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11 de Março, 2013 Carlos Esperança

Glória a S. Josemaria Escrivá de Balaguer

Amanhã os cardeais vão entrar em reclusão para escolherem o sucessor de Bento XVI, o papa que perdeu a tiara, o anel e o camauro mas conservou a santidade e a vida.

Correu o boato de que antigamente era o Espírito Santo que iluminava os cardeais mas pelas asneiras que fizeram nas escolhas, a Opus Dei, uma seita recente, encarregou-se de substituir a pomba. Vale a pena esclarecer como foi criada a prelatura Opus Dei:

João Paulo II, emigrante polaco residente no Vaticano, solteiro, falecido aos 84 anos, papa católico de profissão, acumulou com a função de criar bispos e cardeais a obsessão de fabricar beatos e santos. Pelava-se por milagres e gratificava os autores sem prejuízo da fixação em Maria e uma adoração por virgens que a idade e o múnus exacerbaram.

Mas os santos da igreja católica lembram funcionários acomodados. Fazem um milagre para chegarem a beatos, outro para serem promovidos ao posto seguinte e abandonam o ramo. Só Santo Escrivá fez três, rubricados pelo Papa, em poucos anos de defunção.

Enquanto candidatos praticam a intercessão que lhes rogam mas desistem da vocação milagreira logo que abicham o lugar. E, quando se julgava que a intermediação tinha esgotado as vagas, João Paulo II rubricou alvarás de santo a largas centenas que se estabeleceram em nítida concorrência com os anteriores. Alguns destes fecharam a porta, que é como quem diz, foram apeados das peanhas onde enegreciam com o fumo das velas, se enchiam de fungos com a humidade ou se deixavam corroer pelo caruncho.

Com séculos de pequenos e honestos milagres, habituados à pedinchice autóctone e às lamúrias, quase sempre ao serviço de modestas comunidades que atendiam nos limites do razoável, perderam a aura e a devoção, submersos no tropel de novos e afidalgados ícones com vocação mediática. Migraram para as sacristias, acumulando pó, a um canto, a delir a pintura e o préstimo, a corroer as vestes e o respeito, em santa resignação.

Na religião há uma tendência para o sector terciário. Arrotear a fé, pescar almas, são tarefas pouco gratificantes. Transacionar bulas para mastigar carne à sexta-feira, vender indulgências, trocar santinhos, comercializar bênçãos, é negócio do passado. JP2 substituiu-o pelo lucrativo sector milagreiro. Promover jubileus é também um sucesso garantido para escoar imagens do promotor e fomentar a divulgação dos promovidos.

Não sei quanto valerá um dente de S. Josemaria Escrivá de Balaguer, com certificado de origem. Há de andar por uma fortuna, a avaliar pelo êxtase que o primeiro a ser exibido provocou aos peregrinos durante as exéquias de canonização. Penso que o mercado já está sortido de outras relíquias, nada restando do magnífico taumaturgo para exumar.

Pudessem os piedosos colecionadores ter adivinhado o destino promissor post mortem deste servo de Deus e ter-lhe-iam recolhido em vida duas dezenas de unhas e trinta e dois dentes.

E a perda irreparável da primeira dentição! Quem sabe se a premonição materna não terá acautelado o primeiro incisivo transformando um desvelo num tesouro, através deste estranho processo alquímico – a canonização – segredo transmitido aos sucessores de Pedro e usado em doses industriais pelos dois últimos pontífices?!.

Pudesse Teodorico Raposo ter depositado no regaço de D. Patrocínio uma relíquia de Santo Escrivá, que nem ele, nem a tia, nem Eça sabiam que viria a existir, e a devota Senhora ter-lhe-ia perdoado as relaxações do tartufo, embevecida pelos eflúvios celestes que dimanam da raiz do canino de um santo assim.

Tivesse a premonição dos membros do Opus Dei adivinhado a santidade do fundador, que muito dinheiro e a longevidade papal lograram, e teriam hoje em armazém farto recheio de têxteis tingidos por flagelações ou impregnados de outros fluidos.

A onda de devassidão que grassa no clero amargura os papas – que fizeram do celibato dogma e da castidade virtude – sem que a providência os tenha poupado à corja imensa de pederastas, muitos deles pedófilos, que exornam as dioceses da Igreja romana.

É, pois, necessário que floresçam santos como S. Josemaria cujas relíquias hão de servir de terebentina para desencardir a alma dos que sucumbem às tentações da carne.

Glória a S. Josemaria Escrivá de Balaguer nas Alturas e o poder na Terra ao Opus Dei.

Para substituir o único papa saído vivo do múnus, nos últimos seis séculos, vai começar amanhã um consistório. Tal como nos dois últimos, o Espírito Santo, que gozava da fama de iluminar os cardeais, será substituído pelo Opus Dei. Glória a Santo Escrivá.

10 de Março, 2013 Carlos Esperança

O Vaticano e a violência contra as mulheres

O Vaticano, o Irão e a Rússia são alguns dos países que estão a tentar travar os esforços no combate à violência contra as mulheres, segundo responsáveis que participam na conferência das Nações Unidas sobre o tema.

Mais de 6.000 representantes da sociedade civil estão presentes na sessão anual da comissão da ONU sobre o estatuto da mulher, que se realiza em Nova Iorque.

Referência encontrada no blogue República e Laicidade. Post de Ricardo Alves

10 de Março, 2013 José Moreira

Regresso à “Idade das Trevas”?

Na Croácia, o governo pretende aplicar aulas de educação sexual nas escolas. Naturalmente, a ICAR opõe-se. Compreende-se: educados sexualmente, os adolescentes dificilmente se tornarão vítimas de predadores sexuais.

Para bom entendedor…

10 de Março, 2013 Carlos Esperança

Vídeo constrangedor – Papa Bento XVI

Apesar de os fiéis mais fervorosos não questionarem, um vídeo de 2011 está intrigando até os mais apaixonados. Na ocasião de um evento em Berlim, o Papa Bento XVI cumprimentou todos os representantes e cardeais que ali estavam.

Para surpresa do público, poucos cardeais estenderam a mão ao Papa.

Vários, ao verem que seriam cumprimentados, retiraram a mão deixando-o no vácuo.

Depois disso, alguém tem dúvidas de que ele não era bem-visto na cúpula do Vaticano?

Veja este vídeo …

…e tire suas próprias conclusões.

9 de Março, 2013 Carlos Esperança

A ICAR e a pedofilia

A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) vê o seu prestígio abalado e a deserção de crentes a aumentar, devido aos casos de pedofilia do seu clero.

Quando os crentes duvidam da virtude dos seus padres começam a interrogar-se sobre o poder do seu deus.

Não é apenas a pedofilia que incomoda os crentes, é a dúvida que os acicata sobre quem é capaz de ofender uma criança. Se um padre não respeita uma criança, o que será capaz de fazer a um anjo?

9 de Março, 2013 José Moreira

Preocupações…

A sério, estou preocupado. Tenho andado a acompanhar as cenas dos pré-conclaves, e estou muito preocupado. Há demasiados segredos, e a segurança é grande como é difícil imaginar. Por exemplo, para além de ser proibido transportar telemóveis para dentro da Capela Sistina ainda por cima há um sistema de bloqueio que impede qualquer telemóvel “undercovered” de comunicar com o exterior. Tudo muito demasiado secreto, para o meu gosto. Fico com a impressão de que nem o Espírito Santo vai saber o que se está a passar lá dentro dos pré conclaves e do conclave propriamente dito. E isso é grave, muito grave. Porque o Espírito Santo tem sido o responsável pelas nomeações de grandes figuras e outros figurões, estou a lembrar-me, por exemplo, dos Bórgias, de Gregório IX, criador da Inquisição, João XII, etc. Ora, sem a intervenção do Espírito Santo, o Vaticano arrisca-se a tornar-se uma pessoa de bem, e um local bem frequentado.

Preocupante…

8 de Março, 2013 Carlos Esperança

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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Não, não preciso de expiar ou envergonhar-me dos séculos de exploração feminina, das humilhações a que os homens sujeitaram a mulher, do sofrimento que lhe impuseram. Não sou culpado do anacronismo das leis, do carácter misógino da tradição judaico-cristã, dos preconceitos do clero e da violência das leis que a discriminaram.

Não defendo os conteúdos misóginos da Tora, da Bíblia ou do Corão que legitimam a violência de que são vítimas e as penas a que são sujeitas, sem esquecer a lapidação e as vergastadas públicas a que o fascismo islâmico ainda submete as mulheres.

Nos primórdios da humanidade a força física foi determinante, a divisão do trabalho e a apropriação dos incipientes meios de produção conferiram ao homem a supremacia que o tempo se encarregaria de perpetuar e os homens de defender.

É impensável que a modernidade tenha sido tão lenta no reconhecimento da igualdade, que os preconceitos permaneçam em homens ditos civilizados e a resignação seja aceite por mulheres que sempre foram vítimas da exploração e da violência.

Não aprecio dias internacionais, celebrações impostas pelo calendário, para condenar atitudes que envergonham e permanecer o resto do ano conivente com a tradição.

Abro hoje uma exceção para recordar, não a Idade Média, mas a ditadura salazarista, os valores e princípios que envergonham o passado resgatado pelo Portugal de Abril.

Cito de memória algumas ignomínias de que a mulher foi vítima. Aqui ficam algumas proibições:

– Casamento das professoras do ensino primário, sem autorização superior e com a exigência ao futuro marido de provar que auferia rendimentos mais elevados;
– Administração de bens próprios após o casamento;
– Divórcio, para o casamento canónico (único caso que abrangia também o homem);
– Magistratura;
– Carreira diplomática;
– Saída para o estrangeiro, sem autorização do marido;
– Justificação de faltas a mães solteiras, por motivo de parto (função pública);
– Casamento para as enfermeiras (a proibição terminou ainda no salazarismo.

Doutros horrores, dos crimes de honra, das sevícias toleradas dentro do matrimónio, das violações, agressões físicas e reiteradas humilhações que, sobretudo, nos meios rurais e analfabetos eram constantes e impunes, permanece um rasto silencioso não erradicado. E já poucos se lembram do direito do marido a violar a correspondência da mulher.

Hoje, da opacidade das burkas salta a inteligência, o afeto e a criatividade, saem para o sortilégio do amor, soltam-se para a aventura da ciência e a criatividade das artes. Só as mulheres conseguem ser mães sem deixarem de ser tudo o que os homens podem.