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13 de Março, 2013 José Moreira

Habemus papam

Estou mais tranquilo. E mais confiante.  Mais confiante que tranquilo, eu explico porquê: porque, a menos que haja um cataclismo, ou que o Justin Bieber dê outro concerto, ou que a troica vá embora de vez, ou que o Bloco de Esquerda seja convidado a formar um partido, durante as próximas décadas as televisões vão inundar-nos com as biografias, autorizadas ou não, do Francisco (Chico, para os amigos).

Vão esquecer-se, contudo, de um pormenor. Pormenor em que reside a minha esperança. E se a minha esperança se concretizar, passarei a assistir às missas.

Eu explico: todos sabemos como são absolutamente chatas, as cantilenas religiosas. Felizmente que o canto gregoriano já está embalsamado. Mas agora, temos um papa argentino. Vislumbra-se a esperança de, em vez das monótonas melopeias, passarmos a ouvir, nas igrejas, capelas e catedrais, o sempiterno tango.

E como eu gosto do tango!

13 de Março, 2013 José Moreira

Habemus desperdicium

Permitam-me o copy/paste de um mail acabado de cair na minha inbox. Ou antes, e para ser mais rigoroso: um paste do copy.

 

A RTP já tem três equipas de enviados especiais no Vaticano, a acompanhar uma reunião de senhores de idade com roupas esquisitas que, pelos vistos, vão eleger o próximo líder de uma congregação religiosa. O investimento da televisão pública neste evento social parece avultado e permite aceder a informações de extrema importância, nomeadamente o horário da emissão de fumos a partir de uma determinada chaminé e os nomes dos putativos candidatos ao cargo em disputa, acompanhadas de comentários tão relevantes como “pode ser que sim [que haja fumo] e pode ser que não” ou “eu sei que o senhor [padre] é um homem da igreja”.

Num momento em que, sabe-se, não falta quem esteja empenhado em destruir o serviço público de televisão invocando motivos económicos e de sustentabilidade, o custo da operação Vaticano parece francamente excessivo. Acresce que este “investimento”, para além de desnecessário (e até algo escandaloso num país onde não há dinheiro para quase nada), é pago em boa medida com recurso aos impostos e taxas pagos por todos os contribuintes de um país laico, independentemente do seu credo ou da falta dele, os quais se vêem obrigado a financiar a evangelizadora cruzada televisiva em que a escolha do papa católico apostólico romano está evidentemente transformada.

Face ao risco de, um dia destes, se concretizar a morte do serviço público de televisão e, por essa via, de a cobertura noticiosa do país se tornar ainda mais macrocéfala do que já é, os responsáveis pela RTP deviam pensar duas ou mesmo três vezes antes de se entreterem a brincar às televisões ricas. A defesa do serviço público de televisão precisa de todos (mesmo que seja o Relvas a decidir sozinho em benefício dos amigalhaços) e, assim de repente, parece má política hostilizar uma parte, mesmo que minoritária, obrigando-a a ver vinte minutos seguidos de rebarbativas transmissões directas a partir do Vaticano, quando esse tempo podia e devia ser usado para transmitir notícias realmente importantes (em vez de fait-divers sobre rituais místicos). Tal como estão as coisas, a última coisa de que a RTP precisa é de que os seus dirigentes disparem tiros nos próprios pés, dando ao país um exemplo flagrante de desperdício de dinheiros públicos.

13 de Março, 2013 David Ferreira

Dualidade extrínseca

O povo que se queixa das mentiras com que o poder da era presente o engana, é o mesmo povo que se regozija com as falsidades que o poder de um passado sombrio eterniza.

13 de Março, 2013 José Moreira

Fumo branco, fumo preto

Pela televisão fora, vão passando os mais diversos comentadores, cada qual com o seu palpite acerca da eleição do novo Papa, que eu escrevo com maiúscula apenas para não se confundir com a Cérelac, passe a publicidade. Dentre a catrefada de fazedores de opinião sobressaem, naturalmente, os ligados à multinacional religiosa com sede social em Roma, mais exactamente no Vaticano.

Todos estes comentadores são unânimes num ponto: quando interrogados acerca das características desejáveis do futuro Papa, acabam por se refugiar na resposta mais cómoda, que o futuro é incerto: “o Espírito Santo é que sabe”, com as variações que a imaginação permite. E que são poucas, como se compreenderá. E é aqui que a porca começa a torcer o apêndice dorsal.

Com efeito, desde sempre se disse que o Espírito Santo, seja lá isso o que for, é que inspira aquela cardinalada toda para eleger o gerente. Ora bem: se a entidade referida inspira, por que razão eles demoram tanto tempo a escolher? Não era suposto a inspiração aparecer logo à primeira, para se evitar situações como as do conclave de Viterbo? As respostas a esta magna questão podem ser as mais diversas, e eu tenho algumas, embora hipotéticas, como se compreenderá, mas sei que os amigos crentes não hesitarão em juntar mais algumas, certamente mais fidedignas.

Assim:  o Espírito Santo inspira, mas devagarinho, jeito que lhe ficou, certamente, daquela vez que engravidou mulher alheia. E virgem, ainda por cima;  ou o Espírito Santo inspira com força, mas os cardeais não se apercebem, porque estão distraídos a pensar no Instituto das Obras Religiosas; ou a estória do Espírito Santo é treta, e a eleição mais não do que o fruto de aturadas negociações, tendo como pano de fundo o chamado “Vatileaks”.

Há pouco, na SIC, um padre cujo nome não recordo, asseverava que só por milagre é que o Papa seria escolhido na primeira ronda. Desculpe: como disse? Por milagre??? E não é isso que se espera do tal Espírito Santo? Ou será que ele já não faz milagres por já estar reformado, perdão, emérito?

13 de Março, 2013 Luís Grave Rodrigues

Conclave