outros à verdadeira fé, através dos meios necessários.

Em vez de B16 podia aparecer um papa defensor da democracia, arauto da liberdade, adversário da pena de morte, inimigo da censura, entusiasta do pluralismo. Esse perigo foi esconjurado. Este papa é contra a «ditadura do relativismo», a favor da democracia da verdade única, pois sabe e apregoa que «não há salvação fora da ICAR».

Ainda antes de ser infalível, atributo que desde Pio IX detêm os papas romanos, já tinha identificado as grandes ameaças do catolicismo: «O marxismo, o liberalismo, a libertinagem, o coletivismo, o individualismo radical, o ateísmo e o vago misticismo religioso» e alertado para a necessidade de haver limite à «liberdade de opinião».

A Alemanha, o país que ficou associado à Reforma, tornou-se agora a pátria do profeta da Contra-Reforma, Joseph Ratzinger, sob o pseudónimo de Bento XVI. Desde Adriano VI (1522/23) que a defesa da fé católica não era confiada a um pastor alemão.

A Europa está de parabéns. A secularização conteve a agressividade papal e, agora, há razões para cultivar a teofobia que a emancipe definitivamente do poder clerical. E há uma razão acrescida para reforçar a laicidade do Estado, para que a lepra do islão político não corroa a liberdade cujas malhas foram tecidas pela Revolução Francesa.

Este Papa é definitivamente reacionário.

29 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

O Islão é tolerante e pacífico (comentário)

Por

E – Pá

Deverá estar para aparecer, no Irão, uma vaga de ‘muçulmanos-novos’…a exemplo do que sucedeu por cá, no reinado de D. Manuel, com os chamados ‘marranos’

As declarações do aiatola iraniano são uma amostra dos problemas cíclicos das crenças abraâmicas e das suas infindáveis e sangrentas lutas por seculares e venais hegemonias que, acrescente-se, sempre foram violentas, quando não tórridas (fogueiras da Inquisição).

Estes conflitos que, no presente, sobressaltam e arrasam o Oriente Médio (e outros pontos do Mundo), sempre com raízes religiosas ou de seita, mostram objectivamente como o poder político só poderá ser ‘tolerante e pacífico’ num Estado laico. Esta é também a grande questão que, hoje, inquina e empesta a chamada ‘primavera árabe’

29 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

O Islão é tolerante e pacífico

Aitolá iraquiano afirma que futuro de cristãos no país é conversão ao islamismo ou a morte

O Iraque é um país de maioria islâmica e atualmente, é formado por uma sociedade bastante conturbada, que vive em conflitos de natureza étnica.

Durante uma entrevista a um programa de TV, um dos líderes religiosos do país, o aiatolá Ahmad Al Baghdadi Al Hassani afirmou que a minoria cristã terá duas alternativas, se continuar no país: “converter-se ao islamismo, ou morrer”.

28 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

O Vaticano e a política

O jornal oficial da Santa Sé manifestou hoje publicamente o seu apoio ao primeiro-ministro italiano demissionário Mario Monti, que já admitiu estar pronto para liderar um Governo se for convidado.

O diário “L’Osservatore Romano” publicou hoje um artigo intitulado “A entrada na política do senador Monti”, assinado por Marco Bellizi, em que expressa o seu apoio ao tecnocrata e salienta a necessidade de “recuperar o sentido mais alto e nobre da política”.

Comentário – A última teocracia europeia apoia sempre a direita, desde Hitler e Mussolini a Franco, Videla, Pinochet e Salazar.

28 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

O ateísmo e a cólera pia

Já disse numerosas vezes que a religião e o ateísmo não atestam a bondade de ninguém. Há crentes bem formados e ateus malévolos.

Estaline não era melhor do que Urbano II e Mao, embora mais pudico, não era menos sinistro do que os Bórgias ou pio IX. Acontece que os crentes o são por hábito, desde crianças, por herança familiar ou ainda por constrangimento social, enquanto os ateus o são por não acreditarem em afirmações que carecem de provas.

Não conheço um único ateu que se regozije por ter libertado da hóstia e da genuflexão um crente, mas noto que os créus exultam quando colocam de joelhos um agnóstico ou fazem rastejar um crente de uma religião concorrente.

Os homens não se dividem em crentes e não crentes, separam-se por preconceitos e por intoxicações que os funcionários de Deus fomentam nas madraças, mesquitas, pagodes, sinagogas e catedrais. Há quem prefira rastejar como os répteis a andar de pé como os primatas evoluídos.

A piedade, em vez de apelar à inteligência e à solidariedade, conduz à rivalidade e ao ódio. Um ser imaginário é capaz de transformar em feras o mais pacífico dos homens. Deus é uma tragédia que as multinacionais da fé exploram.

A água benta tem efeitos mais demolidores do que os cogumelos mais venenosos e os sinais cabalísticos, com que o clero hipnotiza os crentes, transformam uma pessoa de bem num cruzado ou num terrorista suicida. O ateísmo não é uma religião mais que disputa o mercado da fé, é a opção filosófica que contraria a superstição e mitiga o ódio que as crenças destilam.

27 de Dezembro, 2012 José Moreira

Deus e deuses

Li, algures e, por favor, não me perguntem onde, que um deus, qualquer deus digno desse nome, deveria ter três características: ser eterno, necessário e actuante. Confesso que, a princípio, não liguei grande importância; mas a verdade é que resolvi dar uns tempos de folga à minha preguiça mental e decidi pensar acerca do assunto.

  1. Eterno – Naturalmente. Deus que é deus, é eterno. É inconcebível um deus que seja criado por outro, porque isso nos leva à pergunta e quem criou o outro?, ora bem, foi outro, certo, mas quem criou estoutro? valha-me deus, foi outro, e assim por diante, e nunca mais chegaríamos a lado nenhum. Depois, teríamos outra situação não menos delicada, se não é eterno morre, e depois? Haveríamos de criar outro deus e passaríamos a vida nisto? Já não nos basta Jesus Cristo, que nasce, morre e ressuscita todos os anos, que trabalheira do caraças, até parece Dionísio? Deus tem de ser eterno, ponto final e que não haja dúvidas! Conclusão: todos os deuses são eternos, desde Jeová a Zeus. Deuses eternos resolvem o problema genealógico. Por isso, Jesus não era deus.
  2.    Necessário – Não queria entrar por aí, mas se um deus não é necessário, para que o queremos? Ora, para ornamentar! diria a minha tia Ifigénia. Mas não é assim, tia! Os deuses não são ornamentos, não são objectos que se colocam em cima dos móveis, assim como uma jarrinha de flores um uma porcelana de Sèvres. Um deus tem de servir para alguma coisa, nem que seja para ajudar a limpar a loiça, ou aspirar a casa. Eu até conheço a história do “elefante branco” e ainda hoje pergunto: para que raio serve uma coisa daquelas, refiro-me ao elefante? Não vou perguntar “para que raio” serve um deus, mas pergunto: para que serve um deus? A tia tem uma predilecção especial por aquela ventoinha que não funciona. Para que serve uma ventoinha parada? É necessária? O que nos leva ao ponto 3.
  3. Actuantes – Pois, aqui é que começam os problemas. Os deuses que conhecemos, nunca fizeram a ponta de um corno. Bom, admito estar a ser injusto: havia o deus dos ventos, a deusa das cearas, a deusa da caça, e até havia Manitu, enfim, havia deuses para todos os gostos. Perdão: deuses para todos os gostos (ver 1.). Mas nada fazem, actualmente. A tecnologia tratou de os pôr a demolhar. Nem o Jeová já serve seja para o que for, embora eu reconheça que a idade também não dê grande ajuda.

A minha tia Ifigénia garante que Deus, o Jeová, criou os céus e a Terra. E que depois dessa obra, também merece descansar. Eu já estou cheio de sono e não me apetece aturar a minha tia, mas ainda lhe perguntei:

  1. Quando não havia Céus e Terra, onde estava Deus?
  2. E o que andava a fazer?
  3. Se o Universo apareceu há milhões de anos, que são um piscar de olhos, se os compararmos com a eternidade, o que andou Deus a fazer durante esse tempo todo?
  4. Eterno? Se calhar… Necessário? Para quê? Actuante? Como?

A minha tia Ifigénia disse que se ia deitar. Pelos vistos, tem mais sono do que eu…

 

27 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) lamenta o encerramento do único diário ateísta, para além do DIÁRIO DE UNS ATEUS.
Pessoalmente, agradeço ao Ricardo Pinho o contributo que deu para a causa ateísta e o seu apelo a favor da Associação Ateísta Portuguesa.
Até breve, Ricardo Pinho. Tens o teu nome no Diário de uns Ateus e espaço para escreveres. Os ateus têm divergências e dúvidas. Bastam os crentes para terem certezas e cultivarem os dogmas.

Em 1999 fundei um sítio web para que se juntasse uma comunidade de ateus e agnósticos para a socialização, informação, e eventual criação duma associação ateísta. Em 2005 foi finalmente criada a primeira associação ateísta em Portugal.

 

Agora, sem recursos para manter uma comunidade e uma publicação neste endereço, encerro-o dignamente. Ateus e agnósticos que achem importante continuar a participar numa comunidade secular, são convidados a inscreverem-se na Associação Ateísta Portuguesa.

 

Quanto a nós, para já é um adeus.

 

@ricardo